6.2. Diagnostic du fonctionnement : première itération de la phase B
6.2.2. Evolution de l’offre de service, proposition d’un modèle Etape B2
Não nos alongaremos na escrita sobre esta outra técnica de recolha de informação, tão recorrentemente referida quanto o é a sua utilização (ainda que tardia) na história da pesquisa social. Por ele, passa “a imagem de marca da sociologia”, na medida em que tem sido, de facto, “a técnica de construção de dados que mais se compatibiliza com a racionalidade instrumental e técnica que tem predominado nas ciências e na sociedade em geral” (Ferreira, 1987: 167)
É também o uso (ou abuso) que se faz da sua utilização e a pertinência (ou falta dela) no contexto concreto de cada investigação que contribuem para sublinhar um ou outro pólo do valor intrínseco que o inquérito enquanto técnica de pesquisa tem: o das suas limitações ou o das suas virtualidades. Cientes de umas e outras, e na convicção da pertinência para esta investigação, tentámos, como é expectável, usá-lo correctamente, cumprindo os requisitos exigíveis em cada uma das suas fases, tendo em conta as recomendações dos “manuais”, no que se refere, nomeadamente, à construção das variáveis, formulação das questões, constituição da amostra, à aplicação do instrumento e tratamento dos dados. Mais do que a descrição desta técnica, importará, então, explicitar os procedimentos (concretos) que conduziram à sua aplicação no âmbito (específico) desta investigação.
Uma primeira questão que interessa aflorar prende-se com a contradição (aparente, em nosso entender) que pode relevar do recurso a uma técnica que visa quantificar numa abordagem que se diz de natureza mais qualitativa. Em rigor, a nossa investigação não é qualitativa, uma vez que não possui as características que são identificadas para esse tipo de investigação, como aquelas que Bogdan e Biklen (1994), por exemplo,
assinalam: o ambiente natural é a fonte directa dos dados e o investigador o instrumento principal da pesquisa; os dados recolhidos são na sua essência descritivos; os investigadores qualitativos interessam-se mais pelos processos do que pelos resultados ou produtos e tendem a analisar os dados de forma indutiva; dá-se especial importância ao ponto de vista dos participantes. Mas é consensual que uma das perspectivas teóricas fundamentais que inspira a investigação qualitativa é a perspectiva interpretativa e que "o paradigma interpretativo valoriza a compreensão e a explicação" (Leal, 1992:141). Nessa medida, a nossa abordagem aspira ao estatuto das “abordagens qualitativas”.
Por outro lado, ainda que entendendo a abordagem qualitativa como “uma metodologia de investigação que enfatiza a descrição, a indução, a teoria fundamentada e o estudo das percepções pessoais" (Bogdan e Biklen, 1994: 11), é nossa convicção que o inquérito é uma técnica que pode dar um contributo complementar muito importante a esse tipo de abordagens, incluindo as inequivocamente qualitativas, como os estudo de casos ou a observação participante, tendo em conta que ela pode fornecer elementos fundamentais da ordem do ponto de vista dos sujeitos em análise. É, pois, neste pressuposto que nos pareceu pertinente a utilização da técnica do inquérito.
Dadas as características (exploratórias) desta investigação e os reduzidos meios financeiros para a efectuar, por um lado, mas não podendo ignorar a pertinência de estudar a “recepção” da opinião publicada, por outro, pretendemos através da utilização do inquérito introduzir um conjunto de interrogações, que sendo simples nos parecem fundamentais, ainda que as respostas às mesmas só possam ser interpretadas como de indícios se tratando, dada a “qualidade” da amostra (o carácter modesto da sua dimensão e os procedimentos seguidos na sua constituição, que impedem que seja representativa) e, consequentemente, também o do alcance e extrapolação dos seus resultados.
Assim, construímos um guião de inquérito37 a aplicar à amostra constituída que nos permitisse obter respostas às seguintes interrogações: As colunas de opinião são lidas pelos leitores dos jornais? Se sim, Com que frequência? Com que interesse (s)? Que
37 Em rigor, construíram-se dois guiões, os quais divergiam apenas na formulação de uma das questões,
relativa à frequência da leitura do jornal, que foi necessário adaptar à periodicidade do jornal (diária ou semanal). (Ver anexo 3)
critérios utilizam na escolha das colunas e/ou colunistas a ler? Que representações têm das colunas de opinião e dos seus autores? Como avaliam a influência que os conteúdos das colunas de opinião têm na sua própria opinião?
Para a construção/constituição da amostra, e uma vez que estamos perante um universo desconhecido (os leitores dos quatro jornais em estudo residentes em Évora), utilizou-se uma técnica de amostragem não probabilística – a amostragem de conveniência – tendo- se obtido uma amostra de 203 leitores, recolhida junto de locais de venda dos jornais. No processo de inquirição dos leitores de jornais a colaboração dos proprietários e funcionários dos locais de venda foi um recurso fulcral, uma vez que foram eles que possibilitaram o acesso aos compradores/leitores de jornais.
Começámos por seleccionar 12 postos de venda de reduzida dimensão (papelarias, tabacarias, cafés, pequenos comércios) localizados na cidade de Évora, distantes entre si geograficamente e cuja distribuição geográfica acompanha a distribuição da mancha populacional na cidade38. Optámos por excluir os locais de venda de maior dimensão (centros comerciais, bombas de gasolina), uma vez que pretendíamos comércios onde presumivelmente existissem laços entre o consumidor e o vendedor susceptíveis de aumentar a probabilidade de os clientes serem habitualmente frequentadores desses locais, por um lado, e de proporcionar uma maior predisposição para a aceitação do formulário do inquérito, o seu preenchimento e devolução, por outro. Tal tornava-se particularmente importante na medida em que solicitámos que a devolução do inquérito preenchido, em alternativa à tradicional via correio postal com recurso ao envelope selado, fosse efectuada no mesmo local onde se havia recebido o formulário do inquérito, na próxima vez que o cliente lá voltasse.
Com base na previsão feita junto dos 12 locais de venda do número de exemplares dos quatro jornais vendidos por dia, entregaram-se 500 formulários do inquérito. Destes, foram entregues aos clientes 447, no período de 22 a 25 de Abril de 2004, que corresponde aos dias da semana situados entre Quinta-feira e Domingo – de modo a 38 Esta é uma variável relevante para a facilidade na recolha de dados, como veremos, mas acreditamos
incluir quer dias de venda de diários e dos semanários, quer hábitos de consumo diversificados dos jornais diários (compra diária, compra só ao fim de semana…). Foram dadas instruções precisas para que cada leitor, independentemente do número de jornais comprados e das vezes em que se deslocasse ao local de venda, só preenchesse um inquérito.
O conhecimento empírico do meio e das relações sociais que nele se estabelecem, levou-nos a acreditar que o recurso a esta estratégia fortemente assente na colaboração dos vendedores e compradores dos jornais não comprometeria a taxa de retorno (na verdade, os valores obtidos - 45% - podem considerar-se muito satisfatórios). Mas este processo de inquirição obrigou-nos a tomar mais precauções do se tivéssemos recorrido a outro mais convencional, seja no cuidado posto na “comunicação” e na sensibilização para a colaboração, primeiro com quem mediou a entrega, depois com os inquiridos, seja na clareza das instruções e normas de preenchimento, na construção do guião em geral e na formulação das questões em particular, seja nas normas científico- deontológicas a seguir.
Após a aplicação do inquérito, procedeu-se à construção da base de dados e à introdução de todos os dados obtidos, com vista à análise das respostas obtidas através de frequências e cruzamentos para as perguntas fechadas, e análise dos conteúdos das perguntas abertas. Esta análise e tratamento dos dados originaram os resultados que à frente se apresentam (Parte III, capítulo 4)
3.3.3. A análise de conteúdo: ao encontro de uma técnica reveladora de