Não houve diferença na produção de frutos comerciais e não comercial do tomateiro (Tabela 19). Porém o método Fenda garfagem produziu 17,5 frutos comerciais m-2 a mais e 0,7 kg de massa comercial m-2 a menos que o pé-franco (testemunha) (Tabela 19). Isto corresponde à produtividade estimada de 175 mil frutos comerciais a mais por hectare e que faz diferença na relação custo benefício do produtor, já que o tomateiro em algumas regiões é comercializado pelo produtor, em caixas e não em kg, como por exemplo, em algumas cidades do interior de São Paulo.
Isto fará diferença ainda maior se o mercado consumidor não for exigente em frutos grandes, pois o método Fenda garfagem produziu maior numero de frutos que os demais tratamentos na classe de 0-39 mm de diâmetro equatorial (Tabela 20). Porém não diferiu do método Encostia (Tabela 20).
Também com tomateiro, Branco et al. (2007) não obtiveram diferenças significativas na produção das plantas enxertadas comparadas as de pé-franco.
Tabela 19. Produtividade comercial, não comercial e total do tomateiro em função dos
métodos de enxertia, baseado no número e massa dos frutos por m2. UNESP-FCA-FEPP, São Manuel, SP, 2011.
Comercial Não comercial Total Comercial Não comercial Total Tratamentos ...Frutos m-2... ...kg m-2 ... Contato em bisel 111,25 a 1,56 a 112,81 12,52 a 0,14 a 12,66 Fenda garfagem 138,44 a 1,88 a 140,32 13,48 a 0,16 a 13,64 Encostia 108,13 a 1,56 a 109,69 11,66 a 0,22 a 11,88 Pé-franco 120,94 a 1,25 a 122,19 14,18 a 0,13 a 14,31 F 3,79ns 0,21ns 1,77ns 0,34ns CV (%) 11,69 16,80 12,76 11,20
* ou ns Teste F significativo ou não significativo a 5 % de probabilidade
Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.
O tratamento pé-franco apresentou melhor aproveitamento na produção do tomateiro, pois a produtividade comercial das plantas deste foi maior (98,98% para frutos e 99,09 % para massa dos frutos) e não comercial menor (1,02% para frutos e 0,91 para massa dos frutos) que a das plantas enxertadas, independente do método de enxertia utilizado (Figuras 7 e 8). As plantas do método de enxertia que mais se aproximou das plantas pé-franco com relação ao aproveitamento da produção foram as do Fenda garfagem (98,66 para frutos) e as do Contato em bisel (98,89% para massa dos frutos) (Figuras 7 e 8).
Figura 7. Porcentagem de frutos comerciais e não comerciais na produção de tomateiro em
função do método de enxertia e pé-franco. UNESP-FCA-FEPP, São Manuel, SP, 2011.
Neste experimento 3 não foi inoculado a bactéria R. solanacearum nas plantas de tomateiro. Porém apesar de não haver alta diferença entre plantas enxertadas e pé- franco com relação à produção de tomateiro, é importante ressaltar que em áreas infestadas por esta bactéria, a produção através de plantas pé-franco é muito difícil, e neste tipo de área é visível a diferença de produção entre plantas enxertadas e pé-franco.
Figura 8. Porcentagem da massa fresca (kg m-2) dos frutos comerciais e não comerciais na produção de tomateiro em função do método de enxertia e pé-franco. UNESP-FCA-FEPP, São Manuel, SP, 2011.
Ao classificar os frutos de acordo com diâmetro equatorial, constatou- se que as plantas pé-franco e as enxertadas pelo método Fenda garfagem produziram maior quantidade e massa de frutos na faixa de diâmetro equatorial entre 60-69 mm, porém não diferiram das plantas enxertadas pelo método Contato em bisel (Tabela 20). O método Encostia produziu o menor numero de frutos nesta faixa, porém com relação a massa de frutos nesta faixa não diferiu estatisticamente dos métodos Contato em bisel e Fenda garfagem(Tabela 20).
Na faixa 50 – 59 mm, apesar de não ter existido diferença estatística, o Fenda garfagem produziu maior numero de fruto (Tabela 20). É importante destacar a produção de frutos dentro desta faixa de diâmetro, pois o maior numero e massa dos frutos deste estudo foi dentro desta faixa de diâmetro equatorial (50 – 59 mm), e é também dentro dessa faixa que se classifica a maior parte dos frutos produzidos pelo tomate ‘Pizzadoro’® que é do tipo italiano e foi utilizado neste estudo. Este tipo de classificação de frutos é muito importante, pois influencia no volume comercializado pelo produtor e faz parte dos padrões exigidos pelos consumidores.
As plantas enxertadas através do método Fenda garfagem produziram maiores numero e massa de frutos com diâmetro equatorial entre 0 – 39 mm que os métodos Contato em bisel e plantas pé-franco (Tabela 20). Estes resultados mostram que as plantas enxertadas com o método Fenda garfagem resultaram na produção de frutos menores e com menor massa em relação aos outros dois métodos de enxertia e plantas pé-franco. Nas demais faixas de diâmetro equatorial não houve diferenças entre os métodos de enxertia e pé-franco.
A maior produtividade não comercial ocorreu nas plantas enxertadas por Encotia, seguidas pelas plantas enxertadas por Fenda garfagem, Contato em bisel e pé- franco (Tabela 21). As plantas pé-franco apresentaram menor produtividade não comercial, porém não diferiu estatisticamente dos demais tratamentos e as plantas enxertadas que mais se aproximaram das plantas pé-franco, foi as enxertadas por Contato em bisel (Tabela 21).
Baseado na tabela 21 pode-se observar que os defeitos que ocasionaram a produtividade não comercial foram manchas, podridão apical, cancro, rachaduras e queimaduras do sol. Os frutos das plantas enxertadas por Contato em bisel apresentaram problemas de manchas e cancro. As enxertadas por Fenda garfagem obtiveram frutos com problemas de manchas, cancro e queimadura do sol. O principal defeito encontrado nos frutos das plantas enxertadas por Encostia foram as rachaduras, além das manchas, cancro e queimaduras do sol. As plantas pé-franco apresentaram maior massa de frutos com sintomas de cancro, porém não diferiu dos demais tratamentos. As plantas pé-franco foram as únicas a apresentarem frutos com problema de podridão apical de forma representativa (Tabela 21).
Tabela 20. Produtividade comercial do tomateiro, baseado no número, massa (kg) dos frutos comerciais por m2 e na classe do fruto (CQH-CEAGESP 2003), em função dos métodos de enxertia e pé-franco. UNESP-FCA-FEPP, São Manuel, SP, 2011.
Diâmetro equatorial (mm)
0 a 39 40 a 49 50 a 59 60 a 69 70 a 79
Tratamentos 1Frutos 2Massa 3Frutos 4Massa Frutos Massa 5Frutos 6Massa 7Frutos 8Massa
Contato em bisel 0,00 b 0,00 b 15,63 a 0,91 a 80,00 a 9,49 a 15,00 a 2,05 ab 0,63 a 0,08 a Fenda garfagem 2,19 a 0,06 a 16,25 a 1,18 a 102,50 a 9,78 a 17,50 a 2,46 ab 0,00 a 0,00 a Encostia 0,31 ab 0,01 ab 11,56 a 0,80 a 83,44 a 9,18 a 12,19 b 1,55 b 0,63 a 0,12 a Pé-franco 0,00 b 0,00 b 10,94 a 0,66 a 89,06 a 10,62 a 20,63 a 2,85 a 0,31 a 0,05 a F 5,10* 4,70* 0,43ns 1,11ns 2,67ns 0,38ns 19,82* 7,44* 0,67ns 0,61ns CV (%) 17 2,47 26,55 22,19 6,71 20,54 27,58 27,46 13,53 12,07
* ou ns Teste F significativo ou não significativo a 5 % de probabilidade. Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de
probabilidade. 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, Dados originais transformados consecutivamente para X+5, X+1, 1/√X, √X, √X, X+1, X+5, X+1.
Tabela 21. Produtividade não comercial do tomateiro em função dos métodos de enxertia e pé-franco, baseado na massa dos frutos
por m2. UNESP-FCA-FEPP, São Manuel, SP, 2011.
1 Massa Total 1 Mancha 1 Podridão Apical 1 Cancro 1 Rachado 1 Queimado do sol
Tratamentos ...kg m-2... Contato em bisel 0,14 a 0,06 a 0,00 a 0,05 a 0,00 a 0,03 a Fenda garfagem 0,16 a 0,04 a 0,00 a 0,06 a 0,00 a 0,06 a Encostia 0,22 a 0,03 a 0,00 a 0,04 a 0,09 a 0,05 a Pé-franco 0,13 a 0,00 a 0,03 a 0,10 a 0,00 a 0,00 a F 0,34ns 0,46ns 1,00ns 0,29ns 3,00ns 0,83ns CV (%) 11,2 7,5 2,54 9,86 5,29 6,06
* ou ns Teste F significativo ou não significativo a 5 % de probabilidade. Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de
7.3.2 Características qualitativas da produção de tomateiro em função dos métodos