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X - La convergence de la science et de la psychiatrie

Dans le document Td corrigé Gregory Bateson - Ma Pomme pdf (Page 176-186)

Tudo em ti era uma ausência que se demorava: uma despedida pronta a cumprir-se.

Cecília Meireles Os Cuidados Paliativos (CP) enunciam a busca, quanto possível, de qualidade de vida, autonomia e bem-estar dos pacientes e das famílias que enfrentam problemas associados com doenças crônico-degenerativas e/ou fora de possibilidade de cura, a partir da prevenção e alívio de sofrimento, diagnóstico/identificação precoce, avaliação correta e tratamento da dor e outras problemáticas tanto de ordem física, psicossocial e espiritual. Os CP utilizam-se de uma abordagem humanista de valorização da vida que objetiva promover cuidado integral e dignidade no processo de morrer (Barbosa, Ferreira, Melo, & Costa, 2017).

De acordo com Peres, Arantes, Lessa, & Caous (2007) a natureza humana essencialmente se direciona em busca de significado para as experiências e isto se torna ainda mais evidente à medida que a vida se aproxima do fim, de modo que nos contextos de cuidados paliativos e de fim de vida a dimensão da espiritualidade torna-se realmente de grande importância, sendo as abordagens que a ignoram incompletas.

Nossas colaboradoras ilustram essa relação

Termina assim, que no contexto de hospitalização a maioria dos pacientes eles terminam se voltando mais pra o aspecto espiritual ou aspecto religioso [...] a gente vê que há uma conexão ou uma reconexão no processo de adoecimento naturalmente [...] quando a gente lida com paciente em fim de vida isso fica muito mais evidente

Eu acho que na aproximação da morte a espiritualidade tá mais... a-flo-ra-da...

(Quartzo Rosa – recorte da entrevista).

Elas sinalizam para o quanto os contextos de dor, sofrimento e contato com a finitude parecem acionar ou conectar-se em algum nível com a seara da espiritualidade.

As narrativas de Quartzo Rosa e Tanzanita muito se assemelham ao que pontua Koenig (2012), de que especialmente na proximidade da morte ou frente a adoecimentos graves a espiritualidade parece se tonificar.

Já Ametrino e Olho de Tigre, apontam para o fato de que na prática em CP, mais de que a própria espiritualidade, o que geralmente aparece é a religião e a religiosidade.

Sobre essas diferenças e polissemia de sentidos trabalharemos em outros capítulos, mas cabe nesse momento a pontuação de nossas colaboradoras:

Acho que 90% dos pacientes indicam a religiosidade, muito mais do que a espiritualidade [...] então, muito da leitura que eles fazem dessa experiência de adoecimento, do tratamento oncológico é pela via religiosas, e é assim que aparece nos meus atendimentos

(Ametrino – recorte da entrevista).

Os pacientes I.[pesquisadora], de uma forma geral, eles estão lidando com muito sofrimento, é muito comum eles se apegarem a questões religiosas espirituais, eu vejo muito que vai fluindo [...] é muito comum, muito muito muito comum mesmo diante do sofrimento as pessoas buscarem a religião e/ou a espiritualidade [...] isso é bem evidente na fala deles

(Olho-de-tigre – recorte da entrevista). Esses registros de nossas colaboradoras também revelam que para as pessoas que cultivam uma fé religiosa, é possível que o reconforto para suas questões existenciais esteja

justamente orientado por essa fé (Bertachini & Pessini, 2010), todavia, isto não excetua o cuidado aos que não possuem um sistema de crenças religiosas, pois há ouras vias provedoras de conforto e assistência.

De acordo com Saporetti (2009) é somente a partir da morte que as pessoas se defrontam com a irremediável realidade da vida: tudo termina, de modo que é a finitude humana que o/a convida à transcender. Transcendência esta que não está necessariamente na matriz religiosa, mas que se refere aos limites de si.

Assim, apesar das nuances e distinções no dizer, todas as colaboradoras trouxeram em algum nível a intimidade que observam entre suas atuações em CP na proximidade da morte e a dimensão da espiritualidade presente na vivência dos pacientes, em especial nas situações de muita dor e sofrimento.

Nessa mesma direção Okon (2005) aponta que ao deparar-se com a fragilidade da vida e o sofrimento, geralmente os pacientes articulam queixas de ordem espiritual, sendo de fato imperativo que a assistência à saúde contemple este aspecto, compreendendo suas problemáticas e facilitando o suporte espiritual necessário.

Foi possível percebemos movimento semelhante na prática das nossas pedras preciosas – as psicólogas colaboradoras. Também para elas a motivação e inclusão da abordagem da dimensão espiritual no cuidado, vem sendo demandada a partir dos pacientes em CP, especialmente próximos à morte, e autorizada pela filosofia desse modelo de cuidar, transformando assim, mesmo que ainda discretamente a lógica biomédica hegemônica, que deixa a espiritualidade, e a multidimensionalidade humana de fora do cuidado.

Eu acho que ela [espiritualidade] tá chegando de uma forma muito muito... ela tá chegando porque os paliativos tão chegando, objetivamente falando, ela tem chegado porque os paliativos tem chegado e tem trazido junto com ele o a necessidade de olhar

para o paciente de uma forma integral, pra dor do paciente de uma forma integral, de dar o conforto maior ao paciente, ela tá chegando assim.

(Quartzo Rosa – recorte da entrevista) Mas eu acho que a própria prática, assim, vai trazendo uma demanda, paciente que tá em cuidados paliativos, que tá se aproximando das morte, é um tema que vai surgindo, que vai chegando né. Por mais que ele não traga no primeiro atendimento isso vai surgir, em algum momento vai surgir. Então acho que a própria prática com a demanda espontânea.

(Cornalina – recorte da entrevista) Na proximidade da morte é comum que despontem aspectos como medo, apego e dor, que precisam ser abordados e olhados em seus aspectos psicológicos e emocionais, junto a emergência de aspectos de natureza espiritual, que aparecem na forma de questionamentos acerca da vida, do sentido, da morte, do que a sucede ou não etc, sendo importante que o processo de atuação profissional na proximidade da morte avalie as peculiaridades contextuais e emocionais e não deixe de fora as particularidades do campo espiritual de cada sujeito (Gimenes, 2017).

Nessa direção Coralina e Quartzo Rosa abordaram sobre a proximidade da morte trazendo a temática da espiritualidade em CP, e o quanto pode ser uma fonte de conforto para as dores do paciente

Como já sinalizado, nos CP desde sua gênese é proposta a inclusão a dimensão espiritual no cuidado (Evangelista, Lopes, Costa, Batista, et al., 2016; Saporetti, 2009). E esta não se trata apenas de uma aproximação teórica, mas é sobretudo prática, como sinalizou Cornalina.

Pessini destacava que “o último capítulo da vida é a derradeira oportunidade de viver toda sua potencialidade” (Pessini, 2018, p. 58), que pode se dar através da conexão com aspectos transcendentes de si, que não se condiciona necessariamente a aspectos religiosos.

O fato é que os cuidados paliativos enunciam a importância do olhar integral para os moribundos com finalidade de preservar sua dignidade e integridade, mesmo no final da vida, de modo que a espiritualidade não poderia ficar de fora deste processo, sendo importante a atenção às necessidades de apoio familiar, de perdão, de amor, de crenças, de fé, de esperança e tantas outras que se circunscrevem no cuidado espiritual (Evangelista, Lopes, Costa, Abrão, et al., 2016), o qual favorece a maximização das potencialidades das pessoas, valorizando suas capacidades, renovando suas esperanças e lhes permitindo lidar com suas problemáticas de forma mais saudável (Dal-Farra & Geremia, 2010; Koenig, 2002).

A atenção à espiritualidade faz parte do projeto de preservar e olhar para o que é importante para o paciente, produzindo e favorecendo cuidados humanizados, facilitando seu relacionamento com pessoas queridas, focando nas questões existenciais que precisam ser finalizadas e cuidando do legado deixado pela pessoa, no intuito de preservar e cuidar da vida enquanto ela existe e não de obstinadamente a prolongar (Pessini, 2018a).

Assim, ao profissional de psicologia, como aos demais, cabe o cuidado espiritual, o que não implica em atendimento religioso, que pode e deve ser incentivado pela equipe se assim fizer sentido para o paciente, mas que deve ser realizado em seus ritos e sacramentos por um sacerdote habilitado (Saporetti, 2009). Assim, também para que sejam feitas essas distinções: do que cabe ou não a cada profissional, é importante compreender o que estes entendem por espiritualidade e religiosidade, e como orientam suas práticas a partir disto. Deste modo, o capítulo subsequente se lança a compartilhar as concepções de saúde-doença e morte e suas aproximações e interfaces com a temática da espiritualidade e religiosidade, bem como as concepções das profissionais de psicologia neste estudo entrevistadas.

5. A ESPIRITUALIDADE/RELIGIOSIDADE NOS PROCESSOS SAÚDE-DOENÇA-

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