4.1. Accompagner l’infertilité
4.1.5. Ces femmes qui n'ont pas d'enfant
Recorrendo à análise da firma de Penrose (1959), cabe resgatar um aspecto muito importante que tem passado desapercebido e que tem pertinência com a questão das mudanças internas à firma. Penrose (1959, p. 53) enfatiza muito bem a natureza das
20 Para Penrose (1959), os serviços da gerência podem ser separados em dois tipos fundamentais, segundo as funções desempenhadas dentro da firma: (1) serviços empresariais ou empreendedorismo - são novas idéias, particularmente com respeito a produtos, localização e mudanças significativas em tecnologia, à aquisição de novo pessoal gerencial, a mudanças fundamentais na organização administrativa da firma, ao aumento do capital e ao desenvolvimento de planos para expansão, incluindo a escolha do método de expansão; (2)
serviços gerenciais ou gerenciamento - relacionam-se à execução dos propósitos e idéias empresariais e à
mudanças nos serviços que os recursos humanos podem oferecer oriundas das próprias atividades deles. Isto é, com a experiência acumulada dentro da firma, um indivíduo ganha em conhecimento e habilidade: (a) ele adquire conhecimento (saber por fazer - conhecimento ganho pela experiência), que provoca uma mudança nas qualidades próprias (ganho em sabedoria, em segurança de movimento, em confiança) dos seus serviços prestados; e (b) ele desenvolve habilidades para usar conhecimento acumulado dentro da firma (fazer por saber), ao proporcionar uma mudança nas qualidades ou atributos em nível organizacional (desenvolvimento de competência específica à firma).
Neste sentido, o conhecimento criado pelos indivíduos dentro da firma, de um lado, é incorporado neles próprios e o conhecimento criado através de interações sociais, de outro, é incorporado no gerenciamento de uma "equipe de trabalho" (Penrose, 1959, p. 46) ou em "sistemas técnicos" - em termos de sistemas de informação ou produção física - (Leonard-Barton, 1992, p. 113) ou na estrutura social de um grupo (Narasimha, 2000, p. 124).
Esta relação entre conhecimentos e habilidades pode ser entendida, por exemplo, através da noção de "conhecimentos locais" enfatizada por Jorgensen (1999), que denota conhecimentos concretos, independentes e contextuais. Diz ele:
"Eles são concretos uma vez que residem nas atividades nas quais se materializam. Eles são independentes porque têm uma identidade própria, que, entretanto, não significa que outros conhecimentos não deixam de influenciar. Conhecimentos locais, pelo contrário, estão constantemente reagindo e respondendo em uma interação com outros conhecimentos em um contexto específico." (Jorgensen, 1999, p. 4)
Sendo assim, o conhecimento local é um conjunto completo de conhecimento com história e identidade própria e que existe no seu próprio contexto específico. O conhecimento é acumulado e formatado por meio de instrumentos efetivos como métodos de observação, técnicas de registro, procedimentos para investigação e pesquisa, aparatos de controle, etc. (Foucault, 1976). Portanto, diz Jorgensen (1999), ele é concreto.
Figura 2: Estoque de conhecimento disponível à firma
Estoque de Conhecimento
Disponível à Firma Livremente Disponível
Estado da Arte: conhecimentos público e universal; conhecimento comercializável por outras firmas; e outras informações. Conhecimento personificado pela experiência; conhecimento tecnológico in-house conhecimento privado
Ambas as formas de mudança (ganho) em conhecimentos e habilidades têm origem muito mais na experiência acumulada dentro da firma (conhecimento interno ou disponível à firma) do que na experiência do mundo externo (conhecimento externo ou livremente disponível a todas as firmas). O conhecimento interno inclui a experiência pessoal e em grupo na forma tácita (não-codificada), explícita (codificada) e específica
(cumulativamente aumentada). O conhecimento externo envolve conhecimento público (livremente disponível em publicações, ensino formal, etc.), conhecimento universal (decorrente das ciências naturais), contribuições de outras firmas (oferta de tecnologias na forma de capital-equipamento) e outras informações (públicas ou privadas) sobre mercados, preços, gostos e atitudes dos consumidores, tecnologias sendo desenvolvidas por outras firma, etc.. Estas dimensões do conhecimento são apresentadas na Figura 2.
O conhecimento acumulado internamente está estritamente ligado às habilidades, em nível dos indivíduos ou equipe (Penrose, 1959), e às rotinas, em nível da organização (Nelson e Winter, 1982). Em um sentido evolucionário, Nelson e Winter (1982, p. 99) propõem que "a rotinização de atividade em uma organização constitui a mais importante forma de estocagem do conhecimento operacional específico da organização". Em outras palavras, o conhecimento reside na "memória" dos "membros da organização", que têm certas habilidades e rotinas ("repertório"). O 'exercício' de habilidades e rotinas é tão importante para a aprendizagem e memória ("lembrar por fazer") quanto para a aplicação de todo o conhecimento, tácito e explícito (fazer por saber). Através de suas próprias atividades (experiência), os indivíduos estocam (armazenam) todo o conhecimento necessário para o desempenho de habilidades individuais e rotinas. Dessa forma, mediante o exercício de habilidades e rotinas, em circunstâncias particulares, os indivíduos conseguem desempenhá-las ao "lembrar por fazer". Este termo foi introduzido por Nelson e Winter (1982) para denotar a idéia de que, assim como um indivíduo se lembra das habilidades pelo exercício delas, as organizações " se lembram" de uma rotina, em grande parte, pelo exercício delas. Assim, o exercício da rotina está para a memória organizacional como os registros estão para a memória formal.
Neste sentido, as habilidades em usar o conhecimento acumulado dentro da firma podem ser divididas em três classes especializadas, mas interligadas e interdependentes entre si: (1) habilidades em desenvolvimento; (2) habilidades em organização; e (3) habilidades em aprendizagem. Cada tipo de habilidade será discutido com maiores detalhes mais adiante.
As mudanças nas condições externas também estão ligadas às mudanças dentro da firma (mudança contínua nas habilidades e conhecimentos). Esta ligação mútua é estabelecida pela 'competição em criatividade'. Por exemplo, a necessidade da firma dar resposta às ameaças de novas tecnologias, sendo desenvolvidas pelos competidores, requer a criação de novas habilidades, tais como desenho e manufatura. Sendo assim, em setores onde a firma individual deve manter-se lado a lado com novos desenvolvimentos técnicos (ser capaz de desenvolver um expertise em tecnologia e marketing) para competir com sucesso (acompanhar e participar na introdução de inovações que afetam seus produtos) e onde a lucratividade contínua provavelmente está associada às possibilidades de inovação, o desenvolvimento de novas habilidades mantém uma forte relação com as condições de competição, porém baseado em um expertise em tecnologia e marketing. Em tais circunstâncias, como enfatiza Penrose (1959, p. 106), a maioria das grandes firmas têm adotado laboratórios de pesquisa industrial, que aceleram, imensuravelmente, a criação de habilidades e conhecimentos dentro da firma.
O estoque de conhecimento, que serve de base para inovações particulares, tem origem nas seguintes contribuições:
a) conhecimento tecnológico in-house - conhecimentos implícita e explicitamente articulados em engenharia, designer, produção, marketing, etc.;
b) conhecimento comercializado por outras firmas - conhecimento tecnológico fisicamente incorporado na forma de capital-equipamento, instrumentos de precisão e medida, por exemplo);
c) conhecimentos privados - conhecimentos que estão explicitamente articulados, tais como conhecimento detalhadamente impresso em manuais e artigos pedagogicamente ensinados em escolas e cursos de treinamento, e ainda conhecimentos expostos em contextos, como patentes, por exemplo;
d) conhecimento público - conhecimento científico amplamente aplicável (universal) que é comumente ensinado em disciplinas das escolas (eletricidade, mecânica, física, por exemplo), especificamente aplicável (tais como know-how e capacidades), bem como publicações técnicas e científicas; e
e) outras informações (públicas ou privadas) sobre mercados, preços, gostos e atitudes dos consumidores, tecnologias sendo desenvolvidas por outras firmas, etc.
Portanto, uma atividade crítica para aprender, memorizar, utilizar e lembrar conhecimentos e habilidades é, sem dúvida, a atividade de desenvolvimento de processo e produto.