• Aucun résultat trouvé

Como mencionado anteriormente, a implantação do UCA nas escolas públicas estava condicionado a critérios de escolha e condições de infraestrura para receber o projeto. Não obstante, as escolas que foram beneficiadas aqui no Estado do Rio Grande do Norte não supriam totalmente os critérios para escolha, nem mesmo as condições físicas para bom funcionamento das atividades.

Mesmo sem uma estrutura física adequada, o projeto UCA adentrou as escolas do RN. Segundo Gomes (2011), “todas as escolas contempladas no Estado foram visitadas e a partir destas visitas foram elaborados relatórios de sua configuração inicial. Nenhuma das escolas possuía estrutura física adequada para início do projeto.” (GOMES, 2011, p.04). Este também era o caso da instituição investigada, a Escola Estadual Maria Cristina, em Parnamirim - RN. O atraso na organização física da escola para receber o projeto acabou influenciando no andamento das atividades de formação.

Segundo o site do UCA, “as escolas deveriam possuir, obrigatoriamente, energia elétrica para carregamento dos laptops e armários para armazenamento dos equipamentos.” (BRASIL, UCA, 2012).

Apesar de ser constatada a falta de estrutura física, o projeto foi começado, inicialmente, envolvendo apenas os representantes do NTE e NTM, com o apoio das Secretarias, sendo as atividades efetivas apenas à distancia, por meio da plataforma e-proinfo. No final de 2011, os professores já estavam levando os laptops para sala de aula para que os alunos tivessem contato com a tecnologia, ao mesmo tempo em que estavam participando da formação.

Na Escola Estadual Maria Cristina, algumas partes da infraestrutura exigida só ficaram prontas no final do ano de 2011. De acordo com o diário de campo, elaborado no dia 28 de fevereiro de 2012, na oportunidade da observação do campo investigado, foi diagnosticado que a escola recebeu, com apoio das Secretarias de Educação, novas cadeiras e mesas de estudo, ar condicionado e pinturas no final do ano de 2011. Já os armários para hospedagem e carregamento dos laptops em cada sala só ficaram prontos em janeiro de 2012.

Acrescentamos que toda essa estrutura foi adquirida também com empenho do NTE junto às Secretarias de Educação. A estrutura da E. E. Maria Cristina extrapola as exigências do Projeto UCA e, no final, o resultado foi satisfatório. Abaixo, seguem imagens que retratam a estrutura das salas de aula depois da chegada do Projeto UCA.

Figura 01: Escola Estadual Maria Cristina (Parnamirim - RN). Novas salas de aula para recepção do Projeto UCA. Novas mesas e armários para carregamento dos laptops.

Fonte: Imagens registradas pela pesquisadora.

Contudo, no que se refere às condições necessárias para a efetivação das atividades de formação docente, destacamos a precária conectividade wireless. O acesso simultâneo à internet é um dos assuntos mais polêmicos nas escolas onde o projeto atende, inclusive na Escola Estadual Maria Cristina.

A difícil conectividade simultânea à rede torna-se um problema, pois limita as possibilidades de uso dos laptops educacionais. Atividades como a pesquisa e o acesso à funcionalidade da Web 2.0 (como, por exemplo, a utilização e produção de vídeos on-line) são exemplos de funcionalidades citadas pelos professores que ficam prejudicadas, por não haver internet para todos simultaneamente.

A infraestrutura de conectividade wireless disponível, tanto na escola de Parnamirim - RN como nas demais escolas do UCA – RN, é a chamada “internet social”, oferecida pela empresa “Oi”, implantada por meio de um acordo de cooperação técnica entre MEC e Secretaria de Educação, para atender às demandas do Projeto Um Computador por Aluno. Contudo, a qualidade da internet oferecida não garante conectividade wireless de forma satisfatória. A internet é de baixa qualidade, gerando problemas na formação e na execução de aulas elaboradas pelos professores com uso dos laptops educacionais.

Outra condição necessária para o funcionamento da formação é o que fragilizou o desenvolvimento da mesma na escola, referente à garantia de tempo para planejamento e formação dos professores para serem inseridos os laptops no contexto de ensino.

A falta de tempo para formação e planejamento de aulas com uso dos laptops é uma constante na escola analisada. Poucos são os momentos destinados aos estudos de apropriação tecnológica e para elaboração de planos de ação em salas de aula. Na escola Maria Cristina,

são reservados encontros mensais. A cada mês, é tido um encontro entre os professores-

multiplicadores e professores da instituição.

Esse seria mais um aspecto que interfere, de forma efetiva, no desempenho dos professores em sua formação. Para ser estruturado e desenvolvido de forma eficaz o projeto em que se faz uso de um novo aparato para ensinar, faz-se necessária a dedicação ao estudo, não só sobre apropriação da tecnologia (Entendida aqui apenas como o conhecimento da técnica que subjaz a tecnologia), mas também tempo e espaço para refletir, pesquisar, agir, construir e reconstruir saberes e práticas. Além do que, os longos espaços entre um encontro de formação e outro acabam influenciando na motivação dos professores para fazerem uso da tecnologia. Os conhecimentos adquiridos, por não estarem sendo constantemente revisitados, acabam se “perdendo”, ficando escassas as práticas com uso dos laptops em sala de aula. Desse modo, o refletir sobre a ação fica prejudicado, uma vez que poucas ações pedagógicas de uso do laptop são realizadas.

Considerando o exposto, entendemos que os espaços de formação devem ser ampliados. Acreditamos que a formação do Projeto UCA não deve se restringir a um momento e a um horário pré-determinado, como ocorre no modelo desenvolvido na escola investigada. Entendemos que as discussões sobre a prática pedagógica, com o uso dos laptops, devem ultrapassar os encontros mensais já determinados, migrando também para os demais espaços de convivência entre os professores, por meio do diálogo critico e colaborativo sobre as ações que estão sendo estabelecidas com o apoio do Projeto UCA.

Com relação a isso, Nóvoa (1992) evidencia que a formação docente é um processo pessoal e singular, uma vez que ela não ocorre apenas em espaço e tempos específicos, mas é um processo que abarca uma construção vital de si própria, onde a relação com os mais variados polos de identificação desde professor é fundamental. Ele acrescenta que formar-se supõe troca, experiência, interações sociais, aprendizagens, um sem fim de relações (NÓVOA, 1992, p. 115).

Com a necessidade de aprender sobre um novo recurso, a docência torna-se mais complexa, uma vez que novos conhecimentos devem ser integrados ao seu saber-fazer. O professor está, desse modo, “incorporando/integrando competências intelectuais, afetivas, técnicas e éticas, que em outros tempos eram menos integradas e visíveis nos processos formativo-profissionais dos sujeitos.” (FERREIRA, 2009, p. 88).

Ao passar o conflito cognitivo inicial, resultado da incorporação de um novo recurso da prática pedagógica do professor e da necessidade de conhecer esse recurso para redimensionar o seu saber-fazer docente, instaura-se um processo de apropriação do conhecimento.

Corroboramos com Freire (1977) quando conclui que a “prática ganha uma significação nova ao ser iluminada por uma teoria da qual o sujeito que atua se apropria lucidamente.” (FREIRE, 1977, p. 41).

Portanto, inferimos que a formação oferecida pelo Projeto Um Computador por Aluno, apesar das fragilidades encontradas (precária conectividade à rede, atraso na entrega da infraestrutura e falta de tempo para formação e planejamento de atividades) e incorporando uma nova forma de concepção de formação, tem o potencial de propiciar ao profissional da educação um novo tipo de saber-fazer e a possibilidade de inovação de sua prática docente, refletindo assim, no seu modo de ver e entender o seu entorno, este hoje midiatizado pelas “novas tecnicidades”. (BARBERO, 2006).