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La progressivité au cours du curriculum

Chapitre 2 : le point de vue épistémique des élèves sur la Technologie

2. L’identification des éléments d’organisation curriculaire

2.2. La progressivité au cours du curriculum

Segundo Santos (1999), a literatura afirma que o sucesso de um estudo está intimamente ligado à escolha adequada do tipo ou dos tipos de instrumentos a utilizar, sendo esta escolha dependente dos objectivos pretendidos.

São vários os instrumentos de recolha de dados: a entrevista, o questionário, ou a observação. Também é possível trabalhar dados existentes na forma de arquivos, banco de dados, índices ou relatórios. Estes não são produzidos pelo investigador e são normalmente denominados de dados secundários, em contraste com os dados primários que são colhidos directamente pelo investigador (Fortin, 2003). No presente estudo, os dados foram recolhidos através da aplicação de um questionário.

Converse & Presser (1986) argumentam que o questionário não é apenas um formulário, ou um conjunto de questões. O questionário é um instrumento de recolha de dados que procura medir alguma coisa. Assim, implica um processo de planeamento, com base na conceptualização do problema e no plano da investigação. Com base neste pressuposto, a etapa seguinte é preparar uma lista abrangente de perguntas sobre cada variável a ser medida. Em seguida serão operacionalizadas, através de escalas ou questões fechadas.

Segundo Fortin (2003), deve-se ainda considerar: o método de abordagem dos respondentes, a sequência e a ordem das questões, e o tipo de questão a ser utilizada. Quanto ao tipo de instrumento, observa-se que há vantagens e desvantagens em cada tipo. As alternativas são: questionários enviados pelos correios, questionários auto- administrados, ou questionários administrados para um grupo de pessoas, questionários on-line etc.

Ainda segundo o autor, a escolha cuidadosa de um ou outro método de abordagem dos respondentes procura aumentar a taxa de respostas. Alguns factores que têm apresentado sucesso comprovado em diversos estudos são: o envio de carta ao respondente solicitando sua participação, a explicação sobre o método de amostragem utilizado e como o respondente foi escolhido, a identificação da organização que apoia a pesquisa, a aparência do envelope (com selo colado no envelope e pessoalmente endereçado ao respondente), o uso de publicidade na imprensa local, o apelo a incentivos, a garantia de confidencialidade no tratamento dos dados, o uso de envelopes selados para a resposta, o tamanho do questionário e o interesse que desperta no respondente.

Outra escolha diz respeito ao ordenamento das questões dentro de cada módulo. Alguns pesquisadores utilizam uma abordagem de afunilamento das questões, iniciando com questões amplas sobre o tópico e descendo a pontos específicos. Torna-se difícil elencar princípios gerais, já que cada estudo apresenta seus próprios problemas de ordenamento das questões. O que se procura evitar é colocar ideias na mente dos respondentes ou sugerir que eles devam apresentar atitudes que de facto não apresentam (Fortin, 2003).

Todos os autores recomendam a conveniência de realizar um pré-teste ou teste- piloto com o instrumento antes de aplicá-lo definitivamente. Este pré teste, permite ao investigador verificar, se as questões são compreensíveis; se a duração da entrevista está adequada; se a sequência das questões é a adequada; se há questões “sensíveis”; se há condições de analisar os dados; se os resultados têm sentido.

Quanto ao tipo de questões, podem ser fechadas e abertas, ou alguma combinação entre elas. As questões fechadas, utilizadas apenas na pesquisa quantitativa, apresentam pontos fortes e fracos. No primeiro caso, observa-se que apresentam a vantagem do preenchimento e da análise mais rápida. Como desvantagem, observa-se que muitas vezes os dados obtidos são de carácter superficial. Para construção de questões recomenda-se o seguinte: i) construir questões claras; ii) evitar temas especializados; iii) evitar questões pessoais; iv) evitar colocar duas questões no mesmo item; v) evitar questões que sugerem a resposta. (Santos, 1999)

Neste estudo, o questionário foi dividido em duas secções, a primeira tem como objectivo caracterizar o respondente e estão relacionadas com: i) o sexo; ii) a idade; iii) as habilitações académicas; iv) o local de residência; v) a motivação para assistir a um evento especial; vi) o local preferido para aquisição do título de ingresso; vii) a intensidade da ida a espectáculos ao vivo. Já na segunda secção, foi solicitado aos respondentes que hierarquizassem, da mais preferida para a menos preferida, nove combinações. Cada combinação contém uma especificação/nível de cada atributo. Neste caso, o inquirido observou as diferentes combinações em diferentes “cartões” e procedeu à sua hierarquização.

Green & Srinivasan (1990), no seu trabalho sobre implicações da Análise Conjunta na pesquisa de campo, observam que, tendo em vista a dificuldade em classificar-se diversos estímulos na análise decompositiva, somente devem ser considerados, os atributos mais relevantes. Assim, elegeu-se os atributos e níveis exibidos na Tabela 5.1.

Uma vez que se optou por elaborar “cartões”, ou estímulos, seguindo um esquema de perfil completo (full-profile), houve que decidir que combinações de níveis de atributos seriam apresentados ao inquirido. Cada estímulo corresponde à definição de um produto/serviço hipotético utilizado na avaliação. No caso em estudo, e considerando os atributos (ou factores) e os níveis existem 3 x 3 x 2 x 3 = 54 estímulos diferentes (Tabela 5.1). Em termos experimentais corresponde ao plano 33 x 2, uma vez que existem três factores com três níveis e um factor com dois níveis.

Atributos (Factores) Nível

1 Até 10 € 2 Entre 10 € e 20 € A Preço 3 Mais que 20 € 1 Evento Desportivo 2 Evento Musical B Tipologia 3 Family Show 1 Fim-de-semana C Período 2 Semana 1 Jornal ou revista 2 Outdoor D Comunicação 3 Internet

De acordo com Reis & Ferreira (2000), o arranjo factorial integral associado ao plano experimental corresponde a todas as possíveis combinações de níveis e factores. Nas aplicações da Análise Conjunta, a utilização do arranjo factorial integral é inviável devido à capacidade humana ser limitada, obrigando a reduzir o número de estímulos. A alternativa é utilizar um arranjo factorial fraccionário, subconjunto do arranjo factorial integral, suficiente para estimar o modelo conceptualizado. Apesar de poderem escolher-se quaisquer estímulos para constituir o arranjo factorial fraccionário, privilegiam-se os arranjos factoriais fraccionários ortogonais - inexistência de correlação entre factores. Através da aplicação Orthogonal Design do package informático SPSS, obteve-se um arranjo factorial fraccionário ortogonal com nove estímulos para o plano 33 x 2.

Preço Tipo Período Comunicação Estímulo

(cartão) 3 2 1 1 1 3 3 1 2 2 2 1 1 2 3 2 3 2 1 4 2 2 1 3 5 1 3 1 3 6 1 1 1 1 7 3 1 2 3 8 1 2 2 2 9

Tabela 5.2 Arranjo Factorial Fraccionário Ortogonal

com Nove Estímulos para o Plano 33 x 2

Assim, com base nas seguintes combinações de níveis, foi solicitado aos inquiridos que os hierarquizassem do mais preferido para o menos preferido, com o objectivo de estimar o modelo conjunto.

Card 1 Preço Mais que 20€ Tipo Evento Musical Período Fim-de-semana Comunicação Jornal ou Revista

Card 4 Preço Entre 10€ e 20€

Tipo Family Show Período Semana Comunicação Jornal ou Revista

Card 7 Preço Até 10€ Tipo Evento Desportivo Período Fim-de-semana Comunicação Jornal ou Revista Card 2

Preço Mais que 20€ Tipo Family Show Período Fim-de-semana

Comunicação Outdoor

Card 5 Preço Entre 10€ e 20€

Tipo Evento Musical Período Fim-de-semana

Comunicação Internet

Card 8 Preço Mais que 20€ Tipo Evento Desportivo

Período Semana Comunicação Internet Card 3

Preço Entre 10€ e 20€ Tipo Evento Desportivo Período Fim-de-semana Comunicação Outdoor

Card 6 Preço Até 10€ Tipo Family Show Período Fim-de-semana

Comunicação Internet

Card 9 Preço Até 10€ Tipo Evento Musical

Período Semana Comunicação Outdoor Figura 5.1 Nove Estímulos Resultantes do Arranjo Factorial

Com o objectivo de ajustar o instrumento, antes da aplicação do questionário, foi efectuado um pré teste junto de 10 gestores de eventos da Expo Arade, EM - empresa gestora do Portimão Arena. Durante o pré teste foi utilizado um arranjo factorial fraccionário ortogonal com 16 estímulos para o plano 42 x 32, tendo sido solicitado aos inquiridos que ordenassem manualmente os 16 cartões/estímulos. Considerando a quantidade de cartões, verificou-se a inexequibilidade do modelo. Face a esta circunstância, tornava-se imperioso a redução do número de cartões e o recurso a uma metodologia alternativa de apresentação do questionário que permitisse chegar ao maior número possível de inquiridos. Assim, a opção recaiu sobre a utilização da Internet. Para o efeito foi desenvolvido propositadamente para este fim uma solução informática para aplicação do questionário e recolha de dados.

Tal como referido, com vista à recolha de dados, o questionário foi colocado on- line durante 45 dias, com um link a partir da página inicial, dos web sites,

www.expoarade.pt e www.portimaoarena.pt. De modo a evitar a repetição da participação, foi garantido que o mesmo IP não acedesse mais que uma vez ao questionário.