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2. Mod` ele semi-empirique

2.1 Formulation du mod` ele : approche continue et notion

Se na primeira atividade eu, através das análises que faço aqui neste trabalho, consegui identificar a autonomia dos alunos, na visita da atriz identifiquei a importância do toque nas relações estabelecidas na escola. Quase que por unanimidade os alunos elegeram o ato de

serem pintados como a experiência que eles mais gostaram. Ainda que, considerando o fato de a maquiagem remeter à fantasia, dando a eles a oportunidade de assumir uma personalidade imaginária, como de animais e super heróis, eles relatam que o ato da atriz pintar seus rostos foi o que eles mais gostaram. Ao que pude notar, foi no contato estabelecido por ela que proporcionou a eles o prazer da experiência. Davis (1991) fala em seu livro intitulado “O poder do toque” que a comunicação não verbal estabelecida através do ato de tocar é uma necessidade básica humana. A autora diz também que o contato físico “pode ser tranquilizador, terapêutico, carinhoso, afetuoso, confortador ou animador” (DAVIS, 1991, p. 36).

A autora ao considerar a potência do ato de tocar outra pessoa, é surpreende. Ela cita experiências e testes feitos acerca desta abordagem que revelaram resultados interessantes.

Em outro teste, Heslin pediu a uma aluna que deixasse uma moeda numa cabine de telefone público, saísse e então abordasse a pessoa que entrasse em seguida. Toda vez, a moça indagava se a moeda que esquecera ainda não estaria na cabine. A resposta era, quase sempre, “não”. Na segunda etapa, a estudante experimentou uma outra abordagem. Gentilmente, tocava a pessoa no braço por um ou dois segundos enquanto lhe falava. Com este método, recuperou a moeda em quase todos os casos (DAVIS, 1991, p. 38).

Hoje em dia, parece-me que o toque é algo que cada vez mais estamos deixando de lado. As pessoas pouco se tocam, pouco se abraçam, pouco se sentem através do tato. E na escola o toque é algo que não acontece todos os dias, de maneira prazerosa. Nem na escola, nem em casa, nem com seus amiguinhos. A falta de tempo é a principal causa da ausência do toque, tudo é feito de maneira tão rápida, que não sobra tempo para o contato através do toque. Na vida social também, com a chegada da internet, e também devido à violência nas ruas, as crianças dos dias de hoje não brincam mais de pega-pega, esconde-esconde, queimada, taco, brincadeiras nas quais o toque é parte da atividade. Hoje, as crianças brincam jogando no computador ou vídeo game, conversam por sites de relacionamento na internet, e pouco se tocam. Davis (1991) levanta várias restrições sociais para o não tocar entre sujeitos. Este não tocar se dá, segundo a autora, por diversas razões, dentre elas estão: as razões culturais, religiosas e econômicas. Com relação à influência econômica na escassez do não tocar o outro, a autora diz que:

Outro aspecto econômico que influência nosso comportamento quanto ao contato físico é a filosofia da escassez. Dela vem o conceito de que os bens são a medida do homem e que, caso não sejam suficientes para todos, devemos nos preocupar em adquiri-los. Tal preocupação com a acumulação

de dinheiro e dos objetos que pode comprar nos faz encarar o trabalho como um dever e o prazer como algo pecaminoso e imoral. Tornamo-nos criaturas rígidas, que rejeitam a vida e sentem-se mais à vontade tocando os objetos que possuem do que uma à outra. (DAVIS, 1991, p. 81).

Inúmeras vezes eu pude presenciar pais passando todo o domingo lavando seus carros ao invés de estarem passeando com seus filhos. É o que Davis (1991) fala do prazer em tocar um objeto e uma repulsa em tocar o outro.

O ato de tocá-los através da pintura proporcionou a experiência de algo especial. Era algo inusitado dentro do contexto das relações estabelecidas dentro da escola. Eles se sentiram como se estivessem se preparando para uma peça teatral, incorporando o seu personagem, trabalhando a fantasia e imaginação. Sobre a comunicação não-verbal estabelecida através do toque, dentro da escola, Davis (1991) ao citar sua tese, no qual o tema central era a comunicação não-verbal e o contato físico na escola, concluiu no trabalho por ela desenvolvido que “os alunos de fato reagiam a minha comunicação não verbal [...] Conscientizei-me de que as pessoas, particularmente os estudantes, reagiam ao toque e, muitas vezes, ao sorriso, à proximidade física” (DAVIS, 1991, p. 172).

Penso que com o mundo virtual cada vez mais em evidência, a possibilidade de um sujeito tocar o outro se tornará cada vez mais incomum. Por isso destaco a importância do toque nas relações estabelecidas na escola. É o resgatar prazeres que os tempos modernos tem desconsiderado importantes para a formação do sujeito.

Sobre a postura do educador que busca estabelecer uma educação não-verbal através do tato, Davis (1991) alerta para a consciência da própria linguagem corporal e pelo respeito à linguagem corporal dos outros. Segundo a autora, em uma cultura como a nossa, que ensina as crianças a duvidarem de suas vontades e sentidos, é preciso trabalhar em sala a anulação deste treinamento negativo que ele próprio enquanto ser social e seus alunos tiveram acerca da relação através do toque. A autora diz também que em sua pesquisa e por experiência, “que o contato físico facilita a comunicação e a aprendizagem” mas orienta que “nas escolas, bem como em outros locais de trabalho, há muitos tabus e restrições culturais quanto a quem toca quem e onde” (DAVIS, 1991, p. 173).

Considero que a visita da atriz e a atividade com eles desenvolvida, proporcionaram à classe esta forma de ensinar através da comunicação não-verbal, estabelecida através do toque, uma linguagem cada vez mais rara de se experimentar.