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Merging Datafiles with join

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Part II: The Bioinformatics Workstation

Chapter 4. Files and Directories in Unix

5.4 Transformations and Filters

5.4.6 Merging Datafiles with join

Catarse é considerado o maior site de financiamento coletivo do Brasil e começou a funcionar em janeiro de 2011. 13% de todo o dinheiro é arrecadado para o site, enquanto os outros 87% da contribuição são destinados à produção. Durante o início do funcionamento da

plataforma até se tornar conhecida pelos internautas, as histórias em quadrinhos foram as produções com a maior movimentação de dinheiro dentro do site. Na ausência de grandes editoras brasileiras que publiquem livros do gênero em larga escala, os autores e fãs conseguiram se mobilizar através das redes para viabilizar as produções.

Criado em janeiro de 2010 em São Paulo pelos estudantes de administração de empresas Diego Reeberg e Luís Ribeiro, o Catarse hoje é mantido pelas empresas

Engage e Grupo Comum. O funcionamento do site é simples. Qualquer pessoa, através

de um perfil gratuito, pode postar um projeto no site (CATARSE, 2011). As ideias passam por uma curadoria da própria equipe do Catarse, que descarta submissões que não se enquadrem nas linhas guia do site (estas linhas são objetivas, e se referem mais à formatação do projeto do que ao seu conteúdo). Após, deve-se dizer quanto dinheiro é necessário para que o projeto seja realizado, e um prazo para arrecadar o montante. Então, ele aparece para o público, que faz doações de qualquer valor, começando em R$ 10. Se até o fechamento do prazo o valor estipulado tiver sido atingido (ou ultrapassado), o dono do projeto recebe todo o dinheiro. Se não, todos os colaboradores recebem o dinheiro de volta (FONTOURA, 2012, p. 8).

Em 2016, segundo a retrospectiva disponibilizada pelo Catarse em seu site, R$ 16,2 milhões foram arrecadados – o número é 41% maior do que o obtido no ano anterior. Durante todo o ano, 5.631 projetos foram publicados e 529 propostas ultrapassaram as metas definidas. Quanto ao número de apoiadores, 134.287 pessoas contribuíram com projetos no Catarse em 2016, sendo que 105.150 apoiaram pela primeira vez. Outras 21.655 contribuíram para mais de um projeto durante o ano e 457 pessoas apoiaram mais de dez projetos (RETROSPECTIVA CATARSE, 2016). 2016 também marca o início da categoria 'Flex' de financiamento dentro do Catarse. A nova categoria permite que a verba arrecadada seja destinada ao projeto mesmo sem atingir a meta traçada. Em um financiamento comum, a verba é devolvida caso o proponente não atinja 100% do proposto.

Quanto ao perfil do público que apoia projetos no Catarse, existe uma predominância de apoiadores na região Sudeste, com 63% do total. O Sul representou 20% dos apoiadores. Enquanto Nordeste, Norte e Centro-Oeste somados alcançaram 17% dos contribuintes. 59% dos apoiadores foram homens, enquanto a faixa de idade entre 25 e 30 anos foi a que mais contribuiu, com 31%, seguido das pessoas com idade entre 31 e 40 anos, com 25%. Em relação à escolaridade, 39% de todos apoiadores do Catarse possuem Ensino Superior completo. 35% são pós-graduados e 20% com superior incompleto (RETROSPECTIVA CATARSE, 2016).

Em relação à renda mensal, 74% das pessoas que fazem o financiamento coletivo acontecer no Catarse ganham até R$ 6 mil por mês. A faixa mais representativa é de 29% com os contribuintes que recebem entre R$ 3 mil e R$ 6 mil. Funcionários de empresa privada (26%), servidores públicos (18%) e empreendedores/donos de empresa (14%) foram os maiores contribuintes para o financiamento coletivo no Brasil. As áreas profissionais mais

representativas, como contribuidores, são comunicação e jornalismo, administração e negócios e web e tecnologia. As três áreas somaram 30% dos contribuintes.

De acordo com o Retrato do Financiamento Coletivo no Brasil 2013/2014, 52% das pessoas têm interesse em apoiar projetos artísticos e culturais de forma independente. 41% buscam apoiar projetos com viés social e/ou ambiental que fortaleçam comunidades de forma responsável e 21% apoiam ideias com viés empreendedor, que viabilizem novas empresas, produtos e iniciativas. Em uma escala de importância de 1 a 100, a identificação com a causa foi tido como fator mais importante na hora de apoiar um projeto atingindo 88 pontos. Confiar no potencial do realizador, com 71 pontos, e a qualidade da apresentação do projeto, com 70, foram os dois seguintes fatores de maior relevância (RETRATO DO FINANCIAMENTO COLETIVO NO BRASIL, 2014).

A maior arrecadação da história do Catarse juntou R$ 604.114 e contou com a colaboração de mais 1.584 pessoas. Outro projeto viabilizado com sucesso pelo Catarse e com grande repercussão é 'O menino e o Mundo'. O filme, indicado para o Oscar de Melhor Animação em 2016, reuniu R$ 164.133, através de 1.756 apoiadores, para realizar a campanha de divulgação do desenho e viabilizar a viagem da equipe para a cerimônia.

Em relação ao jornalismo, 23437 propostas de produções jornalísticas foram criadas desde o início do Catarse. 75 projetos jornalísticos, ou 32% do total, obtiveram êxito na arrecadação da verba para a produção38. O Cidades para Pessoas foi o primeiro projeto na categoria “Jornalismo” a ser financiado no dia 21 de março de 2011. Desde o início do funcionamento do Catarse, a taxa de êxito dos projetos jornalísticos apresenta uma queda representativa, como mostra o gráfico abaixo.

37 O número total de projetos no Catarse é 246. 12 projetos não estão com as informações de data cadastrados e

não são considerados para fins de pesquisa, afinal um dos propósitos desta análise quantitativa é perceber a variação de apoiadores e projetos ao longo dos anos. Vale apontar que nenhum dos 12 projetos foi financiado com êxito.

38 Apenas os casos que atingiram 100% ou mais da meta foram considerados entre os projetos jornalísticos

viabilizados com sucesso. Os casos de financiamento 'flex', onde não é necessário atingir a meta traçada, não foram considerados.

Gráfico 1 – Taxa de êxito dos projetos no Catarse

Fonte: Catarse

Junto ao lançamento do financiamento 'Flex', em 2016, o Catarse registra a menor taxa de êxito para apoiar projetos jornalísticos. A pesquisa se desenvolve considerando os 75 projetos viabilizados com êxito entre 2011 e outubro de 2017. Nos últimos anos, o Catarse registrou um aumento no número de projetos e uma queda na taxa de êxitos dos mesmos.

Gráfico 2 – Número de projetos jornalísticos no Catarse

Por outro lado, os anos de 2013 e 2015 representaram, respectivamente, a segunda e primeira maior arrecadação para a categoria Jornalismo. Como demonstrado no gráfico abaixo, R$ 397.641 foram arrecadados para projetos jornalísticos no ano de 2015.

Gráfico 3 – Quantidade de dinheiro arrecadada por ano em projetos jornalísticos

Fonte: Catarse

Assim como a quantidade de dinheiro arrecadada, 2015 foi o ano que contou com o maior número de apoiadores a projetos jornalísticos. 4.528 pessoas pagaram para contribuir com a viabilização de conteúdo jornalístico.

Gráfico 4 - Número de apoiadores a projetos jornalísticos no Catarse

Fonte: Catarse

A partir disso, o próximo capítulo identifica como as organizações de mídia utilizam o crowdfunding para compor sua receita. De acordo com os arranjos econômicos identificados na introdução, os projetos foram divididos nas categorias Bolsa de Reportagem, Projeto de Veículo Alternativo, Projeto Independente, Manutenção de Veículo de Mídia, Criação de Veículo de Mídia e Projeto de Veículo Hegemônico. A divisão dos projetos entre categorias está disponível no Apêndice B.

Entre os 75 produtos jornalísticos viabilizados no Catarse, seis são selecionados para o aprofundamento da discussão sobre valores profissionais, ética e arranjos econômicos. São eles: Agência Pública (Bolsa de Reportagem), Diário do Centro do Mundo (Projeto de veículo alternativo), Afreaka (Manutenção de veículo de mídia/ Criação de veículo de mídia), Catarinas (Criação de Veículo de Mídia), Ir e Vir de Bike – Tour d'Afrique (Projeto de Veículo Hegemônico) e Volta ao Mundo em 12 escolas (Projeto Independente).

2 ARRANJOS ECONÔMICOS E PRÁTICAS DE GOVERNANÇA NO FINANCIAMENTO COLETIVO BRASILEIRO

“Vi muita matéria sair da página quando tava pronta pra rodar ou para ir ao ar, vi matéria ser reescrita totalmente para se ajustar ao gosto dos amigos do Rei, vi cabeças pedidas, perdi a minha tantas vezes que virou folclore, vi a tal da “reco” , aquela matéria que vem por ordem de cima atender a coisas e pessoas inacreditáveis, vi o mais sem pudor dos colegas ter pudor, até ele, em assinar uma reco dessas, vi tanta coisa…”.

Lúcio de Castro

O segundo capítulo apresenta os arranjos econômicos utilizados por organizações jornalísticas identificadas na plataforma de financiamento coletivo Catarse. O propósito é perceber de que forma o crowdfunding é utilizado como recurso de arrecadação financeira para organizações jornalísticas no Brasil, assim como analisar as oportunidades de participação oferecidas ao público que contribui através do financiamento coletivo. Segundo o relatório Crowdfunding Industry Statistics 2015-2016, estima-se que a indústria de financiamento coletivo arrecadou, em todo o mundo, 34 bilhões de dólares no ano de 2015. A partir da potencialidade demonstrada por tal ferramenta e do crescimento na utilização do financiamento coletivo, a pesquisa explora as configurações dessa forma de arrecadação financeira aplicada ao jornalismo no Brasil.

Nenhuma organização ou instituto mensura a arrecadação financeira do crowdfunding em nosso país (MONTEIRO, 2014; AGUIAR, 2016). Com isso, os dados que se aproximam da realidade ou são regionais, ou partem das próprias plataformas. O Crowdfunding Industry Statistics 2015-2016 estima que foram arrecadados 85,74 milhões de dólares através de financiamento coletivo na América do Sul. Já o Catarse, considerada a maior plataforma de crowdfunding do Brasil, divulgou em 2016 que R$ 16,2 milhões foram arrecadados. A verba partiu de 134.827 pessoas e foi distribuída entre 5361 projetos publicados.

Desde o início do funcionamento do Catarse, em 2011, 75 projetos jornalísticos foram viabilizados com êxito39. A partir da análise das propostas, a pesquisa identificou quatro possibilidades de aplicar o crowdfunding como arranjo econômico para a produção de conteúdo jornalístico. Elas foram denominadas como: Bolsa de reportagem, Manutenção de Veículo de Mídia, Criação de Veículo de Mídia e Projeto. Os projetos jornalísticos criados no Catarse podem ser subdivididos em: Projeto de Veículo Alternativo, Projeto Independente e

39 A pesquisa considera todos projetos viabilizados na categoria tudo ou nada até o dia 27 de outubro de 2017.

A data foi definida por coincidir com o encerramento do projeto Reportagem Pública 2017, da Agência Pública.

Projeto de Veículo Hegemônico. Mostrou-se necessário a busca de elementos e conceitos na administração (PARADELA et al, 2009) e na ciência política (BEVIR, 2007, 2010, 2013) para que se pudesse avançar na construção do capítulo.

A primeira parte deste capítulo explica o conceito de governança aplicado ao jornalismo. Autores como Bevir (2013) e Moretti (2017) foram mobilizados para conceituar e identificar o surgimento de práticas de governança. A partir da identificação de mudanças nas relações comerciais, sociais e políticas, a pesquisa mobiliza debates sobre alterações nas indústrias e mercados da atualidade e busca aproximá-los do jornalismo. Ao levar em conta que o conceito de governança parte da identificação de mudanças nos estados e mercados modernos, o tópico pontua quais são as alterações pelas quais passa o mercado jornalístico. Os conceitos de Jornalismo Pós-Industrial (ANDERSON; BELL; SHIRKY, 2013), Hiperconcorrência (CHARRON; DE BONVILLE, 2016) e Superdistribuição (ANDERSON; BELL; SHIRKY, 2013; COSTA, 2014) são mobilizados para discutir as mudanças no meio.

A segunda parte deste capítulo descreve e exemplifica como funcionam os quatro tipos de arranjos econômicos identificados no Catarse e mostra com que frequência eles são utilizados, quanto arrecadam e quantas pessoas envolvem. O tópico também explica a utilização do termo arranjo econômico para descrever a aplicação do crowdfunding a projetos jornalísticos no Brasil.

Ao identificar alterações no funcionamento do mercado jornalístico no Brasil e no mundo, o financiamento coletivo é compreendido como elemento responsável por relacionar a governança e o jornalismo. Com isso, são analisados casos de crowdfunding e de que forma os proponentes de projetos jornalísticos disponibilizados no Catarse se relacionam com público, internautas e sociedade. Assim, este capítulo não possui como ambição a discussão de um modelo ideal para o jornalismo. Parte, sim, do reconhecimento da fragilidade do mercado jornalístico na atualidade e do modelo de gestão tradicional (ANDERSON; BELL; SHIRKY, 2013; RAMONET, 2012). Diante disso, o financiamento coletivo atua como mais uma alternativa para viabilizar conteúdo jornalístico. Analisa-se como o crowdfunding representa um elemento a ser utilizado na composição da receita financeira de organizações jornalísticas que, em um momento de incerteza, mudanças e quedas na arrecadação, buscam novas formas de viabilizar suas produções e relacionar-se com o público.

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