III. 4.2 ´ Etude qualitative des images radar obtenues
IV.2 Syst`eme d’imagerie radar FM-CW
IV.2.2 Construction de l’image
IV.2.2.2 Traitement appliqu´e bas´e sur la m´ethode de range-stacking 117
Tendo em conta, o que acima se referiu sobre as marinhas, passamos à análise de como tudo se passa em Alcochete.
É um facto constatado por todos os estudiosos que se têm debruçado sobre o sal que os processos de exploração do sal variam consoante a região do país, em razão do clima e do solo. Também dentro da mesma região podem existir diferenças que podem resultar da localização das marinhas conferindo-lhe especificidade umas em relação às outras, como é o caso de Alcochete. Aqui registam-se dois tipos de marinhas: as marinhas de corredores e as de cabeceira. A tipologia das marinhas determinou algumas adaptações nos processos e técnicas de fazer sal facilitando ou dificultando o trabalho do salineiro no amanho da marinha. A experiência secular acumulada e a constante observação da natureza deram ao marnoteiro a capacidade de construir e amanhar as marinhas de acordo com as condições naturais
existentes.
Em Alcochete a exploração do sal obedece de um modo geral ao processo utilizado nas marinhas do Tejo, ao norte e ao sul de Lisboa e no Algarve, processo que Charles Lepierre classificou como o 3º método, sendo um misto entre o processo utilizado em Setúbal e em Aveiro16
Segundo o autor, este processo (3º método) é semelhante ao de Aveiro uma vez que a água antes de entrar nos cristalizadores atravessa uma série de compartimentos onde se purifica e concentra até se saturar. È comum ao processo aplicado em Setúbal por duas razões: a praia ou seja o solo das marinhas é coberto com feltro e fazem-se três a quatro colheitas.
Por outro lado, na perspectiva de Charles Lepierre os processos de exploração do sal
dependem da existência ou não, no fundo das marinhas de um feltro, tecido, ou tapete vegetal. Na salicultura portuguesa é conhecido por casco, traste, cozimento ou fermento. O estudo recente de Inês Amorim, define com objectividade este tapete de algas: “O casco, constituído
por algas filamentosas, (pertencentes às espécies Microcoleus chtonoplastes e Oscilliatoria lactevirens), é de grande importância, porque forma uma cobertura sobre o substrato,
tornando-o impermeável, o que dificulta a infiltração de água, protegendo, assim, os tanques de perda das salmouras. Estas macroalgas facilitam, também, uma melhor absorção da luz solar, o que provoca um aumento da temperatura, eliminando as impurezas, quer por osmose, quer
16
por absorção dos sais de magnésio. Com efeito, esta excepcional estrutura permite três colheitas de sal, raramente quatro, durante o ano, em Lisboa e Setúbal, ao passo que, nas salinas de Aveiro e figueira, a recolha de sal é feita quase diariamente.”17
A maioria das salinas de Alcochete é provida deste tapete de algas que cobre o fundo das marinhas, tomando a designação de traste (tal como em todos locais da margem esquerda do Tejo) e cozimento nas marinhas do norte do Tejo. Este tapete tem a função de purificar a água e o sal das impurezas dos cristalizadores, onde se produz o sal. Assim se explica algumas diferenças nos processos de feitura do sal, como se explicitará.
É curioso notar que nos trabalhos de Lobo de Lacerda não se encontram referências a este tapete purificador. Talvez não o tenha observado ou desconhecia o papel que desempenhava na produção de sal.
De acordo com as obras consultadas e outra documentação , o primeiro a falar na importância do “tapete Vegetal”, foi Maia Alcoforado, que explicita de forma clara a função que
desempenha, embora alguns autores posteriormente tenham posto em causa esta premissa, argumentando sobre os problemas que pode causar nas marinhas e na extracção do sal, considerando-o pouco relevante e pouco vantajoso na feitura do sal.
No entanto, embora criticada por alguns autores, a função deste elemento natural, foi
reafirmada por outros. Assim em 1954 o inquérito realizado ao salgado de Alcochete refere a importância deste feltro, na produção salífera , chegando a enumerar as salinas que
apresentam traste e as que não apresentam. O autor, mostra ainda as vantagens das marinhas com casco quanto à produção e qualidade do sal extraído, demonstrando que as marinhas providas de casco produzem mais e a qualidade do sal é maior.
Porém, o mesmo autor reconhece alguns problemas que o traste pode causar, caso não haja cuidados acrescidos na altura da rapação, pois podem rasgar o tapete, danificando o fundo dos talhos conspurcando o sal. Por outro lado, os temporais, durante o Inverno podem também causar danos no tapete, pois a água que aí se deposita pode apodrecer o fundo vegetal. Um exemplo disso foi o temporal de 1941. 18 Os danos causados, são de difícil reparação, pois seria necessário esperar dois a três anos para o tapete vegetal se desenvolver.
4.1. O terreno das marinhas:
17
AMORIM, Inês – Aveiro e a sua Provedoria no Século XVIII…, o. c., p.338 18
Na margem esquerda do Tejo, o terreno das marinhas designa-se sapal, formado por aluviões do Tejo. A terra é constituída pela mistura normal de um bom solo arável, composta por argila, areia, calcária e húmus. A alcatifa assenta directamente num chão preto rico em sulfureto de ferro. Os sapais secos são os melhores para fazer sal, pois há sapais que brotam água doce (olhos de água), não sendo tão propícios à feitura do sal, 19 uma vez que dificultam o processo de evaporação, como se explicitou.
O leito das marinhas deve ser cavado, dado que se encontra a um nível superior do Tejo. Parte da terra que é retirada (desaterro) é utilizada na construção dos muros de defesa designados
marachões, que são geralmente guarnecidos com pedra solta. O restante desaterro é utilizada
na divisão do viveiro em compartimentos iguais e paralelos, comunicando entre si por meio de uma abertura, deixada num dos lados. Alcoforado chama aos elementos que dividem os viveiros, naves20 que têm por objectivo impedir que a água bata com o vento, destruindo as bordas do viveiro. As naves são ainda aproveitadas para a lavoura agrícola, onde se cultivam entre outras favas, cevada e pasto.
4.2. Constituição da marinha
Segundo Lacerda Lobo, ”todas as marinhas destes reinos compõem-se de diferentes ordens
de reservatórios destinados a facilitar a evaporação da água salgada, mudando-se esta de uns para outros, concentra-se cada vez mais, até que entrando nos últimos, cristaliza-se o sal em mais ou menos tempo segundo o estado em que entra, e as circunstâncias, que favorecem ou retardam a cristalização.
O número de reservatórios é diverso segundo as diferentes marinhas destes reinos, e sendo estas feitas por homens práticos, que cegamente adoptam a rotina dos seus antepassados, não dispões os ditos reservatórios de forma, que haja proporção alguma na superfície evaporante de uns a respeito de outros, não havendo uma só marinha onde esta seja observada.”21
Assim sendo os vários reservatórios que constituem as marinhas podem agrupar-se em três categorias:
19
LEPIERRE, Charles - Inquérito à Indústria do sal…, o. c., p. 119
A propósito Alcoforado refere que os “O terreno das praias, sapais, é composto duma camada de húmus de 10 metros de espessura, assente num banco de areia, cuja altura é desconhecida”
20
ALCOFORADO, M. da Maia -Museu Tecnológico. o.c., p. 100 21
LOBO, Constantino Botelho de Lacerda - Memórias sobre as Marinhas de Portugal…, o. c. , p. 127 e 128.
- reservatório geral, reserva, o que recebe a água do mar, de um rio ou de um esteiro, para fornecer, na ocasião oportuna, os outros reservatórios. A sua capacidade deve ser, em princípio, igual à soma das capacidades dos outros reservatórios.
- reservatórios de preparação e concentração de água, para abastecer, na ocasião oportuna e com certa graduação, os reservatórios da última categoria.
- reservatórios cristalizadores, onde se obtém a cristalização do sal.
Tendo em conta estas categorias passamos a descrever os vários reservatórios da marinha, neste caso da marinha de corredores.
Assim, na parte mais alta da marinha existe um grande reservatório, viveiro, que comunica com o Tejo por meio duma abertura, porta, feita no marachão, que abre e fecha, elevando-se ou baixando-se um postigo que a fecha hermeticamente.
O viveiro deve ter capacidade suficiente para alimentar a marinha durante 15 dias, porque o rio só chega ao nível das portas nas marés vivas.
Ao viveiro segue-se 4 ordens de bacias evaporativas, onde a água se vai sucessivamente concentrando, que são:
uma reserva, uma caldeira, uma contra-caldeira e uma caldeira de moirar. Junto á caldeira de moirar fica a marinha propriamente dita, onde se dá a cristalização. Esta parte da marinha é composta por duas ordens de compartimentos cristalizadores muito distintas – os talhos e as caldeiras que circundam a talharia.