2.2.2 « Géographie théorique » : l'autre versant de l'étiquette ?
Tab 3.2 Associations de mots-clés centraux de la géographie théorique et quantitative
3. Analyse temporelle de l’affiliation au mouvement
A perspectiva de relação com o meio ambiente, no contexto do NHE, pode ser vinculada ao desenvolvimento da VE no hospital, uma vez que ao implementar as práticas de vigilância, o profissional tem a possibilidade de investigar e compreender melhor o seu ambiente de trabalho.
Desta maneira, solicitou-se que os pesquisados descrevessem as principais atividades desenvolvidas pela equipe do NHE na instituição. No Gráfico 3, apresenta-se a distribuição das atividades registradas pelos respondentes como sendo desenvolvidas pelos NHE.
Gráfico 3 – Distribuição das atividades desenvolvidas segundo NHE.
Natal/RN, 2010. (n=13)
Fonte: dados da pesquisa.
Considerando-se as atribuições inerentes ao NHE descritas na Portaria nº 2.529/04 (BRASIL, 2004), constata-se, no Gráfico 3, que a vigilância epidemiológica das DNC é realizada por 100% dos Núcleos. Esta é de fato uma atribuição fundamental, devido à crescente importância das doenças emergentes e reemergentes no cenário epidemiológico brasileiro, já que se espera que diversos pacientes acometidos por estas enfermidades procurem serviços hospitalares, sendo esta uma oportunidade valiosa para realização da VE.
Além disso, sabe-se que as ações desenvolvidas pelo NHE têm por principal objetivo a vigilância das DNC no ambiente hospitalar. Para tal, o Ministério da Saúde (BRASIL, 2004,
p. 35) recomenda o estabelecimento de um conjunto de ações, que visam à detecção e investigação de qualquer agravo suspeito ou confirmado de DNC atendido no hospital, a saber:
I - elaborar, implementar e manter o sistema de busca ativa para os pacientes internados ou atendidos em pronto-socorro e ambulatório para a detecção de DNC;
II - notificar e investigar, no âmbito hospitalar, as DNC, utilizando as fichas de notificação e investigação padronizadas pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação - SINAN;
III - realizar a notificação imediata para as doenças que necessitam de ação de controle e investigação imediata segundo normas e procedimentos estabelecidos pela Secretaria de Vigilância da Saúde.
Com relação à participação do NHE no monitoramento e avaliação dos óbitos hospitalares, embora esta atividade também esteja descrita na Portaria nº 2.529/04 (BRASIL, 2004), apenas 38,5% dos NHE realizam esta atribuição. Tal resultado é importante, uma vez que é através esta atividade possibilita a obtenção de informações mais precisas sobre o perfil de mortalidade da instituição.
Outra importante atividade recomendada pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2004) consiste na participação dos NHE em treinamento continuado para os profissionais do hospital. Embora as ações de capacitação em VE hospitalar constituam numa estratégia de sensibilização dos profissionais de saúde para a importância da epidemiologia hospitalar na gestão do serviço e melhoria da qualidade da assistência desenvolvida, somente 38,5% dos Núcleos realizam ou colaboram com as ações de capacitação.
Nesta perspectiva, Brisse e Medronho (2005, p. 641), ao realizarem estudo sobre a epidemiologia hospitalar em 19 instituições no Município do Rio de Janeiro, constataram que as dificuldades para realização de VE estavam atreladas principalmente “a cultura médica e hospitalar que não compreende ou valoriza a importância da Epidemiologia neste contexto”.
Nos momentos de treinamento, a equipe do NHE tem a oportunidade de divulgar os fluxos instituídos pelo setor para o aprimoramento da captação dos dados pertinentes e sensibilizar os profissionais do serviço sobre a relevância da contribuição destes na realização da VE hospitalar. Com isso, a capacitação em serviço constitui numa valiosa ferramenta para implementação efetiva das ações de vigilância, estejam estas relacionadas à coleta dos dados ou à instituição das medidas de controle pertinentes.
Acredita-se que o não cumprimento das atribuições estabelecidas pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2004), por parte dos Núcleos pesquisados, possa estar relacionado ao déficit
de recursos humanos em suas equipes (conforme distribuição dos profissionais por NHE apresentada no Quadro 2). Isto pode estar dificultando a operacionalização das ações e sobrecarregando os profissionais, resultando no comprometimento da confiabilidade das informações decorrentes do âmbito hospitalar.
Assim, três anos após pesquisa realizada por Ribeiro e Costa (2007) com 5 (cinco) dos 13 NHE inclusos no presente estudo, evidencia-se que as problemáticas enfrentadas para efetivação da epidemiologia hospitalar no Município de Natal/RN se confirmam, muito embora a sua meta principal, isto é, a instituição de ações de vigilância epidemiológica das DNC no ambiente hospitalar, esteja sendo cumprida por 100% dos Núcleos.
É importante salientar que apesar de existirem NHE com dificuldades de implementar as atribuições recomendadas pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2004), existem equipes que já vêm incorporando progressivamente ao âmbito hospitalar outras atividades de epidemiologia não-obrigatórias, tais como: imunização e treinamento em biossegurança, com a adesão de 38,5% e 23,1% dos Núcleos, respectivamente.
Sabe-se que o Ministério da Saúde (BRASIL, 2004) incentiva a ampliação das atribuições do NHE. Contudo, pode ser possível que essa inclusão de atividades adicionais de epidemiologia nos serviços hospitalares seja um reflexo do grau de envolvimento e comprometimento dos profissionais para com o trabalho desenvolvido.
Desta forma, Siqueira (2008b) acredita que esse engajamento com o trabalho proporciona conseqüências positivas tanto para o indivíduo quanto para a organização. Ao desenvolver seus trabalhos, os profissionais vivenciam, em cada tarefa executada, a sensação de plena realização de suas potencialidades. Essa sensação positiva torna o profissional mais confiante de suas habilidades e competências, proporcionando a satisfação do indivíduo e estimulando-o a contribuir cada vez mais com os objetivos da organização.
Portanto, embora as dificuldades para o cumprimento de todas as recomendações do Ministério da Saúde (BRASIL, 2004) ainda sejam presentes em alguns NHE, o compromisso das equipes pode ser uma justificativa para que estas venham se esforçando a fim de, dentro dos seus conhecimentos, das condições e possibilidades existentes na instituição, irem se adequando e até mesmo ampliando as ações de VE no hospital.