Estudo sobre os afastamentos do trabalho por doença ocupacional é imprescindível para fundamentar discussões sobre as condições de saúde e doença
dos trabalhadores, com esses dados é possível buscar proposições de procedimentos que possam promover a prevenção, bem como incentivar a qualidade de vida da população laboral dos serviços de limpeza.
O absenteísmo por doença é o mais comum entre os trabalhadores, o qual causa impacto significativo para os próprios trabalhadores, para as empresas, para as instituições e para a sociedade como um todo, pois os custos são altos e causam prejuízos para todos. Além do mais, é um indicativo de preocupação para a saúde pública, pois podem levar os trabalhadores acometidos de doenças a terem aposentadorias precoces, fato que aumenta o déficit previdenciário. (RODRIGUES et al, 2013).
Além dos prejuízos financeiros que é gerado para a sociedade, o absenteísmo traz um transtorno para o ambiente profissional, prejudica significativamente a produtividade e causa aos companheiros de trabalho uma sobrecarga e um sentimento de frustração, pois muitas vezes terão que fazer o trabalho do ausente. Também, o adoecimento dos trabalhadores pode ser agravado pelas condições impostas de trabalho, fato que representa diminuição na capacidade laborativa e leva as ausências ao trabalho em número elevado. (SIMOES; ROCHA, 2014).
A legislação brasileira que regula questões de adoecimento profissional, para segurados da Previdência Social, traz o reconhecimento das doenças associadas ao trabalho em seu artigo abaixo. (BRASIL, 1991).
Art. 20. Consideram-se acidente do trabalho, nos termos do artigo anterior, as seguintes entidades mórbidas:
I - doença profissional, assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social;
II - doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante da relação mencionada no inciso I. § 1º Não são consideradas como doença do trabalho:
a) a doença degenerativa; b) a inerente a grupo etário;
c) a que não produza incapacidade laborativa;
d) a doença endêmica adquirida por segurado habitante de região em que ela se desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho.
Desta forma, o surgimento de uma doença em decorrência da atividade laboral é entendido como sendo um acidente de trabalho, dentre essas situações estão às lesões por esforços repetitivos (LER), bem como os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT), as quais estão diretamente relacionados com aspectos da organização do trabalho, como: a repetitividade de movimento para execução da atividade, a falta de treinamento, o tempo para concluir as tarefas e as poucas pausas, podendo levar a incapacidade parcial dos trabalhadores, o que gera adoecimentos e consequentemente os afastamentos do trabalho, contudo a depender do quanto é grave a lesão, poderá levar a incapacidades permanentes e como consequência a aposentadorias por invalidez (FANTAZIA, 2015; ALENCAR; OTA, 2011).
Os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) são afecções de músculos, tendões, sinóvias, nervos, fáscias e/ou ligamentos, isoladas ou combinadas, com ou sem degeneração de tecidos. É um fenômeno que causam danos decorrentes da utilização excessiva, imposta ao sistema musculoesquelético, e da falta de tempo para recuperação. Caracterizam-se pela ocorrência de vários sintomas, concomitantes ou não, de aparecimento insidioso, geralmente nos membros superiores, tais como dor, parestesia, sensação de peso e fadiga. Abrangem quadros clínicos do sistema musculoesquelético adquiridos pelo trabalhador submetido a determinadas condições de trabalho. (BRASIL, 2003)
Esses distúrbios causam prejuízos para as organizações, para a sociedade como um todo, mas causam prejuízos principalmente para os trabalhadores e segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo IBGE, mostrou que em 2013, 3.568.095 trabalhadores disseram ter tido diagnóstico de LER/DORT. As quais estão há décadas dentre as doenças ocupacionais que são as mais frequentes nas estatísticas da Previdência Social. ( REVISTA PROTEÇÃO, 2016)
Os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho tiveram sua origem associada aos trabalhos manuais repetitivos e aparecem citações na história dos trabalhos de algumas categorias profissionais, como as doenças das mãos dos escreventes e caixas citadas em 1713 por Ramazzini, as câimbras dos escritores citadas por Charles Bel em 1882. Destaca-se na história desse distúrbio é fato de sua intensificação estar atrelada diretamente as mudanças da tecnologia, bem como
da organização do trabalho, o que provoca sofrimento a um grande número de trabalhadores. Alguns equipamentos que estiveram presentes na evolução tecnológica podem remeter a esse pensamento, como: a máquina de escrever, o telégrafo e o computador. Os quais foram e são produtos que causam esses distúrbios. (MORAES; BASTOS, 2016)
O serviço de limpeza pode muito oportunamente entrar nesse contexto, pois é considerado como sendo uma atividade dinâmica e pesada, que requer do servente de limpeza uma grande demanda física, pois, para realizar seu trabalho, utilizam diversos utensílios de limpeza, como baldes vassouras, rodos, escadas, panos, mop água, mop pó, enceradeiras dentre outros, os quais exigem movimentos repetitivos, com o desprendimento de muita força e em posturas desfavoráveis, assim, esses trabalhadores correm alto risco de desenvolvimento de problemas de saúde. (LOUHEVAARA, 2000).
É fato que os trabalhadores estão adoecendo nos últimos anos, mesmo que a tecnologia empregada tenha sido pensada justamente para aliviar a carga impostas aos mesmos e para se buscar meios de prevenção se faz necessário que se debruce sobre os determinantes do adoecimento e não apenas nas consequências das doenças, contudo existem dificuldades para se realizar essa análise pelo fato dos ambientes de trabalho ter caráter privativo e as pesquisas serem limitadas pelas condições ambientais e administrativas, mas é necessário que se possa buscar intensificar as pesquisas nesse sentido para se ter a versão e a visão de quem faz o trabalho acontecer, principalmente, deve-se entender a avalição do trabalhador no que concernem as atividades que eles têm que realizar, quais os meios que estão disponibilizados para realização e em que ambientes esta atividade será realizada. (COUTINHO, 2015).
Destarte, a presente pesquisa tem como foco fazer uma discussão do absenteísmo ocasionado por doenças ocupacionais e propor alternativas para que esses casos sejam reduzidos para os profissionais de limpeza, pois, além do sofrimento para as próprias pessoas e para seus familiares, trazem prejuízos para toda a sociedade.