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CHAPITRE I : DEVELOPPEMENT DES SECTEURS ECONOMIQUES

3.1.9 Tourisme et artisanat

Nosso trabalho é situado teoricamente na Análise Textual dos Discursos. Segundo Adam (2011), autor que inicia essa abordagem, o texto e o discurso podem ser vistos de uma forma em que exista “uma separação e uma complementaridade” (ADAM, 2011, p. 43).

Desse modo, Adam (2011, p. 24) propõe: “[...] um posicionamento teórico e metodológico que, com o objetivo de pensar o texto e o discurso em novas categorias, situa decididamente a Linguística Textual no quadro mais amplo da Análise de Discurso”. A partir do esquema 4, apresentado em nosso trabalho como figura 01, é demonstrado como há a vinculação entre a LT e AD. Para isso, vemos que a relação se evidencia a partir de um esquema que envolve: (1) Ação de linguagem (visada, objetivos); (2) Interação social; (3) Formação sociodiscursiva que leva à noção de interdiscurso e gêneros, e, partir do texto, se tem as relações de (4) textura (proposições enunciadas e períodos); (5) Estrutura composicional (sequências e planos de textos); (6) semântica (representação discursiva); (7) Enunciação (responsabilidade enunciativa e coesão polifônica) e (8) Atos do discurso (ilocucionários e orientação argumentativa).

Como categorias de análise, baseadas nos estudos sobre plano de texto e responsabilidade enunciativa (ADAM, 2011), escolhemos utilizar alguns dados que podem ser vistos abaixo:

De acordo com o esquema 30, presente em nosso trabalho como figura 02, e o nível N5 do esquema 04 proposto por Adam (2011, p. 257), foi apresentado o aspecto composicional de cada redação nota mil analisada, ou seja, a estruturação dos planos de texto dessas produções.

Para isso, analisamos a estrutura do texto, dividindo-o conforme a estrutura prototípica apresentada nas cartilhas do participante: título (elemento não obrigatório), introdução, desenvolvimento e conclusão, a fim de perceber o modo pelo qual os candidatos se comportavam em seus textos em relação a essa estrutura basilar. É interessante perceber que, apesar da importância do plano de texto como meio de se demonstrar o caminho argumentativo evidenciado pela estrutura do texto, essa categoria foi usada como um modo de evidenciar, com ênfase, a marcação da RE.

Para estudar o fenômeno da responsabilidade enunciativa, foram descritas, quantificadas e analisadas todas as 51 redações. Assim, analisamos os pontos de vista evidenciados pelo locutores-enunciadores primeiros, e, a partir disso, em que momento e como eles assumiam ou não a RE.

Após a análise da (não) assunção, partimos para verificar os enunciadores segundos, os quais tinham suas vozes adentradas ao texto. Depois de debater o porquê do uso dessas vozes, classificamos cada autor conforme a formação sociodiscursiva a qual ele estava mais fortemente vinculado.

Com o fito de verificar a (não) assunção, utilizamos o quadro adaptado de Passeggi et al (2010) e escolhemos o nível 4, modalidades, o nível 5, diferentes representações da fala, e o nível 6, indicações de quadros mediadores. Essa escolha se justifica pela natureza argumentativa do gênero constituinte do corpus escolhido, além disso:

• Com as diferentes modalidades, é possível enxergar construções como a modalidade objetiva, a hipotética, a negativa, entre outras, as quais podem ser utilizadas para marcar o posicionamento e o ponto de vista;

• Como as produções dos participantes são julgadas também pelo arcabouço sociocultural que dominaram durante a educação básica, utilizar vozes alheias evidenciadas por meio de citações parece ser provável. Por isso, os participantes devem usar formas linguísticas de demonstrar o discurso do outro.

Todavia, quando necessário, podemos ver como outras categorias se apresentam nos textos, bem como utilizá-las para a descrição e a interpretação linguísticas de nosso objeto de estudo, com a finalidade de que os dados sejam melhor explicitados. Passemos, agora, para a análise dos dados.

3 ANÁLISE DOS DADOS

A partir dos pressupostos teóricos que embasam este trabalho, procuramos investigar o fenômeno da responsabilidade enunciativa em redações nota mil do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM, nas edições de 2013 a 2017. Além disso, como objetivos específicos temos: (1) descrever o plano de texto; (2) analisar a imputação do ponto de vista e a responsabilidade enunciativa em redações nota mil; (3) identificar e descrever marcas linguísticas que indicam o ponto de vista dos candidatos; (4) verificar como ocorre o uso de vozes alheias nas redações nota mil, categorizando-as conforme formações sociodiscursivas a que pertencem.

Para isso, buscamos analisar marcas linguísticas presentes nas redações, tendo como base o quadro adaptado de análise de RE, de Passeggi et al (2010) baseado nos estudos de Adam (2011), bem como as noções de mediativo de Guentchéva (1994) e o conceito de Quase-Pec, de Rabatel (2016), além de suas noções de locutor enunciador primeiro (L1/E1) e de enunciador segundo (e2). Como categorias de análise, escolhemos averiguar as diferentes modalidades, os diferentes tipos de representação da fala e as indicações de quadros mediadores.

Como já mencionado em nosso aparato metodológico, a escolha de tais categorias foi relacionada a uma leitura e interpretação prévia dos dados obtidos nas produções textuais estudadas, além de serem categorias que corroboravam com as hipóteses da pesquisa. Contudo, havendo necessidade, iremos demonstrar como o fenômeno da assunção (ou não) ocorre com outras categorias do quadro adaptado de Passeggi et al. (2010).

No total, foram analisadas 51 redações. Como esperado, são textos que possuem elevados níveis de encaixamento semântico e sintático. Assim, não encontramos problemas sérios com desvios gramaticais, fuga ou tangenciamento da temática ou falta de coesão e coerência. As redações, geralmente, possuem todo um aparato de argumentação que invoca as vozes alheias para reforçar as ideias e a tese do L1/E1.

Com isso, o estudo do material pôde ocorrer de maneira satisfatória, com a marcação das categorias escolhidas e com o olhar interpretativo quanto à assunção (ou não) da RE por parte dos candidatos na escrita de seus textos.

O quadro a seguir mostra uma análise completa de todos os textos estudados, contendo o código dado a cada redação, em ordem crescente, do ano de 2013 ao ano de 2017, bem como os títulos das redações (elemento opcional), e se na redação há a

assunção total da RE ou se existem quadros mediativos. Além disso, no caso em que existe o uso de mediativo, foram citadas as vozes alheias presentes nessas redações. Vejamos.

Quadro 12 – Análise de todas as redações

Código atribuído Ano de aplicação Título Assunção total Quadro mediador Vozes R1 2013 Manifesto da Segurança no trânsito Sim Não -

R2 2013 Em homeostase Não Sim Lavoisier, Legislação

brasileira

R3 2013 Pela Sobriedade Transposta Sim Não -

R4 2013 Comportamento ao volante Sim Não -

R5 2013 Harmonia progressista Não Sim Thomas Hobbes

R6 2013 O inferno são os outros Não Sim IBPS, Sartre, DataSUS

R7 2013 O Início da Caminhada Sim Não -

R8 2013 Preserve a vida de todos: se for beber, não dirija

Sim Não -

R9 2013 Lei Seca: ainda com alto teor de jeitinho brasileiro

Sim Não -

R10 2013 Não foi acidente Não Sim Abramet, pesquisas

R11 2014 - Sim Não -

R12 2014 Por um bem viver Não Sim Gilberto Freyre,

UNESCO, Platão, Gandhi R13 2014 Criança: futuro consumidor Não Sim OMS, Sérgio Buarque de

Holanda

R14 2014 - Não Sim Karl Marx

R15 2014 - Não Sim Michel Foucault, Pierre

Bourdieu

R16 2014 - Sim Não -

R17 2014 Mais família e menos mídia Sim Não -

R18 2014 Amor à venda Sim Não -

R19 2014 Responsabilidade social Sim Não -

R20 2014 - Sim Não -

R21 2015 - Não Sim Mapa da violência 2012,

Simone de Beauvoir, Balanço 2014 – Secretaria da Mulher R22 2015 Parte desfavorecida Não Sim Durkheim, Oscar Wilde R23 2015 Violação à dignidade

feminina

Não Sim Pierre Bourdieu, Simone de Beauvoir

R24 2015 Conserva a Dor Sim Não -

R25 2015 Por um basta na violência contra a mulher

Sim Não -

R26 2015 - Não Sim Mapa da violência 2012,

R27 2015 - Sim Não -

R29 2015 Da teoria à prática Sim Não -

R30 2015 - Não Sim Constituição federal

R31 2016 Orgulho machadiano Não Sim Machado de Assis,

Aristóteles, pesquisa, Durkheim R32 2016 A locomotiva de Marx Não Sim Albert Camus, Albert

Einstein, Karl Marx

R33 2016 - Não Sim Sócrates, Paulo Freire

R34 2016 - Não Sim Aristóteles

R35 2016 Tolerância na prática Não Sim Constituição federal, Gilberto Freyre, Bauman

R36 2016 Profecia futurística Sim Não -

R37 2016 - Não Sim Kant, Folha de São Paulo,

Constituição federal

R38 2016 - Não Sim Adorno, Código Penal

R39 2016 - Não Sim Kant

R40 2016 No meio do caminho tinha uma pedra

Não Sim Pesquisa da USP, Bauman,

R41 2016 - Não Sim Gilberto Freyre,

Constituição federal,

R42 2016 - Não Sim Voltaire,

R43 2016 Superando antigos estigmas Não Sim Bauman

R44 2017 - Não Sim Aristóteles, Constituição

federal, Foucault

R45 2017 - Não Sim Schopenhauer, Locke,

Machado de Assis

R46 2017 - Não Sim Talcott Parsons

R47 2017 - Não Sim Constituição federal

R48 2017 - Não Sim Declaração Universal dos

Direitos Humanos

R49 2017 - Não Sim São Tomás de Aquino,

Bobbio

R50 2017 - Não Sim Claude Lévi-Strauss,

Bauman,

R51 2017 Educação inclusiva Não Sim Nelson Mandela, Helen

Keller Fonte: o autor

Por intermédio do quadro acima, podemos enxergar uma análise completa das marcações de assunção (ou não) da RE, além das vozes alheias presentes no corpus. Entretanto, para deixar o estudo dos dados de forma mais clara possível, optamos por apresentar a assunção total no gráfico a seguir e detalhar a (não) assunção da RE, o plano de texto, as vozes presentes e as formações sociodiscursivas utilizadas, em cada ano, de 2013 a 2017. Desse modo, a análise qualitativa interpretativista ocorrerá no decorrer do trabalho, utilizando, para isso, fragmentos das produções textuais. É importante destacar,

ainda, que todas as propostas de redação, os textos analisados no trabalho e o quadro com as vozes utilizadas na construção de cada formação sociodiscursiva estão disponibilizados nos apêndices desta dissertação.

Gráfico 01: Análise completa da RE em redações mil do ENEM

Fonte: o autor

A partir da visualização do Gráfico 01, podemos ver que em todas as redações que obtiveram a nota máxima existe a assunção da RE pelos candidatos L1/E1, nessa situação comunicativa determinada. Desse modo, é possível enxergar que em 18 redações, ou seja, 35% do percentual, existe a assunção total pelo dito, sem a utilização de quadros mediadores. Já em 33 redações, o que corresponde a 65% do corpus, existe a assunção, mas também há a utilização de quadros mediadores, como citações e dados.

Assim, é visto que em tais produções textuais os candidatos seguem as orientações da Redação do ENEM 2017 - Cartilha do participante (BRASIL, 2017), bem como das cartilhas anteriores e constroem as relações de ponto de vista, agindo como um articulador de vozes em prol de uma proposta de persuasão.

Com isso, podemos enxergar que os candidatos conseguem, de modo muito satisfatório, cumprir com o que é dito pela competência três do exame, a saber: “Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista” (BRASIL, 2017, p. 8).

35%

65%

0%

Como estrutura de gênero, as redações notas mil do ENEM apresentam, geralmente, de três a quatro parágrafos. Os autores iniciam com a introdução da temática, utilizando, muitas vezes, conceitos históricos, filosóficos, sociológicos, entre outros e demonstram suas teses sobre o assunto tratado. A partir disso, escrevem um ou dois parágrafos de argumentação, usando dados, citações e informações que corroborem com a tese apresentada inicialmente. Por fim, os participantes produzem a conclusão do texto, explicitando, para isso, uma proposta de intervenção, na qual se respeite os parâmetros fornecidos pelos Direitos Humanos.

De forma qualitativa, como, em tais redações, ocorre o fenômeno da assunção da RE? É o que nos propomos a estudar a partir de agora. Iremos demonstrar como as categorias escolhidas são utilizadas nas situações de produção de tais textos argumentativos, usando, para isso, fragmentos textuais.