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L'aide médicale à la procréation : pour qui, pourquoi ?

4.1. Accompagner l’infertilité

4.1.1. L'aide médicale à la procréation : pour qui, pourquoi ?

A questão da raridade abordada por Barney (1991, p. 106) não está bem resolvida. Ele utiliza este conceito para explicar como “uma firma desfruta uma vantagem competitiva quando ela está implementando uma estratégia de criação de valor não simultaneamente implementada por grande número de outras firmas”. Em outras palavras, quando os recursos são comuns, eles podem ser explorados da mesma maneira para implementar estratégias comuns; logo, nenhuma firma obtém vantagem competitiva. Relacionando recursos com vantagem competitiva, Barney (1995) refere que se uma firma possui recursos e capacidades particulares valiosos, mas comum (não-raro), esta deve obter, ao menos, vantagem competitiva equivalente (parity).

Este argumento pode ser facilmente contraposto utilizando-se o mesmo exemplo de um recurso que pode ser escasso, citado por Barney (1991), o talento gerencial. O próprio autor admite que o talento gerencial é um tipo de recurso requerido na implementação de quase todas as estratégias, isto significa dizer que ele é, na verdade, um recurso não-raro, o importante, na avaliação do recurso, para a implementação de uma estratégia específica, não é o recurso em si, isto é, se ele é, em particular, acessível a todas as firmas, mas como ele é desenvolvido (acumulado) dentro (contexto) de cada firma. O ‘trabalho geral’, por definição, não é raro (disponível no mercado), mas as pessoas, uma vez contratadas, são dotadas de habilidades, conhecimentos e valores específicos à firma; elas incorporam outros recursos que são acumulados através da experiência, aprendizado e treinamento (Dierickx e Cool, 1989). Igualmente, o conhecimento em si não é fixo, mas ele não está imediatamente disponível a todas as firmas, muda com a experiência (história) de cada

firma e pode ser utilizado diferentemente conforme as habilidades inovativas disponíveis a cada uma (Penrose, 1959).

Peteraf (1993, p. 180) argumenta que a posição privilegiada de mercado de produto de uma firma é, em geral, adquirida ou protegida pelo emprego de recursos raros ou escassos, no sentido de serem limitados em oferta, ou seja, fatores produtivos fixos que não podem ser expandidos. Assim, os recursos ditos superiores são aqueles que, mantendo-se limitados em oferta, podem alcançar níveis intrinsecamente diferenciais de eficiência e eficácia. Os recursos escassos podem ser tanto em termos físicos (terra, minerais, equipamentos específicos, ou até mesmo uma planta) como recursos intangíveis (talento específico, informação, patentes, cultura, etc.). Nas palavras de Black e Boal (1994, p. 132), “a raridade de um recurso específico depende da combinação da raridade física no mercado de fator e/ou da raridade do valor percebido do recurso, devido a uma combinação de recurso particular da firma”. Além da limitação da oferta de um recurso, a escassez pode advir de restrições artificiais ou deliberadas do produto ou do poder de mercado, conhecidas como modelos de monopólio. Por exemplo, proteção governamental ou conluio quando barreiras a competidores potenciais são altas (Conner, 1991); ou competição espacial ou diferenciação de produto, seja pelo monopólio localizado ou específico (Peteraf, 1993), seja pela presença de barreiras de mobilidade intra-indústria que diferenciam grupos de firmas de outros (Caves e Porter, 1977), seja pelas vantagens de tamanho, de mover-se primeiro, de comprometimento irreversível ou outras (Ghemawat, 1986; Lieberman e Montgomery, 1988).

Conhecido como modelo Ricardiano, o argumento acima pode ser estendido (aplicado) aos recursos quase-fixos, que são muito mais freqüentes e importantes, no sentido de que a oferta deles não pode ser rapidamente expandida, isto é, recursos que,

enquanto limitados no curto prazo, podem ser renovados e expandidos incrementalmente ou acumulados dentro da firma que os utiliza (Dierickx e Cool, 1989; Perteraf, 1993). Neste caso, se um recurso é apenas temporariamente fixo em oferta, tais como equipamento específico e know-how, então ele pode ser desenvolvido ou duplicado dentro de um período de tempo razoável, cujo retorno resultante pode ser temporário ou de curto prazo (Schomaeker, 1990).

Extrapolando o conceito de recurso ‘econômico’11, que, por definição (teoria econômica tradicional), todos os ‘bens livres’ não têm valor, há ainda os recursos livres (não-fixos) que mantêm uma “relação causal à conduta” da firma.

“Se nós assumirmos que o ‘estado da arte’ não é fixo e, em particular, o conhecimento adquirido por uma firma não é imediatamente disponível a todas as firmas, então o fato de um ‘bem’ estar livremente disponível deve encorajar inovações que usem seus serviços na produção” (Penrose, 1959, p. 78)

Os recursos assim descritos são aqueles recursos confinados à firma e compartilhados por ela (mobilidade imperfeita), como conhecimentos tácito (intransferível) e distribuído (multi-pessoa), competência, reputação da marca, confiança dos consumidores, etc.

A ênfase colocada por Penrose (1959), sobre o significado dos recursos com os quais uma firma trabalha e sobre o desenvolvimento da experiência e conhecimento do seu pessoal, mostra que estes fatores amplamente determinam a resposta da firma às

11 Na análise econômica tradicional, um ‘bem econômico’ é tudo aquilo que é escasso ou raro, limitado em quantidade, e que satisfaça uma necessidade humana. Sendo assim, toda coisa rara e escassa teria,

necessariamente, um valor econômico. Os bens disponíveis em quantidade abundante, denominados de bens livres, são designados de bens não-econômicos, sem valor.

mudanças no mundo externo e também determinam o que uma firma ‘vê’ no mundo externo.

Portanto, a raridade deve ser entendida como resultado da conexão entre especificidade e outras três características intrinsecamente relacionadas dos recursos: (1) capacidade, (2) durabilidade e (3) natureza. Os recursos se diferem consideravelmente em capacidade dependendo da posição deles em relação à firma no tempo e no espaço. O uso limitado de um recurso físico durável determina sua capacidade produtiva em seu estado natural específico. Uma máquina qualquer, por exemplo, quando usada para um propósito, continua a gerar substancialmente o mesmo serviço por um determinado período de tempo. Recursos deste tipo são coisas que podem ser compradas ou arrendadas facilmente. Entretanto, dada a característica única dos serviços (habilidades, conhecimento, valores, eficiência, etc.) dos recursos humanos e dos recursos materiais, no sentido de que o mesmo serviço não é reproduzível, é que faz as firmas diferirem entre si (heterogeneidade).

“O ‘sucesso’ não é simplesmente uma questão de realizar um lucro contábil; para ser julgada bem sucedida, uma atividade deve ter encontrado o melhor uso dos recursos da firma do que qualquer uso alternativo; e permanece bem sucedida contanto que ele continue sendo o uso mais lucrativo, não apenas de quaisquer novos fundos que são requeridos para manter a posição competitiva, mas também dos recursos gerenciais e outros absorvidos por ela.” (Penrose, 1959, p. 178)

Muitos recursos são duráveis por continuarem a gerar os mesmos serviços por considerável período de tempo (vida útil longa), no caso das plantas e equipamentos; outros são rápida e completamente consumidos (não-duráveis) no processo de produção, como matérias-primas, por exemplo. Se um serviço, por sua vez, não for usado (posto em

prática), como, por exemplo, o lançamento antecipado de uma inovação vis-a-vis dos competidores, ele se perde (não pode ser testado), portanto, os serviços não são duráveis (desaparecem mesmo sem o uso), porém, são duradouros no sentido de que podem ser continuamente estocados, armazenados ou acumulados com o uso. A competência essencial, por exemplo, é um processo cumulativo e irreversível; ela aumenta e não deprecia na medida em que é aplicada e compartilhada ao longo do tempo. Além disso, precisa ser alimentada e protegida. Ela representa o somatório do aprendizado da interação entre o conjunto de habilidades individuais e as unidades organizacionais individuais (Prahalad e Hamel, 1994). Por estas razões que muitas firmas mantêm departamentos empenhados na pesquisa de novos produtos, novos métodos, novos usos para velhos produtos e novos mercados, seja vislumbrando a possibilidade da firma expandir-se em novas direções, seja buscando ajustamentos ‘defensivos’ diante da rápida obsolescência dos métodos, produtos e materiais, que freqüentemente forçam a firma não apenas a tentar manter, acima de tudo, novas pesquisas, mas, se possível, liderar na introdução de novas coisas (Penrose, 1959). O difícil é encontrar o “divisor de águas” entre estes dois propósitos.

Tudo isto requer investimentos em experimentação, pesquisa e inovação, isto é, renovação dos recursos, haja vista que a reputação da marca se deprecia devagar, o conhecimento das pessoas que trabalham dentro da firma aumenta e precisa ser explorado e compartilhado, as melhorias de custos e a qualidade dos competidores são desafiadoras, a participação no mercado necessita ser mantida, a lealdade do consumidor pelos produtos da firma precisa ser cultivada, etc.

Neste sentido, a natureza específica dos recursos, fortemente relacionada à atividade inovativa (pesquisa industrial), determina os elementos da posição competitiva da firma.

“Para muitas, se não para a maioria das firmas, a maior proteção efetiva a longo prazo tanto contra a competição direta quanto à competição indireta de novos produtos recairá na habilidade da firma em antecipar, ou ao menos acompanhar, inovações ameaçadoras em processos, produtos e técnicas de marketing.” (Penrose, 19595, p. 113)

Por conseguinte, do ponto de vista penrosiano, em um mercado altamente competitivo, a ameaça da competição de novos produtos, novas técnicas, novos canais de distribuição e novas maneiras de influenciar a demanda do consumidor é, em grande medida, uma influência mais importante sobre a conduta das firmas existentes do que outro tipo de competição (destruição ou prevenção da competição efetiva por meio de práticas competitivas predatórias ou mecanismos monopolísticos restritivos). Seu efeito primário é forçar a firma a querer manter-se no mercado, para um dado produto, para aprender tudo que pode sobre o produto, seu mercado e, em particular, a tecnologia relevante, e esforçar-se para antecipar as inovações de outras firmas.” (Penrose, 1959, pp. 113-14) Em tais circunstâncias, a vantagem competitiva em ‘mover-se primeiro’, permitindo assegurar à firma proteção de patente ou se não impedir imitação, é temporária devido à velocidade com que novas coisas são introduzidas por outras firmas.