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Sous-Section 1 – Les r´ eseaux publics et priv´ es d’´ energie

CHAPITRE 2. CLASSIFICATION DES R ´ ESEAUX DIVERS 157

A possibilidade de questionar frente a frente é a principal mais-valia deste método. Inserido num contexto de estudo qualitativo, a entrevista é o ato de conversar com um determinado propósito (Burgess, 1984: 102) – um deles pode ser a reconstituição histórica, sendo a análise documental outro método usado nesse processo. A entrevista tem ainda a particularidade de permitir a comunicação não verbal, tanto da parte do entrevistador, como do entrevistado. É, por isso, dos métodos mais exigentes. Para o entrevistador, de quem se espera uma postura o mais neutra possível, de modo a não influenciar as respostas, e para o entrevistado, que é sujeito a uma situação de exposição perante um estranho, em que o seu tom de voz, eventuais tiques, hesitações, pausas ou dispersões nas respostas, podem determinar o seu conforto e disponibilidade – o mesmo poderá acontecer com o entrevistador, enquanto questiona ou escuta. Se por um lado estas particularidades podem apresentar-se como eventuais fragilidades, por outro, são precisamente elas que enriquecem o método, pois permite uma aproximação ao mais genuíno de cada um dos atores envolvidos na entrevista.

Por outro lado, poderá acontecer, em alguns casos, que a entrevista não se apresente como uma problemática, quando este é um método utilizado por ambas as partes. É o que acontece quando de um lado está um investigador e do outro um jornalista.

Para além de possibilitarem uma análise mais aprofundada sobre o objeto de estudo, as entrevistas são frequentemente usadas em estudos de caso(s) e em fases exploratórias. E são vários os tipos de entrevistas que podemos encontrar em manuais sobre de estudos qualitativos112. Na presente tese adotamos as semiestruturadas, isto é, partimos de questões

abertas e previamente estabelecidas, mantendo porém a flexibilidade de no decorrer das entrevistas alterar a sua ordem ou de introduzir novas questões. Regra geral seguiu-se o guião de entrevista.

Contrariamente aos inquéritos ou questionários, as entrevistas permitem uma abertura maior, isto é, o entrevistado tem geralmente mais espaço e mais tempo para ser autocrítico, refletir sobre determinado assunto e expressar a sua opinião sobre ele. No seu estudo sobre a produção noticiosa em quatro redações online, David Domingo (2006: 237) destaca precisamente o papel interpretativo que os entrevistados empregam quando questionados sobre questões do seu quotidiano laboral. Isso pode ser reforçado pelo fato deste tipo de entrevista diferir da jornalística, na medida em que é feita uma leitura prévia das questões, permitindo assim um período de reflexão. Permite ainda que durante a mesma ocorram correções ou reformulação de respostas.

As entrevistas decorreram entre 25 de fevereiro de 2011 e 16 de julho de 2012, embora o maior fluxo tenha sido nos meses de maio e junho de 2012 – observação nas redações. No total foram 33 os entrevistados, sendo que alguns deles foram questionados em mais do que uma ocasião (Figura 21). Os jornalistas com a responsabilidade de gestão dos ciberjornais e das redes sociais online, são disso exemplo – o primeiro momento ocorreu na fase exploratória (García de Torres et al., 2011a; Jerónimo, 2012a) e o último no final do período de observação nas redações.

Na sequência da cronologia dos ciberjornais regionais que tentámos traçar (capítulo 5), deparámo-nos com alguns dados inéditos, nomeadamente, evidências de quem teria sido o primeiro título da imprensa regional portuguesa a iniciar a transição para a Internet. As nossas pesquisas apontavam para o Região de Leiria, que em 2012 comemoraria 15 anos online. Porém, nos últimos dias de 2011 tivemos que atualizar a informação: essa data comemorativa tinha sido uns meses antes. Na mesma altura, soubemos que estava de passagem por Portugal o principal responsável pelo processo de transição daquele meio para a Internet. Daí resultou um novo período de entrevistas, ao próprio e a quem na época estava na redação, que resultaram ainda num pequeno documentário113, publicado no ciberjornal.

112 Um exemplo é BURGESS, R.G. (1984) In the field: An introduction to to field research. London: Allen & Unwin. 113 “Há uma rede que nos une há 15 anos”, RegiaoDeLeiria.pt, 30 de dezembro de 2011. Disponível em

Figura 21: Entrevistas realizadas no âmbito da tese Reconquista.pt 06/05/2012 . 05/06/2012 . 02/09/2011 e 08/06/2012 . 01/06/2012 . 31/05/2012 . 31/05/2012 . 02/09/2011 e 08/06/2012 . 02/09/2011 e 05/06/2012 . 31/05/2012 . 05/06/2012 . 29/05/2012 .

Vítor Serra, administrador Agostinho Gonçalves Dias, diretor

José Júlio da Cruz, sub-diretor (Carteira Profissional 1746) Artur Jorge, jornalista (CP 1745)

Cristina Mota Saraiva, jornalista (CP 1701) João Carrega, jornalista (CP 2341)

José Furtado, jornalista (CP 5647) e gestor dos meios online Lídia Barata, jornalista (CP 3616)

Nelson Ningacho, jornalista (CP 3740) Vítor Tomé, jornalista (CP 2340)

Fabião Batista, colaborador e “decano dos jornalistas de Castelo Branco”

OMirante.pt 18/05/2012 . 14/06/2012 . 15/09/2011 e 15/05/2012 . 15/09/2011 e 18/05/2012 . 10/05/2012 . 15/05/2012 . 15/05/2012 . 16/05/2012 . 09/05/2012 . 15/05/2012 . 10/05/2012 .

Joaquim António Emídio, diretor geral (CP 3637) Alberto Bastos, diretor (CP 2295)

João Calhaz, chefe-de-redação (CP 3149)

António Palmeiro, chefe-de-redação adjunto (CP 2984) e gestor do

online

Ana Isabel Borrego, jornalista (CP 7987) Ana Santiago, jornalista (CP 4733) Eduarda Sousa, jornalista (CP TP-1513) Elsa Ribeiro Gonçalves, jornalista (CP 5532) Fernando Vacas de Jesus, jornalista (CP 3712) Filipe Matias, jornalista (CP 8239)

Ricardo Carreira, jornalista (CP 5536)

RegiaoDeLeiria.pt 22/12/2011 . 16/09/2011, 27/12/2011 e 29/06/2012 . 16/09/2011 e 16/07/2012 . 16/09/2011 e 25/06/2012 . 22/09/2011, 22/12/2011 e 16/07/2012 . 25/02/2011, 16/09/2011 e 29/06/2012 . 27/06/2012 . 16/09/2011 e 27/06/2012 . 22/09/2011 e 28/06/2012 . 16/09/2011 e 22/12/2011 . 26/12/2011 .

Francisco Rebelo dos Santos, diretor (CP TE-421) Patrícia Duarte, diretora-executiva (CP 2913) Carlos Almeida, jornalista (CP 2830) Cláudio Garcia, jornalista (CP 5104) Joaquim Dâmaso, fotojornalista (CP 5613)

Manuel Leiria, jornalista (CP 4159) e gestor dos meios online Mariana Rodrigues, jornalista estagiária

Martine Rainho, jornalista (CP 2609) Marina Guerra, jornalista (CP 8516) Paula Sofia Luz, jornalista (1994-2011)

Pedro Brazão Ferreira, engenheiro informático e jornalista (1996-2000)

Para além do percurso histórico dos ciberjornais, as entrevistas serviram ainda para conhecer o percurso profissional dos diferentes atores da redação (jornalistas e chefias); as características e diferenças que apontam ao jornalismo praticado nas designadas imprensa regional e imprensa nacional; o papel que reconhecem à Internet nas rotinas de produção da imprensa regional; a forma como constroem as notícias online e as implicações que ocorrem nesse processo, a partir da redação. Grande parte destas questões foi ainda colocada a outros atores, que assumissem o papel de administração. Nestes casos, procurou-se conhecer sobretudo o percurso económico-financeiro das respetivas empresas, bem como as estratégias de gestão de publicidade e de acesso aos ciberjornais.

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