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Section 2 : La gestion des carrières : une responsabilité organisationnelle

2.1. Du suivi à l’accompagnement des carrières : des outils multiples

2.1.1. Les outils de suivi des progressions professionnelles

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, o regime de semi- liberdade é definido da seguinte forma:

Art. 120. O regime de semi-liberdade pode ser determinado desde o início, ou como forma de transição para o meio aberto, possibilitada a realização de atividades externas, independentemente de autorização judicial. §1º São obrigatórias a escolarização e a profissionalização, devendo, sempre que possível, ser utilizados os recursos existentes na comunidade. §2º a medida não comporta prazo determinado aplicando-se, no que couber, as disposições relativas à internação.

Há ainda para as entidades que executam medida de semi-liberdadeas diretrizes do SINASE:

A ênfase do programa de semiliberdade é a participação do adolescente em atividades externas a Unidade (família e comunidade). A sua execução deve prever programas e espaços diferenciados para adolescentes com progressão de medida e adolescentes oriundos de primeira medida (p.49).

Para os programas que executam a medida de semiliberdade, a capacidade não deverá exceder a vinte adolescentes para que se mantenha um acompanhamento mais individualizado. O programa de atendimento devera ser realizado, preferencialmente, em casas residenciais localizadas em bairros comunitários, considerando na organização do espaço físico os aspectos logísticos necessários para a execução do atendimento dessa modalidade socioeducativa, sem, contudo descaracterizá-la de uma moradia residencial (p.57).

A unidade de semi-liberdade em que foram realizadas as entrevistas fica localizada no bairro de Santana, Zona Norte de São Paulo. Seguindo as orientações do SINASE, a unidade funciona em uma região residencial do bairro e não se destaca na paisagem, sua fachada é semelhante à das outras casas. O único elemento que indica não se tratar de uma casa residencial é a presença de dois seguranças (não armados) entre o portão e a porta da casa, que controlam a entrada e a saída. Assim que eu cheguei, um dos seguranças solicitou um documento de identificação, mas não me revistou, anotou meu nome e o número da identidade e me deixou entrar. Este procedimento se repetiu somente nas primeiras visitas.

A unidade normalmente abriga 20 adolescentes entre 14 e 20 anos e 11 meses que estão em progressão de medida, ou seja, que vieram da unidade de internação. De acordo com os funcionários, ainda faltam vagas de semi-liberdade e, por isso, às vezes eles abrigam mais de 20 adolescentes e alguns vão para essa unidade sem ter passado pela internação107. Também seguindo as indicações oficiais, durante a semana os adolescentes dormem na unidade, mas passam o dia trabalhando e estudando e nos finais de semana voltam para a casa da família onde permanecem até domingo à noite ou segunda-feira de manhã108. Os adolescentes que não possuem família permanecem na unidade nos finais de semana109. Para conseguir as vagas nas escolas e os empregos, a equipe de técnicos da unidade atua com a família do adolescente. A partir de alguns relatos, foi possível concluir que os funcionários enfrentam muitas dificuldades nessa tarefa pela necessidade de inseri-los durante o ano letivo e também pelos preconceitos existentes com os adolescentes institucionalizados. Aqueles adolescentes que não estão estudando nem trabalhando são acompanhados pelos funcionários até o posto do programa “Acessa SP”110 onde os adolescentes participam de cursos e têm acesso à internet ou ao clube do SESC para prática de esportes.

As instalações da unidade são organizadas da seguinte forma: na entrada há um portão de ferro fechado com um cadeado, um pequeno pátio onde ficam os seguranças e duas portas de acesso a casa. Uma das portas dá acesso ao segundo andar que é formado por três salas para a administração e para a equipe técnica (onde fica grande parte dos funcionários), uma pequena cozinha e os banheiros. Entre as salas, uma é destinada ao atendimento dos adolescentes com as técnicas (geralmente psicólogas e assistentes sociais). A segunda porta dá acesso ao térreo que é quase inteiramente ocupado pelo dormitório dos adolescentes que consiste em um grande “quarto” com vários beliches. Além do dormitório há ainda uma pequena cozinha e banheiros coletivos. No térreo, além dos seguranças, ficam ainda em torno de três funcionários que acompanham a

107 No momento da primeira visita, a unidade abrigava 19 adolescentes.

108 A Fundação CASA oferece dinheiro para o transporte dos adolescentes até suas casas (mesmo quando

o adolescente mora fora da cidade de São Paulo).

109 Segundo informação dada pelos funcionários, essa é uma situação bastante atípica. No momento da

pesquisa havia somente um adolescente nesta condição.

110 “Acessa São Paulo é o programa de inclusão digital do Governo do Estado de São Paulo, coordenado

pela Secretaria de Gestão Pública, com gestão da Prodesp, Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo - Diretoria de Serviços ao Cidadão”. Informação do sítio http://www.acessasp.sp.gov.br/modules/xt_conteudo/index.php?id=1 (acessado em 27/08/2010).

rotina dos adolescentes durante todo o dia e a noite. Todas as refeições são feitas na unidade e a Fundação CASA fornece dinheiro para o transporte até a escola ou o trabalho. Os adolescentes saem sozinhos da unidade.

Durante a primeira visita à unidade pude conversar com a Diretora e ficou estabelecido que eu iria duas vezes por semana para realizar as entrevistas com os adolescentes. A minha permanência na unidade se restringia ao tempo da entrevista. Entre 23 de Setembro de 2009 e 10 de fevereiro de 2010, foram realizadas entrevistas com 16 adolescentes do sexo masculino com idades entre 17 e 19 anos111. O período foi mais longo do que o previsto porque foi necessário aguardar a chegada de novos adolescentes a unidade, pois em um dado momento eu já havia entrevistado todos que estavam em progressão de medida112. As entrevistas foram individuais e tiveram duração entre 40 minutos e 1 hora. O horário das entrevistas foi estabelecido de acordo com as atividades e compromissos dos adolescentes. A Fundação CASA não permitiu a gravação das entrevistas. O registro das entrevistas foi feito à mão. Ainda que já estivesse estabelecido que a participação dos adolescentes na pesquisa deveria ser voluntária, antes de cada entrevista busquei explicar sobre a pesquisa e questioná-los novamente sobre a vontade de participar, nenhum dos adolescentes se recusou a participar. As entrevistas foram orientadas por um roteiro de questões abertas.