Cat´ egories faibles enrichies sur une cat´egorie
2.9 Plan rationnel HCat
A ABEPARS (Associação Beneficente e Promocional Agrícola de Riacho de Santana) é uma associação civil de amplas finalidades sociais, promocionais, assistenciais, formativas e educacionais sem fim lucrativos. É legalmente constituída com o seu Estatuto devidamente registrado no Cartório de Imóveis de Riacho de Santana. Sua diretoria composta de pequenos agricultores (Pais e Ex-alunos) não é remunerada. O seu papel é administrar e manter a EFA, admitir e demitir o corpo docente, administrativo e zelar pelo seu patrimônio, bem como responder ou representar juridicamente a escola.
Esta associação foi criada oficialmente no dia primeiro de outubro de 1977 após dois anos de trabalho de base realizado na paróquia de Riacho de Santana pela equipe paroquial e pessoas voluntárias da comunidade, que diante da situação da educação na zona rural, decidiram criar a Escola Família Agrícola para atender aos adolescentes e jovens filhos dos agricultores. Da criação ou fundação da entidade até o início do funcionamento da EFA passaram-se três anos de intensa mobilização das pessoas e das forças locais e de organismos nacionais e estrangeiros a fim de montar uma estrutura mínima onde se pudesse funcionar uma instituição de ensino capaz de atender em sistema de internato uma turma de 25 jovens. Com recursos da própria paróquia, foi adquirida uma pequena área de 4,8 hectares na porção norte da cidade, às margens do rio que deu nome ao município, área esta destinada à construção da EFA e também à execução das experimentações previstas na nova proposta de ensino. O envolvimento das pessoas, especialmente dos agricultores no processo de fundação da associação e também da EFA foi muito interessante tanto do ponto de vista comunitário como econômico, pois em abril do ano de 1978 foi realizada a campanha do algodão, do tijolo e da telha, em prol da construção da escola, onde houve uma maciça participação. Para a edificação da EFA, também foram realizados diversos mutirões, que contaram com a participação de agricultores de muitas comunidades rurais, ajudando na abertura das cavas e fossas e em outros serviços que não dependiam de muito rigor e precisão na sua execução.
A EFA – Escola Família Agrícola de Riacho de Santana, foi inaugurada no dia 15 de março no ano de 1980 após um longo trabalho de base realizado nas comunidades do município pela equipe
paroquial formada por Pe. Aldo Lucchetta, Vanda Mendonça, Maria da Glória e Angiolino Costa junto aos agricultores. No ano de 1979, à medida que se desenvolvia o processo de implantação da EFA, as professoras Telma Maria R. de Oliveira e Vera Lúcia Souza Silva Santos preparavam- se no centro de formação do MEPES no Espírito Santo para serem as futuras monitoras. Para compor a equipe de quatro monitores foram convidados os técnicos Cristalino de Jesus e Luiz Carlos Lourenço que acabavam de concluir o curso na Escola Técnica da Família Agrícola de Olivânia.
Além da parte educacional, a ABEPARS ao longo da sua existência dedicou-se também à parte de saúde devido a grande carência da região. Iniciou com um pequeno trabalho de conscientização sobre verminose com encontros, palestras, distribuição de material didático com incentivo a construção de fossas secas e aquisição de filtro pelas famílias dos alunos através de uma intensa campanha. Com a necessidade de ampliar o atendimento, montou um pequeno laboratório de análises clínicas, que funcionou na própria escola, mais tarde, atendendo à demanda da população, construiu através de convênio com uma entidade italiana a Unidade de Saúde São Camilo, uma estrutura composta de salas para recepção, consultório, gabinete odontológico e outras dependências com capacidade suficiente para prestar atendimento médico e odontológico. Este mesmo convênio garantiu a contratação de dois médicos por um período de dois anos, além de conseguir um odontólogo italiano que prestando um trabalho voluntário capacitou três jovens da Escola Técnica da Família Agrícola (ETFAB) para atender os casos mais simples na área de odontologia, o que na região se conhece como “dentista prático”.
Este trabalho durou praticamente o mesmo tempo do convênio, cujo final aconteceu no ano de 1996. Terminado o convênio e não havendo possibilidade de renovação, a ABEPARS buscou o voluntariado para continuar com suas atividades. Só conseguiu um médico que disponibilizou meio turno do seu tempo uma vez por semana. O gabinete odontológico contava também com algumas horas de trabalho voluntário dos jovens que haviam se preparado para atender as emergências de natureza mais simples.
Diante de tamanha ociosidade e ainda correndo o risco de ser denunciado por estar atuando com os dentistas práticos não habilitados para exercer a profissão, a ABEPARS resolveu suspender o
atendimento médico e odontológico. A única saída, a qual está funcionando atualmente, é um trabalho de tratamento feito à base de chás e remédios homeopáticos, sendo o mesmo exercido por voluntárias que atuam na pastoral da criança.
O trabalho da associação dedicado à área da saúde naquela época foi muito importante por pelo menos três motivos: primeiro porque supria em parte a carência de atendimentos elementares como exames laboratoriais de fezes, sangue e urina; segundo porque ajudou a consolidar o trabalho da EFA que até então era desconhecido na região e, terceiro porque forçou o poder público municipal a investir mais na melhoria da qualidade e do atendimento à saúde. Hoje, no entanto, este trabalho não se justifica mais porque a ABEPARS não tem condição de prestar um serviço de saúde melhor do que o oferecido pelo município.
Toda a infraestrutura que não é tão pequena desenvolvida para o atendimento à saúde hoje se encontra ociosa e sem perspectiva, restando talvez a possibilidade de se estabelecer parcerias com o poder público local ou até mesmo com a iniciativa privada no sentido de fazer funcionar uma estrutura útil em termos de espaço físico e de equipamentos.
Um dos investimentos que a ABEPARS nunca fez e que hoje lhe faz falta foi a fundação de uma EFA de ensino médio com a pedagogia da Alternância para atender os alunos que concluem o ensino fundamental e desejam prosseguir os seus estudos no mesmo sistema pedagógico. A única EFA de 2º grau existente na Bahia com a pedagogia da Alternância, a ETFAB (Escola Técnica da Família Agrícola da Bahia) sediada também em Riacho de Santana não consegue atender nem dez dos candidatos que concorrem por apenas três vagas a cada ano. Esta situação é lamentável porque muitos jovens embora entusiasmados pelo campo e pela proposta de ensino da EFA são obrigados a desistirem de seus sonhos e mudarem para a cidade para ingressarem num outro tipo de escola. Alguns interrompem os seus estudos e outros, desestimulados migram para os grandes centros à procura de novas oportunidades. Este esclarecimento é fundamental para se entender porque apenas a metade dos alunos pesquisados nesta investigação escolheu ETFAB para fazer o 2º grau.