• Aucun résultat trouvé

15 ONU : Organisation des Nations-Unies

6. Déroulement de la réflexion

“Quando fazemos Educação Sexual e Afetiva, não estamos mais do que a cumprir o que é obrigatório por lei, o que se deveria fazer e em geral não se faz: educar para a vida e não só focalizar a educação na aquisição de conhecimentos instrumentais.” (López, F., 1999: 95).

A questão da sexualidade é ainda pouco estudada o que, por si só, já é significativo. Kempton (1983) afirma " a sexualidade dos deficientes mentais combina dois aspetos da vida humana que maior carga emocional encerram: Sexo e Deficiência Mental.". Neste caso, enfrentamos um duplo preconceito: a própria deficiência, em primeiro lugar, e, em segundo, a aceitação da sexualidade da pessoa com DID. Circunscrito num quadro obscuro e mitológico, este duplo tabu foi sujeito a atitudes e comportamentos sociais explicitamente discriminatórios e penalizantes até a um passado relativamente recente (Marques, 2005).

A realidade é que muitos ainda acreditam que basta assegurar às pessoas com DID uma vida decente, permitir-lhes exercer uma ocupação que seja adequada e proporcionar-lhes atividades de lazer. No entanto, esta perspetiva esquece que estes jovens são pessoas como as demais, com as suas potencialidades, desejos e necessidades afetivas e sexuais.

A sexualidade é parte integrante do indivíduo, estando fortemente ligada à construção da sua identidade e personalidade. Tratando-se de uma dimensão da personalidade, seguirá logicamente o ritmo de desenvolvimento global da pessoa. Referir, não obstante, que o desenvolvimento psicossocial das pessoas com DID e, consequentemente, a sua vivência da sexualidade, apresenta algumas diferenças, no sentido em que é próprio de um indivíduo com um "funcionamento intelectual significativamente inferior à média e existindo concomitantemente com défices no comportamento adaptativo e manifestado durante o período de desenvolvimento." (Grossman, 1983:11).

Educar uma criança com SD para a independência implica oferecer-lhe todas as oportunidades que as outras pessoas têm, oportunidades de crescimento pessoal, de ter uma profissão e de expressar a sua sexualidade. Antigamente, acreditava-se que as pessoas com SD seriam eternas crianças e portanto não desenvolveriam a sua sexualidade para além da infância. Porém, as pessoas com SD crescem e desenvolvem as mesmas características físicas, desejos sexuais e de independência como qualquer outra pessoa.

A adolescência constitui um período de desafios para o jovem e para a sua família. Ocorrem muitas mudanças físicas, que são acompanhadas por mudanças de comportamento e sentimentos. Por um lado, o jovem deve deixar de ser criança, mas ainda não está totalmente preparado para assumir as responsabilidades de adulto, o que costuma ser conturbado para qualquer pessoa, mas para adolescentes com DID, as dificuldades são maiores. Por outro, muitos jovens com SD possuem os atributos físicos de jovens normais, mas não estão preparados para as solicitações da vida independente (Félix, 1995).

A puberdade dos adolescentes com SD processa-se, portanto, de forma semelhante à dos demais adolescentes. Segundo vários autores e organizações, nomeadamente a APPT21, o comportamento sexual dos adolescentes com SD está ligado ao seu comportamento de uma forma geral. Quando o adolescente ou adulto Down participou de uma vida normal em comunidade, ele criou defesas contra agressões sexuais, aprendeu a defender-se e a agir de forma adequada perante as dificuldades da sua vida diária. O seu comportamento será tanto mais normal quanto mais se procurou respeitar as suas capacidades básicas, colocando-o sempre em atividades adequadas ao seu nível de compreensão (Marques, 2005).

Neste contexto, o jovem com SD necessita de educação sexual, de informações sobre o seu corpo e precisa, sobretudo, de entender a sua sexualidade para que possa tornar-se um adulto responsável e independente, com capacidade plena de viver em comunidade. Por conseguinte, é consensual que os jovens com SD querem e precisam do mesmo que adolescentes sem deficiência querem e precisam ter: Um amigo: alguém com quem falar, com quem compartilhar coisas importantes; Certa dose de calor: alguém para tocar, alguém que através de um gesto diga “gosto de ti”; Aprovação: alguma mensagem de outras pessoas que lhe digam “tu és querido”; Afeição: amor e um sentimento de que são amados; Isto não quer dizer necessariamente sexo; Dignidade: alguma comunicação por parte de terceiros, dizendo que são pessoas de valor; Formas de interação social: a fim de evitar solidão; Satisfação sexual: a necessidade biológica de contacto sexual e de estimulação.

Como trabalhar a sexualidade do jovem com SD? Estudos desenvolvidos neste âmbito, nomeadamente os de Marques (2005), referem que as estratégias a implementar estão dependentes da forma como a sexualidade se está a manifestar, da família e do grupo ao qual a criança ou adolescente pertence. As dificuldades de compreensão do jovem com SD e a necessidade que ele está a demonstrar devem ser consideradas, sem perder de vista os limites da realidade.

Os limites a serem colocados em relação à manifestação e/ou relacionamento sexual podem ser ensinados, como foram ensinados outros limites que partem da educação geral. Se houver outros filhos na família, eles podem funcionar como modelo para os pais, no sentido de que a orientação sexual não difere radicalmente entre o filho que tem a síndroma e o que não tem — isto no aspeto da informação. A forma como cada um vai viver a sexualidade é diferente. Não se deve esquecer que a compreensão do adolescente com SD é muito concreta, ou seja, a informação deve ser clara, com conteúdo simples e objetivos (Marques, 2005).

Os pais devem usufruir de formação a nível da Orientação Sexual, uma vez que será através dela que conseguem ultrapassar alguns receios e medos face à sexualidade dos seus filhos. Também para os profissionais a formação se torna imprescindível e emerge como uma estratégia viável para atuar no incremento e no reforço das competências profissionais, uma vez que desempenham um papel fulcral junto de pessoas com SD.

Documents relatifs