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Performance des estimateurs du mouvement de la cible

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IV. 3.3 ´ Etude qualitative des images radar

IV.3.4 Performance des estimateurs du mouvement de la cible

Armazéns de Mercearias, Cereais, Legumes, Miudezas e Papelaria

Fig.17

Fonte: Arquivo da Fundação João Gonçalves Júnior

Conclusão:

O salgado de Alcochete, destaca-se relativamente aos outros centros produtores pela especificidade da tipologia das salinas e do solo que determinaram processo e técnicas no amanho das marinhas e de exploração, especificas e características desta região.

Considera-se importante desenvolver todos os esforços para manter a marinha do “Brito” a funcionar. Embora funcione segundo processos mecanizados, ela representa um empenho por parte das entidades responsáveis, para manter viva a tradição pelas seguintes razões:

- a mecanização constituiu uma alternativa para responder às exigências da concorrência no mercado;

- é o único testemunho vivo de uma indústria que marcou a cultura e a História de Alcochete; -o processo de remodelação a que foi sujeita é uma evidência e uma prova histórica, da evolução técnica da indústria salineira em Alcochete e no país, que sempre caracterizou esta indústria em Alcochete.

A marinha da “Gorda” pelas suas características especificas e pelas facilidades de acesso, apresenta condições para voltar a funcionar segundo os processos tradicionais,

perspectivando-se um espaço de musealização, visitável ao público. A musealização desta salina poderá constituir um estimulo para que particulares e outros recuperem outras salinas e voltem a fazer sal.

A criação de um ecomuseu do sal, deverá constituir um núcleo de dinamização e interpretação da paisagem natural, criando-se circuitos turísticos que atraiam o visitante e lhe dêem a possibilidade de usufruir, no presente como no futuro deste património.

Finalmente a recuperação do património das marinhas, para além de manter viva uma tradição que ameaça extinguir-se, desempenha um papel fundamental sob o ponto de vista ambiental, uma vez que serve de local de abrigo e refúgio para muitas aves aquáticas, contribuindo para a sua preservação, principalmente no Inverno, pois constituem um local onde as aves procuram abrigo e alimentos alternativos aos espaços que se encontram cobertos de água.

3º Capítulo – Famílias do sal

1. Introdução

Neste capítulo pretende-se fazer uma abordagem da salicultura numa perspectiva sociocultural, evidenciando-se as famílias que se dedicaram à actividade salineira, quer enquanto proprietários das marinhas e muitas vezes responsáveis directos pela produção, ou como produtores que arrendavam salinas; os salineiros eram uma peça fundamental nas marinhas, pois era graças ao seu trabalho, que todos os anos as marinhas se cobriam de montes de sal, repetindo-se sempre os mesmos trabalhos, usando-se os mesmos instrumentos, seguindo-se o ciclo da natureza. É um capitulo dedicado a uma comunidade que viveu do sal e em torno da qual se desenvolveu uma cultura própria que reflecte a actividade salineira e que é, ao mesmo tempo, geradora dessa cultura.

A faina salineira manifestou-se em diversas formas no quotidiano do homem e marcou a cultura e a história local; as várias manifestações quer religiosas quer as profanas estão intimamente ligadas ao rio, evidenciando-se a indústria salineira. Assim se justifica a opção de incluir neste capítulo as manifestações culturais e algumas produções artísticas, que se traduzem no desenvolvimento de um artesanato local, produzido por salineiros, e em festividades de longa tradição, que constituem a memória desta comunidade.

Trata-se de um capitulo em que se pretende, por um lado, abordar a cultura material enquanto portadora de informações que explicam e esclarecem uma realidade, e, por outro, a cultura imaterial que se traduz nos rituais festivos que se perpetuaram através dos tempos e que constituem também a memória colectiva.

Segundo Pierre Nora, a “memória é um fenómeno sempre actual, um elo vivido no eterno presente; a história, uma representação do passado. Porque é afectiva e mágica, a memória não se acomoda a detalhes que a confortam; ela alimenta-se de lembranças vagas, telescópicas, globais ou flutuantes, particulares ou simbólicas, sensível a todas as transferências, cenas, censura ou projecções. A história, porque operação intelectual e laicizante, demanda análise e discurso crítico. A memória instala a lembrança no sagrado, a história liberta, e a torna sempre prosaica. A memória emerge de um grupo que ela une, o que quer dizer, que há tantas memórias quantos grupos existem; que ela é, por natureza, múltipla e desacelerada, colectiva, plural e individualizada. A história, ao contrário, pertence a todos e a ninguém, o que lhe dá uma vocação para o universal. A memória enraíza-se no concreto, no espaço, no gesto, na imagem, no objecto. “1

Nesta perspectiva é importante a preservação e musealização do património cultural desta comunidade, enquanto “lugares de memória”, que traduzem as vivências que ultrapassam o momento histórico em que vivemos na fronteira do que éramos, num quadro-rural-local, e o que somos, num quadro global. Os “lugares de memória” evidenciam o desejo do retorno de rituais que definem e identificam os grupos, a vontade de busca e de pertença do grupo.

1

Para Pierre Nora, “os lugares de memória nascem e vivem do sentimento que não há memória espontânea, que é preciso criar arquivos, que é preciso manter aniversários, organizar celebrações, pronunciar elogios fúnebres, notariar atas, porque essas operações não naturais. É por isso a defesa pelas minorias, de uma memória refugiada sobre focos privilegiados e enciumadamente guardados nada mais faz do que levar à incandescência a verdade de todos os lugares de memória. Sem vigilância comemorativa, a história depressa as varreria. São bastiões sobre os quais se escora. Mas se o que eles defendem não estivesse ameaçado, não se teria, tampouco, a necessidade de constituí-los. Se vivêssemos verdadeiramente as lembranças que elas envolvem, eles seriam inúteis. E se, em compensação, a história não se apoderasse deles para deformá-los, transformá-los, sová-los e petrificá-los eles não se tornariam lugares de memória. É este vai e vem que os constitui: momentos de história arrancados do movimento da história, mas que lhe são devolvidos. Não mais inteiramente a vida, nem mais inteiramente a morte, como as conchas na praia quando o mar se retira da memória viva” 2

Nesta perspectiva, considera-se fundamental dar continuidade ao trabalho sobre as famílias do sal, e às vivências, tradições e costumes que deverá ser trabalhado e desenvolvido pelo museu, com características de história social. Será necessário desenvolver um extenso trabalho sobre as vivências e memória da actividade salineira, enquanto identidade da comunidade.

A manifestações culturais, rituais festivos, romarias e gastronomia, fazem parte da memória da

comunidade, estando intimamente ligadas à memória das famílias. Esta deverá ser outra área importante a desenvolver pelo museu, com características sociais no qual se pretende celebrar e tornar memorável as vivências dessa comunidade.

Relativamente à metodologia de investigação utilizada, uma vez que se trata de um capítulo da história oral, optou-se por uma metodologia de natureza qualitativa3, alicerça-se na recolha oral, embora muitas vezes se recorra também à informação escrita para corroborar ou acrescentar alguns aspectos relevantes dos assuntos em estudo.

Tendo em conta que se trata de um trabalho de investigação etnográfica, optou-se por uma metodologia de recolha de informação no terreno, onde predomina a observação participante. Enquanto investigador, o observador participante vai fazendo anotações e outros registos de informações, de forma a responder às questões e objectivos previamente definidos (Anexo, D) e, enquanto participante, vai aumentando o seu grau de conhecimento sobre a realidade em estudo, aprendendo com as pessoas.

Esta técnica de observação tem a grande vantagem de possibilitar a flexibilidade e abertura na recolha de informação, permitindo assim uma visão mais ampla e profunda da realidade tratada, conforme se explicitará a seguir.

A observação qualitativa caracteriza-se pela recolha de informação, de modo sistemático, através do contacto directo com situações específicas. Esta técnica existe desde que o homem sentiu necessidade de estudar o mundo social e natural e constitui uma técnica básica de pesquisa. 4

2

NORA, Pierre – Entre Memória e História: a problemática dos lugares, o. c., p.13 3

Denzin & Lincoln - Handbook of qualitative research , London:Sage,1994 4

A observação qualitativa tem a particularidade de ser fundamentalmente naturalista; pratica-se no contexto da ocorrência, entre os actores que participam naturalmente na interacção e segue o processo normal da vida quotidiana.5 Os observadores qualitativos não estão limitados por categorias de medida ou de resposta, são livres de pesquisar conceitos e categorias que se afiguram significativas para os sujeitos.

Dentro da observação qualitativa, a observação participante é aquela que melhor traduz e cria condições propícias ao processo de recolha de informações para esta investigação, implementada no terreno em várias fases. Segundo Colás6, a observação participante obedece a várias etapas de observação: a selecção de cenários (o cenário inicial ideal é aquele a que o investigador tem um acesso mais fácil, estabelece uma boa relação com os sujeitos e oferece informações directamente relacionadas com as questões fundamentais da pesquisa); recolha de informação (através de notas de campo, registos textuais dos diálogos com os actores observados e entrevista com os informantes-chave) e tratamento de protocolos recolhidos (reflexão teórica sobre os aspectos observados, formulação de conexões entre as diversas dimensões da realidade observadas). A partir da interacção entre estas etapas é possível estabelecer hipóteses e relações que podem conduzir à formulação de uma teoria mais geral.

De acordo com a autora supracitada7, a observação qualitativa apresenta vantagens fundamentais na recolha de informação das quais se destacam as seguintes: as potencialidades que demonstra no estudo das dinâmicas e inter-relações dos grupos em determinados cenários socioculturais; a facilidade na obtenção das informações internas aos grupos que não seria detectáveis a partir de outras técnicas (ex.: entrevista); a possibilidade de aprofundar o conhecimento das culturas de grupos; a garantia da credibilidade dos resultados ao permitir o trabalho com fontes próximas e em primeira mão; a facilidade no registo de informações não-verbais. A observação tenta evitar a distorção artificial da experimentação e a dimensão “entorpecedora” da entrevista

.

No entanto, alguns autores têm apresentado críticas a esta técnica das quais se destacam o perigo da subjectividade proveniente da projecção de sentimentos ou pré-juizos do investigador, a incidência do comportamento do investigador na dinâmica do grupo e a perda de capacidade crítica face a uma possível identificação com o grupo. É também importante ter em conta o facto de nem todos os fenómenos serem

Segundo estes autores, a observação científica distingue-se das observações espontâneas pelo seu carácter intencional e sistemático e permite-nos obter uma visão mais completa da realidade de modo a articular a informação proveniente da comunicação intersubjectiva entre os sujeitos com a informação de carácter objectiva.

RUIZ OLABUENGA, J.I.- Metodologia de la investigacion cualitativa, 1996, considera que a utilização desta técnica, quando é orientada em função de um objectivo formulado previamente, planificada sistematicamente em fases, aspectos, lugares e pessoas, controlada relacionando-a com proposições e teorias sociais, perspectivas científicas e explicações profundas e é submetida ao controlo de veracidade, objectividade, fiabilidade e precisão pode transformar- se numa poderosa ferramenta de investigação social 4. Uma dos princípios fundamentais da observação caracteriza-se pelo não-intervencionismo do observador. O observador não manipula nem estimula os seus sujeitos.

5

ADLER, A.; ADLER, P. – Observational Techniques, oc. pp.377-392, 1994 6

COLÁS BRAVO; Buendia, L; Hernandez, F. – Métodos de Investigaçión en Psicopedagogía.,1998 7

passíveis de análise através da observação porque estão latentes em níveis demasiado profundos ou porque é grande o seu grau de dispersão8

Porém, os problemas levantados à utilização desta metodologia, podem ser colmatadas através de actividades de confronto tais como: estudo complexo e sistemático do caderno de terreno, confronto de modelos teóricos múltiplos, confronto das conclusões com os actores implicados e descrições muito precisas das situações particulares. Nesta linha de pensamento considerou-se que a observação qualitativa constitui a opção metodológica que melhor responde aos objectivos desta investigação tendo em conta: a complexidade dos assuntos para a qual se exigia a recolha de informação qualitativa de vária ordem, e em espaços e momentos diferentes; a possibilidade de apreensão de informações internas a este grupo sócio-cultural, com uma dinâmica própria, e que não seria possível obter mediante uma entrevista de estrutura rígida. A observação participante criou condições favoráveis à apreensão da realidade de forma mais completa e abrangente. Conforme se ia avançando na investigação assim se ia construindo o puzzle em que as peças iam encaixando umas nas outras. Por outro lado, permitiu fazer registos de informações, que se descobrem para além das palavras, isto é, a apreensão e registo de informações não-verbais tais com: como as expressões faciais o encolher de ombros, as pausas ou silêncios enquanto fala, os sorrisos.

De acordo com os pressupostos definidos sobre a observação participação, o processo de recolha de informação foi feito de acordo com as seguintes fases:

A 1º fase:

Objectivo: Conhecer o espaço e as pessoas explicitando os motivos da visita

Esta primeira caracterizou-se pelo processo de entrada no terreno, que se iniciou em Abril de 2008; o investigador foi à marinha do Brito para conhecer, o espaço e as pessoas que aí trabalhavam.

Explicitou os motivos da visita esclarecendo sobre o tipo de trabalho de investigação que estava a desenvolver.

2ªfase:

Objectivo: Acompanhar os processos de feitura do sal, registando-se aspectos importantes dos trabalhos executados.

No primeiro contacto com a realidade a observar (1ª fase) e com o marnoteiro Sr. Manuel Nicolau, estava a iniciar-se o processo de limpeza da marinha. Por isso, as visitas à marinha continuaram durante os meses seguintes, tendo com objectivo observar “in situ”, como se processava a feitura do sal e os trabalhos efectuados pelo homem.

Fui questionando sobre o que se estava a fazer, para que serviam e como se utilizava instrumento que estava a ser usados (ex. o uso do pesa-sais, tendo observado como funcionava este instrumento constituído por um tubo e um termómetro).

8

No início de Agosto (8 de Agosto) observei o início da rapação do sal, e fui questionando o Sr, Manuel Nicolau (informante) sobre os trabalhos que eram feitos de modo tradicional e os trabalhos mecanizados.

A 20 de Agosto iniciou-se o transporte do sal para a serra, observando-se que todo o processo era feiro mecanicamente. Observou-se como se constrói uma Serra de sal.

Nestas visitas fui fazendo anotações, registos obtidos pelos diálogos tidos com o mestre da marinha e com outros trabalhadores, mas também os que eram estabelecidas entre os próprios trabalhadores. Fui fazendo registo fotográfico e filmagens.

O investigador tornou-se uma presença quase familiar para os trabalhadores.

Ao longo deste percurso no tempo, foi-se criando um clima de empatia em que o principal informante S. Manuel Nicolau, foi ganhando a confiança do investigador – observador; o grau de confiança estabelecido constituiu um elo fundamental, para a recolha de informação, tornando-se o Sr. Manuel Nicolau um informante colaborante. Começava a perceber o tipo de trabalho de investigação que estava a desenvolver e a importância das informações prestadas e do seu registo como forma de para manter viva uma tradição que ameaça cair no esquecimento.

Apesar da safra do sal ter terminado o Sr. Manuel Nicolau continuava a ir todos os dias à marinha. Por isso, sempre que surgia uma dúvida sobre um assunto em estudo através das fontes escritas (ex. estrutura das marinhas, que diferenças existe entre as marinhas de cabeceira e de corredores, ou para que servia determinado instrumento) visitava o Sr. Manuel Nicolau na salina questionando-o, esclarecendo dúvidas.

3ª fase:

Objectivo: Recolher informações de acordo com os objectivos estabelecidos.

O clima de empatia e a segurança estabelecido entre o entrevistador e entrevistado, tornou-se fundamental para recolher informações mais detalhadas sobre a indústria do sal, respondendo aos objectivos pré- estabelecidos.

Pretendia-se nesta fase recolher informação sobre: como tinha sido a vida do Sr. Manuel Nicolau, enquanto salineiro: quando e como começou a trabalhar, que funções desempenhou na marinha; como se faziam os diversos trabalhos conducentes à feitura do sal e quem os fazia – especialização das funções dos salineiros; que famílias trabalharam nas Salinas do Brito - registo dos nomes; estrutura das salinas e seu funcionamento, processos e fases de produção; instrumentos utilizados; vestuário utilizado; alimentação; (Anexo, D).

Estas questões foram realizadas em vários dias, uma vez que, por vezes, os diálogos eram interrompidos por compradores de sal ocasionais, pelo facto do informante demonstrar um certo cansaço para continuar o diálogo e as falhas de memória características de uma vida de 85 anos.

Daí a necessidade de recolher informação em diferentes momentos: um dia falamos sobre a vida de salineiro e as funções que desempenhou nas marinhas; noutro dia falamos sobre as famílias que trabalharam nas marinhas do Brito; finalmente abordou-se a questão relacionada com a tipologia das salinas, evidenciando-se a Marinha da Gorda e a Marinha do Brito.

Ao sistematizar a informação, por vezes, foi necessário confirmar e/ou completar alguns dados. Então voltou-se à marinha para confirmar com o Sr. Manuel Nicolau (informante).

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