7. ANALYSE DES DONNEES ET DISCUSSION
7.5 Facteurs favorisant l’engagement en cours de formation
7.5.4 Perception favorable du stage et de la P.I.E terrain et maintien du SEP chez Paola
A opção pela observação participante deveu-se, primeiramente, pela natureza epistemológica da pesquisa qualitativa que referenda esse estudo, na qual a realidade é uma construção social, da qual o pesquisador participa em uma dimensão holística (ALVES, 1991). Constitui-se, pois, juntamente com a entrevista, principais instrumentos dessa abordagem metodológica.
Em razão do objeto desse estudo focar as práticas docentes, a eleição por esse instrumento se autonomizou por permitir o contato direto do pesquisador com o fenômeno observado (LÜDKE E ANDRÉ, 1986), acompanhar os fazeres da ação desses professores na sala de aula, por um período de tempo, a fim de compreender como se dava a didatização sobre o eixo de gramática/análise linguística, articulada aos possíveis impactos de suas participações no GEDELP.
Com o objetivo de tornar esse instrumento de investigação válido e fidedigno, concordamos com Ludke e André (1986), ao afirmarem que a observação precisa ser antes de tudo controlada, sistemática e planejada, a fim de que se chegue mais perto da perspectiva do sujeito. Privilegiamos a observação participante, por acreditarmos que é importante tornar conhecidos os objetivos do estudo aos professores participantes e para melhor apreensão dos dados, haja vista as especificidades do objeto de pesquisa em análise. Além disso, essa técnica permitiu que identificássemos os fazeres da ação docente, focalizando o fenômeno em questão.
Para chegarmos a essas professoras, integrantes do GEDELP, fizemos uma certa “travessia”. A princípio, tínhamos estabelecido como critério para a seleção dos sujeitos dessa pesquisa, professores de língua portuguesa, das redes públicas estaduais e municipais, com
formação em Letras – considerando aquelas realidades escolares em que professores com uma formação específica ministram aulas em disciplinas pertencentes a outra área do conhecimento.
Um segundo critério estabelecido era que tais docentes tivessem continuado seu processo de formação continuada, seja através da formação em serviço, seja por meio da conclusão de cursos de pós-graduação na área de linguagem, tendo em vista o objeto desse estudo, o ensino de gramática/análise linguística, constituir-se um dos mais fortes pilares, nas aulas de português, chegando a ser, em muitos casos, a preocupação prioritária nessas aulas (MENDONÇA, 2006). Além disso, a reorientação teórico-metodológica no trabalho com esse eixo, nos textos do saber (CHEVALLARD, 1991), parece revelar uma dificuldade, por parte dos docentes, em implementar novas formas de realizar esse ensino-aprendizado (MORAIS, 2002), logo acreditamos que a exposição a processos de formação continuada poderia contribuir para a escolha de professores mais afinados com essa questão em suas práticas.
Um terceiro critério para que chegássemos aos espaços escolares, e, consequentemente, às „boas práticas” de português, levou em consideração o critério “referência” de ensino, a partir de informações advindas dos censos escolares (por exemplo, nível de aprovação, evasão, qualificação docente, entre outros) e das avaliações de ensino em larga escala, tais como o SAEPE (Sistema de Avaliação da Educação Básica de Pernambuco).
A chegada a esses espaços prescindia de um contato prévio com o gestor escolar, a partir de uma carta de recomendação, emitida pelo Prof. Dr. Artur Morais, orientador desse estudo, apresentação do projeto de pesquisa ao professor, explicitando os objetivos da pesquisa, a fim de que, ciente da natureza do estudo, pudesse (ou não) tornar-se participante desse processo de investigação.
Nessa primeira dinâmica, conhecemos os dois primeiros espaços escolares, uma escola pública municipal P e outra pública estadual L, e iniciamos o processo de investigação, a princípio, conhecendo a realidade escolar, mais amplamente, em sua infra-estrutura e organização pedagógica, para, enfim, adentrarmos nas salas de aula, conhecendo a turma e, efetivamente, observando as aulas desses professores.
Entretanto, mesmo com critérios aparentemente consistentes, para chegarmos a esses participantes da pesquisa, o processo de observação, nessas aulas, revelou que as práticas de ensino de língua mantinham uma relação sinonímica com a gramática normativa, focado no trabalho com regras e taxonomia, de maneira predominante. Em virtude disso, assim como
(MORAIS, 2002, p.7), em estudo realizado sobre como as professoras das séries iniciais se apropriaram das novas prescrições para o ensino de “gramática”, buscamos selecionar, qualitativamente, as docentes que compuseram nossa amostra. Procuramos, assim, evidenciar contextos de ensino-aprendizagem, mais articulados a essas novas prescrições, a fim de melhor compreender os modos de apropriação e de operacionalização desse eixo didático de ensino.
Foi nessa direção que o Grupo de Estudos Didáticos para o Ensino de Língua Portuguesa (GEDELP), organizado por professores de língua portuguesa da Gerência de Regional de Educação Metropolitana Norte (GRE METRONORTE), da rede Estadual de Ensino, emergiu, por ocasião dos planejamentos para formação continuada de professores, realizados pelo Centro de Estudos em Educação e Linguagem (CEEL), no qual o pesquisador atua como formador. Em uma conversa informal, com umas das formadoras do CEEL, sobre os desafios encontrados quanto às escolhas dos professores, participantes deste estudo, essa formadora falou sobre o GEDELP e sugeriu ao pesquisador entrar em contato para conhecer a sua dinâmica, seus integrantes, seus modos de funcionamento, suas “crenças” teórico-metodológicas na perspectiva de encontrar professores, cujas práticas pudessem revelar um ensino de gramática/análise linguística mais sintonizado com as atuais inovações pedagógicas sobre esse eixo, sem, contudo, desconsiderar que “quando se trata do que acontece numa sala de aula, não há padrões inflexíveis; na verdade, recorre-se a diversos caminhos teórico- metodológicos para a condução do processo de ensino-aprendizagem (MENDONÇA, 2006, p.200).
O passo seguinte foi entrar em contato com o coordenador do GEDELP, à época, o Prof. Ms. Gustavo Lima, que também atuava como técnico de Língua Portuguesa, na GRE, para apresentar a proposta da pesquisa e, posteriormente, conhecer o grupo. Assim, aconteceu. No ano de 2013, o pesquisador participou de um encontro de formação continuada, na Escola Dantas Barreto, na cidade de Paulista – PE.
Nesse encontro, foi apresentado o projeto de pesquisa e feito o convite para os professores que estivessem atuando nas séries/anos finais do ensino fundamental, já que a opção por essa etapa da escolarização mantinha uma relação com o objeto de pesquisa trabalhado, por esse pesquisador, no mestrado, cujo objeto de estudos incidiu no tratamento didático dado à análise linguística, em dimensão textual e normativa, nos livros didáticos de português aprovados pelo PNLD, destinados aos 3º e 4º ciclos. Essa escolha, nesse sentido, seguia uma lógica de continuar contribuindo com a pesquisa em didática de língua portuguesa nesses níveis de ensino, já que a
literatura, na área que estamos abordando (ALBUQUERQUE, FERREIRA e MORAIS, 2005; COUTINHO, 2004; SILVA, 2008c, entre outros), parecia concentrar-se com maior enfoque nas séries iniciais do Ensino Fundamental (SILVA, 2008).
Nesse grupo, duas professoras estavam atuando na etapa de escolarização mencionada e mostraram-se bastante disponíveis para participar dessa pesquisa. As docentes serão chamadas de Professora A e Professora S ao longo do trabalho. Iniciamos, assim, a etapa de observação das aulas das Professoras A e S. As docentes estavam lotadas em duas escolas, na cidade de Paulista – PE, com uma carga horária de cinco horas-aula por semana.
A observação aconteceu, em dias intercalados durante a semana, previamente acordados com as respectivas docentes, sem interrupção, nesse processo, a fim de não comprometer a sequência das aulas. Partimos do pressuposto de que, na aula de português, não somente se trabalha com o eixo da análise linguística/gramática, mas os outros eixos de ensino – leitura e produção de textos – são enfocados, sem, querermos, assim, negar a articulação entre eles na didatização do ensino de língua. Também não ignoramos a possibilidade de se constatar, nessas observações, um ensino prioritariamente voltado para o ensino de gramática tradicional e a secundarização de propostas didáticas que contemplem os eixos de leitura e escrita, mesmo em um momento contemporâneo pós- PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais, 1998), já que o objetivo principal era compreender os saberes docentes mobilizados na ação docente e não “encaixá-los” nas categorias tradicionais versus inovadores.
A princípio, observaríamos dez aulas de língua portuguesa, de cada professora participante da pesquisa, por acreditarmos que esse quantitativo seria suficiente para compreendermos os seus fazeres na aula de língua portuguesa, especialmente, no eixo de gramática/análise linguística. Entretanto, tanto com a Professora A quanto com a Professora S, extrapolamos a quantidade de aulas, inicialmente, prevista para essa etapa de geração de dados. Nesse período, realizamos mini-entrevistas, após as aulas, quando o pesquisador sentia necessidade de compreender determinadas decisões e dispositivos didáticos usados nas aulas. Em outros momentos, as próprias professoras chamavam atenção de determinado aspecto da aula, “em uma espécie de teorização”, sobre o que haviam decidido naquelas situações didáticas.
Para registro dos dados, utilizamos notas escritas de campo, a partir de um roteiro de observação, que contemplou os seguintes aspectos: conteúdo de ensino trabalhado, atividades realizadas, uso do material didático (livro didático, entre outros), apropriação de concepções do
conhecimento específico nas situações didáticas de sala de aula, no uso de táticas. Em concordância com as professoras participantes, fizemos uso da gravação em áudio das aulas observadas, as quais foram posteriormente transcritas. O roteiro de observação encontra-se no Apêndice 1.
Os dados obtidos na observação foram organizados e categorizados, a partir da perspectiva da análise de conteúdo (BARDIN, 1977), considerando o roteiro traçado na observação e prováveis categorias advindas de um estudo dessa natureza (em que a coleta de dados é dinâmica e socialmente construída), à luz do referencial das teorias da transposição didática, da fabricação do cotidiano, dos saberes da ação docente que embasaram a pesquisa.