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La mise en œuvre de la puissance paternelle sous la Révolution

Chapitre I. L’influence des législations antérieures sur la puissance paternelle dans le Code civil

Section 1. L’influence législative de l’Ancien régime et du droit révolutionnaire sur la puissance paternelle de la mère dans le Code

B. La mise en œuvre de la puissance paternelle sous la Révolution

A maneira como os HSH relacionam-se varia de acordo com os gostos de cada um. Essa relação pode envolver a prática do sexo oral e anal nas posições insertiva e receptiva. A preferência por uma das práticas e a forma como se lida com os fluídos corporais oriundos desse momento também fazem parte do sentido que cada pessoa atribui a essa experiência. Assim, Daniel relata seus gostos relativos à sua prática sexual:

(...) <Eu sempre gostei muito mais de> >fazer sexo oral<. Eu nunca curti muito penetração, enfim = eu sempre curti muito mais o sexo oral (.) como eu fazendo passivo. E:::E ↓ eu gostava de engolir a:::a (x) porra. Sempre gostei. E nunca deixei de fazer isso = sempre fiz. E:::E (x) claro que em algumas situações surgia a oportunidade de fazer sexo anal com penetração o::::u eu penetrando, o::::u o outro penetrando (.) ou os dois = enfim. Eventualmente acontecia = não era uma prioridade = a prioridade era sempre sexo oral. (0.3) (...).

Segundo Daniel, sua preferência é pela prática do sexo oral e, inclusive, gosta de engolir os fluidos corporais, mais precisamente a “porra”. Porém, quando ocorre a possibilidade de envolver- se em situações de penetração, ele a faz. A primazia dada ao sexo oral é contrastada com a efetivação da prática de coito quando surge a oportunidade de fazê-la. Dito isso, ele demonstra preferência por ocupar a posição de receptivo na relação onde ocorre inserção. Parece que tanto a

opção pelo sexo oral, quanto pela posição receptiva estão diretamente relacionadas com a recepção dos fluidos corporais. Assim, Daniel é quem recebe e engole o sêmen do parceiro30.

A fala de Daniel permite refletir sobre as diversas acepções que o esperma, na sua fluidez característica, tem adquirido nas sociedades ocidentais. Dentre os diferentes fluidos corporais, o sêmen tem sido alvo de pesquisas, por isso, é inegável o seu caráter histórico e culturalmente situado. Ele é indicador claro das diversas concepções da masculinidade na ciência, na medicina reprodutiva, na educação, na criminologia, na prostituição e na pornografia. Sob outra perspectiva, Daniel afirma a erotização da ingestão seminal, essência natural do masculino, ao mesmo tempo em que é capaz de capitalizar o risco de uma ameaça propalada pela sensibilização institucional para as DST e pela midiatização. Deste modo, se perpetuam ao nível do imaginário a hegemonia e a subjugação dos modelos de masculinos em tempos de aids (CARVALHO, 2008).

Quando Daniel opta pela prática do sexo oral em detrimento da prática de penetração, acaba por reduzir os riscos de infecção. No entanto, nas vezes em que engole os fluidos corporais, esses riscos são semelhantes às práticas de penetração, pois o sêmem entra em contato com a corrente sanguínea. Segundo Parker et al. (1998) e o relatório sobre conjugalidades e prevenção às DST/Aids (BRASIL, 2009b), é recomendado estimular a prática do sexo oral como estratégia de redução dos riscos, mas não a ingestão dos fluídos corporais. Em suma, a forma como estes homens experienciam suas práticas sexuais envolvem: o sexo oral, o coito insertivo e receptivo que, por sua vez, podem ocorrem em diversos lugares.

5.2.1 Os locais das práticas sexuais: da privacidade do lar ao mercado do sexo

Essas práticas podem ocorrer em diversos lugares que propiciam o encontro desses homens e, consequentemente, podem culminar em relações sexuais sem preservativo. O lugar que se frequenta, as pessoas com quem se mantêm relações sexuais também dão pistas para entender melhor essa prática. De acordo com Gabriel,

30 De acordo com Schirmer (2010), esta parece ser uma lógica confusa. Não há outras noções de ativo e passivo, a não

ser a figura de quem é insertivo ou receptivo. Pensa o autor existir outros sentidos como dominador e dominado, que não necessariamente tem relação com a posição ativa e passiva.

a prática do sexo sem preservativo, ela está muito mais difundida hoje = especialmente na cidade de São Paulo = ela está muito mais difundida hoje para além das possíveis festas temática, que são específicas (.) de um público específico. Existe, existem desde apartamentos de pessoas específicas, que reúnem pessoas em suas casas para hã::::ã orgias, sexo grupal etc e tal, e que acaba praticando isso sem preservativo, e existem encontros específicos de pessoas que curtem essa prática em determinadas saunas ou clubes de sexo ou >cinemas pornográficos no centro de São Paulo<, como existe também a prática isolada = isolada no sentido de que eu sei (.) que:::e em determinados lugares >a frequência do sexo sem preservativo é muito maior<. Então, se eu simplesmente for a esses lugares eu posso ter acesso a essa prática, sem pertencer a um grupo e sem estar chegando a um grupo, são simplesmente pessoas que se juntam ali, fazem o que estão com vontade de fazer <e depois vão embora>. (...).

Gabriel relata que as práticas sexuais sem preservativo entre HSH estão cada vez mais difundidas, sobretudo, nos grandes centros, mas que elas não seguem uma lógica específica – não há espaços exclusivos para se praticar sexo sem preservativo31. Essas, quando acontecem, ocorrem em lugares diversos, que incluem desde encontros em casas/apartamentos das pessoas até lugares comerciais voltados para as práticas sexuais entre HSH, onde se aglomera um número maior de homens. Para Braz (2010), as saunas, os cinemas pornôs e os clubes de sexo são lugares específicos destinados às práticas sexuais e encontram-se espalhados pelos centros de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.

As saunas e os clubes de sexo também parecem ser os lugares preferidos de Daniel: eu

frequento muito saunas, hã:::ã (x) onde eu gosto mais de ir. Posteriormente, Daniel relata seu interesse pelos clubes de sexo: eu participo muito de suruba, é o que eu gosto de fazer, entendeu?

De clubes de orgia, de surubas. De forma semelhante, Agileu afirma que as saunas são um dos lugares que ele frequenta para a efetivação de suas práticas sexuais: e::e daí (x) eu tive meu

primeiro orgasmo nessa sauna ↓ com alguém de lá e foi sem preservativo. Pode-se relatar ainda

que, para além daqueles que assumem a prática sem camisinha, em grupo ou não, há um coletivo maior dos que pautam o uso pela relação estabelecida com o parceiro: se a pessoa está solteira e na “putaria”, é o momento de usar a camisinha; se está “casado”, em uma relação séria e afetiva, não se usa.

31 Não foi encontrada literatura que tenha discutido a questão de espaços exclusivos para a prática de sexo sem

preservativo no Brasil. Ademais, durante a conversa pelo MSN entre este pesquisador e Gabriel, apareceram versões de que, supostamente, existem encontros, principalmente em espaços privados (casas e apartamentos), onde o não-uso do preservativo é condição para a pessoa ser convidada. Porém, não é objetivo discutir e nem aprofundar tais questões nesta pesquisa. Apenas sinalizo essas questões, pois tal discussão pode dar pistas para pensar se estes homens não estariam buscando estratégias para escapar ao controle que se faz presente em contextos de práticas sexuais voltadas para HSH – saunas, cinemões, clubes de sexo – via cartazes de prevenção, discursos institucionalizados, ou pela presença de colaboradores de ONG da área da saúde, os quais distribuem preservativo nesses lugares.

Assim, saunas, clubes de sexo, casas, apartamentos, cinemas pornográficos constituem alguns dos possíveis lugares onde HSH se encontram para a realização de práticas sexuais que podem culminar no ato sem preservativo. Esses encontros podem seguir a lógica de pares, trios, grupos de “orgias” ou “surubas”. Por assim dizer, passaremos a discorrer sobre algumas das questões trazidas pelos participantes que dizem respeito à relação desses homens com o preservativo.

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