Part II: The Bioinformatics Workstation
Chapter 4. Files and Directories in Unix
4.3 Working in a Multiuser Environment
4.3.6 Locating Files in System Directories
Muitas dúvidas surgiram e descobertas foram feitas até que se chegasse a um ponto comum. Até que fosse possível atracar em um porto seguro. Estudar a mídia, em geral, é rever todos os passos dados até hoje, desde a imprensa criada por Gutenberg, até o meio dinâmico que é a Internet. A caminhada foi intrigante, cheia de reviravoltas e muito gratificante. Acredito não ser possível dizer que os meios de comunicação movem o mundo, mas acredito que eles dão uma boa contribuição para que isso aconteça. Como sabemos, a mídia é tida como o quarto poder, mas para muitos autores ela está na primeira posição, é o primeiro poder. De certa forma, isso faz sentido se pensarmos que tudo o que acontece entre o poder legislativo, executivo e judiciário é tratado pelos meios de comunicação. A mídia tem a vantagem de ter, de um lado, a sociedade, da qual fazemos parte e, de outro, as esferas políticas, econômicas, dentre outras.
Acredito que os meios de comunicação funcionam como pontes que unem fatos relevantes à comunidade e os anseios da sociedade aos governantes. Essa ligação pode ser vista através do modelo emissor, mensagem, canal, receptor.
Além do mais, a velocidade das informações e a quantidade de mídias espalhadas pelo país e pelo mundo vêm crescendo a cada dia. A globalização é um fator presente na vida das pessoas, e não dá mais para voltar atrás. O tempo do ‘homem das cavernas’ se extinguiu há milhares de anos, e não é mais possível se esconder no mundo globalizado. A tecnologia caminha a passos largos, e a busca desenfreada pela comunicação faz com que o globo terrestre pareça menor. As pessoas diminuíram o planeta, encurtaram as distâncias. Agora não existe mais lugar longe ou desconhecido graças aos meios de comunicação. Por isso, estudos a respeito da mídia e suas interações com os indivíduos são válidos e importantes.
Voltando-se os olhos para o Brasil, observamos no universo dos meios de comunicação do país, um grande veículo de destaque no cenário nacional que é o Jornal Nacional. Te ndo completado 39 anos de existência, ele continua sendo o telejornal mais assistido pelos brasileiros. Os laços que unem os profissionais desse telejornal com a sociedade podem ir muito além de simples serviços de informação.
Mesmo com tantos percalços em sua trajetória, desde seu ‘conchavo’ com o governo, das críticas da sociedade com o grupo norte-americano, dos problemas envolvendo escândalos políticos, etc, a Rede Globo se faz presente nos lares brasileiros e, atualmente, até em lares internacionais. Não há, neste país, quem não conheça, não assista ou já não assistiu a rede Globo. E, talvez, o que firma essa ‘parceria’ entre telespectador e TV Globo, seja o telejornal mais conhecido do país, o Jornal Nacional, que mostra o Brasil aos brasileiros.
Dentro do universo da população brasileira, o grupo jovem é muito precioso, visto que serão eles os futuros formadores de opinião. E foi buscando o entendimento dos jovens sobre as Matérias Edificantes do Jornal Nacional que foi visto o uso que eles fazem da mensagem recebida. Isso depende, como afirma Barbero, da “dimensão simbólica configurada por cada
grupo e cada sujeito”.
Verificou-se que a ‘lógica dos usos’ supera os limites de classe social e que os jovens são mais orientados pelos elementos que compõem o imaginário contemporâneo no que se refere às relações de gênero e geração. Isso quer dizer que, nesta pesquisa, de todas as mediações presentes na recepção, a classe social foi a mais subjetiva forma que influenciou na maneira como esse grupo de jovens se apropriam das informações. Digo grupo de jovens pelo fato de ser impossível avaliar todo o universo de todos os jovens existentes no país. Esse pequeno grupo selecionado representa apenas um fragmento, uma amostra da totalidade que são os jovens.
Uma forma de sabermos da subjetividade desses jovens está na associação de idéias que eles fizeram sempre que queriam demonstrar ou justificar seus pontos de vista. Uma diferença que é possível notar no grupo selecionado está no gênero. Várias vezes os meninos e as meninas, sorteados para a pesquisa, discordam dos fatores de escolha de determinadas matérias. Deve ser ressaltado o que diz este estudo sobre a recepção. Mesmo compartilhando as mesmas situações e o mesmo contexto a recepção é um processo subjetivo, pois depende da bagagem cultural e do estilo de vida de cada um. Ou seja, por mais que exista um repertório compartilhado, cada um reconstrói a trama de uma maneira própria, específica, trazendo sua experiência de vida.
Sobre a importância das Matérias Edificantes do Jornal Nacional há muitos questionamentos por ambas as partes do estudo. Houve muita discórdia entre os alunos, muitos deles acreditam que é importante ter esse tipo de matéria pelo fato de ser um incentivo às pessoas. Mas também, há aqueles que acham que as Matérias Edificantes não representam nada para a sociedade. De uma forma geral, não houve diferença de percepção sobre as
Matérias Edificantes por parte dos dois grupos. Em ambos tinham jovens que discordavam da relevância dessa matéria, mas isso não é uma generalização do grupo.
Quanto à questão da cidadania, ambos acharam complexo esse termo. Mas disseram que ele vai além de ter apenas deveres e direitos. Eles vêem cidadania com os olhos voltados para as questões sociais. Neste ponto, o pensamento cidadão dos grupos se equiparou.
Tentando mostrar como seria a participação cidadã de cada grupo, boa parte dos alunos da escola particular mostrou ter os recursos e pouca vontade em colaborar. Sabem que é importante alguém fazer, mas não se importam em contribuir para o melhor desenvolvimento da sociedade. Já boa parte das alunas da escola estadual demonstraram interesse em participar da sociedade em que estão inseridas, mas não acreditam que isso possa motivar ou melhorar a comunidade e, conseqüentemente, o país. Assim vemos que, mesmo com dois pontos de vista diferentes, o posicionamento frente à colaboração como cidadão é semelhante.
Assim, vimos que o estrato social interfere brandamente no entendimento do indivíduo frente à recepção das Matérias Edificantes. O que difere está implícito na sua formação como pessoa. Como vimos, o gênero é uma diferença gritante entre as escolhas de homens e mulheres.
Ao relacionar as respostas dos jovens com as teorias apresentadas, comprovou-se a teoria de recepção, proposta por Barbero e Thompson, na qual colocam a recepção como um processo heterogêneo, ou seja, cada receptor interpreta os símbolos recebidos de maneira específica.
9. REFERÊNCIAS
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Anexo I
O papel é a forma concreta de uma das primeiras formas de comunicação da civilização. Abaixo fotos sobre a produção do papel. Museu Munique – Alemanha – 2008.
A prensa de Gutemberg propiciou uma maior velocidade de desenvolvimento dos meios de comunicação impressos. Abaixo fotos da criação que ajudou a acelerar o processo midiático no mundo e sua modernização. Museu Munique – Alemanha – 2008.
Anexo II
E- mail enviado a alguns jornalistas para se ter conhecimento destes a respeito das matérias edificantes, do Jornal Nacional.
CLÁUDIA: Boa tarde, sou mestranda no curso de Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo. Meu orientador é o professor doutor José Salvador Faro. Estou fazendo minha dissertação sobre as "matérias edificantes" do Jornal Nacional. Entende-se por "matéria edificante" as matérias de cunho social, mais leves e que deixam os telespectadores com ohumor elevado. Para que meu trabalho fique completo, gostaria de saber sua opinião sobre essas matérias consideradas 'edificantes'. Gostaria de saber se ele acredita que elas colaboram com a sociedade em geral? Qual a função desse tipo de matéria? Essas matérias deveriam ser mais desenvolvidas? Aguardo contato, Atenciosamente. Cláudia Assis.
E- mail respondido por Tânia Morales, jornalista da CBN, no dia 13 de novembro de 2008.
TANIA MORALES : Cláudia, considero que matérias de cunho social devem incomodar, gerar desconforto, para estimular a reflexão sobre os problemas sociais. Não concordo que elas devam ser leves e bem- humoradas. Acho que temas como pobreza, preconceito, exclusão são muito graves. Não dá para passar uma "maquiagem" para torná- los "palatáveis" ao público. Pelo contrário, esses temas só conscientizam se sensibilizar pelo conteúdo, que é muito pesado. Costumamos usar o termo na rádio para determinadas matérias que o objetivo é dar "um soco no estômago do ouvinte", no bom sentido, claro. Mas a idéia é despertar as pessoas para os fatos ruins.
E- mail respondido por Heródoto Barbeiro, jornalista da TV Cultura e CBN, no dia 13 de novembro de 2008.
HERÓDOTO BARBEIRO: Creio que se essas reportagens forem feitas dentro das regras do jornalismo e da ética e tenha interesse público creio que são válidas. Podem colaborar com a sociedade se mostrarem ações afirmativas pontuadas por posições cidadãs e que inspirem a comunidade a se envolver em ações comunitárias. Melhor se forem alegres, descontraídas ou que foquem nichos sociais que normalmente os telejornais desconhecem. A razão de sua veiculação,creio, é levar ao conhecimento do público pautas não convencionais.
E- mail respondido por Sérgio Besserman, jornalista da CBN, no dia 25 de novembro de 2008.
SÉRGIO BESSERMAN: Prezada Claudia, para ser totalmente sincero, não creio que caiba ao jornalismo fazer matérias edificantes e sim totalmente realistas, edificantes quando for o caso e autocríticas quando for outro caso. Mas acho que o JN está razoavelmente balanceado.
Anexo III
Modelo de roteiro aplicado na pesquisa
1) Saber se assistem o Jornal Nacional.
2) Saber se vêem alguma matéria voltada para a sociedade no Jornal Nacional.
3) Saber se acham que a maioria das pessoas gostam de assistir matérias voltadas para a sociedade.
4) Saber a opinião deles sobre temas que o Jornal Nacional aborda.
5) Saber se eles acham importante o telejornal fazer matérias sociais. E qual a abordagem que eles acham que deve ter.
6) Saber se eles acham que se o Jornal Nacional fizer matérias sociais estará colaborando com a comunidade.
7) Saber se as matérias edificantes proporcionam vontade neles de colaborar de alguma forma na sociedade.
8) Saber se as matérias do Jornal Nacional são debatidas entre colegas e amigos. 9) Conhecer como eles sintetizam “cidadania”.
10) Saber se eles acham que as matérias sociais do Jornal Nacional colaboram com a prática da cidadania.
Anexo IV
QUESTIONÁRIO COM OS JOVENS DA ESCOLA PÚBLICA E PARTICULAR
SEXO: ( ) FEMININO ( ) MASCULINO
IDADE: ( ) 15 ANOS ( ) 16 ANOS ( )17 ANOS ( ) 18 ANOS
( ) 19ANOS ( ) 20 ANOS
SÉRIE ESCOLAR: ( ) 8º SÉRIE ( ) 1ºCOLEG. ( ) 2º COLEG. ( ) 3º COLEG.
RENDA FAMILIAR: ( ) 1 SALÁRIO ( ) DE 2 A 4 SALÁRIOS
( ) DE 5 A 8 SALÁRIOS ( ) DE 9 A 10 SALÁRIOS ( ) MAIS DE 10 SALÁRIOS RELIGIÃO: ( ) CATÓLICO(A) ( ) PROTESTANTE ( ) PRESBITERIANO(A)
( ) JUDEU ( ) OUTRAS Qual? _________________
ETNIA: ( ) BRANCO ( ) NEGRO ( ) PARDO ( ) MORENO
( ) OUTRO Qual_________________
MORA COM: ( ) PAI E MÃE ( ) MÃE ( ) PAI ( ) AVÓS ( ) TIOS
( ) OUTROS Quem? _______________________
QUANTO TEMPO ASSISTE TV POR DIA: ( ) 1 HORA ( ) MAIS DE 2 HORAS ( ) DE 3 A 4 HORAS ( ) MAIS DE 5 HORAS ( ) NÃO ASSISTO TELEVISÃO VOCÊ ASSITE JORNAL NACIONAL? ( ) SIM ( ) NÃO
CASO A RESPOSTA SEJA AFIRMATIVA, QUANTAS VEZES VOCÊ ASSISTE JORNAL NACIONAL NA SEMANA?
( ) 1 VEZ ( ) 2 VEZES ( ) 3 VEZES ( ) 4 VEZES ( )5 VEZES ( ) 6 VEZES HÁ QUANTO TEMPO VOCÊ ASSISTE JORNAL NACIONAL?
( ) ALGUNS MESES ( ) DE 1 A 2 ANOS ( ) DE 2 A 3 ANOS ( ) DE 4 A 5 ANOS ( ) DE 5 A 6 ANOS ( ) DE 6 A 7 ANOS ( ) DE 7 A 8 ANOS ( ) DE 8 A 9 ANOS ( ) DE 9 A 10 ANOS ( ) NUNCA ASSISTI
Anexo V
Grupo de discussão – Colégio Dom Cabral
CLÁUDIA: Primeiro eu queria saber o nome e a idade de cada um, e a série em que está. MARINA: Marina, 17 anos, 3º ano.
ALEXANDRE: Alexandre, 17 anos, 3º ano. HENRIQUE: Henrique, 17 anos, 2º ano. PETRISA: Petrisa, 15 anos, 1º científico. NILSON: Nilson, 15 anos, 1º científico. MATHEUS: Matheus: 15 anos, 1º científico.
CLÁUDIA: Bom como eu já falei para vocês, meu nome é Cláudia. Eu sou jornalista e estou fazendo a minha pesquisa de conclusão de dissertação de mestrado da Universidade Metodista de São Paulo. Eu sou bolsista da CAPES e estou aqui pra fazer uma análise de recepção com vocês da escola particular, ta bom?! Eu queria saber quem assiste o Jornal Nacional? Se é que assiste né, por que há pessoas que não assistem... não tem problema. Mas quem já assistiu uma vez na vida sabe como que é. Então, vocês acham interessante ter um jornal que é em rede nacional no país?
MATHEUS: Eu acho que sim. Porque a gente fica sabendo as informações do país todo, do Brasil e do mundo.
CLÁUDIA: Seu nome? MATHEUS: Matheus. CLÁUDIA: Matheus.
CLÁUDIA: Mas você acha que por ser um jornal de rede nacional ele é tendencioso? ALEXANDRE: Eu acho.
CLÁUDIA:Você acha que é?
ALEXANDRE: Eu acho que no país inteiro não, (...) isso é mais no centro por que ele mostra mais matérias do centro.
CLÁUDIA: Você falou que ele é mais voltado para o centro, e como é que você acha que fica a questão do norte por exemplo? Você acha que ele não mostra a cara do norte, do nordeste?