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La pos ition institutionnelle aujourd’hui

3. Former un lecteur : différentes perspectives

3.1. La pos ition institutionnelle aujourd’hui

Maria formou-se em Física durante a década de 70 do século XX.

Na verdade, inicialmente pensava ir para Química. Tinha um estojo de Química e o livro de Química da Alice Maia Magalhães1 era extraordinário – tinha imensas leituras adicionais sobre a vida de cientistas como a Marie Curie2 e a Lise Meitner3 e explicava muito bem a estrutura do átomo. Fascina-me perceber como era possível explicar todas as reações que fazia na cozinha lá de casa a partir dos protões e dos eletrões(…) (Entrevista, Maria).

Foi um professor universitário a quem teve acesso através de umas pessoas da família que lhe explicou que aquilo de que gostava, a curiosidade que sentia por perceber

a estrutura atómica da matéria e como eram feitas as coisas era… física! (Entrevista,

Maria). Acrescenta que

se procurar bem, consigo recuar o meu interesse na física à infância, no período do ensino primário. Gostava muito de olhar para o céu à noite (tinha insónias) e perguntava a mim própria porque é que as estrelas não caíam e porque cintilavam. E ninguém me sabia responder, o que me dava um certo receio – então se os adultos não sabiam, se calhar podia acontecer a qualquer momento… E mais tarde porque é que as pessoas nos antípodas não caiam e depois toda a aventura do Espaço, os livros do Júlio Verne. Portanto, inconscientemente essa inclinação manifestou-se muito mais cedo (Entrevista, Maria).

Considera ainda que

Outro fator importante foi a influência do meu pai que sempre me estimulou e me chamava a atenção para aspetos científicos básicos no mundo à minha volta- ele é engenheiro agrónomo por isso sempre me chamou a atenção para as plantas, os solos, as rochas. Mas dava grande importância à Matemática – era mesmo a única disciplina cuja nota lhe importava e eu que nem pensasse em dizer que era difícil.

1 Alice Maia Magalhães foi coautora de compêndios de Química para os 6º e 7º anos liceais, anos de

escolaridade equivalentes aos 10º e 11º anos do atual ensino secundário.

2 Marie Curie (1867-1934), física e química polaca, naturalizada francesa. 3 Lise Meitner (1878-1968), física austríaca.

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Isso ajudou-me muito porque a Matemática é muitas vezes a barreira que impede as pessoas de encontrarem a beleza da física. (Entrevista, Maria)

Não sente que tivesse havido outras pessoas responsáveis por esta sua escolha e no que respeita à família lembra que não ficou muito contente dada a incerteza profissional

mas aceitou bem a minha escolha (Entrevista, Maria).

Integrou o mundo do trabalho como professora no Instituto Superior Técnico em Lisboa e de acordo com a sua descrição, a entrada foi ótima. No Técnico nunca senti o peso

do estereótipo, apesar de muitas vezes ter dado aulas a cursos com uma população maioritariamente masculina – nunca tive problema em me afirmar ou me fazer respeitar

(Entrevista, Maria). Entende que o género não é

impeditivo de pensar ou de realizar qualquer tarefa. Por vezes, era complicado porque há trinta e tal anos o Técnico tinha poucas casas de banho femininas o que complicava a vida em períodos de longas horas de trabalho – às vezes era preciso descer e subir um andar (risos). (Entrevista, Maria)

Refere que nas áreas em que os profissionais são maioritariamente do sexo masculino,

liderar uma equipa de homens pode trazer vantagens em termos de poderem até vir a ter um carinho e um respeito que talvez não tivessem por uma pessoa do mesmo sexo – tudo vai do estilo de liderança e do ambiente de trabalho (Entrevista, Maria).

Ao longo da sua carreira profissional nunca se sentiu discriminada pelo seu sexo. No entanto, assinala duas situações, que considera pontuais, passadas durante a faculdade,

e apenas relativamente a um ou outro professor e depois relativamente a um ou outro colega (Entrevista, Maria). Maria conta-nos que

uma vez tive 19 num exame difícil na Faculdade e o professor releu tudo a pente fino para ver se podia descontar alguma coisa. Aos colegas do sexo masculino não fez isso – e tiveram todos notas mais baixas que eu. Revoltou-me muito. … O mesmo professor quando falava da sua experiência no estrangeiro virava-se para os rapazes quando relatava o ambiente científico e para as raparigas quando falava nas idas ao supermercado. (Entrevista, Maria)

Revela que sempre esteve num ambiente privilegiado não sentindo a discriminação de género, quer no seu local de trabalho quer na escola que frequentou até à entrada no ensino superior. Considera que o facto de ter frequentado um colégio feminino contribuiu

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para não ter sentido essa discriminação e que a atual situação – eu diria normal – de escolas

básicas e secundárias mistas levanta problemas delicados nesse aspeto. Quando eu era miúda as escolas eram separadas e o problema não se punha (Entrevista, Maria). Quando

se pergunta sobre a importância de trabalhar as questões de género na formação de professoras(es) e educadoras(es) qualifica-as como importantíssimas! (Entrevista, Maria).

Voltando às memórias do ensino pré-universitário, identifica como características preferidas nas suas professoras a clareza e a lógica na exposição e a equidade no tratamento

e na avaliação (Entrevista, Maria).

Recorda que as aulas de que gostava mais eram as em que havia demonstrações

práticas, [embora houvessem algumas] aulas de laboratório que considerava chatas porque se baseavam em seguir protocolos ou ver ratos mortos (nunca apreciei essa parte da biologia…) (Entrevista, Maria). Conta que

nas ciências e na físico - química as professoras partiam muitas vezes de factos do dia a dia e faziam-nos raciocinar sobre eles (..) praticavam o IBSE4 “avant la lettre” levando-nos a descobrir (…) passo a passo, o que me cativava. Na matemática, o estilo era mais construtivo: apresentavam os axiomas e a partir daí íamos deduzindo os teoremas. Mas, as professoras incutiam-nos o gosto por isso. Às vezes, ao estudar com as colegas para os testes, entretínhamo-nos a construir a Geometria de Euclides um pouco como se fosse um jogo. Tive excelentes professoras (-as, porque como já disse o ensino era segregado). (Entrevista, Maria)

Apesar de manifestar preferências pelas aulas de caráter mais prático, considera que por tido excelentes professoras, não lhe aborreciam as aulas expositivas que eram como

assistir a uma boa conferência (Entrevista, Maria).

Identifica como as atividades que gostava muito de fazer as visitas de estudo e saídas

de campo, independentemente da disciplina (Entrevista, Maria).

4 Inquiry Based Science Education (IBSE).

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