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Un exemple simple de mod`ele de courbe : le mod`ele de Schwartz 1-facteur 139

7.4 Mod´elisation des prix `a terme de mati`eres premi`eres

7.4.1 Un exemple simple de mod`ele de courbe : le mod`ele de Schwartz 1-facteur 139

Observando as manifestações do medo na natureza e nos seres humanos e como os homens reagem a elas, Riobaldo acaba levando vantagem sobre o bando. Refazendo o caminho pelo Sucruiú, Riobaldo intima os homens do lugar a segui-lo na perseguição a Hermógenes, mas só consegue isso, imprimindo medo a eles:

Os que fingiam não me temer, achavam mais favorável querer ter vindo por próprio conselho; mal-abriam boca em risos. Aquela gente depunha que tão aturada de todas as pobrezas e desgraças. Haviam de vir, junto, à mansa força. […]. Ah, os catrumanos iam de ser, de refrescos. Iam, que nem onças cornedeiras! Não entendiam nada, assim atarantados, com temor ouviam minha decisão. (GSV, p. 418)

Riobaldo, a essa altura, é um arguto filósofo do medo e age também como político. Ainda que sem ameaça, ele infunde medo a seus ouvintes; observa a falta de entendimento e a atarantação dos catrumanos, ainda sarando da bexiga, para arrancá-los de seu torrão esfumaçante. Continuando a viagem, o novo líder pondera: “As coisas todas eu pensava, e nada nenhuma não me sombreasse. Algum medo não palpitava fino por detrás de meus olhos; e, por via disso, eu de todos era o chefe, mesmo em silêncio singular.” (GSV, p. 422) Não deixa transparecer temor aos subalternos e tudo medido, nada fortuito e sem fanfarrice bebeliana, compõe a nova norma; dentro das medidas, até esse momento, valera-lhe o aprendizado da manipulação do medo.

Alcançando a casa de Seo Ornelas, esta constitui um minilaboratório, um espaço fechado, célula-mãe, para verificação da eficiência da aplicabilidade do medo. Riobaldo é convidado para sentar-se à cabeceira da mesa sob o pretexto do anfitrião de que ali se sentou

antigamente Medeiro Vaz. Com tal reconhecimento de sua autoridade, Riobaldo pensa: “Aquela hora, eu, pelo que disse, assumi incertezas. Espécie de medo? Como que o medo, então, era um sentido sorrateiro fino, que outros e outros caminhos logo tomava. Aos poucos, essas coisas tiravam minha vontade de comer farto.” (GSV, p. 427) Até que ponto aquele elogio do fazendeiro diferençava dos de Zé Bebelo na Fazenda dos Tucanos? A qualquer incerteza ou desmedida, o medo ameaça apossar-se do chefe. Habituado a farejar o temor, Riobaldo pondera sobre esse elogio: será uma espécie de medo do dono da casa? Na dúvida, e porque também Seo Ornelas fala “sem sobrosso de perturbação”, Riobaldo procura intimidá- lo, desdenhando-o e, virando-lhe as costas, estrala os dedos para os cachorros: “Assim ele [Ornelas] havia de sentir o perigo de meu desprazer; havia de recear, de mim” (GSV, p. 429; grifos nossos). Tentativa frustrada, Riobaldo importuna a neta do velho e acerta como um tiro certeiro o objetivo:

Mas, nos tons do velho Ornelas, eu tinha divulgado um extravago de susto, recuante, o leve medo de tremor. Isso foi o que me satisfez. Aquele homem, visconde e portoso em tudo, ah, pelo mulheriozinho de sua casa ele não encobria o comprado, eh, sua família dele. A avaliar o de Diadorim: por igual, como mostrava – outros olhos – o arregalo de ciúmes. Aqui digo: que se teme por amor. (GSV, p. 429)

Quando consegue impor medo ao chefe da família, Riobaldo se satisfaz, tanto que, em seguida, oferece proteção à menina a qualquer tempo que o requisitar.

Batendo em retirada, o protagonista dispõe de macro-laboratório, espaço aberto, para testar o nível de medo; o bando encontra uma boiada conduzida por dois vaqueiros, da qual Riobaldo ordena seus jagunços carnearem duas reses; tem sucesso porque os boiadeiros, temendo, não reagem, por isso aprecia o gesto dos boiadeiros: “medo que de mim deviam de ter.” (GSV, p. 439)

Num âmbito mais restrito, o líder verifica o medo em Constâncio Alves que diz ser conterrâneo de Riobaldo, intimidando-o com uma pergunta sobre Gramacedo: “Confuso como se rebaixou um pouquinho no tamanho: ele devia de estar abrindo os joelhos, por tremor de medo nas pernas.” (GSV, p. 445) A vida ou a morte está na mão de Constâncio que acerta a resposta e não é alvejado.

Por outro lado, quando o medo do outro chega ao limite, Riobaldo teme. É o que se dá com o homem da égua que “bambeou de si, em cima da égua, ele estava pecando de pavor” (GSV, p. 446) Receoso, por meio de palavras astutas, Urutú-Branco suspende o veredicto de matar aquele homem, o primeiro a aparecer na curva da estrada, conforme palavra empenhada ao bando: “Transes que em instante temi: aquele homem morresse, roqueado no medo, rebaixado dessa forma então, ah, aí, então, o destino de lugar, para mim, estava definitivo: só sendo nas extremas do fim do Inferno...” (GSV, p. 450) As atitudes do chefe Riobaldo, relativamente ao medo, põem em circulação o caráter divino-espiritual do poder que inventa medo no espaço público e, no privado, a angústia. Nesse jogo de forças, ele age, como se observa também no encontro com o lazarento.

Deparando-se com o leproso, intenta matá-lo para que não espalhe a doença pelo sertão. Preparado para atirar, Riobaldo sente a aproximação de Diadorim. O temor surdo opera-se no trio: o leproso “de repente se encolheu tremido; e tremeu tanto depressa” (GSV, p. 463), assim que ficou na mira do revólver; surpreendido pelo súbito aparecimento de Diadorim, o narrador-protagonista afirma: “Assim estremeci” (GSV, p. 464). O silêncio e os olhares congelam a cena: o leproso “não gritou, não disse nada”; Diadorim “fincava de me olhar” e Riobaldo, por sua vez, resume: “Contemplei Diadorim, daquela distância” (GSV, p. 465).

A cena mostra três pessoas condenadas socialmente. Do leproso, o narrador afirma: “Condenado de maldito, por toda a lei” (GSV, p. 465). De fato, já nos tempos mosaicos, ao

leproso cabe a segregação radical; além disso, a lepra simboliza o erro, o pecado acariciado secretamente, motivo pelo qual, todo leproso, naquela sociedade judaica, é considerado amaldiçoado por Deus (DUBY, 1998, p. 91). Por outro lado, a Riobaldo vêm os sentimentos do amor proibido: “De que jeito eu podia amar um homem, meu de natureza igual, macho em suas roupas e suas armas, espalhado rústico em suas ações?! Me franzi.” (GSV, p. 466) Diadorim é condenado também, porque não pode assumir sua sexualidade; atravessa a vida privado dos desejos de mulher.

Esse episódio mostra como o medo pode ser contido em suas ações desmoralizantes, pois a razão neutraliza a ação impulsiva de Riobaldo. No silêncio entre os três, que se contemplam longamente, sob a força do medo, Riobaldo suspende a ação impulsiva de assassinar o leproso, porque lhe vem um mote, sempre sussurrado ao ouvido por Diadorim, seu “teso de consciência”, desde que assumiu o comando: “Estou aqui, te vejo é você mesmo, Riobaldo...” – ele ia dizer – “... Riobaldo, tem tento!” (GSV, p. 366) Diadorim põe medo em Riobaldo que, sob tal paixão, calcula as próprias atitudes. Em seguida, ele afirma para si: “pensei bruto”. Assim, ele “tem tento” e, por isso, não fere ninguém de maneira despropositada. Nesse caso, o medo trava os excessos do herói.

Mas a prova de fogo da liderança de Riobaldo está em seu amor por Diadorim e na luta no Paredão. O medo recobre o romance de Riobaldo e Diadorim; este não só sente medo, mas também põe-no ao herói. O amor não assumido é-lhes impedido definitivamente de forma trágica no Paredão, numa espécie de punição pelo desejo desmedido, segundo entendimento do herói. Durante toda a batalha, o protagonista nega que tenha medo, todavia, é assolado por ele. A narração feita ao visitante ilustre é uma tentativa de Riobaldo vencer o medo de ser pactário, entender o medo que perpassou sua trajetória de líder jagunço, seu amor por Diadorim e sua inquietação com a finitude.

Na verdade, o medo precipita e impele a narração de Grande sertão: veredas. Compreendermos como o medo constitui leitmotiv da narração do jagunço é o objetivo do próximo capítulo.

4. Narração, medo e amor trágicos