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Vers une définition des fonctions de la littérature

2. Devenir lettré : une nécessité ?

2.4. Lettrisme et littérature : enjeux et polémiques

2.4.2. Vers une définition des fonctions de la littérature

Com o último grupo do questionário para estudantes, pretendeu-se conhecer as escolhas que pensavam fazer, no final do ano letivo, em relação ao seu percurso escolar no ensino secundário, bem como as suas aspirações profissionais. Já no questionário para docentes, procurou-se conhecer as ideias que possuíam sobre as carreiras profissionais mais adequadas a cada género.

Os dados apresentados na Figura 18, referem-se às percentagens calculadas para alunas e alunos quanto às escolhas dos cursos que pretendem frequentar no ensino secundário.

Figura 18 - Escolhas de percurso no ensino secundário em função do sexo.

O curso mais escolhido, quer por raparigas (41,9%), quer por rapazes (41,5%), é o curso científico-humanístico de Ciências e Tecnologias. Este é o percurso onde se nota uma menor diferença nas opções entre rapazes e raparigas. Já o curso científico-humanístico de Ciências Socioeconómicas apresenta uma maior escolha por parte dos rapazes (9,4%) do que pelas raparigas (6,6%). Nos cursos científico-humanísticos de Línguas e Humanidades e de Artes, verifica-se uma maior escolha por parte das raparigas (20,1% e 9,3%, respetivamente) do que por parte dos rapazes (6,4% e 3,6%, respetivamente). Cerca de um terço dos rapazes (35,9%) e um menor número de raparigas (21,5%), pretende prosseguir estudos num curso profissional (cursos que permitem uma qualificação profissional, cobrindo um conjunto vasto

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de áreas profissionais e que têm como finalidade a formação para entrada no mercado de trabalho ao fim dos 12 anos de escolaridade obrigatória). Apenas um número reduzido indica outras opções (0,6% das raparigas e 3% dos rapazes).

Estes resultados vêm reforçar a ideia de que existe uma genderização da escolha das carreiras profissionais e que esta já se encontra presente aos 15 anos de idade. Uma primeira evidência surge desde logo nas escolhas que alunas e alunos fazem quanto ao percurso a seguir no ensino secundário. Embora a maioria dos estudantes opte pelo curso de Ciências e Tecnologias - curso de ensino secundário que dá acesso ao conjunto de cursos superiores mais diversificado - notam-se algumas diferenças nas restantes escolhas. Destaca-se a preferência das alunas pelas línguas, humanidades e artes, áreas tradicionalmente femininas, e dos alunos pelas Ciências Sócio-Económicas, áreas tradicionalmente masculinas (Rocha & Silva, 2007). Quando questionados, numa questão de resposta aberta, sobre as razões que os levavam a optar pelo percurso assinalado, rapazes e raparigas apresentaram diferentes justificações que se agruparam nas categorias apresentadas no gráfico da Figura 19, encontrando-se os resultados, em percentagem.

Figura 19 - Razões justificativas das opções do percurso escolar no ensino secundário, em percentagem.

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A principal justificação que é apresentada por rapazes (68,2%) e raparigas (65,0%) é a de gostarem da área ou de uma ou mais disciplinas que integram o currículo desse curso.

Há mais raparigas (9,3%) do que rapazes (6,4%) a justificarem a sua escolha por pretenderem uma área de estudos que no final do ensino secundário ofereça um maior número de possibilidades em termos de candidatura a cursos do ensino superior. Por outro lado, existe um maior número de rapazes (6,8%), e apenas um pequeno número de raparigas (2,1%), a justificarem a sua escolha tendo em conta a necessidade de a frequentarem para terem acesso a uma boa carreira profissional. Estes números poderão indiciar uma maior insegurança, por parte das raparigas, e uma maior confiança, por parte dos rapazes, em relação aos seus futuros percursos e carreiras profissionais.

São poucas as referências, quer por parte dos rapazes (0,4%), quer por parte das raparigas (0,7%), que as suas escolhas sejam influenciadas pela família. Estes resultados não se alinham com os obtidos por Saavedra e colegas (2011) que identificaram os modelos familiares como sendo uma das principais razões para as jovens optarem por carreiras científicas. Assim, duas explicações poderão ser consideradas: a de que a família não influencia as opções das alunas e dos alunos, ou, mais provavelmente, que estes não tenham consciência do modo como a família influencia as suas opções.

Verifica-se que um maior número de raparigas (11,1%) refere que optam pelo percurso escolar com menor grau de dificuldade, o que acontece com um menor número de rapazes (9,4%), o que poderá indiciar um autoconceito mais baixo por parte das raparigas, indo estes resultados ao encontro da análise efetuada no estudo PISA 2012 (OECD, 2015).

São ainda apresentadas outras razões por raparigas (2,8%) e por rapazes (2,6%), tais como pensarem que não terão condições financeiras para frequentar o ensino superior ou apenas “porque sim”. Uma percentagem de raparigas (5,9%) e de rapazes (9,4%) não sabem ou não respondem à questão colocada.

No que respeita à escolha de futuras profissões ou áreas profissionais por estudantes, é evidente a divisão das opções em função do género, registando-se uma diferença estatisticamente significativa em dezoito das vinte e cinco profissões ou áreas profissionais apresentadas. As percentagens obtidas para raparigas e rapazes das opções selecionadas encontram-se registadas na Tabela 13, bem como os valores de significância calculados a partir do teste do Qui-quadrado de Pearson (p).

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Tabela 13 - Percentagem de profissões/áreas profissionais que raparigas e rapazes consideram mais adequadas a si e valor de p

Profissão/Área Profissional Raparigas (%) Rapazes (%) p Ação social 8,7 2,1 .001 Administração 5,2 5,9 .325 Arquitetura 7,6 8,5 .696

Artes (dança, som e imagem, música, pintura, …) 41,2 14,5 .000

Ciências da educação (educador de infância, ensino) 12,8 1,7 .000

Ciências económicas 6,9 10,3 .172 Ciências farmacêuticas 12,1 2,6 .000 Comunicação 13,1 5,6 .004 Design 17,3 10,3 .022 Desporto 15,6 46,6 .000 Direito 7,9 2,6 .007 Enfermagem 11,1 2,6 .000 Engenharia civil 2,1 8,1 .001 Engenharia mecânica 1 25,2 .000 Engenharia química 5,2 11,5 .008

Forças armadas e de segurança 3,1 32,5 .000

Informática 5,2 40,2 .000

Línguas e literaturas 9,7 5,6 .080

Medicina 25,6 10,3 .000

Psicologia 27 4,3 .000

Publicidade e marketing 11,8 7,7 .122

Reabilitação (fisioterapia, terapia da fala, …) 5,9 1,7 .016

Relações públicas 8,6 2,6 .003

Turismo e restauração 15,2 12,4 .353

Veterinária 11,4 7,3 .108

São opções maioritariamente selecionadas por raparigas, corroboradas por diferenças estatisticamente significativas, Ação social, Artes, Comunicação, Ciências da educação, Ciências farmacêuticas, Design, Direito, Enfermagem, Medicina, Psicologia, Reabilitação e

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Relações públicas. São opções maioritariamente selecionadas por rapazes: Desporto, Engenharia civil, Engenharia química, Engenharia mecânica, Forças armadas e segurança e Informática. Surgem sem diferença estatisticamente significativa e por isso consideradas como neutras em relação ao género as seguintes áreas profissionais: Administração, Arquitetura, Ciências económicas, Línguas e literaturas, Publicidade e marketing, Turismo e restauração e Veterinária. O gráfico A da Figura 20 mostra, em percentagem, as opções de rapazes e raparigas, encontrando-se dividido em 3 áreas: profissões/áreas profissionais tendencialmente femininas, masculinas ou indiferenciadas em relação ao género.

Quanto aos resultados obtidos no questionário de docentes, embora 29,9% considere não haver diferenças na adequação das profissões ou áreas profissionais a cada género, selecionando a opção “ambos” em todas as profissões/áreas profissionais apresentadas, um grupo maioritário de docentes considera-o. Na Tabela 14 encontram-se os valores das percentagens do conjunto de opções assinaladas por docentes.

Para as/os docentes é então possível observar um padrão próximo do registado no grupo de estudantes, salvaguardando diferenças pontuais. As profissões/áreas profissionais que surgem assinaladas como mais adequadas às raparigas ou a ambos os sexos são: Artes (dança, som e imagem, música, pintura, …), Ciências da educação (educador de infância, ensino), Ciências farmacêuticas, Comunicação, Enfermagem, Línguas e Literaturas, Psicologia, Reabilitação (fisioterapia, terapia da fala, …), Relações públicas e Turismo e restauração. É ainda de considerar que, embora não surja exclusivamente assinalada como profissão/área profissional para raparigas, a Ação Social, é assinalada por 48,1% de docentes como mais adequada a raparigas. Já as profissões/ áreas profissionais que surgem como sendo mais adequadas a rapazes ou ambos os sexos são: Desporto, Engenharia civil, Engenharia mecânica, Forças armadas e de segurança e Informática. Surge ainda com um valor a ter em consideração a Arquitetura já que é considerada mais adequada a rapazes por 15,6% de docentes, enquanto apenas 1,3% de docentes a consideram mais adequada a raparigas.

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Tabela 14 - Percentagem de profissões/áreas profissionais que docentes consideram mais adequadas a raparigas, a rapazes ou a ambos.

Profissões/Áreas profissionais Raparigas

(%) Rapazes (%) Ambos (%) Ação Social 48,1 1,3 50,6 Administração 9,1 6,5 84,4 Arquitetura 1,3 15,6 83,1

Artes (dança, som e imagem, música, pintura, …) 7,1 0 92,2

Ciências da educação (educador de infância, ensino) 39 0 61

Ciências Económicas 1,3 14,3 84,4 Ciências Farmacêuticas 11,7 0 88,3 Comunicação 10,4 0 89,6 Design 7,8 3,9 88,3 Desporto 0 28,6 71,4 Direito 1,3 7,8 90,9 Enfermagem 19,5 0 80,5 Engenharia Civil 0 37,7 62,3 Engenharia Mecânica 0 50,6 49,9 Engenharia Química 5,2 7,8 87

Forças armadas e de segurança 0 59,7 40,3

Informática 0 33,8 66,2

Línguas e Literaturas 35,1 0 64,9

Medicina 1,3 1,3 97,4

Psicologia 26 0 74

Publicidade e marketing 1,3 3,9 94,8

Reabilitação (fisioterapia, terapia da fala, …) 22,1 0 77,9

Relações públicas 22,1 0 77,9

Turismo e restauração 5,2 0 94,8

Veterinária 2,6 3,9 93,5

No gráfico B da Figura 20 encontram-se representados os valores das percentagens obtidas a partir das opções do grupo de docentes.

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Figura 20 - Opções em relação a profissões ou áreas profissionais de estudantes (A) e docentes (B).

Deste modo, é possível observar na Figura 20 uma aproximação às ideias genderizadas encontradas na literatura. Pode identificar-se um primeiro conjunto de profissões/áreas profissionais tradicionalmente femininas ligadas à prestação de cuidados e educação, às línguas e literaturas e às artes que são mais assinaladas por raparigas do que por rapazes. Também as e os docentes as assinalam como mais adequadas a raparigas.

Um segundo conjunto de profissões/áreas profissionais é mais frequentemente escolhida por rapazes e também por docentes referidas como mais adequadas a rapazes, enquadrando-se no que a literatura refere como profissões tradicionalmente masculinas, nomeadamente as engenharias, o desporto e áreas ligadas à segurança. No que se refere à Arquitetura, também tradicionalmente ligada ao sexo masculino, não se verifica essa tendência por parte de estudantes. No entanto, no grupo de docentes, continua a encontrar-se a ideia de que a Arquitetura é uma profissão masculina.

O terceiro conjunto engloba as profissões/áreas profissionais mais apontadas na literatura como neutras em relação ao género. Aqui será de destacar que na maioria das opções

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incluídas neste grupo se verifica uma diferença estatisticamente significativa nas opções de raparigas e rapazes, apresentando as raparigas uma escolha superior à dos rapazes nas profissões/áreas profissionais de Artes, Ciências farmacêuticas, Comunicação, Design, Direito e Medicina. Esta diferença não se regista apenas para a Administração, as Ciências económicas e a Publicidade e marketing. Nas opções de docentes pode verificar-se a neutralidade em relação ao género para a maioria das profissões/áreas profissionais deste grupo embora com alguma tendência para considerar mais adequadas para as raparigas as Artes, Ciências farmacêuticas, Comunicação, Design e Turismo e restauração e mais adequadas a rapazes as Ciências económicas e o Direito.

Estas escolhas parecem enquadrar-se no perfil estereotipado de género encontrado por Williams e colegas (1999), reforçando a ideia que as escolhas profissionais estão condicionadas pelos estereótipos de género que se encontram presentes quer em estudantes, quer em docentes.

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3.4 SÍNTESE

A interpretação dos dados recolhidos por questionário sugere que é ao nível das situações de aprendizagem que se encontra uma maior proximidade nas preferências de raparigas e rapazes. No entanto, as preferências manifestadas encontram-se maioritariamente em desacordo com as práticas docentes. Assim, as opções de docentes apontam para um ensino onde a(o) aluna(o) tem um papel mais passivo e as opções de estudantes para um ensino onde têm um papel mais ativo.

Ao considerar várias formas de organização do trabalho em sala de aula, é frequente encontrar diferenças entre as opções de alunas e alunos. Embora se registe um distanciamento entre as práticas docentes e as preferências manifestadas por estudantes, verifica-se uma maior aproximação das práticas docentes às preferências das raparigas do que às preferências dos rapazes.

Em relação ao ambiente na sala de aula, embora a maioria das alunas e dos alunos refira gostar pouco de trabalhar com algum barulho na sala de aula, verifica-se uma maior frequência dos rapazes no preferir trabalhar com barulho na sala de aula. Ao nível docente, professores e professoras assinalam opções diferentes, aproximando-se as professoras das alunas e os professores dos alunos.

Ao nível da interação, os dados evidenciam a frequência com que as/os docentes encorajam o questionamento em sala de aula, estando em desacordo com as preferências manifestadas por estudantes que referem frequentemente não gostar ou gostar pouco de responder a perguntas ou mesmo de as fazer.

Embora rapazes e raparigas refiram gostar de se empenhar para ter o melhor trabalho, eles parecem preferir um ambiente de trabalho competitivo, enquanto elas manifestam preferência por um ambiente mais colaborativo. Também as(os) docentes manifestam preferência pela promoção do trabalho colaborativo. Regista-se alguma proximidade entre as opções de estudantes e docentes no que respeita à utilização do humor como uma provocação para promover a aprendizagem.

No que se refere ao levantamento dos estereótipos de género sobre o desempenho e competências nas ciências, evidencia-se uma tendência para a discordância dos estereótipos de que os rapazes são mais inteligentes e as raparigas mais trabalhadoras, de que os rapazes

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são melhores nas ciências do que as raparigas, de que as raparigas fazem mais intervenções nas aulas do que os rapazes, ou de que as/os docentes preferem as raparigas porque estas se portam melhor. A ideia que surge, nos diferentes grupos em estudo, de forma mais consensual é a de que as raparigas são mais responsáveis e organizadas do que os rapazes.

No que se refere à genderização das carreiras profissionais, os dados sugerem que esta ideia já está presente aos 15 anos de idade, momento em que se escolhe o percurso a seguir no ensino secundário. Embora a maioria das(os) estudantes opte por prosseguir estudos no curso de Ciências e Tecnologias, notam-se algumas diferenças nas restantes escolhas. Destaca-se a preferência das alunas pelas línguas, humanidades e artes, áreas tradicionalmente femininas, e dos alunos pelas ciências sócio-económicas, áreas tradicionalmente masculinas.

Também ao nível da escolha de futuras profissões ou áreas profissionais por estudantes, é evidente a divisão das opções em função do género. Pode identificar-se um primeiro conjunto de profissões/áreas profissionais tradicionalmente femininas ligadas à prestação de cuidados e educação, às línguas e literaturas e às artes que são mais assinaladas por raparigas do que por rapazes. Também as e os docentes as assinalam como mais adequadas a raparigas. Um segundo conjunto de profissões/áreas profissionais é mais frequentemente escolhida por rapazes e também por docentes referidas como mais adequadas a rapazes, enquadrando-se no que a literatura refere como profissões tradicionalmente masculinas, nomeadamente as engenharias, o desporto e áreas ligadas à segurança. No que se refere à Arquitetura, também tradicionalmente ligada ao sexo masculino, não se verifica essa tendência por parte de estudantes. No entanto, no grupo de docentes, continua a encontrar-se a ideia de que a Arquitetura é uma profissão masculina. O terceiro conjunto engloba as profissões/áreas profissionais mais apontadas na literatura como neutras em relação ao género, mas mesmo nestas se verificam diferentes escolhas por parte de raparigas e rapazes, apresentando as raparigas uma escolha superior à dos rapazes nas profissões/áreas profissionais de Artes, Ciências farmacêuticas, Comunicação, Design, Direito e Medicina. Esta diferença não se regista apenas para a Administração, as Ciências económicas e a Publicidade e marketing. Nas opções de docentes pode verificar-se a neutralidade em relação ao género para a maioria das profissões/áreas profissionais deste grupo embora com alguma tendência para considerar mais adequadas para as raparigas as Artes, Ciências farmacêuticas, Comunicação, Design e Turismo e restauração e mais adequadas a rapazes as Ciências económicas e o Direito.

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Estes dados reforçam a ideia que as escolhas profissionais estão condicionadas por estereótipos de género que se encontram presentes quer em estudantes, quer em docentes.

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CAPÍTULO 4

APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DAS ENTREVISTAS

Desenvolvendo-se este estudo através de uma metodologia de métodos mistos, a análise dos dados obtidos na primeira etapa do estudo permitiu informar uma segunda etapa, orientando o foco da investigação para as escolhas dos prosseguimentos de estudos e das carreiras profissionais das e dos estudantes.

Nesta etapa, optou-se pelo método da recolha de dados por entrevista a três pessoas adultas que seguiram percursos profissionais diferentes dos habituais tendo em conta o seu género. São pessoas cuja profissão, entrando em conflito com as expectativas sociais, nos poderão ajudar a melhor compreender como escapar, com sucesso, aos padrões de género no que respeita ao prosseguimento de carreiras científicas.

De forma a garantir o anonimato, estes três elementos participantes são aqui apresentados com um nome fictício: uma doutorada em física e atualmente gestora de projetos educacionais de cariz científico e tecnológico (Maria), uma investigadora doutorada na área da física aplicada (Ana) e um educador de infância (Pedro).

A análise será orientada pelo guião que estruturou as entrevistas, construído no sentido de se encontrarem respostas às questões de investigação definidas, extraindo dos discursos as situações que melhor esclarecem as questões em estudo.

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