• Aucun résultat trouvé

1 ÉTAT DE L’ART

1.3 Quelques approches pour comprendre la place de l'histoire des mathématiques dans la formation des enseignants

1.3.7 Approche de Guillemette basée sur la théorie de l’objectivation

Meu primeiro contato com o assunto foi quando entrevistei Bruno – o Ga- 10 Fonte: www.gavioes.com.br

vião consciente. Naquele dia, conversei com muitas pessoas e acabei sugerindo os questionamentos dele em outras entrevistas para saber se existia um consenso. Identiiquei várias opiniões semelhantes as que esse rapaz tinha, mas a dele era a que mais se enquadrava nessa ideia de oposição:

– A escola de samba e a torcida são uma coisa só? Você faz parte das duas? – Não, só da torcida mesmo.

– E como funciona essa divisão?

– De outubro a fevereiro predominam os assuntos do Carnaval, mesmo sen- do em uma época compatível com as inais de campeonatos. Mas eu sou contra, isso divide a opinião da torcida. Não dá, desvia o foco.

– E vocês não podem mudar isso?

– A torcida acaba se dividindo mesmo e uns icam mais com a escola. Mas não adianta reclamar porque não vai mudar: a lição entre os membros da Gaviões é ouvir muito e falar nada, em respeito aos mais velhos e à experiência.

Eu entendia o que Bruno queria dizer, tanto que falou pouco sobre isso, mesmo deixando claro o seu descontentamento. Mas, ao mesmo tempo em que alguns pensavam como ele, outros viam na escola de samba um complemento da torcida. Esse era o caso de Pantchinho, mestre de bateria da Gaviões da Fiel durante onze anos – com intervalo de dois anos para assumir a presidência da torcida em 2009.

– O que signiica pra você estar à frente da bateria da Gaviões?

– O que eu mais queria é estar onde eu estou. Por exemplo, eu nunca tive a intenção de ser presidente, aconteceu.

– E como você vê o papel da bateria durante os jogos?

– Sem a bateria não tem jogo! Nada acontece! Quer dizer, acontece, vai, mas com uma qualidade menor.

– E a relação da escola de samba com a torcida, é assim também? Tem uma grande participação?

– A intenção foi justamente essa quando ela foi criada. Chegava uma certa época que tudo icava parado, aí o pessoal acabava indo para as outras escolas de samba, nos bairros. Quem morava na Bela Vista ia lá pra Vai-Vai, na Barra Funda ia pro Camisa11, Nenê12 na Zona Leste, então a gente fez isso pra agregar mesmo.

No início nem era um bloco de competição, mas chegou uma hora que todo ano 11 Referência à escola de samba Camisa Verde e Branco (SP).

a gente ganhava. De 13 campeonatos disputados pelo bloco, a gente ganhou 12! E aí, o que aconteceu, nós fomos os primeiros a colocar um carro iluminado no sambódromo, então acabaram convidando a gente para disputar. Nisso, a escola de samba foi crescendo em uma proporção que a gente não conseguia sustentar: a gente tinha a opção de parar, continuar uma torcida, sem o compromisso com o carnaval, mas, na época, os Gaviões optaram por esse desaio.

– E qual foi a importância disso?

– Isso foi muito bom, até mesmo pra entidade. A gente precisa disso, você viu aí hoje, nossa escolinha de bateria tinha mais de 150 alunos. Talvez, se não esti- vessem aqui, estariam no bairro. Isso é importante também pra comunidade, eles agregam valores, é cada com a sua habilidade, quer dizer, uns pra ritmo, outros pra organizar o desile, fazer a coreograia, enim.

Na sede da Gaviões da Fiel, a garotada se dividia entre os instrumentos. Pan- tchinho tinha razão, a maioria deles era jovem, precisava de uma referência para não se perder no mundo. Não dou razão para a falta de representatividade como a que alguns torcedores parecem enfrentar – como é possível ver nesse caso – mesmo que conscientemente. Mas eu pude acompanhar o ensaio e são várias gerações reunidas, de adultos a crianças. No ritmo dos chocalhos, ripas, caixas e surdos, não havia como impedir os pés de sambarem – nem os meus.

Naquele im de tarde, tive a oportunidade de ver duas cenas que representa- vam cada um desses extremos: na primeira, um garotinho tocava uma ripa13 com

a mesma velocidade de um adulto, demonstrando habilidade e muito ensaio. No entanto, o que atraía a sua atenção, era o amigo que, perto dali, corria e brincava com uma bola. Dividida, a criança olhava, esboçava uma tentativa de se livrar do instrumento – quase ou maior que ela – e voltava a bater. Não sabia se brincava ou prestava atenção no que estava ensaiando, da mesma forma que os membros, divididos em opiniões diferentes: torcer nas arquibancadas ou se dedicar ao sam- ba? Qual era o verdadeiro papel de um torcedor organizado?

Já a outra cena, transparecia o que Pantchinho queria me provar. Ele falava sobre a importância e a necessidade de unir os Gaviões. Trazer o samba à sede da torcida e colocá-la no sambódromo combinava duas paixões que não podiam ser separadas: no im da tarde, todos os alunos da escolinha que ensaiavam em frente ao galpão da escola de samba, se posicionaram para atravessar a rua até a sede, do 13 É o chamado repenique: um instrumento pequeno tocado com baqueta em uma das mãos

outro lado. A avenida movimentada e com enorme luxo de carros parou para ver a bateria passar. O hino ecoava no quarteirão todo, nas vozes de todos aqueles corintianos, seguido pelas batidas:

“Lááá, laiálaiálaiálaiá ôôôô Laiálaiá laiálaiálaiálaiá porópópó Salve o Corinthians,

O campeão dos campeões,

Eternamente dentro dos nossos corações Salve o Corinthians de tradições e glórias mil Tu és orgulho

Dos esportistas do Brasil Porópópó”

E antes que alguém imagine demais, dessa vez meus pés icaram quietinhos. Sambar ao som do hino adversário? Jamais. Dá azar!

C A P Í T U L O 6

SPORT CLUBE CORINTHIANS PAULISTA: