III. 4.2 ´ Etude qualitative des images radar obtenues
IV.3 Validation par la simulation
IV.3.1 G´en´eration du signal re¸cu pour un signal FM-CW par la simulation 134
IV.3.1.2 Modification de la polarisation
O sal é conservado nas eiras em “serras”, formadas pelo sal das várias rasas. A serra tem uma forma prismática. Refere Alcoforado que tem a forma de uma quilha voltada e segundo Charles Lepierre “ou mais simplesmente em forma de telhado de quatro águas”42.
Para construir a serra começa-se pela primeira rasa tirada no início de Agosto. A 2º rasa é colocada contra a primeira, de cada lado e à mesma altura. Finalmente a 3ª rasa aplica-se também de cada lado contra a 2ª.
O operário que faz a Serra é o serreiro.
Depois de todo o sal colocado na serra e de apajar as serras, são cobertas com junco e palha- carga (também chamada palha de paul). O sal fica protegido da acção da chuva do Inverno que se aproxima. O sal na serra perde algum do seu peso inicial, mas fica privado de sais de magnésio. 43
Assim se explica que o número de canastras para perfazer um moio, quando carregado das barachas até à Serra fosse constituído por 15 canastras e da Serra par o barco, o moio era constituído por 18 canastras, 3 canastras a mais para as “quebras”
Fig. 10
Fonte: Sal Comum, p .43, 1950
Assunto: Serreiros a cobrir a Serra com palha de pauis Autor da fotografia: desconhecido; s/d
42
LEPIERRE, Charles - Inquérito à Indústria do Sal…, o.c. p.129 43
4. Alagamento da marinha
O alagamento da marinha dá-se no fim da safra, ou seja depois da última rapação. Quando as primeiras chuvas de Setembro tornam a cristalização impossível, os marnoteiros metem nas salinas uma camada de água salgada de 60 cm de altura, sem lhes escoar as águas-mães do verão antecedente; a marinha fica assim até princípio de Maio.44
Esta operação tem lugar depois, das primeiras chuvas de Setembro em que o marnoteiro, sem
evacuar45, para o Tejo, as águas mães da última cristalização introduz pouco a pouco nos talhos a água concentrada que se encontra nos compartimentos anteriores. Caso a água existente na marinha não for suficiente utiliza-se a água do viveiro, em dia de maré viva, chegando aos talhos com uma concentração de 8 a 10º Bé e deixando a marinha toda alagada. A água atinge uma altura de 50 a 60 cm e tem por objectivo proteger a marinha dos rigores do Inverno. Segundo o inquérito ao salgado de Alcochete, realizado em 1954, por Luís A. Lopes Dias, a água atinge uma altura de 30 a 40 cm. Refere o mesmo autor que “com esta forma de alagamento, as limpezas são bastante atenuadas e o cozimento fica mais protegido, pois não se depositam imediatamente lamas sobre ele”46.
Nas marinhas de Alcochete há ainda a distinguir os dois tipos de alagamento: o normal e o de urgência.
O alagamento normal refere-se ao que acabamos de descrever – no fim da última rapação, fim de Setembro, princípio de Outubro, quando as condições climatéricas já não permitem uma nova colheita, procede-se o alagamento progressivo da marinha.
O alagamento de urgência é motivado pela chegada das chuvas abundantes, imprevistas. Assim a marinha é rapidamente alagada para evitar males maiores.
A altura da água do alagamento nos talhos deve manter-se mais ou menos constante, escoando ou dando água à marinha, conforme a necessidade. Os restantes compartimentos são também alagados, excepto o viveiro e a reserva que ficam em seco e com as portas abertas para o esteiro, impedindo-se desta forma a formação de limos.
Assim fica a marinha durante todo o Inverno até Março, altura em que se inicia o novo ciclo de produção com os trabalhos preparatórios para a produção do sal.
5. Tipos de sal produzido
Os tipos granulométricos de sal produzidos no salgado de Alcochete, são o sal grosso, sal traçado e sal fino.
44
LEPIERRE, Charles- Inquérito à Indústria do Sal…., o. c., p. 102 45
Id. Ibid. , o.c., p.126 46
Conforme já se referiu os tipos de sal produzido dependem de vários factores, mas essencialmente do tamanho dos talhos e da altura em que se faz a rapação.
Desta forma, na 1ª rapação e em talhos grandes (superiores a 12), obtém-se normalmente sal grosso; nas marinhas de talhos pequenos obtém-se sal traçado. Há ainda a ter em conta o efeito das nortadas que são propícias à formação de sal grosso.
Também conforme já se referiu na analise dos processos de produção do sal (tecnologia do sal), a partir da 2º rapação as marinhas, nomeadamente os talhos apresentam condições favoráveis à produção de sal traçado e fino. 47
Normalmente o sal produzido é branco, excepto quando é produzido para usos industriais, ou quando as marinhas têm falta de água e por isso a evaporação nos talhos é muito elevada, provocando o sal amarelado.
Quanto ao sal para usos industriais, a sua produção é acidental e resulta das condições atmosféricas.
Em 1936, Charles Lepierre, verificou a existência de vários tipos de sal, proveniente das marinhas de Lisboa e que eram comercializados no mercado nacional e externo. Assim segundo as informações que recolheu junto da maior firma exportadora de sal S.A.E.S (Sociedade Agrícola exportadora de sal), na pessoa de D. Francisco Quintela e Júlio Pires, proprietários de salinas em Alcochete, os tipos de sal eram os seguintes:48
1- Sal grosso, obtido nas primeiras rasas, era exportado principalmente para a Madeira e Porto, sendo depois levado para Trás-os-Montes, também era exportado para a Suécia. Este tipo de sal é usado essencialmente na salga.
2- Sal traçado é o sal da mistura tirado no comprimento de toda a Serra, em que se mistura o sal grosso do centro das várias rasas e o sal fino das cabeças da Serra.
3- Sal traçado fino, ou sal de tipo de Aveiro, é a mistura do sal, apenas das cabeças da Serra.
47
LOPES, Luís A. Dias – Salgado de Alcochete. o.c., p.51 e 58
Na parte sul do talho a camada de sal tem sempre maior espessura, devido ao arrastamento de cristais e solução menos densa ( mais rica em CL NA) e também devido a uma melhor acção do vento. O facto de se verificar uma maior agitação no talho do lado sul, faz com que o sal aí produzido seja mais fino.