DE LA THEOLOGIE AUX SCIENCES RELIGIEUSES
II. LES SCIENCES RELIGIEUSES
Género
À semelhança do Estudo 1, efetuámos um conjunto de análises de correlação para testarmos as hipóteses 5 e 6. E, tal como no Estudo 1, os resultados revelaram que posicionamentos menos conservadores se correlacionaram positivamente com atitudes mais favoráveis em relação a pessoas homossexuais.
Tal como esperado, constatámos que posicionamentos morais mais liberais estiveram associados a (1) atitudes mais favoráveis tanto na medida Atitude Favorável, r = .42, p <
.001 (N = 184), como na medida Atitude Desfavorável, r = -. 41, p < .001 (N = 184), e (2) a
menor rejeição à proximidade, tanto na Rejeição à Proximidade Distante, r = .48, p < .001 (N = 184), como na Rejeição à Proximidade Íntima, r = .41, p < .001 (N = 184). No mesmo sentido, posicionamentos morais mais conservadores estiveram associados a posicionamentos mais negativos nas mesmas medidas. Os valores de correlação correspondentes foram os seguintes: r = -. 38, p < .001 (N = 184), entre Moral Conservadora e Atitude Favorável, r = .54, p < .001 (N = 184), entre Moral Conservadora e Atitude Desfavorável, r = -.32, p < .001 (N = 184), entre Moral Conservadora e Rejeição à
39 À semelhança do que fizemos no Estudo 1, dividimos as respostas dos participantes ao item do Grau de Contacto Diário
com Pessoas Homossexuais entre “baixo contacto” (até ao valor [4] da escala de resposta) e “alto contacto” (igual ou superior ao valor [5] da escala de resposta”)
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Proximidade Distante e r = -. 27, p < .001 (N = 184), entre Moral Conservadora e Rejeição à Proximidade Íntima.
Os resultados nas dimensões da Orientação de Papéis de Género foram também consistentes com as nossas predições. Constatámos que quanto mais os participantes concordaram com a dimensão Igualdade-Partilha (e, portanto, mais liberais os seus posicionamentos face aos papéis de género), mais favoráveis foram as suas atitudes em relação a pessoas homossexuais (r = .49, p < .001 e r = -.47, p < .001, com Atitude Favorável e com Atitude Desfavorável, respetivamente) e menor foi a sua rejeição à proximidade com pessoas homossexuais (r = .49, p < .001 e r = .35, p < .001, com Proximidade Distante e com Proximidade Íntima, respetivamente).
Uma vez mais, este conjunto de resultados suportou empiricamente as hipóteses 5 e 6 e esteve em linha com resultados de estudos anteriores, nos quais se verificou que posicionamentos menos conservadores estão associados a atitudes mais favoráveis em relação a pessoas homossexuais (e.g. Gato & Fontaine, 2011b; Herek, 1991, 1994; Herek & Capitanio, 1995; Marsiglio, 1993, in Crawford et al., 1999; Seltzer, 1992; Simon, 1998) e vêm também, uma vez mais, reforçar os resultados encontrados no Estudo 1.
2.3.2.16. Análise de Preditores das Várias Medidas Dependentes
À semelhança do Estudo 1, também optámos por realizar um conjunto de análises de regressão, para as várias medidas dependentes em análise. Utilizámos o mesmo conjunto de dimensões/variáveis no modelo, com exceção das dimensões políticas que não foram utilizadas neste estudo. Acrescentámos ainda ao modelo, a variável relativa ao Desconforto Psicológico sentido com a manipulação experimental, bem como a variável Focalização.40
Constatámos que este modelo prediz significativamente todas as medidas dependentes (F14, 179 = 11.89, p < .001, R2 = .46; F14, 179 = 15.06, p < .001, R2 = .52;
F14, 179 = 12.69, p < .001, R2 = .48 e F14, 179 = 8.13, p < .001, R2 = .36, para Atitude
Favorável, Atitude Desfavorável, Rejeição à Proximidade Distante e Rejeição à Proximidade Íntima, respetivamente).
40 Cf. no Estudo 1, secção “Análise de Preditores das Várias Medidas Dependentes” (pág. 130), para consultar investigação
anterior acerca dos preditores da homofobia, que utilizámos para justificar/selecionar as variáveis que introduzimos no modelo.
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Para Atitude Favorável foram preditores significativos Sexo (β = .14, p = .039), Idade (β = -.29, p < .001), Moral Conservadora (β = -.20, p = .003), Igualdade-Partilha (β = .23, p = .004) e Desconforto Positivo (β = .21, p = .002).
Atitude Desfavorável foi significativamente predita por Sexo (β = -.12, p = .051), Idade (β = .17, p = .005), Moral Liberal (β = -.18, p = .008), Moral Conservadora (β = .34,
p < .001) e Igualdade-Partilha (β = -.23, p = .002) e marginalmente predita por IP (β = -.09, p = .098).
Por seu turno, Rejeição à Proximidade Distante foi significativamente predita por Sexo (β = .20, p = .002), Idade (β = -.21, p = .001), Moral Liberal (β = -.24, p = .001) e Desconforto Negativo (β = .22, p = .001) e marginalmente predita por Familiaridade com Pessoas Homossexuais (β = .14, p = .078) e IS (β = -.11, p = .084).
Finalmente, os preditores significativos de Rejeição à Proximidade Íntima foram Idade (β = -.30, p < .001), Moral Liberal (β = .23, p = .003) e Familiaridade com Pessoas Homossexuais (β = .21, p = .013) e Desconforto Negativo (β = .12, p = .097) foi um preditor marginal.
Ou seja, quanto menor a idade, menos conservadoras as crenças morais, mais igualitárias as crenças de orientação de papéis de género e maior o (des)conforto positivo, mais favorável foi a atitude. Por outro lado, quanto maior a idade, quanto mais conservadoras as crenças morais e as crenças de orientação de papéis de género e quanto menor a valorização do IS, mais desfavorável foi a atitude. Ser mulher predisse atitudes mais favoráveis e ser homem predisse atitudes mais desfavoráveis.
Relativamente à Rejeição à Proximidade Distante e à Proximidade Íntima, ser mais jovem, ter maior grau de familiaridade com pessoas homossexuais e ter crenças morais mais liberais, predisse menor rejeição à proximidade, quer distante, quer íntima. Ser mulher, menor valorização do IS e menor grau de desconforto negativo também predisseram menores graus de Rejeição à Proximidade Distante. Finalmente, quanto maior o grau de desconforto negativo, menor a Rejeição à Proximidade Íntima.
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2.3.2.17. Atitude em Relação a Pessoas Homossexuais e Rejeição à Proximidade com Pessoas Homossexuais em Função da Valorização dos Níveis de Autodefinição da Identidade e da Focalização nos Níveis de Autodefinição da Identidade41
A hipótese final implicava a interação entre o nível de autodefinição da identidade mais valorizado e o contexto de focalização, na manifestação da atitude relativamente a pessoas homossexuais. Prevíamos que seriam os participantes que, simultaneamente, valorizassem mais o nível social de autodefinição e que estivessem focalizados nesse mesmo nível no contexto de julgamento, aqueles que apresentariam atitudes menos favoráveis (e maior rejeição à proximidade) em relação a pessoas homossexuais.
Para testarmos esta hipótese criámos duas novas variáveis, que designámos de Valorização Diferenciada IP e Valorização Diferenciada IS. Valorização Diferenciada IP foi criada a partir do valor da mediana da variável IP (Md = 6.50), resultando na criação de dois grupos, os que valorizaram o nível de autodefinição pessoal abaixo do valor da mediana (1 = IP < 6.50) e os que o valorizaram acima desse valor (2 = IP ≥ 6.50). De forma similar, Valorização Diferenciada IS foi criada a partir do valor da mediana da variável IS (Md = 6.13), resultando na criação de dois grupos, os que valorizaram o nível de autodefinição social abaixo do valor da mediana (1 = IS < 6.13) e os que o valorizaram acima desse valor (2 = IS ≥ 6.13).42
Efetuámos ANOVAs entrando os fatores Valorização Diferenciada IP, Valorização Diferenciada IS e Focalização, através das várias medidas de preconceito. Estas análises revelaram a interação de segunda ordem requerida pela nossa hipótese, apenas nas medidas Atitude Desfavorável, F(1, 176) = 10.46, p = .001, ƞ2 = .06 (e ainda a interação Focalização
x Valorização Diferenciada IP, F1, 176 = 4.36, p = .038, ƞ2 = .02) e Rejeição à Proximidade
Distante, F(1, 176) = 5.03, p = .026, ƞ2 = .03 (maior efeito restante F1, 176 = 3.37, ns). Nas
restantes medidas de preconceito as ANOVAs não revelaram efeitos significativos. A
41 Não foram encontrados quaisquer efeitos ou interações significativas com o fator Ordem de Apresentação das Medidas
de Contacto Interpessoal com Pessoas Homossexuais (maior F1,180 = 2.83, ns), pelo que não são apresentados resultados com esta variável.
42 Nas análises de diferenças de distribuição nas variáveis Valorização Diferenciada IP e Valorização Diferenciada IS, em
função de Sexo, Grupo Etário e Nível de Escolaridade, foram encontradas duas diferenças de distribuição para a variável Valorização Diferenciada IS, uma com Sexo (χ2 1 = 5.23, p = .022) e outra com Grupo Etário (χ2 1 = 5.23, p = .022).
Concretamente, existiram mais mulheres do que homens, tanto no grupo dos participantes que valorizaram IS abaixo do valor da mediana (55 vs. 41, respetivamente), como no grupo dos participantes que valorizaram IS acima do valor da mediana (68 vs. 20, respetivamente). Também existiram mais participantes mais escolarizados, tanto no grupo dos participantes que valorizaram IS abaixo do valor da mediana (55 vs. 41, respetivamente), como no grupo dos participantes que valorizaram IS acima do valor da mediana (67 vs. 21, respetivamente).
Não foram encontradas quaisquer diferenças de distribuição na variável Valorização Diferenciada IP, em função se Sexo, Grupo Etário e Nível de Escolaridade (maior χ2 1 = 1.00, ns).
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decomposição pelo fator Valorização Diferenciada IS não revelou o padrão previsto na hipótese (não foi encontrado qualquer efeito ou interação significativa nos participantes que valorizaram IS acima do valor da mediana. Maior F1, 84 = 2.89, ns, para fator Valorização Diferenciada IP, na medida Atitude Desfavorável). No Quadro 2.13 apresentamos o padrão de resultados relativo a estas duas medidas.
Quadro 2.13.
Médias e Desvios-Padrão para Atitude Desfavorável e Proximidade Distante, em Função de Focalização, Valorização Diferenciada IP e Valorização Diferenciada IS
Baixa IP Alta IP
Focalização Baixa IS Alta IS Baixa IS Alta IS Atitude Desfavorável IP 2.61 (1.38)bc 3.15 (1.38)ab 3.80 (1.74)a 2.32 (1.03)c IS 3.74 (1.68) 3.11 (1.96) 2.50 (1.29) 2.81 (1.72) Proximidade Distante IP 7.85 (1.39)a 7.15 (2.05)ab 6.32 (2.62)b 7.83 (1.63)a IS 7.07 (1.83) 7.77 (1.87) 7.19 (2.00) 7.47 (2.23)
Notas: Os valores variam entre 1 = discordo totalmente e 9 = concordo totalmente, para a medida Atitude Desfavorável e entre 1 = muitíssimo constrangido e 9 = nada constrangido, para a medida Proximidade Distante.
Baixa IP = valoriza IP abaixo do valor da mediana; Alta IP = valoriza IP acima do valor da mediana; Baixa IS = valoriza IS abaixo do valor da mediana; Alta IS = valoriza IS acima do valor da mediana.
Caracteres diferentes indicam diferenças significativas a p < .05.
A decomposição da interação Focalização x Valorização Diferenciada IP, na medida Atitude Desfavorável, em função do fator Focalização revelou a existência de um efeito de Valorização Diferenciada IP, apenas para a condição Focalização em IS, t(92) = 2.40, p = .018. O mesmo não se verificou na condição Focalização IP, t(88) = -. 51, ns. Ou seja, entre os participantes focalizados no IS, os que valorizaram o IP abaixo do valor da mediana reportaram uma atitude mais desfavorável (M = 3.48), do que os que valorizaram o IP acima do valor da mediana (M = 2.66).
Adicionalmente, como apresentado no Quadro 2.13, decompondo a interação de segunda ordem na medida Atitude Desfavorável em função do fator Focalização, verificamos a existência de uma interação Valorização Diferenciada IP vs. Valorização Diferenciada IS, F(1, 86) = 11.68, p = .001, ƞ2 = .12, na condição de Focalização IP. O
mesmo não se verificou na condição Focalização IS, F(1, 90) = 1.83, ns. Aquela interação mostrou que, entre os participantes focalizados no IP, e que valorizaram o IP acima do valor
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da mediana, os que, simultaneamente, valorizaram o IS abaixo do valor da mediana reportaram atitudes mais desfavoráveis (M = 3.80), do que aqueles que valorizaram o IS acima do valor da mediana (M = 2.32), F(1, 43) = 12.36, p = .001, ƞ2 = .02. Já entre os
participantes focalizados no IP, mas que valorizaram o IP abaixo do valor da mediana, este efeito não foi significativo (F1, 43 = 1.70, ns.).
Também os participantes focalizados no IP e que valorizaram o IS abaixo do valor da mediana e simultaneamente, valorizaram o IP acima do valor da mediana, reportaram atitudes mais desfavoráveis (M = 3.80), do que aqueles que, simultaneamente, valorizaram o IP abaixo do valor da mediana (M = 2.61), F(1, 44) = 6.68, p = .013, ƞ2 = .13. Finalmente,
entre os participantes focalizados no IP, e que valorizaram o IS acima do valor da mediana, os que, simultaneamente, valorizaram o IP abaixo do valor da mediana também reportaram atitudes mais desfavoráveis (M = 3.15), do que aqueles que valorizaram o IP acima do valor da mediana (M = 2.32), F(1, 42) = 5.16, p = .028, ƞ2 = .11.
A mesma decomposição da interação de segunda ordem na medida Rejeição à Proximidade Distante revelou aquela mesma interação na condição de Focalização IP, F(1, 86) = 7.29, p = .008, ƞ2 = .08. Também neste caso, o mesmo não se verificou na condição
Focalização IS, F(1, 90) < 1. O padrão de resultados foi consistente com o que acima reportámos, neste caso, entre aqueles mesmos participantes (i.e., focalizados no IP e que valorizaram o IP acima do valor da mediana), os que valorizaram o IS abaixo do valor da mediana reportaram maior Rejeição à Proximidade Distante (M = 6.32), do que os que valorizaram o IS acima do valor da mediana (M = 7.83), F(1, 43) = 5.60, p = .023, ƞ2 = .12.
Uma vez mais, entre os participantes focalizados no IP, mas que valorizaram o IP abaixo do valor da mediana, este efeito não foi significativo (F1, 43 = 1.87, ns). Também nos participantes focalizados no IP e que valorizaram o IS abaixo do valor da mediana, aqueles que simultaneamente valorizaram o IP acima do valor da mediana, reportaram maior Rejeição à Proximidade Distante (M = 6.32), do que os que valorizaram o IP abaixo do valor da mediana (M = 7.85), F(1, 44) = 6.46, p = .015, ƞ2 = .13 (entre os participantes focalizados
no IP, mas que valorizaram o IS acima do valor da mediana, este efeito não foi significativo,
F1, 42 = 1.52, ns).
No conjunto, estes resultados, não foram totalmente consistentes com a nossa predição, e até revelaram padrões que não prevíramos. Por um lado, a focalização no IS, conduziu à manifestação de atitudes mais desfavoráveis, mas esse efeito apenas se revelou nos participantes que valorizaram pouco o nível pessoal de autodefinição da identidade. Por
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outro lado, verificaram-se posicionamentos mais desfavoráveis em relação a pessoas homossexuais entre os participantes que, estando focalizados no IP: valorizaram mais fortemente o IP e pouco o IS, ou que valorizaram mais fortemente o IS e pouco o IP. Este último resultado parece mostrar que uma valorização forte do IS, conduz a julgamentos mais desfavoráveis, mesmo quando o contexto focaliza no IP, mas apenas quando simultaneamente o indivíduo valoriza pouco o IP.
2.3.2.18. Atitude em Relação a Pessoas Homossexuais e Rejeição à Proximidade com