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5. Update the plug-ins

Responsável pela área de Assuntos Corporativos da Cargill no Brasil, Afonso Champi Jr34, que prefere chamar a rádio-peão de rumor, assinala que os momentos de 34 Entrevista concedida à autora em 29 de setembro de 2009, na sede da Cargill Agrícola, em São Paulo.

Afonso Champi Jr. é responsável pela área de Assuntos Corporativos da Cargill no Brasil. Desenvolveu sua carreira na área em empresas como Companhia Siderúrgica Nacional, Parmalat e Votorantim, obtendo ampla experiência em gestão de crises. É co-autor do livro “Diário de uma Crise. Lições do Caso

Parmalat”, onde descreve sua experiência na área de comunicação corporativa na Parmalat durante a maior crise empresarial da empresa

crise das organizações são propícios para a disseminação dos boatos organizacionais. “O rumor não se instala sozinho, ele dificilmente vem por criatividade de alguém em particular, mas ele recebe talvez, ele encontra um período fértil muito mais em momentos de instabilidade, no momento em que – seja por que razão for – as comunicações da empresa não podem ir no grau de profundidade que poderia levar a uma melhor compreensão do assunto. Em outras palavras, quando as pessoas estão predispostas a ouvir versões, o rumor vai se implantar muito facilmente.”

Terminar com os rumores, para Afonso Champi, é uma tarefa difícil, e competir com eles, uma “luta inglória”. Mas a principal preocupação das empresas deve ser outra. “A minha preocupação não é competir com o rumor, não é acabar com o rumor, mas é permitir que o funcionário tenha sempre uma informação em que ele possa acreditar, uma informação no tempo certo, e no formato adequado para que ele entenda o assunto – alguns um pouco mais complexos – e com isso faça um contraponto com aquilo que ele ouça no rumor.” E completa: “Então, em resumo, o rumor, para mim, é algo que não deve ser a primeira preocupação.”

Para ele, as relações humanas explicam a natureza da rádio-peão. “[A rádio-peão] é alguma coisa que é sempre negativa? Não. É sempre positiva? Também não. É possível que ela seja contributiva para o processo? Sim e não. Ou seja, talvez todas essas variáveis, olhando na sua profundidade maior, são variáveis de uma relação de seres humanos.” E essa natureza também explica a divulgação desses rumores, já que “quem repete o rumor está fazendo também uma interpretação sua em relação àquilo que ouviu. Como o que ele ouviu nem sempre tem um pé na realidade, ele acabará sendo distorcido a cada mensagem ou a cada mensageiro.”

E Afonso Champi detalha o lado negativo da rádio-peão: “O bom contador de rumor é capaz de criar um verdadeiro tsunami na empresa porque ele cria uma instabilidade tamanha ou ele é capaz de solapar um terreno numa situação até positiva e de tal forma a comprometer o propósito. Então é natural que aí estamos falando de pessoas mal intencionadas, de pessoas com agendas próprias ou muitas vezes de pessoas que tenham, de fato, uma visão negativa das coisas. Não estou dizendo que estamos diante de pessoas críticas, essas são sempre bem-vindas, têm visões opostas e estas nos ajudam a encontrar melhores caminhos. Mas estamos falando aqui de pessoas com propósitos diferentes... não necessariamente ruins ou negativas, mas aí por si só já têm uma base distorcida”.

A comunicação formal face a face é bastante importante, sendo que Afonso Champi a define como um dos três pilares da Comunicação com os funcionários. “Nós podemos dividir em três grandes pontos de apoio. O primeiro deles é a comunicação formal, é aquela que é completa, tem o texto mais elaborado, uma linguagem apropriada para o nível de participação desses funcionários. O segundo ponto desse tripé é a manchete, é aquela que dá a principal informação somente, e que desperta no funcionário um interesse pelo assunto que está se tratando. E o terceiro está na informação dada pelo gestor, ou a comunicação face a face.”

A importância da fonte de informações, na comunicação formal face a face, é destacada por Afonso Champi, já que “ela traz junto uma variável que é o ‘ouvir’. E junto ela traz uma segunda variável que é a ‘linguagem de corpo’. Ela traz junto todas as expressões faciais e toda a conotação que o gestor possa dar. Então, muitas vezes, uma notícia boa dada com uma expressão um pouco mais fria ela talvez não proporcione o entusiasmo que aquela informação poderia ter naquele funcionário. [...] E, por tudo isso, é possível perceber que a importância da fonte da comunicação face a face é de fato muito mais ampla que propriamente se poderia avaliar como meio de levar uma mensagem.”

Com isso, o papel do líder na comunicação formal face a face não é apenas de repassar uma informação. Ouvir, para Afonso Champi, “não só ouvir no sentido literal, que é também importante, mas o ouvir pela reação das pessoas, ter a atenção, muitas vezes, como fonte, como gestor, em perceber a reação que aquela mensagem está causando nas pessoas. Ali é possível já identificar se a compreensão foi correta ou não. Qual o potencial de se gerar rumores. Ele pode perceber que determinado impacto, que não havia considerado importante, está acontecendo. Outro aspecto também é estar atento a ouvir no sentido de se dispor a responder perguntas, o que muitas vezes não é freqüente porque as pessoas têm uma certa preocupação em que tipo de perguntas poderá vir, se eu – como gestor – estarei preparado ou não para respondê-las e se eu estou mesmo bem preparado para interagir com as pessoas. Então, tudo isso forma um contexto em que é inegável a importância que essa comunicação possa ter em relação à comunicação com o funcionário.”

Numa comparação entre a rádio-peão e a comunicação formal face a face, Afonso Champi vê “uma série de aspectos por ser uma comunicação de pessoa para pessoa. Então, tudo o que a gente falou da comunicação formal também está no rumor, está naquele que está multiplicando uma informação”. Mas na questão credibilidade, ele

analisa que: “por mais difícil que seja, por menos regular que seja a comunicação na empresa, quando ela acontece, principalmente no face a face, uma liderança se colocar diante de um grupo de pessoas para comunicar algo, normalmente ele vai se sobrepor ao boato, ele tem a capacidade, sim, de se sobrepor aos rumores. É obvio que se eu for contumaz em levar mensagens pela metade, se tiver uma postura de refutar perguntas, se eu não tiver franqueza e se eu não for leal também como fonte, eu gestor, é natural que eu vou abrir espaço para outras fontes”.

E Afonso Champi ainda detalha essa comparação entre esses dois processos de comunicação: “E olhando de maneira mais objetiva, o meu propósito de comunicação não é ser melhor ou pior do que o rumor, do que a rádio-peão. O meu propósito é levar uma informação clara, objetiva, da profundidade necessária para o meu funcionário. Quando eu começo a competir com a rádio-peão, eu mudo o foco da minha atividade e a partir daí eu corro o risco de ser manobrado, eu vou ser liderado e não liderar. Então eu tenho sempre que ter um objetivo, um caminho muito claro: a rádio-peão deve ser acompanhada, mas não necessariamente combatida. É muito comum nas empresas, perdendo esta sensibilidade, ficar se preocupando em querer chegar antes da rádio-peão ou o tempo inteiro contra-argumentar, tentar formalmente refutar uma determinada versão que corre pelos corredores. Dificilmente eu vou ter total controle dessa comunicação. Eu não sei se isso de fato está acontecendo ou não, eu não sei se devo criar fantasmas onde eles não existem. Portanto, ficar tentando combater isso é não permitir que eu dê passos consistentes no caminho que tenho que percorrer.”

A questão da transparência nas relações empresa/funcionário, especialmente em momentos de crise, foi analisada por Afonso Champi. Com experiência acumulada na área de gestão de crise, ele tira um exemplo do período em que foi responsável pela Comunicação da Parmalat. “A Parmalat viveu a crise no final de 2003, uma crise financeira que começou na matriz, mas que depois acabou contaminando a própria estrutura das Parmalats ao redor do mundo. Então foi um momento muito delicado em que a própria gestão aqui no Brasil não detinha informações e, ao mesmo tempo, em momento algum se furtou a manter a coerência da comunicação com o funcionário. Não raras vezes se passou uma mensagem negativa que estava sendo dita sobre a empresa com a mesma franqueza e a mesma lealdade que se fazia no momento em que a empresa tinha seus planos bem desenhados, com o seu futuro a ser alcançado claramente desenhado também.”

Uma questão importante surgiu espontaneamente: a comunicação vista como negócio. Na opinião de Afonso Champi, “a comunicação tem crescido de importância, mais e mais as empresas têm se conscientizado da importância disso, independente do estilo de liderança, do caminho que elas tomam. Porque, em última instância, isso significa um melhor ambiente de trabalho, um maior compromisso do funcionário com a empresa e consequentemente com os clientes dessa empresa. Portanto, estamos falando de negócio, não estamos falando de nenhuma outra linguagem, e tentando olhar isso do lado absolutamente pragmático do propósito da empresa. Mas é também o papel da empresa, ela ocupa um espaço importante na vida das pessoas. Todas elas estão, hoje, cada vez mais conscientes de como as pessoas podem ser tratadas e de como as pessoas, muitas vezes, merecem ser tratadas.”