• Aucun résultat trouvé

CROSS-SITE SCRIpTING: BROWSERS ThAT TRUST SITES

Dans le document The Basics of hacking and penetration Testing (Page 140-146)

Dentre as características da rádio-peão e comunicação formal face a face citadas pelos entrevistados, podemos observar quais delas estão presentes nos dois formatos de comunicação analisados. São elas: eficácia e rapidez no repasse de informações, geração de informações distorcidas, participação de lideranças formais e informais, falta de controle da organização, credibilidade nos líderes (sejam formais ou informais), comunicação não-verbal, possibilidade de diálogo, resposta imediata à informação recebida.

Apesar disso, os objetivos das duas formas de comunicação as diferenciam, conforme relatam os entrevistados. Entre os objetivos da comunicação formal face a face, destacamos a pergunta sobre possíveis tentativas das empresas em substituir a rádio-peão pela comunicação formal face a face, e sete dos entrevistados indicaram que sim, existe esta tentativa.

Lucieneida Praun (Sociologia) afirma que “é uma tentativa que eles sempre fazem. Mas não pega por uma razão simples [...]: os trabalhadores sabem que em última instância os interesses da empresa estão ligados à sua lucratividade [...] e que quando esse balanço não vai bem, os trabalhadores são demitidos.” Para ilustrar, ela relata um detalhe de sua pesquisa44 feita na fábrica Anchieta da Volkswagen do Brasil, localizada

em São Bernardo do Campo: uma circular da vice-presidência de Recursos Humanos orientava os funcionários da área a irem aos diferentes setores da fábrica, tomar um cafezinho e ouvir as conversas informais dos trabalhadores.

Maria do Carmo Martins (Psicologia Organizacional e do Trabalho) acredita que isso pode acontecer, mas não sabe “se as organizações têm esta clareza. Deveriam ter, mas eu tenho a impressão de que elas não têm... a maioria não tem essa clareza. [...] As empresas de grande porte talvez até consigam pensar nisso, as de médio e pequeno porte, definitivamente, não conseguem.”

Elisa Prado (Comunicação), apesar de não concordar a palavra substituir, afirma que a busca e formação de líderes informais é um meio de “dar subsídios para boa... para uma rádio-peão mais positiva.” E quanto aos líderes informais “do mal”, o “maçã podre” que “fala para os outros, diz ‘não, esses caras aí ganham dinheiro e não pagam nada pra gente’, sabe, essas coisas assim, ‘não paga’, ‘não paga’, etc e ‘a hora-extra’”, “essas

44 Para conhecer este estudo, ver: PRAUN, Lucieneida D. A teia do capital: reestruturação produtiva e

“gestão da vida” na Volkswagen do Brasil / Planta Anchieta. 2005, 170 f. Dissertação (Mestrado em Sociologia) – Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Disponível em:

pessoas são normalmente eliminadas”. Neste caso, ao avaliarmos que as opiniões contrárias às da empresa são suprimidas e os funcionários são alimentados com informações positivas do ponto de vista da organização, interpretamos esta prática como uma forma de substituição da rádio-peão pela comunicação formal face a face.

Suzel Figueiredo (Comunicação) explica que “muitas empresas tentam informalizar a comunicação formal. Ou seja, elas identificam os formadores de opinião naturais, que já existem na empresa”. Mas ela adverte para o cuidado de que esta prática pode “desestruturar a área de comunicação interna formal. Porque ela começa a brigar com a credibilidade da comunicação formal. O que as empresas, hoje, mais têm dificuldade é na comunicação face a face, que é a comunicação formal, informal.”

Entre os sindicatos, a opinião unânime é que as práticas de comunicação formal face a face têm sua fonte ou na rádio-peão ou na comunicação sindical face a face. Luiz Cláudio Marcolino diz que “quem sempre fez as reuniões, sabe pegar o feedback, tem o retorno, isso é da gente. Hoje os bancos usam isso como uma prática comum. Vamos supor, o pessoal está fazendo o seu trabalho. Aí eles param lá 10 minutos e diz ‘reúne a equipe inteira, passa a informação que tem que passar ou tenta fazer uma ação que precisa’. Isso sempre foi uma postura nossa. Você passa a informação, mas passa do jeito que você quer. O que os bancos estão fazendo? Eles vão criando a rede.” Já Paulo Lage explica que esta é uma das formas de disputa dentro da fábrica, dizendo que atualmente, “as empresas estão tentando o seguinte: ou ela disputa ou vai perder espaço. E ela tem disputado. Então a rádio que era peão e agora virou web – ou sei lá o quê – é uma disputa de espaço”. E Sérgio Nobre resume: “As empresas têm adotado coisas que são práticas nossas, têm assimilado... claro que para atender os seus objetivos, que são diferentes dos nossos... mas aproveitado coisas que a gente construiu.” E isso acontece, de acordo com ele, também nas práticas comunicacionais: “as empresas vêm adotando muito essas coisas que aprenderam coma gente na comunicação”.

Uma visão um pouco diferenciada também é apresentada pelas áreas de Psicologia, Administração e Comunicação, no que se refere às tentativas de diminuir as notícias que circulam pela rádio-peão.

Marli de Oliveira (Psicologia Organizacional e do Trabalho) diz que as organizações se preocupam em desenvolver as lideranças para que estas levem “a informação que a empresa precisa que chegue até os seus funcionários”. De acordo coma entrevistada, “quanto mais a organização for estratégica, em termos de comunicação, menos a rádio-peão vai ter espaço”. E que, quando há “um bom relacionamento entre

gestor, independente de nível, com os seus subordinados, mais possibilidade elas vão ter de perguntar e menos dúvidas elas vão ter”. Ou seja, diminuindo a necessidade de buscar canais informais de comunicação para se informar.

No campo da Administração, há um consenso no que se refere a prestar atenção aos boatos organizacionais para que seja acionada a comunicação formal. Izidoro Blikstein vê os boatos que correm pela rádio-peão como “reveladores” do ambiente da organização. “[O boato] Revela, por exemplo, descontentamento da maioria dos funcionários. E esse descontentamento se deve a quê? Se deve à questão salarial, se deve à questão da própria arquitetura ambiental da empresa, ao número de horas trabalhadas, vamos analisar para saber a origem. Ou então é porque há barreiras de ordem cultural e psicológica gerando essa rádio-peão? É preciso analisar. E uma vez analisado, a área de comunicação corporativa pode ajudar muito nisso, vamos ver qual é a estratégia de comunicação que vamos adotar para, primeiro, apagar esse efeito negativo e ver se, por exemplo, a comunicação face a face aliada a outros tipos de comunicação pode ajudar. [...] Não é apenas a face a face que irá resolver, mas um conjunto de estratégias que ajudem a dar transparência e resolver o problema. [...] E onde há proliferação de rádio- peão é um termômetro que indica que a comunicação formal não está funcionando.” E Elaine Saad acrescenta a importância das lideranças prestarem atenção ao boato ou se aproximar das pessoas que possam contar o que circula na rádio-peão. Sabendo dos rumores ou boatos infundados, os dirigentes da empresa têm como planejar uma comunicação oficial. “E esse canal [...] de comunicação entre a liderança e a rádio-peão é importantíssimo porque na hora que começou o tá-tá-tá, alguém deveria ter falado para ele ‘olha, estão falando isso’ para ele tomar a medida rápido, soltar uma comunicação.”

Afonso Champi (Comunicação) também acredita que a rádio-peão deve ser acompanhada, “mas não necessariamente combatida”. E continua: “A minha preocupação não é competir com o rumor, não é acabar com o rumor, mas é permitir que o funcionário tenha sempre uma informação em que ele possa acreditar, uma informação no tempo certo, e no formato adequado para que ele entenda o assunto – alguns um pouco mais complexos – e com isso faça um contraponto com aquilo que ele ouça no rumor.”

Por último, Sidinéia Freitas não acredita que a comunicação formal tenha buscado na informal um formato diferenciado de comunicação. “Não é uma questão ideológica... é mais longe... são políticas das organizações”. Sobre a busca pela substituição da rádio-peão pela comunicação formal face a face, ela diz que “o

empregado de uma maneira geral, para que ele tenha envolvimento, sentimento de pertencimento, ele tem que ver franqueza no discurso e sintonia entre discurso e ação. Porque senão, ele quebra, como a maioria tem feito, o contrato psicológico que ele contraiu quando ele entrou naquela organização. [...] Se eu não acredito, sei que tudo é falso, que estão todos me enganando e obviamente eu vou ter outros em situação similar, eu vou reforçar a rádio-peão ou eu vou embora.”

3.1. Balões de Ensaio

As questões dos balões de ensaio e dos boatos manipulados foram citadas espontaneamente por Maria do Carmo Martins (Psicologia) e por Izidoro Blikstein (Administração). Como outras entrevistas já haviam sido realizadas, a pergunta não foi incorporada ao roteiro. Mesmo assim, para investigar a questão, fizemos a pergunta a Lucieneida Praun (Sociologia) que sugeriu que buscássemos informações com os sindicatos, pois poderiam ter cases para contar. Por esse motivo, a pergunta também foi feita a Luiz Cláudio Marcolino, Sérgio Nobre e Paulo Lage. Resolvemos incluir tais informações como registro, já que o questionamento não foi submetida a todos os entrevistados. Apesar disso, as informações revelam um outro lado da rádio-peão, cujas notícias podem ser manipuladas por organizações ou por sindicatos. Nossa intenção, aqui, é deixar uma questão para reflexão para futuros estudos nosso ou de outros pesquisadores da Comunicação Organizacional.

De acordo com Izidoro Blikstein, já o Estado Nazista havia desenvolvido a teoria do boato45, que “imaginava que uma forma de influenciar a opinião das pessoas era

manipulando boatos”. E ele acrescenta: “Portanto a questão da rádio-peão é muito séria. Porque ela é usada como uma verdadeira ferramenta de comunicação no estado nazista. Lá já começa essa manipulação da rádio-peão.” E ele ainda indica que as organizações também podem manipular boatos. “Ele [o homem que vive numa organização] pode usar a comunicação informal para acabar com a rádio-peão.”

Ao avaliar o lado ruim da rádio-peão, Maria do Carmo Martins (Psicologia Organizacional e do Trabalho) diz que ele pode ter duas fontes: a falta da comunicação formal e o surgimento do boato “intencionalmente negativo”. E explica: “Às vezes até utilizado pela direção formal da organização. ‘Solte lá um boato qualquer para a gente ver que reação isso teria, se a empresa, se a organização adotasse tal procedimento’, por exemplo.” Mas este boato manipulado pode ter também duas origens: “uma fonte, a

própria organização, ‘vamos soltar esse balãozinho e ver como eles reagiriam se tal atitude fosse tomada’. E isso é comum. E daquele próprio buxixo que é gerado pela falta de informação ou pela maldade de alguém. O João não gosta do José, então ele solta um boato, sobre o posto de trabalho do José, por exemplo ‘olha parece que estão pensando em extinguir o posto de trabalho do fulano de tal’.”

Lucieneida Praun (Sociologia do Trabalho), ao ser perguntada sobre informações divulgadas pela empresa, através da rádio-peão para conhecer a reação dos trabalhadores, afirma que a empresa pode ter dois objetivos com esta prática. “A empresa, às vezes, lança uma informação falsa para conseguir ‘correligionar’ os trabalhadores contra o sindicato ou medir até que ponto as pessoas têm capacidade de reação coletiva em relação a determinada coisa ou não.”

Para Luiz Cláudio Marcolino, o balão de ensaio também tem dois efeitos: “um é a consulta interna para ter um retorno e outro o descrédito do movimento sindical porque os bancários já sabem da proposta antes da negociação se efetivar”. O exemplo citado pelo dirigente sindical envolvem uma situação de conflito. E Paulo Lage explica que estas ocorrências são mais comuns “quando você está em conflito, não é uma situação do dia-a-dia”. Sérgio Nobre, que usou o termo “balão de ensaio” acrescenta que além das empresas, os sindicatos também fazem uso dessa prática. “Eles (as empresas) negam que fazem, mas a gente sabe que faz. Tem um determinado tema que eles querem saber como cai na fábrica então pede para alguém soltar e vê a reação, se é positiva, se é negativa. Se vai mobilizar ou não. Nega que faz, mas a gente sabe que faz.” E acrescenta: “O sindicato também faz, tem o balão de ensaio. Faz parte, é uma forma de aferir, às vezes, determinada coisa, quer sentir como faz.” E ele finaliza: “Nenhum dos lados admite que faz, mas os dois fazem.”

Dans le document The Basics of hacking and penetration Testing (Page 140-146)