Part II: The Bioinformatics Workstation
SEQRES 1 357 GLU VAL LEU ILE THR GLY LEU ARG THR ARG ALA VAL ASN 2MNR 106 SEQRES 2 357 VAL PRO LEU ALA TYR PRO VAL HIS THR ALA VAL GLY THR 2MNR 107
5.9 Playing Nicely with Others in a Shared Environment
5.9.1 Processes and Process Management
A partir da identificação dos quatro arranjos econômicos aqui propostos, o próximo passo é debater como a questão da sustentabilidade financeira se relaciona com os valores profissionais e éticos. Tal relação é exatamente o que propõe a teoria da governança: uma oportunidade de pensar como aliar ética e viabilidade financeira dentro de uma organização. A partir dos projetos jornalísticos financiados através de crowdfunding no Catarse, identificam-se práticas de governança adotadas pelas organizações. Por exemplo, a Agência Pública que, em seu primeiro projeto lançado no Catarse, ofereceu aos doadores a possibilidade de escolher entre três propostas de pauta sugeridas pelos jornalistas da
organização. Assim, a organização utiliza o financiamento coletivo para aplicar uma prática de governança que busca aumentar atributos como a participação e a representatividade do público. O estabelecimento de tal network atua tanto em um nível financeiro, ao receber a doação do público, quanto em um nível simbólico, ao potencializar a participação do público.
Para isso, o próximo capítulo identifica os argumentos apresentados pelas organizações jornalísticas no momento da venda do seu produto na plataforma Catarse. Com isso, mostra-se a relação entre valores éticos e profissionais do jornalismo e como eles são utilizados para a geração de sustentabilidade financeira. Assim, a pesquisa busca entender como as organizações jornalísticas que utilizam o Catarse aplicam networks e como os operadores do jornalismo pensam sustentabilidade e governança. Ou seja, a proposta do trabalho não é identificar como uma organização em específico aplica o crowdfunding para gerar sustentabilidade, mas reunir e sistematizar as várias estratégias utilizadas por diversas organizações para o estabelecimento de conexões que possam impactar no nível financeiro e simbólico das mesmas.
3 VALORES JORNALÍSTICOS E TENSÃO ENTRE COMERCIAL E EDITORIAL
“Em 1915, o jornal de Ochs já era rico e poderoso o suficiente para selecionar e rejeitar anunciantes e eliminar certos anúncios quando era necessário mais espaço para notícias importantes de última hora. Essas prerrogativas, que naturalmente acabaram por gerar orgulho e pretensão no Departamento de Jornalismo, eram um ponto alto na carreira de Adolph Ochs, permitindo-lhe satisfazer uma dualidade de impulsos – podia, sob o mesmo teto, dirigir tanto um negócio florescente como uma teocracia, mas ele sabia que não poderia confundi-los: deveriam funcionar separadamente, em andares diferentes; os cambistas deveriam ficar de fora de seu templo”
Gay Talese.
A tensão entre o setor comercial e o profissional/deontológico aparece na literatura sobre jornalismo como uma marca historicamente construída. A divergência de interesses entre empresa, que visa lucro e atende interesses privados, e jornalista, que possui como guia a noção de interesse público, move parte do debate. A aparente falta de compatibilidade entre os dois incentiva discussões sobre como se relacionam comercial e ético/profissional no jornalismo. Como alerta Meyer (1989), o padrão histórico em organizações jornalísticas é marcado por abusos de poder por parte do escritório comercial a favor dos anunciantes. Fator que levou à aversão comercial dentro das redações.
O tema guia a construção do capítulo 3 que possui como objetivo recuperar o debate sobre a pressão entre comercial e ético como característica histórica da profissão. Ainda, o capítulo discute a construção de valor financeiro e simbólico e o surgimento dos valores profissionais no jornalismo. Por fim, o debate sobre governança editorial e governança financeira, a partir de Mick e Tavares (2017), é recuperado para relacionar e entender o comportamento do jornalista que precisa vender seu produto no caso das produções financiadas coletivamente no Brasil.
Para isso, a construção do capítulo é dividida em três partes. A primeira recupera uma característica presente na literatura jornalística que possui, pelo menos, três denominações distintas. São elas: modelo igreja/estado, muralha da China e muro entre redação e setor comercial. Os três nomes se referem à mesma característica, que trata da divisão física e simbólica entre redação e setor comercial dos jornais. A divisão surge como maneira de isolar a redação dos problemas comerciais dos jornais e, assim, evitar interferências sobre o trabalho jornalístico. O tema é proposto para pensar qual a configuração de tal "muralha" na atualidade e, ainda, como o financiamento coletivo aplicado ao jornalismo contrapõe tal tradição ao colocar o profissional atuando na produção e na venda.
A segunda parte do capítulo é voltada para o debate de valor e valores profissionais. Entende-se que os valores clássicos da profissão são construídos ao longo do tempo. Assim, identifica-se, a partir dos projetos jornalísticos financiados com êxito na plataforma Catarse, argumentos apresentados pelos profissionais que utilizam o financiamento coletivo no Brasil.
Afinal, ao recorrer a valores da profissão como argumentos de mercado que visam convencer a audiência a pagar por seu produto, como é construído o valor dentro das organizações jornalísticas? Ou seja, analisa-se como o crowdfunding nos dá elementos para identificar valores profissionais e éticos sendo utilizados para a construção de valor monetário e simbólico.
Por fim, a última divisão apresenta a contraposição dos argumentos utilizados por jornalistas no Catarse e como podem ser divididos entre a governança editorial e a governança financeira. O levantamento empírico, realizado a partir dos vídeos disponibilizados na plataforma avaliada, reúne e categoriza argumentos. Assim, pode-se notar quais fatores, sejam clássicos ou contemporâneos, são vistos como valorosos por parte dos jornalistas que realizam as campanhas nas plataformas de financiamento coletivo.
Autores como Meyer (1989; 2007), Benson (2016), Anderson (2009), Deuze e Witschge (2016) e Kovach e Rosentiel (2003) foram mobilizados para o debate sobre a divisão entre redação e setor comercial. Sobre o surgimento dos valores jornalísticos e da categoria de repórteres, a pesquisa parte de obras de Chalaby (1998) e Schudson (2010), enquanto Picard (2010; 2011) é mobilizado para discutir a criação de valor em organizações jornalísticas. Para a última divisão do capítulo, são utilizadas as definições de governança editorial e governança financeira de Mick e Tavares (2017), a pesquisa de Mallmann (2013) sobre capital social e crowdfunding, e a análise de discurso realizada por Manente (2016) sobre proponentes de projetos sociais de financiamento coletivo.