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4.3 Profils d’h´ ematocrite dans les dispositifs microflui-

4.3.1 Canaux simples et bifurcations

A escola em que realizei meu estágio é um verdadeiro coração de mãe, sempre tem espaço para mais um “filho”, e comigo não foi diferente, a diretora da escola me recepcionou de maneira amigável, me apresentou a escola com orgulho. Apresentei-me ao corpo docente do período da tarde (no qual realizei todo o meu estágio) que era composto de cinco professoras, uma de primeira-série, uma de segunda-série, duas de terceira-série e uma de quarta-série. Devo explicitar aqui que na cidade de Rio Claro as escolas da Prefeitura estão separadas em Ensino Infantil e Ensino Fundamental I, e no período de realização do meu estágio as classes eram estruturadas de forma seriada, e não em ciclos (implementado a partir de 2007). Segue o registro da descrição feita por mim da escola, as minhas primeiras impressões contidas em meu relatório de estágio de observação.

REE1 – Dezembro de 2007.

Com relação à estética da escola, a sensação que tive ao chegar lá foi de entrar em um casarão. A [nome da escola] é pequena para uma escola, é aconchegante e receptiva. Na pequena quadra as crianças (que nem estudam lá) jogam futebol, pulam corda, jogam basquete. O prédio da escola se assemelha com um trem, as salas estão dispostas uma do lado da outra, como vagões. A secretaria da escola faz o papel da “locomotiva”, seguida pelo vagão da sala dos professores. Posteriores a estas estão respectivamente as duas salas de primeira série, seguidas pela sala da segunda, terceira e quarta séries. Minha imaginação, ao me deparar pela primeira vez com a [nome da escola], foi de estar em uma estação ferroviária mesmo, onde cada aluno adentra em seu vagão em busca de trilhar os caminhos do conhecimento.

Combinei os dias e horários em que estaria presente na escola com a diretora, e me comprometi a levar a documentação necessária para a execução do meu estágio. A documentação nada mais era que uma carta da universidade confirmando meu vínculo com a mesma e endossada pela Secretaria de Educação de Rio Claro. Tudo pronto para realização do

meu estágio, fui designada pela diretora a estagiar em uma primeira-série do ensino fundamental de oito anos11.

A sala era composta por trinta alunos, dezessete meninas e treze meninos. A professora titular da sala, a quem devo preservar o nome, assim como de todos os outros sujeitos por mim aqui citados, tinha sua formação em Licenciatura em Pedagogia pela UNESP de Rio Claro, e já lecionava há cinco anos. Ela me recepcionou muito bem, disponibilizou uma mesinha no canto da sala para mim e me apresentou a seus alunos. Jamais me esquecerei daqueles sessenta olhinhos brilhando em minha direção como uma constelação de estrelas em um céu de noite estrelada. Todos ansiosos para falar comigo, me conhecer melhor. Nesse momento a professora os orientou que eu estava lá apenas para observar a aula, não para ajudá-la com as atividades, como fazia a outra estagiária que havia frequentado a sala no semestre anterior. Foi nesse momento que aconteceu o meu primeiro choque com o real dentro do contexto escolar. O foco do meu estágio era a observação e o registro do cotidiano da escola e não a prática educativa em si.

Naquele momento me pus a pensar qual era o meu papel dentro daquele contexto, eu não considerava que a observação fosse um ato de grande importância para minha formação acadêmica e profissional. Queria experimentar o entrelaçamento da teoria e da prática em sala de aula, mas eu não vislumbrava na observação um meio de se conseguir tal feito. Quando voltei a mim, me percebi no canto de uma sala de aula, tentando não chamar a atenção, tentando não causar nenhum incômodo, querendo desaparecer dali. Pina (2007) alerta sobre a complexidade do cotidiano escolar e lembra que para se conhecê-lo é necessária uma série de implicações. Desse modo, observar é algo fundamental para se entender o cotidiano da escola, observar é parte da investigação que se faz necessária realizar na escola para então compreender as reais necessidades escolares. Como lembra Pina (2007) é necessário estar implicado no cotidiano para compreendê-lo e vejo que era uma pretensão imatura a minha de chegar à escola, pela primeira vez figurando como estagiária e colocar em prática tudo o que eu havia aprendido sobre como lecionar sem ao menos compreender e investigar o cotidiano escolar.

O cotidiano é um objeto complexo, o que exige também métodos complexos para conhecê-lo. Nesse sentido, compreendê-lo enquanto espaço e tempo privilegiado de produção dos conhecimentos e saberes que vão dando sentido e direção ao trabalho docente implica adentrar/penetrar/investigar/esmiuçar/revelar/desvelar este outro contexto

de formação, contexto em que se apreende os modos de como ser professor, educador [...] profissional da educação (PINA, 2007, p.75).

Eu não entendia a finalidade da observação em sala de aula, seu propósito e sua contribuição para a minha formação, para a universidade e para a escola. Fazenda (1991, p.60) alerta que “uma descrição bem feita de um fenômeno é o primeiro passo para uma análise bem sucedida”. Só se consegue uma boa descrição através de uma observação atenta dos acontecimentos, mas infelizmente naquele momento eu não consegui me ater a esta que era a especificidade do meu estágio. A frustração de não poder integrar teoria e prática me fez desconsiderar, a princípio, a importância do meu papel enquanto observadora do cotidiano escolar.

Alves e Garcia (1999) discursam sobre a fragmentação do conhecimento e seu impacto nos cursos de formação de professores, e também sobre os relatos de estagiários que não conseguem entrelaçar o que eles observaram no cotidiano escolar com o que eles aprenderam em seus cursos de formação.

É comum se ouvir de alunos do curso de formação de professores, quando se tenta analisar as suas observações nas escolas, que não sabem em que os chamados fundamentos da educação podem contribuir para melhor compreender o que foi observado em campo. [...] Quando convidados a puxar os fios das disciplinas básicas para melhor compreender o seu próprio material de campo afirmam, entre embaraçados e assustados com a pergunta, não saber o que fazer com a filosofia, a sociologia, a psicologia, a antropologia ou a economia que estudaram nos primeiros períodos de curso (ALVES; GARCIA, 1999, p.84).

Como nos exemplos citados por Alves e Garcia (1999), eu não conseguia perceber na observação do cotidiano uma ligação com o que eu havia aprendido até então em meu curso de formação docente. Ainda que confusa a respeito da finalidade da observação em minha formação, eu dei início às minhas observações naquele contexto escolar.