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Fut bonne en ce temps-là, beaucoup furent touchés par les plombs

1. Les ʿApiru/Ḫabiru

Até início da década de 70, a colheita de cana-de-açúcar no Brasil era realizada de forma manual, e utilizada a queima dos canaviais, para evitar que animais peçonhentos prejudicassem os trabalhadores e que as folhas das plantas os cortassem.

As queimadas de cana continuaram e a introdução das primeiras colhedoras automotrizes para a colheita de cana-de-açúcar inteira em escala comercial deu-se no Estado de São Paulo em 1973, estendendo-se a seguir ao Rio de Janeiro e Alagoas. Nos anos 80 foi introduzido pela usina São Martinho uma colhedeira de cana picada, em sua versão MF-201, mas devido aos inúmeros problemas mecânicos foi abandonada e a usina retornou ao corte manual nesse período (NEVES, 2003).

Na década de 90, a COPERSUCAR desenvolveu um protótipo de uma cortadora de cana inteira de duas linhas (

Figura 2. 7), baseado no modelo da colhedora tipo “Soldado” produzido na Louisiana/USA, para ser testado em cana-de-açúcar nas condições dos canaviais nacionais.

Figura 2. 7 - Cortadora COPERSUCAR em Teste de Campo (NEVES, 2003).

Foram realizados testes com a colhedora durante 9 safras (no período de 1990 a 1998) em unidades cooperadas ao CTC (Centro de Tecnologia COPERSUCAR). A conclusão da equipe técnica do CTC foi que a Cortadora trabalhava com resultados satisfatórios em cana crua, com produtividade até 70 t.ha-1, com canas eretas e em terreno com até 8% de

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dados da eficiência do protótipo, limitaram o universo de utilização do equipamento em 18,5% da área de cana comercial das unidades então cooperadas (600.000 ha).

Em 1995 a Austoft em parceria com Engeagro produziram as colhedoras de cana picada E8000 (pneus), que foi a primeira máquina desenvolvida para a colheita de cana sem queimar, Brastoft 7000 (pneus) e 7700 (esteiras) com a tecnologia Austoft. Em 1996 a Austoft e em 1999 a Brastoft foram incorporadas ao grupo Case, e mais tarde foi adquirida pelo grupo italiano Fiat-New Holland, embora mantenha ainda o nome fantasia Case em suas colhedoras. A Cameco, no Brasil desde 1995, sendo incorporada pela John Deere em 2000, lançou a colhedora CH 2500 B de cana picada, com um sistema de limpeza de cana melhorado

(NEVES, 2003).

Podem ser encontrados os seguintes tipos corte e colheita de cana no Brasil:  Cana queimada e colhida inteira manualmente

 Cana queimada e colhida inteira mecanicamente  Cana queimada e colhida picada mecanicamente  Cana crua e colhida inteira manualmente

 Cana crua e colhida inteira mecanicamente  Cana crua e colhida picada mecanicamente

A área cultivada com cana-de-açúcar, que será colhida e destinada à atividade sucroalcooleira na safra 2014/15 no Brasil, será de aproximadamente 9.098,03 mil hectares (CONAB, 2014). São Paulo permanece como o maior produtor com 51,43% (4.678,8 mil hectares) da área plantada, seguido por Goiás com 9,85% (896,06 mil hectares), Minas Gerais com 8,8% (800,91 mil hectares), Mato Grosso do Sul com 7,63% (693,77 mil hectares), Paraná com 7,07% (642,98 mil hectares), Alagoas com 4,41% (401,34 mil hectares) e Pernambuco com 2,89% (263,03 mil hectares). Estes sete estados são responsáveis por 92,07% da produção nacional. Os demais estados produtores possuem áreas menores, com representações abaixo de 3% (CONAB, 2014).

As colheitas mecanizada e manual, referentes a região Centro/Sul (São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul) distribuem-se segundo a Figura 2. 8.

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Figura 2. 8 - Colheita mecanizada e manual de cana-de-açúcar na região Centro/Sul no Brasil na safra 10/11 (Paes, 2011).

Segundo a Figura 2. 8 observa-se que ocorre um aumento da colheita mecanizada a partir de 2007, que se deve parte ao Protocolo de Cooperação Agroambiental, criado pelo Governo Estadual Paulista nesse ano. Esse documento prevê a eliminação da queima da cana até 2014, em áreas cuja declividade é menor que 12%, e a eliminação total dessa prática em 2017, independentemente da declividade existente. A evolução da colheita de cana crua no Centro/Sul, de 2003 a 2010, segue na Figura 2. 9.

Figura 2. 9 - Evolução da colheita de cana-de-açúcar crua na região Centro/Sul no Brasil na safra 10/11 (Paes, 2011).

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A razão para impedir a queima da cana é principalmente ambiental, sendo um dos pontos mais críticos as emissões de gases do efeito estufa na atmosfera, principalmente o gás carbônico (CO2), o monóxido de carbono (CO), o óxido nitroso (N2O) e o metano (CH4),

além da poluição do ar atmosférico pela fumaça e fuligem. As queimadas no Estado de São Paulo, por ocorrem principalmente durante a estação seca de abril a novembro, coincidindo com o período de baixas precipitações e piores condições de dispersão da fumaça e de partículas da fuligem, agravam seus efeitos sobre a qualidade do ar, provocando transtornos pela sujeira nas residências domésticas e causando doenças dermatológicas, cardiovasculares e respiratórias na população devido à poluição atmosférica (CULTIVAR, 2013).

A colheita mecanizada de cana crua tem resolvido os problemas relacionados à mão-de-obra e a poluição ambiental, mas introduziu outro, que é a menor qualidade da matéria-prima entregue ao processamento industrial, devido à maior incidência de impurezas vegetais e minerais (NEVES, 2003). Essas impurezas, como folhas, ponteiros, raízes, rizomas, panículas e ervas daninhas, podem implicar em maiores teores de amido, compostos fenólicos, ácido aconítico e minerais, o que para a produção de açúcar e etanol prejudicam a qualidade do produto final, além de aumentar os custos de processamento (SANTOS & BORÉM, 2013).

Além disso, as impurezas minerais que acompanham a cana na colheita são foco de contaminação bacteriana, que contribuem para a formação de ácidos, a redução da pureza e o aumento da dextrana na cana, além de prejudicar a qualidade do açúcar na fermentação.

O Centro de Tecnologia Canavieira realizou nas safras 10/11 e 11/12, em três unidades cooperadas de produção de açúcar branco, um mapeamento do processo de produção de açúcar, em relação aos principais indicadores da qualidade da matéria-prima, quando o processamento da cana crua é inserido na produção. De todos os resultados obtidos, podem ser citadas com importância, as impurezas amido e dextrana, que entraram no processo em quantidades maiores que as recomendadas (<500 ppm/Brix) e foram reduzidas, somente após a etapa de cozimento, sendo que em alguns casos, o açúcar produzido não foi enquadrado em todos os parâmetros de qualidade (MERHEB et al, 2011).

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