• Aucun résultat trouvé

2. CAS DE LOUISE

2.8. Analyse de la troisième situation relatée par Louise

2.8.1. modalités d’enseignement

Em relação ao fenômeno da exclusão digital, uma corrente alternativa de estudos, vem se dedicando a identificar como se dá a distribuição dos recursos tecnológicos entre a população, visando identificar quais são os elementos que mais condicionam ao uso e não uso (caracterizando uma barreira de acesso) das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Uma análise da literatura identifica alguns elementos considerados como barreiras à inclusão digital: (i) renda; (ii) grau de instrução; (iii) idioma; (iv) raça/etnia entre outros. Todavia, apesar da diversidade de fatores, existe certo consenso entre os estudiosos de que os atributos relacionados ao grau de instrução e nível de escolaridade são os elementos que mais segregam grupos de incluídos e excluídos digitalmente. Apesar deste consenso é fundamental analisar o impacto dos demais fatores condicionantes em relação ao processo de inclusão digital (WINKLER, 2005).

Alinhado a essa corrente de estudos, Castells (2003) realiza uma análise sobre a divisão digital nos Estados Unidos, buscando compreender cada um dos aspectos relacionados à exclusão digital naquele país. Segundo o autor fica evidente que quanto maior a renda da família ou do indivíduo, maior será a chance que este tenha acesso à Internet.

Conforme os dados apresentados por Castells (2003) das pessoas com renda acima dos $75.000 (anualmente) a taxa de acesso estava em torno de 70,1%, contrastando com aqueles que ganham até $15.000, cuja taxa ficava em torno dos 18,4%.

A educação ou nível de escolaridade também é um fator discriminante, a taxa de acesso do grupo de indivíduos com curso superior ou nível mais elevado era de 74,5%, distinguindo do grupo de indivíduos que não tinham concluído o Ensino Médio, no qual a taxa de acesso à Internet ficava em 21,7%. A faixa etária, também se mostrou um elemento fortemente discriminador, demonstrando que os adolescentes tinham quase duas vezes mais chances de acesso, quando comparados à pessoas com mais de 50 anos de idade. Analisadas as faixas etárias, demonstra-se que entre o grupo de 9 a 17 anos, a taxa de acesso à Internet fica em 53,4%, este percentual eleva-se para 56,8% quando analisados indivíduos com idade entre 18 e 24 anos; apresenta uma leve redução para 55,4% no grupo etário de 25 a 49 anos e cai drasticamente (a taxa de acesso à Internet) para 29,6% no grupo composto por pessoas com mais de 50 anos.

A situação do emprego também se mostrou um fator discriminador, no qual os indivíduos que se declaram empregados, possuem uma taxa de acesso à internet de 56,7%, em contraste com os indivíduos desempregados cujo percentual cai para 29%. Em relação à etnia, os dados apontam haver uma desigualdade no acesso. A taxa de acesso entre os indivíduos que se declararam como brancos, ficou em 50,3%, essa taxa tem uma leve redução para 49,4% entre membros asiático-americanos (amarelo) e cai para 29,3% entre os afro-americanos (negros) e fica em 23,7% entre os hispânicos.

O fator área geográfica também apresentou uma grande disparidade, no que se refere à taxa de acesso à internet. Indicando que indivíduos que residem em áreas urbanas apresentam maiores chances de terem acesso à internet do que indivíduos situados na zona rural. Um último aspecto apontado por Castells (2003) refere-se à questão da deficiência física. A taxa de acesso à Internet entre os indivíduos sem nenhuma deficiência era de 43,3%, em contraste com os 71,6% dos indivíduos que declaram possuir alguma deficiência. Quando segmentados por tipo de deficiência, evidenciava- se que entre as pessoas com problemas de visão, o percentual de acesso fica em 78,9%, enquanto que pessoas com problemas de locomoção tinham uma taxa de acesso à Internet de 81,5%.

Embora os dados apresentados, permitam retratar um esboço da distribuição dos recursos tecnológicos na sociedade americana, Castells (2003) ressalta a limitação na comparação da realidade dos Estados Unidos em relação aos demais países. Pois, visto que o país foi pioneiro na inovação e produção de diversos recursos tecnológicos, naturalmente a taxa de difusão das TICs entre a população americana é maior do que em relação aos demais países.

No intuito de compreender como se dá a distribuição do acesso à Internet, Fernandes e Dutt-Ross (2006) se utilizaram dos dados do PNAD, referente aos anos de 2001 e 2002 para identificar as principais barreiras de inclusão digital. Todavia, na análise desenvolvida pelos autores foram considerados apenas os seguintes fatores: (i) Idade; (ii) Nível de Escolarização; (iii) Sexo; (iv) Etnia; (iv) Região. Segundo Fernandes e Dutt-Ross (2006) o atributo de Gênero (Sexo), não se mostrou um elemento discriminador, de modo que as chances de acesso à Internet entre homens e mulheres são praticamente uniformes.

Em relação à etnia, nota-se que as pessoas de cor amarela (origem asiática) possuem no mínimo duas vezes mais chances de ter acesso à Internet, quando comparadas às pessoas de cor Branca. Em contrapartida, pessoas de cor branca possuem mais propensão a serem incluídas digitalmente do que pessoas que se declararem de cor negra, evidenciando desigualdade de acesso, quando analisado em relação ao atributo cor/etnia.

O aspecto referente à região geográfica também se mostrou elemento de forte discriminação, refletindo as desigualdades existentes entre as regiões geográficas do país. As regiões geográficas, cujos indivíduos possuem maior probabilidade de terem acesso à Internet são o (i) Centro Oeste e o (ii) Sudeste. Em contrapartida, a região Norte, apresenta a menor chance de acesso à Internet, quando comparada às demais regiões do país.

Em relação ao elemento idade, nota-se que as faixas etárias que mais contribuem para inclusão (com maior taxa de acesso à Internet) são os indivíduos na faixa etária dos 15

aos 19 anos idade e dos 20 aos 25 anos, contrastando com os indivíduos com idade igual ou acima aos 65 anos, que apresentaram a menor taxa de acesso.

Em consonância aos princípios acima discutidos, a discussão empreendida nesta investigação se enquadra dentro da temática de inclusão digital. Porém, não explorando as questões relativas ao acesso versus não acesso ao computador e internet, mas analisando como os usuários se utilizam dos recursos disponibilizados na Internet (padrões de uso da internet), tendo como foco deste trabalho os serviços de governo eletrônico. Embora, a literatura anteriormente discutida demonstre uma série de fatores (barreiras) que discriminem o acesso aos diversos recursos de TIC, para fins desta dissertação optou-se por fundamentar às análises nas diferenças entre classes socioeconômicas.