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B Le particularisme de la notion de « dettes qui excèdent

A formação do Projeto UCA ocorre de forma semipresencial. Existem, concomitantemente, duas formas de exposição, acompanhamento das atividades e atendimento aos professores. Uma é pela plataforma de aprendizagem e-proinfo, onde os formadores interagem virtualmente com os professores-multiplicadores, como também os professores podem se comunicar com outros professores de uma outra escola. Nesta plataforma, os docentes recebem e enviam atividades referentes às ações de formação.

Em outra vertente, ocorrem encontros de forma presencial nas escolas. Nesses encontros, os “professores-multiplicadores”, representantes do NTE do Estado, ministram aulas com o intuito de transmitir aos professores os conhecimentos previamente planejados e estabelecidos pelo Grupo de Trabalho de Assessores Pedagógicos do Projeto UCA. Ao final da formação, a qual tem duração de um ano, serão certificados aqueles professores que cumprirem uma carga horária estabelecida pelo projeto, a qual corresponde à realização de todas as atividades previstas no plano de formação.

Desta forma, para o professor estar certificado, precisa-se cumprir uma carga horária e um conteúdo programático específico. Ainda que os “professores-multiplicadores” façam adaptações ao conteúdo estabelecido pela equipe especializada do UCA, trata-se de um conteúdo fechado, pré-definido, construído fora do contexto real da escola onde o projeto está sendo aplicado.

Os conteúdos estão organizados de forma modular. Ao todo, o plano de formação UCA contempla cinco módulos, que propõem: a apropriação tecnológica dos recursos do laptop, a inovação pedagógica do uso das tecnologias digitais e a atualização do Projeto Política Pedagógica da escola, com o propósito de incluir as tecnologias digitais e a socialização da

proposta UCA na escola.

O módulo referente à apropriação tecnológica ganha relevância em nossa investigação, pois se busca verificar se a apropriação tecnológica que a formação de professores do Projeto UCA propõe abarca momentos de estímulo à reflexividade e à criticidade do docente. Entendemos esse módulo introdutório como sendo decisivo para a continuidade do aprendizado pedagógico de uso da TIC no contexto de sala e na vida social do professor. Acreditamos que é nesse módulo que o professor, enquanto partícipe de uma cultura tecnológica, precisa compreender tal cultura e ter consciência sobre sua participação na mesma.

O módulo de apropriação possui 40 horas de duração, ministrado na modalidade presencial e à distância. Neste módulo, os professores são convidados a conhecer as ferramentas presentes no laptop do projeto. Para efeito de apresentação dessas ferramentas, o plano de formação UCA subdividiu este módulo em três temáticas, quais sejam: Temática I: Conhecendo o Linux e o Koffice; Temática II: Ferramentas Educacionais - nessa temática, é apresentado um pacote com ferramentas do próprio sistema Linux feitas especialmente para uso didático, como o TuxPaint, TuxTyping, TuxMath, Logo, entre outras. Por fim, a última temática do módulo I da formação UCA, Temática III: Navegadores e Ferramentas de Busca.

Permeando a Temática II, Ferramentas Educacionais, há ainda um espaço aberto para a discussão da Teoria do Construcionismo, desenvolvida pelo educador Seymor Papert, com o objetivo de construir uma análise teórica acerca da utilização das ferramentas educacionais apresentadas neste módulo. Além disso, o módulo de apropriação tecnológica abre espaço para expor aos professores em formação alguns portais educacionais, como o Portal do Professor, Portal do Domínio Público e TV Escola. Esses são alguns exemplos de sites que ilustram a apresentação da Temática III do plano de formação - Navegadores e Ferramentas de Busca.

O que presenciamos neste módulo, portanto, é um modelo técnico descritivo de apropriação tecnológica. Há um afastamento quanto às significações/sentidos que serão produzidos por meio da experiência do professor com o universo tecnodigital que é apresentado no módulo de apropriação.

O desenvolvimento do módulo de apropriação tecnológica, tal como está proposto no documento analisado, não nos permite perceber como os docentes se empoderam das tecnologias nesse percurso de formação. Acreditamos que a forma como os docentes se apoderam das TICs está estritamente vinculada à forma com a qual o professor lida com os esses artefatos nas suas relações cotidianas.

Dentro desse contexto, entendemos que a apropriação tecnológica deve estar associada ao letramento digital, ou seja, ao uso social que o professor faz das TICs, à construção de saberes e ao ativismo pedagógico na ação educativa pois, ao herdar saberes, consciência crítica e momentos de reflexividade, com a experiência adquirida, o docente tem a possibilidade de criar e recriar o seu mundo.

Além do módulo de apropriação tecnológica, a formação UCA conta com um segundo módulo de formação, chamado Recursos da Web 2.0, o qual tem duração de 30 horas e é efetuado nas modalidades à distância e presencial. Neste módulo, o conteúdo programático foi estruturado visando familiarizar os professores com o uso de algumas ferramentas interativas

presentes na Web 2.0, como correio eletrônico (email), listas de discussão e blogs, favorecendo a cooperação em rede.

Em seguida vem o módulo III. Este é subdividido em mais dois submódulos, o módulo 3A e módulo 3B. O módulo 3A é composto por conteúdos específicos para os professores e o 3B composto por conteúdos destinados à formação da gestão escolar. Ambos os submódulos possuem 40 horas. O objetivo do módulo 3A é desenvolver práticas pedagógicas com o uso inovador das TICs em sala de aula, favorecendo a estruturação dinâmica de redes sociais entre alunos, professores e alunos/professores. Não há pré-definição de conteúdos conceituais nesse módulo, contudo objetivos, atividades e prazos para execução são estabelecidos no plano de formação.

Já o módulo 3B, destinado aos gestores, visa desenvolver a formação continuada de equipe gestora (diretor, vice-diretor, coordenadores, supervisores, orientadores, pedagógicos, etc.) das escolas e de profissionais da Secretaria de Educação. Esse módulo pode ocorrer em paralelo com o módulo 3ª e incide também nas modalidades à distância e presencial, com um total de 40 horas de curso. Tal como no módulo 3A, no módulo 3B não há conteúdos conceituais específicos, mas sim objetivos e atividades a seguir.

Ao final deste terceiro módulo, segundo o documento analisado, espera-se que tanto professores quanto a gestão escolar, como um todo, integre de forma inovadora os recursos do laptop educacional no cotidiano escolar. A culminância deste módulo ocorre com a socialização formal dos resultados em um seminário regional ou nacional.

Em seguida, surge o quarto módulo de formação, denominado Módulo Elaboração de Projetos, também com 40 horas de duração presenciais e à distância. Neste módulo, o intuito é propiciar aos “professores-multiplicadores”, gestores e professores de escolas beneficiadas o aprofundamento teórico sobre o conceito de projeto e suas especificidades no contexto escolar, bem como a articulação das práticas pedagógicas baseadas em projetos com aspectos relacionados ao currículo e à convergência de mídias e tecnologias de educação existentes na escola. O módulo IV é apresentado em três eixos conceituais – Projeto, Currículo e Tecnologias –, que se integram durante a realização das atividades propostas ao longo do curso de formação de professores.

Dentro do programa de conteúdos apresentados no módulo IV, temos: o “conceito de projeto”, “projeto e suas características”, “um pouco da história de projetos”, “interdisciplinaridade”, “projeto e tecnologia” e “projeto e tecnologias: algumas implicações”. Além desses conteúdos, estão expostas algumas atividades a serem implementadas no curso de formação. As atividades referem-se à elaboração de um projeto pessoal/profissional dos

professores e uma elaboração conjunta, professores e gestão, de um projeto que envolva a participação de toda escola.

Para finalizar o curso de formação há o módulo V, que é um módulo criado para socialização da proposta de implementação do Projeto Um Computador por Aluno na escola. O objetivo deste módulo é:

Contribuir com a construção da proposta político pedagógica das escolas, aproveitando as possibilidades do laptop educacional, as estratégias pedagógicas inovadoras, o respeito à diversidade das comunidades e a consciência do papel da escola no desenvolvimento da inteligência dos seus membros, com consequentes mudanças em sua participação crítica e ativa na sociedade. (MEC, 2009, p. 4)

Portanto, neste módulo são sugeridas ações que resultam na (re)construção do Projeto Político Pedagógico da escola, de forma a incluir em sua discussão objetivos referentes à reflexão crítica e uso das TICs na prática escolar.

Detemo-nos até agora a descrever o contexto mais amplo de nossa pesquisa, contemplando a caracterização do Projeto Um Computador por Aluno. Descrevemos, com base em documentos e sites oficiais do Projeto, aspectos que consideramos essenciais para o entendimento do seu funcionamento. Deter-nos-emos, agora, a expor o desenvolvimento do referido projeto no Rio Grande do Norte, expondo acerca da sua implantação no Estado, especialmente na escola lócus da empiria.