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pASSWORD RESETTING: KIND Of LIKE DRIvING A BULLDOZER ThROUGh ThE SIDE Of A BUILDING

Dans le document The Basics of hacking and penetration Testing (Page 108-111)

O presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo Luís Cláudio Marcolino38

diz que a rádio-peão se “expande rápido. A informação circula muito rápido.” Mas ele já começa a ver e utilizar um substituto eletrônico para a rádio-peão. “E hoje, por exemplo, eu acho que o torpedo começa a ter o mesmo efeito que a rádio-peão. Porque celular todo mundo tem e se você montar um grupo de pessoas, você começa a passar informação para aquelas pessoas. E nessa campanha salarial [outubro/novembro de 2009] nós usamos isso... nós começamos a mandar torpedo para as pessoas, mandar de locais que estavam abertos. [...] Essa é uma forma de expandir a informação porque você não consegue estar com todo mundo.”

A eficiência e a agilidade da rádio-peão é enfatizada por Luiz Cláudio Marcolino ao lembrar um caso em que a rádio-peão cumpriu este papel. “Essa coisa da rádio-peão funciona e funciona muito rápido. [...] em 1990, o banco... ia ter uma greve dos bancários... e o banco reuniu todo mundo numa sala, e falou ‘amanhã vai começar a greve dos bancários, então tem essa entrada, essa entrada, essa entrada e queremos todos mundo aqui no horário correto’. E aí nós falamos ‘e agora, o que vai acontecer?’ Todo mundo, individualmente, querendo fazer greve, mas aquela pressão da chefia. Então combinamos que depois do almoço, porque a gente trabalhava das 7h às 13h, todo mundo se reuniria na praça em frente. Chegando lá combinamos ‘amanhã todo mundo vai parar’. E nós éramos em 150 nesse departamento. Aí no dia seguinte, nós éramos os primeiros a entrar às 7h da manhã, nós paramos. E aí, o pessoal foi chegando e vendo a gente parado e todo mundo começou a parar também. Porque viu que o nosso departamento parou e começou a parar, parar, parar. Foi uma greve forte em 1990. Mas como é que nós fizemos isso? Porque nós éramos pequenos departamentos... eram 150 mas divididos em pequenos departamentos. Então tínhamos um café porque começávamos [a trabalhar] às 7h e às 9h15 tinha um café. E ia saindo uma turma de cada vez para tomar o café. Então tinha de 10 a 12 pessoas que iam tomar o café, voltava e outras 10, 12 pessoas iam para o café... revezando. E esse café de 15 minutos ia

38 Entrevista concedida à autora em 17 de novembro de 2009, na sede do Sindicato dos Bancários, em São

Paulo. Luiz Cláudio Marcolino é presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo desde junho de 2004. Bancário do Itaú, começou sua militância no movimento sindical em 1990, quando aconteceu uma greve no Ceic (Centro Empresarial Itaú Conceição). Em 1991 já era o dirigente responsável pela região do Jabaquara. Entrou para a executiva do Sindicato em 1995, na secretaria de formação sindical, onde permaneceu até o ano 2000. Uma de suas principais preocupações é a comunicação sindical.

revezando de acordo com a área. Aí, cada vez que um saía, falava [para os que chegavam] ‘depois do almoço, todo mundo lá na praça’... porque já tinha acontecido a reunião [do banco]. Então chegou depois do almoço, estava todo mundo lá. Mas por quê? Como e que a gente fazia para reunir todo mundo para acertar a paralisação do dia seguinte? E foi isso mesmo: um contando para o outro.”

No que se refere à comunicação face a face, Luiz Cláudio Marcolino conta que manter diálogo, o contato direto com os trabalhadores, sempre foi uma das lutas do sindicato. “Por muito tempo, aqui no sindicato, nós usávamos o megafone, durante a ditadura militar, pela dificuldade de entrar no local de trabalho pela repressão. Aí começou o processo da abertura e a gente criou esse instrumento, o carro de som, e nós chegamos a ter um caminhão de som. [...] Mas antigamente tinha uma resistência, pela própria concepção da empresa que era o sindicato fora do local de trabalho. Eles não aceitavam os dirigentes sindicais dentro do local de trabalho. A lógica é que vai tumultuar, vai criar problema interno no ambiente de trabalho.” E ele continua: “começamos a entrar em cada local de trabalho e no começo... hoje é fácil, mas na época tinha os gerentes que não autorizavam o pessoal a entrar. O que o pessoal fazia? Primeiro parava a agência, a entrada, os clientes ficavam bloqueados... e tinha duas opções: ou fechava a agência ou ia entrar para conversar. Aí começou a entrar. E tinha outros que falavam ‘não, você só pode entrar na agência, não pode conversar com os bancários na retaguarda’. [...] Antigamente tinha muitos bancários na retaguarda dos bancos, você tinha muitos caixas e escriturários. [...] E o que o nosso pessoal fazia? Subia no balcão da agência e começava a ler a Folha Bancária para as pessoas que estavam lá no fundo. Isso foi 1, 2, 3, 4 vezes aí o banco liberou a entrada porque dá menos problema do que ficar lendo a Folha Bancária para os funcionários dos fundos. Então nós fomos conquistando esse diálogo permanente com os funcionários.

Atualmente, Luiz Cláudio Marcolino explica que cada diretor do sindicato “vai na agência, ele conversa com o trabalhador, entrega a Folha Bancária e passa a ouvir as demandas e as reclamações, os problemas, os elogios como um todo em relação à atuação do sindicato e o eventual problema que ele teve no local de trabalho e que o sindicato tenha que intervir. Então começamos a entrar em cada local de trabalho.”

Mas o presidente do Sindicato dos Bancários afirma que as empresas começaram também a se movimentar no sentido de dialogar com os funcionários. “E aí o que a empresa começou a perceber? Que o sindicato começou a ter uma ascensão muito forte sobre os trabalhadores. [...] Então nós passamos a entrar nos locais de trabalho, passamos

a ter os contatos e os bancos foram tentando buscar formas alternativas. [...]” Hoje, Luiz Cláudio Marcolino explica que as comunicações formais face a face nos bancos são uma constante. “Tem muito, agora, os blogs, o contato direto entre os trabalhadores e o presidente da empresa, reuniões com gerentes, superintendentes de forma permanente que também é outro tipo de diálogo.[...] Outra coisa que eles passaram a fazer e que antigamente sempre foi domínio do sindicato, são as reuniões no local de trabalho.”

Alias, conforme explica o entrevistado, este formato face a face de comunicação sempre foi uma prática do sindicato. “É o que eu digo, a gente faz as reuniões. Quem sempre fez as reuniões, sabe pegar o feedback, tem o retorno, isso é da gente. Hoje os bancos usam isso como uma prática comum. Vamos supor, o pessoal está fazendo o seu trabalho. Aí eles param lá 10 minutos e diz ‘reúne a equipe inteira, passa a informação que tem que passar ou tenta fazer uma ação que precisa’. Isso sempre foi uma postura nossa. Você passa a informação, mas passa do jeito que você quer. O que os bancos estão fazendo? Eles vão criando a rede. Então tem o diretor, aí o diretor reúne os superintendentes, os superintendentes reúnem os gerentes, os gerentes reúnem os funcionários. Então isso é uma forma do banco ter, de fato, o controle da gestão do conjunto dos funcionários. Antigamente, não. A ordem vinha de cima para baixo para executar, hoje, não. Eles querem ouvir sugestões, como faz para resolver o ritmo do trabalho, ver como faz para melhorar o trabalho ou o ambiente do trabalho. Então isso acaba sendo uma forma de cooptação. Se o trabalhador se sente representado pela empresa, ‘olha, a empresa está me ouvindo’, ‘falei para eles e o banco está resolvendo’. Os bancos criaram agora um ombudsman, o Fale com o RH, então são coisas que dizem assim ‘olha, se você tem problema, não vai procurar o sindicato. Procure o RH. Procure o ombudsman’. Ombudsman é uma forma de dizer ‘ele é isento. Se você tem medo de falar com o RH, tem medo que o RH vai te perseguir, fala com o ombudsman. Não fala com o sindicato.’ Porque, em tese, ele é uma pessoa neutra. Os bancos têm feito esse movimento.”

Luiz Cláudio Marcolino também enfatiza a importância da interação face a face para o sindicato. “[...] além desse contato cotidiano com os bancários, não dá para você conversar com eles o tempo todo. Na agência, mesmo hoje, em tese, que é uma democracia... não é mais uma ditadura [...] Mas tem gente que fica com receio disso. Então o que a gente faz? Todo mês, a gente faz dois, três encontros com um grupo de bancários para você ter contato fora de São Paulo, no final de semana, e a gente discute com eles sobre o sindicato. Aí ele passa a ter contato com bancários de outros bancos, de

outras regiões da cidade, ele começa a ver que o problema que ele tem na agência, é o mesmo problema que os outros bancos, os outros bancários também têm e quais são os caminhos para a solução daqueles problemas. Quando ele volta para a agência, ele acaba ajudando a organizar a partir desse encontro que você fez.” E esses processo faz com que se construa a credibilidade. “Você começa a criar uma relação com a pessoa que também é uma relação pessoal e a partir dessa relação pessoal, você vai construindo a confiança das pessoas, e numa eventual greve, numa eventual mobilização, para a pessoa te passar um problema, essa relação de confiança que garante que a gente tenha um processo de informação permanente.”

Para encerrar, respondendo à questão sobre os balões de ensaio, Luiz Cláudio Marcolino diz que já viveu esta experiência: “Na própria negociação. O que os bancos faziam? Você está num processo de negociação, os bancos chamam um grupo de gerentes, de pessoas, e soltam uma informação que está em negociação para ver se aquelas pessoas aceitariam um proposta que eventualmente eles vão apresentar para o sindicato. E o que acontece? O pessoal vem e fala para a gente. ‘Ah, o banco vai propor tanto’ e eu disse ‘mas a negociação é só hoje à tarde’ e a pessoa fala ‘mas o banco se reuniu e está falando uma proposta com esse valor, esse percentual’. Só que isso tem duas coisas: uma é para o banco ter uma percepção se aquela proposta que ele vai fazer os trabalhadores vão gostar, vão aceitar ou não. Eles propõem não só para o sindicato, mas já consulta um grupo de pessoas. E nós começamos a fala ‘não’. Negociação é negociação. Se for resolver, tem que resolver aqui. Quem consulta os trabalhadores é o sindicato, não as empresa. Se não você vai lá, faz o pagamento sem negociar com o sindicato. Nestes três anos parou um pouco isso. Por que qual era a leitura que saía para as pessoas? Já está tudo acertado... isso já está tudo resolvido... é só pró-forma. Então nós começamos desmontar um pouco isso porque nós começamos a perceber essa movimentação que as empresas faziam. [...] Isso faz parte da imagem, da credibilidade... a pessoa passa a desacreditar do sindicato que está tendo negociação. Porque como o banco solta uma informação antes, a pessoa pensa ‘tá vendo? Não falei que o número era tanto?’. Então acaba tendo esses dois efeitos: um é a consulta interna para ter um retorno e outro o descrédito do movimento sindical porque os bancários já sabem da proposta antes da negociação se efetivar.”

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