6.2. Diagnostic du fonctionnement : première itération de la phase B
6.2.1. L’offre de service en bibliothèque (Etape B1)
6.2.1.1. Le service en bibliothèque
A opção pela imprensa escrita, como anteriormente referimos, deve-se à importância que lhe atribuímos na (e para a) abordagem da política: é um relevante instrumento de poder (es), susceptível de interferir na “agenda” mediática, política e pública. Se é certo que existe uma mútua influência entre os diversos media e que, como diz Ramonet, “Hoje em dia, eles estão interligados, funcionam em círculo, os media repetindo os media, imitando os media” (1999:39), é nossa convicção que a imprensa, em particular no tratamento da política, e apesar da sua diminuta tiragem, continua a sugestionar fortemente os outros media e a protagonizar um importante papel na formação (e acção) da “opinião dirigente” e dos seus leitores (que em parte integram os primeiros).
Se tal é válido para os conteúdos noticiosos ou informativos, é-o de modo reforçado quando se trata das colunas de opinião, como tentaremos argumentar. E se tal se aplica à imprensa em geral, aumentam as razões para se tornar válido no caso da imprensa dita de referência, seja pela credibilidade que detém a “instituição” e os seus colaboradores (como os colunistas), seja pelos leitores que visa – a “opinião publica dirigente” – seja pelos conteúdos, géneros jornalísticos e estilos que privilegia25.
Mas a dicotomia entre os jornais de referência e aqueles que o não são, entre as categorias “qualities” e “populares”26 é, cada vez mais, discutível, senão mesmo inadequada. Trata-se de “etiquetas cómodas, mas decididamente demasiado vagas”, como diz Dierickx (citado por Mesquita e Rebelo (Orgs): 1994:14). Sensatamente,
25 José Vidal Beneyto (1986:19-20) atribui aos jornais de referência as seguintes funções: serem uma
referência imprescindível para os outros meios de comunicação, os quais não produzem as suas próprias opiniões sem antes ter conhecimento das destes jornais; serem a plataforma privilegiada para a presença dos grandes lideres políticos, das instituições sociais, etc; serem veículo para a comunicação com os grupos dirigentes; servir as embaixadas estrangeiras sob a realidade e problemas do país.
26 É nestas categorias que a “Royal Commission on the Press”, no Reino Unido, sem previa definição
Bourdieu aconselha a suspeição da oposição jornal sensacionalista/jornal de reflexão. Relacionando os jornais com a vida política, este autor enuncia que a diferença entre imprensa de sensação e a de informação “ (...) reproduz em definitivo, a oposição entre aqueles que fazem a política e aqueles que se lhe submetem, entre a opinião agissante e a opinião agie” (citado por Mesquita e Rebelo (orgs), 1994:15).
Também entre nós, é observável que os jornais de referência cada vez mais se alinham pelo tablóide; a lógica de audiência e a busca do scoop abole a fronteira entre a imprensa séria e a popular (Champagne, 2000) caminhando para a situação que Ramonet (1999) e Champagne (1998) há já uns anos descreviam assim: títulos da imprensa escrita, por mimetismo televisivo, a adoptar características próprias dos media electrónicos (maqueta da primeira página concebida como um ecrã, extensão dos artigos reduzida, personalização excessiva de alguns jornalistas, prioridade ao regional sobre o internacional, excesso de títulos agressivos, prática sistemática do esquecimento, da amnésia a respeito das informações que perderam actualidade, etc); o equivalente da mediação de audiências a entrar na imprensa sob a forma do marketing editorial (desenvolvido pelas técnicas herdadas da publicidade para definir quais são os assuntos que atraem um público mais vasto).
Entre as várias mutações que estão a ocorrer nos media de referência, ao nível internacional, incluem – se os “abalos” na sua credibilidade e na da sua elite jornalística, resultante de inúmeras polémicas (algumas das quais retomaremos ao longo desta dissertação). Ainda recentemente, três media tradicionalmente insuspeitos representantes dessa categoria – The New York Times, Le Monde, e a BBC – foram alvo de severas críticas, ainda que por razões distintas.
É iniludível que na imprensa de referência portuguesa, onde era suposto seguir-se também a linha editorial expressa pela célebre frase do New York Times, “all the news that are fit to print” – a opinião tem contaminado a informação, tem aumentado a informação de teor sensacionalista, tem crescido a apetência pelos faits divers e pelo
desporto, até então apanágio da dita imprensa popular27. Por outro lado, já presenciámos casos em que jornais incluídos nesta última categoria noticiaram, em primeira-mão, situações de indiscutível interesse público, muito perturbadores para o poder político, e que só posteriormente foram retomados pelos outros media.
Não obstante, é inquestionável que continuam a observar-se aspectos diferenciadores (entre os diferentes media) que denotam que a imprensa de referência portuguesa, num contexto (que lhe não podemos dissociar) de dificuldades de vária ordem, ainda persegue o seu papel tradicional (ideal): interessar-se por temas políticos; privilegiar, de entre os géneros jornalísticos, os comentários e os estudos, a reflexão; ter como critérios distintivos, ao nível do estilo, a sobriedade e o distanciamento.
É verdade – e esse é um critério que também justifica a nossa opção – que os leitores dos jornais de referência têm uma preferência pelo tema política (nomeadamente os do Diário de Notícias e do Público) e pela leitura das colunas de opinião (no “Expresso”, as páginas de opinião são as mais lidas)28.
À nossa investigação – claramente mais preocupada com o critério da “influência” do que com o da “audiência”, centrada na opinião sobre a política – era este universo (dos jornais ditos de referência) que interessava analisar. Uma vez delimitado, foi necessário optar pelos jornais que publicavam a opinião, também ela, presumivelmente, mais “influente” e “politizada”: dois jornais diários – Público e Diário de Notícias; dois semanários – Expresso e Independente.
Acerca destes, iremos ao longo do trabalho tecendo várias considerações que também permitem que os caracterizemos (as respectivas fichas técnicas, respeitantes ao período analisado, encontram-se no Anexo 1), introduzindo elementos da história e percurso de cada jornal, em particular no que à publicação da opinião diz respeito. Não nos pareceu pertinente elaborar sobre cada um deles um estudo mais aprofundado, pelo que
27 Mais do que nunca continua a ser desejável o comportamento informativo, defendido por Beneyto
(1986:20), que os jornais devem adoptar para se constituírem como jornais de “referência dominante”: a “ (...) voluntad de desubjectivar la información que es expressa en 1º la completud o cunto menos la mayor oferta posible de la misma; 2º neutralidad respecto de las opiniones y interesses de cada grupo; 3º la pluralidad de las posiciones y ideologias presentables; 4º el tratamiento técnico y las apoyaturas científicas de la información aprestada”.
dispensámos a elaboração de uma ficha sinalética e de um dossier de identidade exaustivos, como, por exemplo, os que o modelo de Jacques Kaiser (1963) propõe.