CHAPITRE II : DEVELOPPEMENT DES SECTEURS SOCIAUX
3.2.3 Enseignement Technique et Formation Professionnelle
Em 2017, o tema da redação foi “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”. Continuando a trabalhar a temática das minorias sociais, o exame abordou a problemática da falta do acesso à educação a esse público-alvo. Os textos motivadores que embasaram a discussão foram: a lei número 13.146, de 06 de julho de 2015, a qual, em seu artigo 28, inclui a oferta da Libras como primeira língua em escolas e classes bilíngues e em escolas inclusivas; um gráfico do INEP a respeito do número de matrículas de surdos; um cartaz sobre o preconceito com os surdos no mercado de trabalhos; e, por fim, e dados do portal do governo sobre a instituição da Libras, oficialmente, como a segunda língua do nosso país.
Acerca da materialização do plano de texto, podemos ver as estruturas das redações por meio dos dados abaixo, lembrando, sempre, que o X representa um parágrafo presente no texto.
Quadro 23: Planos de texto das redações de 2017
Redação Título Introdução Desenvolvimento Conclusão
R44 - X XX X R45 - X XX X R46 - X XX X R47 - X XX X R48 - X XX X R49 - X XX X R50 - X XX X R51 Educação inclusiva X XX X Fonte: o autor
Podemos ver que a estrutura composicional dos textos é a mesma, com a última redação, apresentando, como exceção, o título que, como sabemos, é uma forma opcional. A estrutura se demonstra com a noção básica de um texto dissertativo-argumentativo, com a introdução, o desenvolvimento e a conclusão.
Quanto à assunção da RE, essa se demonstra, nos textos, principalmente, pelo uso de lexemas avaliativos, advérbios de opinião e da modalidade objetiva. As vozes alheias utilizadas servem para reforçar e exemplificar o posicionamento de L1/E1. Vejamos a análise de R44.
Quadro 24: Composição de R44
Título -
Introdução Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana dos deficientes auditivos brasileiros, os quais buscam ultrapassar as barreiras as quais os separam do direito à educação. Nesse contexto, não há dúvidas de que a formação educacional de surdos é um desafio no Brasil o qual ocorre, infelizmente, devido não só à negligência governamental, mas também ao preconceito da sociedade.
Desenvolvimento
A Constituição cidadã de 1988 garante educação inclusiva de qualidade aos deficientes, todavia o Poder Executivo não efetiva esse direito. Consoante Aristóteles no livro "Ética a Nicômaco", a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo se verifica que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil à medida que a oferta não apenas da educação inclusiva, como também da preparação do número suficiente de professores especializados no cuidado com surdos não está presente em todo o território nacional, fazendo os direitos permanecerem no papel.
Outrossim, o preconceito da sociedade ainda é um grande impasse à permanência dos deficientes auditivos nas escolas. Tristemente, a existência da discriminação contra surdos é reflexo da valorização dos padrões criados pela consciência coletiva. No entanto, segundo o pensador e ativista francês Michel Foucault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres do que pensam para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Assim, uma mudança nos valores da sociedade é fundamental para transpor as barreiras à formação educacional de surdos.
Conclusão Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Cabe ao Ministério da Educação criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas o qual promova palestras, apresentações artísticas e atividades lúdicas a respeito do cotidiano e dos direitos dos surdos. - uma vez que ações culturais coletivas têm imenso poder transformador - a fim de que a comunidade escolar e a sociedade no geral - por conseguinte - conscientizem-se. Desse modo, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros vencerão o desafio de Zeus.
Fonte: o autor
No início, a instância enunciativa utiliza-se da narração para relacionar o mito grego de Sísifo aos problemas enfrentados pelos surdos, visto que tanto o grupo social
quanto o personagem enfrentam batalhas que não estão sendo eficazes. A partir disso, L1/E1 introduz a sua tese, a iniciando com um dêitico temporal, de que “Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana dos deficientes auditivos brasileiros, os quais buscam ultrapassar as barreiras as quais os separam do direito à educação”. Após isso, a instância enunciativa elenca seus principais conceitos que serviram para embasar a argumentação, a “à negligência governamental” e “o preconceito da sociedade”.
No primeiro parágrafo de argumentação, L1/E1 faz a relação entre as vozes da constituição e do filósofo grego Aristóteles, mostrando que, mesmo com o subsídio jurídico e fomento de ideias filosóficas, no Brasil, a política é deturpada e, por isso, não oferece a educação de qualidade aos surdos. Como categorias, podemos ver o uso do lexema “deturpada”, marcando posicionamento e as vozes alheias sendo utilizadas para reforçar o teor argumentativo da ideia de que o país não segue o que é prescrito como norma.
Com o uso do operador argumentativo “outrossim”, usado como conector interparágrafo, é ponderado sobre o preconceito social com os surdos. Para isso, marcando esse posicionamento, é utilizado verbetes como “grande” para categorizar o tipo de impasse social e “tristemente” para falar sobre a existência da discriminação contra surdos. Além disso, para reforçar o teor argumentativo, a instância usa os dizeres do filósofo Michel Foucault a fim de relacionar o pensamento dele com a necessidade de mudanças nos paradigmas sociais.
Por fim, utilizando-se bastante da modalidade objetiva, L1/E1 produz sua proposta de intervenção contendo cinco elementos. A saber: o MEC, como agente; a ação, criar projetos nas escolas; o meio de ação, as palestras com os surdos; a finalidade da ação, a conscientização de todos; e o detalhamento do efeito, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros vencerem o desafio de Zeus.
Acerca das vozes alheias utilizadas nas redações de 2017, percebemos bastante a presença de filósofos, sociólogos e o uso de arcabouço jurídico. Vejamos a composição total no gráfico a seguir.
Gráfico 10: Vozes alheias presentes nas redações de 2017
Fonte: o autor
Por meio do gráfico, podemos ver que diversas vozes foram usadas nas redações. Elas, com seus mais diferentes campos, foram usadas na construção textual, a fim de mostrar domínio de mundo e arcabouço sociocultural.
Das oito redações, em todas houve o uso de vozes alheias. Nessa direção, podemos ver a diferença entre essas redações mais atuais e as mais antigas, dado que muitas em 2013 e em 2014 assumiam o grau de RE total, já essas tendem a usar o mediativo para reforçar o posicionamento.
Vale salientar o uso das vozes literárias para a contextualização dentro da introdução dos textos. Tal fato ocorre em R45, na qual “Memórias Póstumas de Brás Cubas” é usada para contextualizar o assunto da deficiência, por meio da personagem coxa ridicularizada por Brás, bem como com uso da voz de Helen Keller, em R51.
É interessante, ainda, perceber que diversas teorias sociológicas e filosóficas são usadas para que os candidatos argumentem sobre o mesmo tema. Com isso, vemos o conceito de modernidade líquida, de Bauman, bem como o de família como ente que produz personalidades humanas, com Talcott Parsons, além de outros.
Quanto às formações sociodiscursivas, percebemos que os candidatos fazem uso do campo literário, sociológico e, com ênfase, do filosófico, o que demonstra um amplo
Constituição 13% Aristóteles 6% Foucault 6% Machado de Assis 6% Schopenhauer 6% John Locke 7% Talcott Parsons 7% Tomás de Aquino 7% Declaração dos Direitos Humanos 7% Norberto Babbio 7% Claude Lévi- Strauss 7% Zygmunt Bauman 7% Helen - Keller 7% Mandela 7%
repertório utilizado por parte dos candidatos. Vejamos, por intermédio do gráfico abaixo, os dados.
Gráfico 11: Formações sociodiscursivas evocadas nas redações de 2017
Fonte: o autor
Por meio do gráfico, podemos ver que a formação sociodiscursiva filosófica é o campo com maior percentual de uso, chegando a 43%, estando presente em quatro redações. Outras formações que tiveram autores citados foram: o campo sociológico, com 22% de uso, o jurídico com 22% de uso, presente em duas redações, e, por fim, o campo literário, com 14% das vozes, e o político, com 7%.
Assim, é perceptível que os participantes relacionaram esse tópico ligado à educação a diferentes caminhos argumentativos, utilizando pensadores do Direito, da educação, a Declaração dos Direitos Humanos, entre outros. Esse fato configura a variedade de meios que o tema, por ser amplo, possibilitou a quem prestou o exame.