7.3 Etude empirique
7.3.4 Influence du facteur d’exploration
16 - Contextualização
A experiência do utilizador e a forma como ele interage com o mundo é de facto indispensável para a realização de um bom produto e serviço. Por isso, é evidente a necessidade de existir contacto com o utilizador idoso e seus hábitos, de forma a extrair o máximo de informação possível sobre os seus problemas, as suas necessidades e expectativas. Esse contacto com o utilizador deve ter em conta um tipo de estratégia e metodologia que envolva a observação direta e a realização de inquéritos e entrevistas, que por sua vez podem ser gravadas em suporte de vídeo e audio ou fotografadas, conseguindo a informação suficiente para a criação do produto final (GOTTELAND & HAON, 2005, p.19). Um ponto essencial nesta investigação é a experiência do utilizador idoso e a forma como ele interage com o produto e serviço.
“(…) user experience design — is an aspirational term. As designers, we should aspire to craft products that affect a positive experience for our users” 25 (RAST, 2014, s.p.).
Este contacto com o utilizador idoso permitiu não só a aquisição de mais informação acerca do seu dia-a-dia, necessidades e experiências, como consequentemente de oportunidades de melhoria e inovação, de forma a contribuir para um aumento da qualidade de vida e integração social.
Inicialmente o projeto foi iniciado no âmbito da disciplina de Design de Produto e Serviços II e, para a aquisição de informação, foi feito um estudo de campo breve, de forma a conseguir ter uma maior aproximação à realidade, através da observação direta e entrevistas. Serão apresentadas, por isso, entrevistas e casos observados, neste tópico, sendo que cada um deles contém um caso diferente e pertencem a diferentes campos de intervenção; os testemunhos recolhidos foram de profissionais da saúde e de idosos.
Entrevista 1 - Palmira Rodrigues, Subdiretora do Lar São José Operário
Segundo o testemunho da senhora Palmira, o esquecimento é um dos principais sinais do envelhecimento e perda de habilidades, no entanto as dificuldades motoras devido a problemas como tendinites, artrose, entre outros, ainda dificultam mais este processo, impossibilitando a capacidade de uma reação mais rápida a um determinado problema. Atualmente existe uma população bastante envelhecida sendo que a maioria destas pessoas tem entre 80 e 95 anos de idade. As habitações não estão de todo preparadas para a 3ª idade, nem para este tipo de dificuldades, pelo que precisariam de mais apoio. Os maiores problemas com
25 T.L. “(...) o design da
experiência do usuário - é um termo de aspiração. Como designers, devemos aspirar a criar produtos que proporcionem uma experiência positiva para nossos utilizadores”
que as auxiliares se deparam quando fazem visitas ou entregas de refeições aos utentes do centro de dia, ou seja, os que vivem e têm capacidade para viver em suas casas, são:
− Esquecimento e troca de medicamentos sem se aperceberem;
− Muitas vezes os fogões não são desligados, mais uma vez devido a problemas de memória. Por isso, geralmente para aquecer as refeições, sem que exista algum perigo ou insegurança, os idosos costumam usar o micro-ondas.
− As portas da habitação por vezes não são bem fechadas, o que põe em causa a sua segurança;
− Nas casas de banho e cozinhas, as torneiras ficam regularmente abertas ou mal fechadas;
− As janelas ficam constantemente abertas, pondo em causa a sua segurança;
− Perda da noção temporal e dificuldade na orientação.
Outra questão bastante importante é a noção do tempo, que acaba por contribuir para alguns dos problemas referidos anteriormente. Seria de facto bastante benéfico e importante que existisse algo que os orientasse e ajudasse a lembrar as tarefas e as funcionalidades do quotidiano, através de sinais sonoros ou luminosos, algo que chamasse a sua atenção.
Entrevista 2 - Octávia, auxiliar, Centro geriátrico Mundo dos Avós
A senhora Octávia referiu que o esquecimento e o tempo de reação são de facto fatores que condicionam o quotidiano dos idosos. Um dos problemas deste público é a sua aceitação da necessidade de pedir ajuda ou precisar de determinados produtos que facilitem alguma ação. No fundo, para os idosos, isso põe em causa a sua dignidade e utilidade. Outra questão importante é a toma de medicação, que muitas vezes é esquecida ou trocada facilmente por eles, o que é bastante negativo, pondo em causa a sua saúde.
Caso observado 1 – Senhora Juliana, 85 anos
A senhora Juliana vive numa aldeia de Portugal, com muito pouca população. Atualmente vive sozinha numa casa, no rés-do-chão. No entanto, a sua casa divide-se em vários módulos, sendo, por exemplo, necessário sair do módulo onde tem a sala de estar, os quartos e a casa de banho para entrar na zona da cozinha. Estas duas áreas estão em diferentes patamares e, por isso, é necessário subir e descer escadas, o que torna a mobilidade mais difícil. Para além disso, a senhora Juliana sofre de início de Parkinson, o que lhe dificulta muitas vezes o manuseamento de muitos objetos.
Caso observado 2 - Anónimo 70 - 75 anos
É uma pessoa bastante ativa e citadina que apanha o comboio várias vezes e executa as suas atividades do quotidiano. No entanto, muitas vezes tem dificuldade em orientar-se no meio de muito movimento, para além de ter dificuldades, por exemplo, em ver os horários dos comboios no ecrã digital e, por isso, precisa de pedir ajuda, revelando a sua incapacidade visual e de orientação.
Observações
Com base no estudo de campo, pode dizer-se que atualmente ainda existe a necessidade de valorização, atenção e inclusão, principalmente social, no entanto, ao contrário, também já existem alguns idosos que atualmente, motivados por familiares ou amigos, estão a tentar aderir a pequenas tecnologias. O facto de incluir os idosos é fundamental para que ele próprio se sinta incluído e pertencente à sociedade. O idoso deve ser incluído no meio em seu redor, permitindo-lhe estar ativo perante o que acontece à sua volta. Outra questão relevante é a admissão de dificuldades e a necessidade de apoio ou de cuidados específicos, por parte dos idosos, porque põe em causa a desvalorização da sua imagem a nível da sua utilidade e dignidade.
Problemas frequentes:
Após realizadas as anteriores entrevistas e observação de casos, compreende-se que os problemas mais frequentes e necessários de resolver são:
− deixar o fogão ligado, com risco de propagação de CO2 ou incêndio;
− as torneiras que ficam abertas ou mal fechadas várias vezes, com gastos desnecessários;
− o esquecimento das portes e/ou janelas abertas ou mal fechadas o que põe em risco a segurança;
− o esquecimento da toma de medicação ou troca da mesma, que pode ser prejudicial para a saúde.
Assim, existem alguns pontos fortes para utilizar na realização do projeto, que devem ser relevantes para o bom funcionamento do equipamento e manter o fácil acesso, intuitivo pelo utilizador, tais como:
− Iluminação que chame a atenção; − Materiais ou volumes com texturas;
− Boa capacidade de visualização e de audição. De forma a criar uma análise mais fácil e objetiva foram realizadas duas tabelas que permitem analisar os problemas e, por conseguinte, destacar possíveis adaptações e soluções.
111 Design de Equipamento de Apoio ao Idoso na Habitação
Tabela 11 - Análise dos problemas e dificuldades do público idoso (AUTORA, 2016)
A análise das tabelas 11 e 12 foi realizada com base nas entrevistas realizadas aos especialistas inicialmente e com problemas e necessidades entendidas através da observação direta e do convívio com o público-alvo.
Estes pequenos inquéritos e a observação do utilizador levaram a que se destacasse a importância da colaboração do utilizador idoso no desenvolvimento do projeto final. Para além disso, permitiu também definir melhor o público-alvo e o meio onde seria realizado o projeto final.
Problemas Capacidades/ fatores Visão Iluminação Mobilidade Orientação Saúde Memória Possíveis adaptações e conciderações Mais dificuldade em captar a
intensidade das cores e contraste; Os problemas de visão são frequentes nos idosos.
Utilização de cores distintas e contrastantes; utilização possível de materiais fluorescentes e com texturas.
A sensibilidade é menor;
a mobilidade é condicionada maioritáriamente por problemas de saúde, o que leva ao idoso demorar mais tempo a agir.
Uso de materiais e cores diferentes; os objetos ou sinalética devem estar ao alcançe da visão sempre que possível para evitar muitas deslocações. A percepção da intensidade
lumínica diminui.
Necessidade, muitas vezes, de aumentar a intensidade da luz para duas vezes mais que o normal.
Perda de noção temporal. Os relógios e informações de calendário devem ter números e letras grandes e estarem ao alcance da visão.
Doenças como: a osteoporose, a artrose e a Parkinson são frequentes.
Utilização de texturas, relevos e volumes distintos nos produtose superfícies para que seja mais fácil de manusear.
Dificuldade de memorização de tarefas e objetivos do quotidiano; problemas de memorização da medicação, devido à elevada quantidade de medicamentos e dificuldade em perceber as receitas.
Organização de tarefas diárias; organização dos medicamentos, através de etiquetas ou esquemas de fácil visualização e percepação; produtos intuitivos.
112
Tabela 12 - Análise dos problemas na habitação (AUTORA, 2016)
Para isso procedeu-se a um estudo de campo mais elaborado, baseado numa metodologia empírica com base em inquéritos e observação direta. Para melhor explicar o processo, está representada a tabela 13, abaixo, onde é possível distinguir a fase 1 da fase 2. O estudo de campo dividiu-se em duas fases, a fase um que corresponde à execução de inquéritos e testes do produto, levando a uma validação provisória e a fase dois que corresponde à validação final do projeto. Inicialmente foram efetuados dois inquéritos de resposta rápida aos utilizadores, os idosos, e aos especialistas, os familiares e profissionais que cuidam dos seus idosos. Este inquérito teve como fim aprofundar o conhecimento sobre o quotidiano dos idosos, bem como as suas necessidades e os seus problemas existentes. Problemas Capacidades/ fatores Visão Iluminação Mobilidade Orientação Possíveis adaptações e conciderações Acumulação de objetos e má
colocação dos mesmos no espaço, afetando o campo de visão do idoso.
Aplicação de cores diferentes ou contrastantes, para maior distinção e visibilidade entre objetos; a sinalização deve estar ao nível da altura da pessoa ou no seu ângulo de visão.
A acessibilidade do espaço e a capacidade de circulação é condicionada devido aos vários volumes e objetos existentes na habitação pouco organizados.
A iluminação fraca e demasiado homogénea pode criar problemas de visão, refletindo-se nas dificuldades em perceber o espaço e seus obstáculos.
Na habitação, o número de tarefas e objetos a gerir é imenso (por exemplo, electrodomésticos ou outros aparelhos), o que leva a dificuldades de organização e orientação em relação às tarefas a realizar.
Organização do espaço de forma funcionar e acessível, com possibilidade de sinalética, caso necessário; os aparelhos em caso de SOS devem estar o mais perto da pessoa ou ao seu alcançe facilmente.
A luminosidade deve aumentar de intensidade nos diversos espaços, para se ver bem o meio envolvente e seus obstáculos.
Os possíveis sons dos aparelhos, caso existam, devem ser adequados à audição do idoso, de forma a ter uma boa acústica; indicações para organização das tarefas, ou outras informações, como data e horas, devem estar ao alcançe da visão e com letras e números grandes.
Tabela 13 - Organização das fases de desenvolvimento de testes (AUTORA, 2017).
A escolha dos grupos de amostra foi elaborada com base nas perdas de capacidades dos idosos que se refletem na mobilidade, na visão, na audição e na memória, de modo a que o produto pudesse ser testado de maneira a compreender se estava bem adaptado aos utilizadores e às suas necessidades. Para os testes realizados na fase um, foram criados quatro grupos de amostra, em que no grupo da visão, da audição e mobilidade participaram sete pessoas, em cada, e seis pessoas no grupo da memória. Após os vários testes efetuados surgem as conclusões e um resultado final provisório que leva à passagem da fase um para a fase dois, a validação, em que é apresentado um protótipo final com base na análise de dados feita ao longo de toda a fase anterior. Nesta fase existe apenas um grupo de amostra que reúne quatro pessoas dos grupos de amostra da fase um, que participaram no desenvolvimento do projeto desde o início e três idosos exteriores ao seu desenvolvimento, ou seja, que não têm qualquer conhecimento do projeto.
Nota: Para a organização dos gráficos, procedeu-se à criação de uma paleta de
cores básicas, sendo que o valor mais alto é sempre destacado usando a mesma graduação de cor .
Inquérito geral Idosos a partir dos 65 anos;Especialistas, os cuidadores.
Teste 1 - Protótipo 1 1 2 3 4 Teste 2 - Maquete 1
Teste 3 - Maquete final provisória
Validação - Teste final Teste 4 - Teste da luz e cores
Teste 5 - Teste de sons Idosos - grupos de amostra:
- Grupo 1 - Visão - Grupo 2 - Audição - Grupo 3 - Memória - Grupo 4 - Mobilidade Validação provisória
Fase 1
Fase 2
Validação final do produto - Grupo de Amostra final
Conclusões Provisórias Conclusões finais Análise de dados Análise de dados Análise de dados Análise de dados