• Aucun résultat trouvé

Genefinders and Feature Detection in DNA

Dans le document URLs Referenced in This Book (Page 194-197)

Part III: Tools for Bioinformatics

Chapter 7. Sequence Analysis, Pairwise Alignment, and Database Searching

7.5 Genefinders and Feature Detection in DNA

O propósito deste tópico é detalhar como cada organização jornalística utilizou o financiamento coletivo para viabilizar suas produções, assim como entender o potencial econômico do crowdfunding para produtos jornalísticos. Além disso, explica-se a importância assumida pela verba arrecadada no Catarse para o desenvolvimento do trabalho das organizações. Ou seja, além de avaliar a utilização do financiamento coletivo, também é analisado como as organizações jornalísticas alcançam a viabilidade econômica através das mais diversas formas de financiamento. Desde já vale apontar que nenhum veículo brasileiro é mantido exclusivamente por crowdfunding e que o voluntariado e o funcionamento de organizações sem fins lucrativos são algumas das marcas dos veículos aqui analisados.

Para iniciar, a Agência Pública possui como maior fonte de financiamento as fundações. A Fundação Ford é a principal apoiadora da organização, enquanto a Oak Foundation, a Aliança pelo Clima e Uso da Terra e o Instituto Betty e Jacob Lafer atuam como financiadoras de projetos em específico, como a manutenção da Casa Pública ou da seção Amazônia em Disputa. Assim, a manutenção do site é realizada com base na venda de projetos para fundações. “Então a gente chega, propõe pra eles (fundações) um projeto que é financiado, ou não” (DIAS, 2017). Ela afirma que o dinheiro para o funcionamento do site é advindo das fundações e do financiamento coletivo. Dias (2017) não soube informar a

proporção de cada forma de financiamento na receita total da Pública, mas a seção “Transparência” no site da organização mostra que o crowdfunding representou 3% da receita total em 2017. A Pública também dispõe de um setor de doações em seu site, mas, segundo Dias (2017), a verba advinda deste artifício é insignificante. A receita da organização é complementada por financiamento institucional (67%), financiamento por projeto (21%) e patrocínios (9%) (PÚBLICA, 2018).

O crowdfunding foi utilizado por três vezes (2013, 2015 e 2017) pela Agência Pública. Nas três edições a verba arrecadada pela organização foi dividida em bolsas de reportagens. Em 2013, o projeto foi realizado com a distribuição do dinheiro entre repórteres freelancers. À época, a Pública contava com uma estrutura mais enxuta, assim teve de recorrer a jornalistas externos à organização que encaminharam pautas para a ONG. Em 2015 e 2017, a Pública distribuiu a verba para a produção de pautas entre os repórteres da organização. Dias (2017) aponta uma mudança “fundamental” entre a primeira e as duas últimas campanhas de financiamento coletivo. “Não vamos dar bolsas, mas vamos fazer bolsas com os repórteres da casa” (DIAS, 2017).

Por sua vez, o Diário do Centro do Mundo se mantém financeiramente através de publicidade programática (baseada em acesso), anúncios e crowdfunding. “Nossa maior receita vem de publicidade programática, que são os anúncios do Google. Temos audiência bastante para ter uma receita razoável de programática, que são os anúncios […]. O que é legal da programática? É mercado na veia. É capitalismo na veia” (NOGUEIRA, 2017). A mídia programática é uma forma de automatizar, através de plataformas e máquinas, o processo de compra e venda de mídia.

A automação é a palavra-chave quando se trata de mídia programática pois torna o processo mais rápido, automático e inteligente, já que se baseia no comportamento do consumidor possibilitando, assim, que as campanhas cheguem ao público certo, no momento certo e com a abordagem certa (NAVEGG, 201?, p. 4).

De acordo com Nogueira (2017), o crowdfunding se tornou uma importante ferramenta para viabilizar o jornalismo de fôlego e grandes reportagens. Os anúncios são utilizados com menor frequência pelo DCM e existe uma variação entre meses onde a programática é responsável por 100% da receita e outros onde ela garante 60% e os anúncios 40%. A programática garante o “pão de cada dia” da organização, de acordo com Nogueira (2017). A baixa inserção de anúncios, segundo Nogueira (2017), é reflexo das agências de publicidade que são atrasadas. “Elas são ideológicas, então traçam uma linha de corte supostamente boa pro consumidor final. O que quer dizer? O DCM é de esquerda, então não entra em campanha” (NOGUEIRA, 2017).

Quanto ao financiamento coletivo, a organização é a primeira a criar uma ferramenta de crowdfunding exclusiva. Após viabilizar dez produções jornalísticas através do Catarse, o

DCM optou por criar a ferramenta interna de financiamento coletivo que possibilita duas novas possibilidades para a organização: a primeira é que, mesmo quando um projeto não atinge 100% da meta, a organização realiza a pauta de acordo com a quantidade arrecadada. A segunda é a possibilidade de oferecer um espaço onde outras organizações possam lançar campanhas de crowdfunding. “A nossa ferramenta é subutilizada [...]. É questão de mostrar que o DCM está fazendo e podemos cobrar uma porcentagem menor que a do Catarse” (NOGUEIRA, 2017). Por outro lado, a ferramenta representou uma queda na taxa de êxito da arrecadação financeira da organização – com o novo sistema, apenas dois de seis projetos jornalísticos propostos atingiram 100% ou mais da meta traçada.

Enquanto isso, o Catarinas ainda busca formas de se estabelecer economicamente. Atualmente, o site não gera lucro, assim o trabalho das profissionais é voluntário. O financiamento coletivo funcionou como ponta pé inicial e garantiu a criação do site e a produção dos primeiros conteúdos para a organização. Após isso, as assinaturas mantiveram economicamente o site, porém a verba obtida não garante o suficiente para pagar o trabalho das jornalistas envolvidas. “Enquanto não tem grana, não tem divisão de lucro‖ (PEIXOTO, 2017). Como uma perspectiva de futuro, o Catarinas criou uma associação para pensar novas formas de financiamento. O plano da organização é se candidatar a editais para viabilizar o jornalismo com perspectiva de gênero. Além disso, o veículo criou produtos, como camisetas e bótons, para serem vendidos em uma lojinha dentro do site. Peixoto (2017) aponta que o site aborda um nicho, porém isso não “[…] reverbera em manutenção financeira do projeto”.

O Afreaka, ao longo de seis anos de existência, apresentou a maior variedade de fontes de financiamento dentre as organizações aqui mencionadas. Crowdfunding, editais, exposições, realização de palestras e festivais, e ministrar cursos de jornalismo foram algumas das formas utilizadas pelo casal Flora Pereira e Natan de Aquino para o levantamento de verba. O primeiro financiamento coletivo viabilizou a primeira viagem do casal até a África e a criação do site. Após o retorno ao Brasil, eles foram convidados para os primeiros eventos e realizaram mais de 12 exposições, mais de 100 palestras e dois festivais. O segundo crowdfunding, realizado em 2013, pagou outra viagem do casal até a África. Com o conhecimento produzido a partir das duas viagens, a equipe passou a fazer conexões com áreas da educação e da cultura para viabilizar investimentos. A partir do final de 2014, começaram a se inscrever em editais. “Pesquisamos como funciona e nos inscrevemos em 41 editais e ganhamos um. A esperança já estava acabando, mas ganhamos um. Foi em janeiro de 2015. Daí até 2017 ganhamos vários editais. Pegamos o jeito e entendemos qual era a área” (PEREIRA, 2017).

O jornalista André Gravatá contou com o financiamento coletivo, trabalho voluntário e um apoio financeiro para viabilizar o livro Volta ao Mundo em 12 escolas. O projeto do livro teve uma redução no custo total ao contar com diagramação, projeto gráfico, capa,

ilustrações e tratamento de fotos realizada por voluntários. A ausência de uma institucionalidade, visto que o livro foi produzido por um grupo de amigos, acabou sendo compensada pelo voluntariado, de acordo com Gravatá. “Então fizemos o processo acontecer por um custo que foi muito mais baixo do que seria caso não houvesse o voluntariado” (GRAVATÁ, 2017). Ainda, o apoio financeiro da Fundação Telefônica pagou a revisão do livro e a impressão.

A outra publicação de livro aqui pesquisada contou com financiamento coletivo, economias próprias e patrocínio. De acordo com Alexandre Costa Nascimento, quando decidiu realizar a viagem para o Tour d'Afrique, ele tinha apenas um terço da verba necessária. “Eu consegui mais um terço do orçamento com patrocínio, em dinheiro ou permuta. Então a bicicleta, os equipamentos, algumas coisas assim eu consegui através de parcerias […]. E, no fim, faltou um terço. Esse um terço eu fiz o projeto no Catarse”

(NASCIMENTO, 2017). Entre as verbas de patrocínio, Alexandre também conseguiu uma editora interessada em viabilizar a parte gráfica e a impressão do livro. Com dois terços da verba para a viagem já garantida, Nascimento optou por utilizar o financiamento coletivo para atingir seus objetivos. “Já que não consegui uma bolada com uma empresa, vamos de migalha em migalha, de pouquinho em pouquinho pra conseguir o bolo todo” (NASCIMENTO, 2017).

Para fins de análise, os casos estudados podem ser entendidos em três principais divisões em relação a manutenção dos projetos. Primeiramente, os projetos, composto por Ir e Vir de Bike e Volta ao Mundo em 12 Escolas, onde as verbas arrecadas foram suficientes para viabilizar os dois livros, porém não geraram lucro para os proponentes. O segundo caso são das organizações viáveis, no caso da Agência Pública e Diário do Centro do Mundo, que possuem estabilidade financeira para a manutenção de seus trabalhos. Por fim, o terceiro grupo é composto por Afreaka e Catarinas que, atualmente, não possuem viabilidade financeira.

Dans le document URLs Referenced in This Book (Page 194-197)