137 - Dans le syst` eme international de normalisation, les normes techniques sont adopt´ ees
CHAPITRE 2. LA DISTINCTION ENTRE TRAVAUX ET SERVICES 67 traditionnels ne faisant pas l’objet d’exclusion sont ceux qui rel`event soit de normes techniques
Para alcançar 50 milhões de pessoas o rádio levou 38 anos, a televisão 13, a Internet quatro e a rede social Facebook dois (Michael, 2011: 3). Um ritmo que é encarado por Castells (2002: 6) como natural: “a Tecnologia não determina a sociedade: incorpora-a. Mas nem a sociedade determina a inovação tecnológica: usa-a.” Uma das inovações que regista o
processo de assimilação mais rápido de sempre foi a Internet, que de 2000 para 2011 cresceu consideravelmente, a nível global (480,4%)13. Talvez por isso a rede de redes seja considerada como o motor da nova economia, cumprindo um papel similar ao da eletricidade na era industrial (Castells, 2002). Uma ligação feita por intermédio das redes de comunicação, “criadas não apenas para comunicar, mas para ganhar posições, para melhorar a comunicação” (Mulgan, 1991: 21), que no âmbito dos novos paradigmas tecnológicos é feita num tempo e espaço cada vez mais pequenos. Para Ramón Salaverría (2005), as ligações permitem múltiplas possibilidades de relação temporal, que se produzem entre a emissão e a receção das mensagens no ciberespaço (policronismo), bem como a possibilidade de transmissão de mensagens de um ponto a outro, de um para muitos e de muitos para muitos (multidirecionalidade). As configurações que a Web permite leva os utilizadores a estabelecerem relações sociais em escala global, que Dominique Wolton (1997) caracteriza como “a força do do it youself”.
Segundo a Internet World Stats (IWS)14, a taxa de penetração a nível mundial era de
34,3%, em meados de 2012. Já a OberCom (2012a), citando um estudo da International Telecommunications Union (ITU), afirma que “um terço da população mundial estará atualmente ligado à internet”, tendo-se registado uma subida de 11% de 2011 para 2012. Relativamente a Portugal, a taxa de penetração da Internet era, em 2011, e segundo a IWS, de 50,7%, para uma população estimada de 10.760.305 pessoas – 39% de utilizadores do Facebook. Já o Pordata (Base de Dados Portugal Contemporâneo) regista, também no final de 2011, que 58% dos agregados domésticos tinham Internet, valor que diminui ligeiramente (56,6%) se considerarmos o acesso através de banda larga. Quanto ao número de assinantes, aumentou significativamente na última década, passando de 338.201 em 2001 para 2.104.334 em 2010. Através da mesma fonte é-nos ainda possível perceber como tem evoluiu a taxa de penetração dos computadores, através dos quais é possível o acesso à Internet (Figura 2). Se olharmos para outro contexto, no último ano 97,5% das empresas com mais de 10 funcionários tinha computador; em 95% era possível o acesso à Internet; e 53,7% estava presente online. Também o Bareme Internet 201215 regista que pouco mais de metade da população portuguesa (62,8%), com mais de 15 anos, está online. O mesmo estudo aponta que os principais aderentes são jovens (18 a 24 anos), do sexo masculino, da classe alta, quadros médio e superiores e residentes em Lisboa. Em sentido oposto estão as mulheres e os idosos, a classe baixa e as domésticas, e os residentes no interior norte.
Figura 2: Evolução anual dos agregados domésticos privados com computador e ligações à Internet (%)
13 Dados do estudo Internet Usage Statistics – The Internet Big Picture, de 30 de junho de 2012. Disponível em www.internetworldstats.com/stats.htm. Consultado a 15 de janeiro de 2013.
14 Disponível em www.internetworldstats.com/stats4.htm. Consultado a 29 de setembro de 2012. 15 Disponível em www.marktest.com/wap/a/n/id~1a6a.aspx. Consultado a 29 de setembro de 2012.
Fontes: INE, Pordata
Aos indicadores aqui apresentados, poderíamos juntar outros, que convergem para a mesma conclusão: a taxa de penetração da Internet, a nível mundial, europeu e português, tem crescido nos últimos anos (OberCom, 2010a, 2012a). Uma tendência a que não será alheio o aparecimento dos dispositivos móveis, que também permitem o acesso à Internet. A esse propósito, a IWS estima que a nível mundial 32% da utilização seja feita precisamente através de dispositivos móveis. Se considerarmos por exemplo os telemóveis, a sua taxa de penetração tem sido mais rápida do que a da própria Internet. Em 2011 havia 7.000 milhões de pessoas e 5.000 milhões de telemóveis em todo o mundo (Newsweek cit. Nativos Digitais, 2010)16. O mesmo estudo regista, em 2010, cerca de 570 milhões de smartphones em todo o
mundo e prevê que esse número duplique em 2013. Já o Pew Internet & American Life Project deixa indicadores da crescente penetração destes últimos: 87% dos utilizadores usa-os para aceder à Internet e ao email (Smith, 2011). Em Portugal a taxa de “penetração do serviço móvel ascendeu a 156 por 100 habitantes”, sendo que “a taxa de penetração das estações móveis com utilização efetiva foi de 125,4 por 100 habitantes” (Anacom, 2012). Já anteriormente o OberCom (2012c) tinha estudado, em três anos distintos, o tipo de utilização que os portugueses faziam dos telemóveis e registado um crescimento da mesma (74,4% em 2006; 89,7% em 2008 e 88,7% em 2010). Dos dados recolhidos no ano mais recente, 5,4% dos inquiridos (n=1255) referia usar o “telemóvel para navegar na Internet ou usar email”, sendo a faixa etária 15-24 anos a que mais lhe dá esse uso (11,5%), seguida da 25-34 (7,4%). O telemóvel assume, assim, um papel cada vez mais relevante no dia a dia das pessoas. Quando confrontadas com a questão de qual seria o média que teriam mais dificuldade de abdicar, o telemóvel (26,6%) foi o segundo mais referido, ficando atrás da televisão (44,2%) e à frente da Internet (14,2%). O mesmo estudo regista ainda que 47,8% dos inquiridos admite ter intensificado o uso do telemóvel nos últimos anos, nomeadamente dos smartphones. Em Portugal, por exemplo, as vendas registadas no primeiro trimestre de 2012 aumentaram 40%, comparativamente ao período homólogo do ano anterior, revela o European Mobile Phone
16 Nativos Digitais (2010) Telemóveis: a convergência dos media? + O jornalista cidadão. RTP 2, programa 8, 11 de dezembro.
Tracker.
Os últimos anos têm-se caracterizado por aquilo que Lasica (2006) descreve como sendo um ressurgimento da cultura participativa. “En la nueva era, los usuários samplean, mezclan, hacen mash-up, reiventan y comparten los contenidos digitales, inspirándose en su património cultural para transformar esos contenidos en algo nuevo” (idem: 325). Esta nova forma de interação social já não se define pelos fins nem mesmo pelos objetos, mas pelos meios (Sfez, 1990), numa relação entre o individual e o social. A sociedade e a individualidade surgem-nos, assim, como duas realidades simultaneamente complementares e antagonistas. A sociedade, ao mesmo tempo que “maltrata” a individualidade, impondo-lhe limites e as suas coações, oferece-lhe estruturas que lhe permitem exprimir-se. Utiliza, para a sua variedade, a diversidade individual, que, caso contrário, se dispersaria na natureza; a variedade individual utiliza a variedade social para tentar expandir-se (Morin, 1991: 38). Por outro lado, a mudança de paradigma, mais centrado na segmentação, da globalização para a individualização (e vice- versa), poderá levar a uma descaracterização do sentimento de pertença (Uimonen, 2003; Wolton, 2004).
A propósito dos novos paradigmas tecnológicos, Scolari (2009) defende, recordando McLuhan e Postman, que os meios de comunicação têm sido vistos de forma integral, numa convergência epistemológica dos mesmos, isto é, deixa de ser possível analisar, isoladamente, os efeitos de um meio. E apesar de ainda nos encontrarmos a estudar os efeitos da Internet e as suas implicações nas estruturas sociais, surgiram entretanto novos meios de comunicação e informação, como são os dispositivos móveis. “Existe um ambissistema em que, complementar e contraditoriamente, individuo e sociedade são constituintes um do outro, ao mesmo tempo que se parasitam entre si” (Morin, 1991). Quem também problematiza esta relação é Dominique Wolton (1997: 258), para quem o aparecimento da Internet e da Web simbolizam a liberdade individual. Porém, é desse “fio”, dessa “teia de aranha”, que a todos apanha, que “toda a gente, intuitivamente, se quer libertar”. É sobre este paradoxo que o sociólogo lança algumas questões: “Quem apanha aqui? E o que é que se apanha? A quem aproveita?” (idem). Vivemos, portanto, numa sociedade em rede, que constantemente se vai multiplicando e desdobrando em novas ligações. E isso acontece a uma velocidade cada vez mais acelerada, que nos leva a recuperar outras questões, levantadas por David Lyon:
“As TI [tecnologias de informação] são socialmente significativas, mas será que esse significado resulta das razões apontadas pelos teóricos da sociedade da informação? As novas tecnologias estão a desempenhar um papel fundamental na reestruturação das economias das sociedades mais avançadas, mas será que compreendemos a sua real contribuição para a mudança social? Segundo: o exame da tese da sociedade da informação envolve indiscutivelmente questões normativas e escolhas éticas; será que esta segunda dimensão resulta obscurecida num mundo em que até o discurso político é tantas vezes subjugado pela técnica? Terceiro: se o conceito de sociedade da informação também exprime aspirações sociais, deveremos encará-lo como um objetivo utópico ou como uma cortina de fumo ideológica? Ou poderá conter, de fato, traços de ambos?” (Lyon, 1992: ix).
Num período em que as implicações sociais da Internet ainda estão em fase de estudo, surgem entretanto novas plataformas, já depois das redes sociais online. Para além dos comuns utilizadores, também os média noticiosos e o jornalismo são apanhados por elas. Depois do computador, apresentaram-se-lhes novos desafios que importa conhecer. Sobre as implicações nos processos de recolha, edição, produção e disseminação da informação, em suma, nas rotinas de produção do jornalismo, paira o quase desconhecido. Embora nos últimos anos tenham surgido estudos sobre como é que se constroem as notícias, em redações online de diversos média internacionais, a realidade é que em Portugal isso ainda é uma novidade (Santos, 2011).