• Aucun résultat trouvé

Les di ff ´erentes techniques de traitement du signal SAR

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 33-38)

I.3 Configuration et traitement du signal

I.3.3 Les di ff ´erentes techniques de traitement du signal SAR

Embora, não tenhamos conseguido obter dados que nos permitam explorar as relações entre o público e a programação da sala, conseguimos perceber que existia uma espécie distinção social entre os frequentadores dos equipamentos do cinema desde cedo, como é demonstrado pela revista Invicta Cine que escreve, em 1924, dividindo o público entre as «gentis donzelas do Passos, as chiques elegantes do Olímpia, as costureirinhas

397 [s.a.] – Salão da Trindade. A inauguração da época de inverno. In Espetáculos. O Comércio do Porto.

(15 nov. 1930), p. 4. Ver Anexo 3.2.6.

398 TRINDADE – Programa. [Programa semanal impresso], N.º 1. (10 nov. 1930), p. 2

399 Publicidade referente ao Salão Jardim da Trindade. O Comércio do Porto. (6 nov. 1930), p. 3

400 «Art. 136.º Torna-se obrigatória, em todos os espectáculos cinematográficos, a exibição de uma película

de indústria portuguesa com o mínimo de 100 metros, que deverá ser mudada todas as semanas e, sempre que seja possível, apresentada alternadamente, de paisagem, e de argumento e interpretação portugueses.»

Cf. Artigo N.º 136, do Decreto-lei N.º 13564 de 6 de maio do Ministério da Instrução Pública (Inspecção

Geral dos Teatros). Diário da República. I série, N.º 92 (6 de maio de 1927), p. 699

401 [s.a.] – Salão Jardim da Trindade In Espectáculos. O Comércio do Porto. (11 nov. 1930), p. 4. Ver

do Trindade e as sopeiras do High Life»402. Podemos, assim, concordar com o que a Joana Duarte refere acerca destas observações, que acabam por revelar bem «como estes locais ganham uma identidade própria»403.

Na mesma revista, três anos mais tarde, em 1927, são exaltados os esforços da Empresa do Salão Jardim da Trindade em beneficiar, a partir de diversas exibições, o cinema português404. Numa altura em que «muita gente ignora o calvario que tem sofrido os produtores portugueses, para exibição dos seus films», aparece o Salão Jardim da Trindade a apoiar e «facilitar» a sua exibição, como é exemplo o filme Taxi n.º 9297 (editado este ano, 2008, em versão restaurada pela cinemateca405) assim como «a de mais duas ou três peliculas portuguesas». Consegue, desta feita, chegar ao público português e incentivá-lo a ver estas fitas, conseguindo, por fim, «a simpatia do grande público», que agora conhece o que existe e «não regateará louvores à emprêsa proprietaria daquele salão.»406.

A década de 1930 e os anos que se seguiram não foram diferentes em exigência e conteúdo na programação que o Salão Jardim da Trindade quer oferecer ao seu público. Deste período a 1947, a programação desta sala de cinema é tida como «idade de ouro»407.

Estas datas são, igualmente, coincidentes com o trabalho que Alberto Armando Pereira (1902 – 1997) desenvolve enquanto programador oficial deste Salão Jardim. Revelava, desde cedo, a formação de um vasto currículo na área cinematográfica enquanto jornalista, exibidor e distribuidor de filmes em Portugal, tendo também fundado algumas revistas408.

O primeiro contacto que Armando Pereira teve com o Salão Jardim da Trindade – à parte de ser um assíduo visitante das sessões que lá eram exibidas quase desde a sua

402 [s.a.] – Fitas minhas. Invicta Cine. Ano 1, N.º9 (1 fev. 1924) Apud QUEIRÓS - Cinema em Portugal: os

primeiros anos…, p. 24

403 DUARTE – Se não se podem ver filmes, leiam-se as revistas…, p. 165

404 MOREIRA, Carlos – Pelo Cinéma Português. O Salão da Trindade. Invicta Cine. Ano 5. N.º 33. (30 set.

1927), (s/p.). Ver Anexo 3.2.1.

405[s.a.] – Restauros da Cinemateca presentes em festivais internacionais [sítio em linha]. Cinemateca

Nacional, 2018. Disponível em <http://www.cinemateca.pt/Cinemateca/Noticias/%E2%80%8BRestauros- da-Cinemateca-presentes-em-festivais-in.aspx>

406 MOREIRA, Carlos – Pelo Cinéma Português. O Salão da Trindade. Invicta Cine. Ano 5. N.º 33. (30 set.

1927), (s/p.)

407 BANDEIRA – Porto: 100 anos de cinema…, p. 54 408 REAL – Alberto Armando Pereira…, p. 18

abertura –, teria sido por volta de 1918, numa altura em que era correspondente e representante em Portugal da revista espanhola publicada em Nova Iorque, Cine Mundial. A necessidade de a divulgar leva-o a contactar o gerente e proprietário do Trindade, Manuel da Silva Neves, que lhe dá autorização de afixar no seu cinema o cartaz publicitário à revista, «em local bem visível»409. De seguida, cria a revista Porto

Cinematográfico, entre 1919 e 1935 (com algumas interrupções), no mesmo Salão-Jardim

da Trindade, que vai dirigir e editar, em trabalho conjunto com Amadeus Alves Salazar, familiar de Silva Neves, nos escritórios que ficavam no edifício do cinema410.

Este contacto levou-o, a partir daqui, a criar excelentes relações com a Empresa do Trindade e, a partir da década de 1930, acaba por assumir funções de secretário na empresa, ficando responsável pelos programas a apresentar tanto no Cinema Trindade quanto no Cinema Batalha411.

As exigências e os esforços que Armando Pereira tinha em passar «bom cinema» na sala do Trindade não foram poupadas412. Sabemos, inclusive, que um dos lemas que

seguia era o de «não pedir ao público o impossível mas procurar sempre aliciá-lo para o melhor»413.

Nesse sentido, logo antes de se ter dado a inauguração da época de inverno e do sonoro no Cinema da Trindade, as sessões que se seguiam a Herois do Ar (com elenco muito conhecido e “amado” pelo público, como já vimos anteriormente) e Julgamento

Canino já estariam programadas. Num aviso ao público do Salão-Jardim pode-se ler:

Levamos ao conhecimento do Público que os programas do Trindade, qualquer que seja o êxito obtido, apenas serão exibidos durante uma semana, a-fim-de podermos exibir todos os grandes filmes marcados para esta temporada.414

409 Ibidem, p. 18-20; 26 410 Ibidem, p. 18-20; 26 411 Ibidem, p. 47

412 [s.a.] – O Trindade contrata importantes películas. Cinema. N.º 8. (12 de março 1932), p.10. Apud

DUARTE, Joana – Se não se podem ver filmes, leiam-se as revistas…, p. 91

413 REAL, Luís Neves – De 1919 a 1930. Carta Aberta a Alberto Armando Pereira. Depoimento de um

explicando acerca das lições do seu Mestre. In REAL – Alberto Armando Pereira…, p. 44

414 EMPRESA do Salão Jardim da Trindade – Salão Jardim da Trindade. [Publicidade-Aviso ao Público].

A semana seguinte a esta inauguração, o Trindade contava então com outra «super-produção de luxo» e com elenco conhecido: Rio Rita, «cantada, dansada, falada e em parte colorida», com John Boles, «excelente artista (…) não é um novo no cinema, comquanto seja desconhecido ainda em Portugal» e a «bem conhecida do público português» Bebe Daniels. No programa do Salão-Jardim pode ainda ler-se que Rio Rita terá revelado na atriz, uma das melhores fonogenias415 de Hollywood416.

Num aviso seguinte, a Empreza do Cinema Trindade, que tinha decidido que cada um dos programas não excedesse uma semana «qualquer que fosse o exito obtido», decidiu que Rio Rita, pelo «sucesso incomparável» e «o agrado extraordinario desta super-produção» que se manifestou pelas lotações esgotadas em todas as sessões, assim como a pedido de muitas pessoas que ainda não tinham oportunidade de ver o filme, ficaria mais uma semana417.

O filme a ser estreado na semana seguinte seria Orquídeas Bravas, com Greta Garbo, uma outra atriz de renome418. A partir desta data, ainda no mesmo ano, seguem-

se outros tantos filmes, interpretados por diversos atores muito conhecidos e apreciados do público, como é exemplo O Principe Cigano, «Filme sonoro, de luxo (parte falado e colorido)» com John Barrymore419 e O Meu Camarada, um «emocionante filme completamente Falado e Cantado» com Al Jolson, «a mais vigorosa Voz do Cinema nas mais lindas e enternecedoras Canções»420.

No seguimento do referido lema que Armando Pereira seguia, e dentro deste esforço de exibição de algumas das «produções cinematográficas de maior valor»421 e de trazer ao grande público, a oportunidade de não perder «bom cinema»422 que terá criado em 1930, o já referido “programa-revista”, TRINDADE-programa.

415 Ver Capítulo 3

416TRINDADE – Programa. [Programa semanal impresso], N.º 1. (10 nov. 1930, p. 6

417 Publicidade referente ao Salão Jardim da Trindade. O Comércio do Porto. (23 nov. 1930), p. 3. Ver

Anexo 3.1.4., Fig. 20

418 Publicidade referente ao Salão Jardim da Trindade. O Comércio do Porto. (23 nov. 1930), p. 3

419 Publicidade referente ao Salão Jardim da Trindade. O Comércio do Porto. (18 dez. 1930), p. 2. Ver

Anexo 3.1.4., Fig. 21

420 TRINDADE – Programa. [Programa semanal impresso], N.º 5 (16 dez. 1930)

421 [s.a.] – O Trindade contrata importantes películas. Cinema. Nº8 (12 mar. 1932), p. 10 Apud DUARTE

– Se não se podem ver filmes, leiam-se as revistas…, p. 91

422 REAL – De 1919 a 1930. Carta Aberta a Alberto Armando Pereira. Depoimento de um explicando

Primeiro do género, este programa-revista, foi feito inteiramente por ele e pensado como uma maneira eficaz de chegar ao público. Este projeto nasceu, por outro lado, à luz da inauguração do sonoro no Cinema Trindade, numa tentativa de incitar o interesse por parte dos espectadores para estes novos filmes423. Por ser uma época em que este cinema sofria uma «mutação» do cinema mudo para o falado em idioma estrangeiro (podemos ver que alguns dos filmes eram falados em espanhol). Tal mudança podia significar um risco pela redução de produção que ia ao encontro do agrado do público424.

No TRINDADE-Programa, além de publicitar os filmes a exibir no Cinema Trindade, passava também diversas informações e notícias que considerava pertinentes a respeito da produção, estúdios, estrelas, e outras informações cinematográficas a nível nacional e mundial. Guardava também um espaço para correspondência com público, com Perguntas e Respostas, onde o mesmo assinava com o pseudónimo «EU SEI TUDO».

Apesar de todos os condicionalismos, principalmente económico, dado que a aquisição ou contratação dos filmes eram de elevado custo, enquanto os cinemas tiveram que baixar o preço dos bilhetes, numa época de «concorrência cerrada» entre os poucos salões com sonoro portuenses à época – o lema de Alberto Armando Pereira manteve-se inalterado para o Cinema Trindade: «Sempre de melhor a melhor»425.

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 33-38)