Part II: The Bioinformatics Workstation
Chapter 3. Setting Up Your Workstation
3.3 How to Get Software Working
Conhecemos um pouco a classificação das mídias e a forma como os meios de comunicação funcionam para persuadir os indivíduos. Sendo assim, neste ponto do trabalho, é necessário explicar o significado da palavra ‘jovem’ e, também, construir um entendimento de como o jovem se comporta na atualidade. Dessa maneira, será possível analisar como a televisão atua na vida desses jovens.
Portanto, começamos pelas análises de Sandström sobre a denominação de juventude. Para ele (1975, p.232):
[...] as modificações na sociedade, durante o século atual, fizeram com que a puberdade passasse a ocorrer mais cedo. Mas, ao passo que a maturidade física tem chegado em idades cada vez mais precoces, a idade em que a maturidade social é atingida se tornou constantemente mais elevada.
Podemos notar que não é possível ver nos jovens a construção psicológica e física de uma forma desconectada. Para Morin (1997, p.153), a adolescência “é de fato, a idade de
busca individual da iniciação, a passagem atormentada e de uma infância que ainda não acabou e uma maturidade que ainda não foi assumida”.
A adolescência é o período de transição entre a fase infantil e a fase adulta de cada pessoa. Além dessa transformação, temos que perceber o indivíduo como um ser humano que tem anseios e medos, direitos e deveres. Nesse sentido, para Geertz:
[...] tornar-se humano é tornar-se individual, e nós nos tornamos individuais sob a direção dos padrões culturais, sistemas de significação criados historicamente em termos dos quais damos forma, ordem, objeto e direção às nossas vidas.[...] Assim como a cultura nos modelou como espécie única - e sem dúvida ainda nos está modelando - assim também ela nos modela como indivíduos separados. É isso o que temos realmente em comum – nem um ser subcultural imutável, nem um consenso de cruzamento cultural estabelecido (GEERTZ, apud MARQUES, 1989, p.64).
Assim, notamos que cada indivíduo busca, ao longo de sua vida, a individualidade, a partir do seu conhecimento de mundo. E constrói o seu ponto de vista a partir da formulação de seu próprio conceito construído durante sua vida. Esse conceito é formado por sentidos que nos fazem compreender o significado do mundo. Para Marques (2004), no artigo As
interações entre os media e a cultura: a produção do fundo arcaico e as variações de sentido10, “o sentido tem como condição primeira constituir os próprios sistemas de
significações e de valores sociais, culturais e políticos de uma dada sociedade”.
Esse sentido que o indivíduo busca, possui uma pré-definição. Marques chama esse conhecimento pré-estabelecido de ‘Fundo Arcaico’, que é um conhecimento primário, mas que é possível aprimorá- lo. Isso significa que todo indivíduo possui uma bagagem cultural já pré-estabelecida. Com a aquisição de novos conhecimentos, é possível ‘refuncionalizar’ essa bagagem cultural, é possível melhorá- la. Nas palavras de Baccega (2003, p.95), “é no
10
Artigo citado do Livro, “Comunicação e sociedade. Cultura, informação e espaço público”, de Lavina Madeira Ribeiro, 2004.
processo de educação, sobretudo por meio da palavra, que ‘recebemos’ as análises da realidade feitas pelas gerações anteriores, os comportamentos, os estereótipos, os modos de ver e de pensar.
Contudo, temos conhecimento de que cada indivíduo interpreta o mundo de maneiras distintas, de acordo com as significações que colheu em suas experiências vividas. Para Baccega (2003, p.98):
[...] no mundo de discursos sociais dos vários campos com os quais interagimos, nós nos tornamos sujeito(s) de cada um deles. Por isso dizemos que cada “eu” é sempre um conjunto de “eus” de que nos apropriamos e que transformamos em nossos discursos, dando-lhes a condição de maior ou menos originalidade.
Através das interações entre os indivíduos, a socialização com diversos grupos e as trocas de informação que mantém é que os jovens percebem a proximidade ou distância de formas de pensamento e cultura. É buscando através das interações sociais o que mais se assemelha na forma de pensar que os jovens descobrem a que ‘clã’ pertencem. O indivíduo procura pessoas com características parecidas com as suas. Assim, Johnson (2000, p.13), explica que “os processos culturais estão intimamente vinculados com as relações sociais,
especialmente com as relações e as formações de classes, com as divisões sexuais, com a estruturação racial das relações sociais e com as opressões de idade”.
Sabendo dos anseios dos indivíduos, especialmente dos jovens, é apropriado saber de que forma a televisão exerce influência sobre a vida deles. A televisão é um grande apanhado de fatos e estilos de vida que tentam representar a realidade, mas isso de uma forma fragmentada pela edição, posicionamentos de câmeras e recortes. Essa tentativa que a televisão faz de representar o ‘real’ pode conotar, para as pessoas, no vos estilos de vida e novos conceitos.
Absorvendo esse apanhado multicultural televisivo, o jovem reorganiza seus conceitos pré-estabelecidos e os aprimora. Essa resignificação de interesses os torna, de certa forma, locutores, pois eles se apropriam de no vas idéias e refuncionalizam as antigas, tornando-se assim disseminadores de novas idéias e conceitos. Segundo Johnson (2000, p.34), “esses
reservatórios de discurso e significados constituem, por sua vez, material bruto para uma nova produção cultural. Eles estão, na verdade, entre as condições especificamente culturais de produção”.
Dessa forma, vemos que a televisão é um grande meio de informação e de propagação
nos deparamos com o pensamento de Baccega (2003, p.95), ao dizer que “a televisão, com
meio século de presença entre nós, compartilha com a escola e a família o processo educacional, tendo-se tornado um importante agente de formação”.
Nesse conjunto, verificamos a relevância da TV no processo de comunicação e interferência no convívio, cultura e ideologia do indivíduo. A supremacia da telinha sobre os outros veículos de comunicação, nas palavras de Dominique Wolton (1996, p.25) acontece pelo fato de que:
[...] ela até mesmo leva vantagem em relação aos demais agentes: sua linguagem é mais ágil e está muito mais integrada ao cotidiano: o tempo de exposição das pessoas à televisão costuma ser maior do que o destinado à escola ou à convivência com os pais.
Além da ágil linguagem e das informações que mexem com o imaginário das pessoas, Morin (1999), afirma que os jovens se envolvem com a televisão por estarem buscando formar sua personalidade. Por esse meio de comunicação eles tentam suprir a necessidade de informação e de novos conhecimentos, pois é de fácil acesso a qualquer pessoa e o conteúdo abrange de tudo um pouco. Explicando esse acontecimento, Fischer (1999) acredita que:
Aprendemos com ela desde a forma de olhar e tratar nosso próprio corpo, até modos de estabelecer e de compreender diferenças: diferenças de gênero (isto é, na TV aprendemos todos os dias como “são” ou “devem ser” homens e mulheres), diferenças políticas (...).
Percebemos que a TV, além de ser um espaço para entreter os indivíduos, resgata também, um espaço para a aprendizagem e conhecimento. A busca pela informação, a transformação da sociedade através das práticas televisivas e o crescimento da renda familiar que possibilitou a aquisição de vários aparelhos televisores por residência provocaram uma transformação no modo de pensamento da família. Sabemos que, cada vez mais, os jovens vêm ganhando espaço frente às decisões familiares e se lançando antecipadamente nas relações sociais. Essa ‘emancipação’ dos jovens vem trazendo mudanças históricas no modo de conviver das famílias. Atualmente, os jovens formulam suas opiniões e as expressam verbalmente e através de ações. Para Siqueira (2004):
[...] é sabido que nas últimas décadas a família passou por transformações históricas profundas. Nesta nova família, as crianças e adolescentes assumem lugar de destaque. Não precisam mais ficar isoladas nos fundos da casa, sem direitos a palpites na vida familiar. Suas opiniões além de ouvidas, não raro, são acatadas pelos pais.
Essa ‘independência ’ pode ter tido início graças à televisão. A difusão midiática da cultura juvenil adolescente começou por volta de 1955, com a criação de filmes sobre ‘jovens heróis’, que buscavam sua autenticidade impondo suas vontades sobre as dos adultos. Atores como Marlon Brando e James Dean estavam no topo da programação juvenil da época. E, a partir de então, cresce cada vez mais, esse tipo de programação voltada à cultura jovem. Morin (1997, p.139), diz que “a nova cultura adolescente – juvenil tem, assim dois pólos e a
partir desta bipolaridade se efetiva uma espécie de eletrólise em que se cria algo de misto, que se difunde no conjunto do mercado juvenil”.
Com essa delicada autonomia conseguida pelos jovens frente a suas famílias foi possível consolidar novos mercados para esse público.