DE LA THEOLOGIE AUX SCIENCES RELIGIEUSES
B. Regard « intérieur » et « extérieur » dans la recherche
IV. DE L’HISTOIRE ECCLESIASTIQUE A L’HISTOIRE DES RELIGIONS
Finalmente, nas análises de regressão recolheram-se alguns indicadores acerca do impacto da valorização dos níveis de autodefinição nas atitudes manifestadas. Dos resultados pode inferir-se que, quer uma maior valorização do nível pessoal de autodefinição, quer uma valorização mais acentuada do nível social de autodefinição, contribuem para posicionamentos mais desfavoráveis em relação a pessoas homossexuais (embora no Estudo 2, uma marginalmente menor Rejeição à Proximidade Distante tenha sido predita por uma menor valorização do nível social de autodefinição da identidade).49
As hipóteses 7 [que articulam as perspetivas "tradicionais" sobre o preconceito e a discriminação - focadas essencialmente em processos sociocognitivos (cf. Oakes et al, 1994) - com a abordagem da identidade social, que preconiza que os processos identitários subjacentes às relações entre categorias sociais (bem como no interior das mesmas) são centrais para compreender a emergência do preconceito e da discriminação] configuraram a principal inovação nestes dois estudos, particularmente no que concerne ao estudo das atitudes em relação às pessoas homossexuais, ao testar-se a ideia de que existe uma relação entre níveis contrastantes de autodefinição da identidade e o preconceito em relação a este grupo social.
Na hipótese 7 do Estudo 1, testámos a relação entre os níveis pessoal e social de autodefinição da identidade e o preconceito homofóbico. Do conjunto de análises efetuadas para testar esta hipótese não foi possível extrair evidência suficiente para a sustentação de uma tal relação. Em nosso entender, embora o conjunto de resultados não seja totalmente consistente, permite, ainda assim, delinear um certo padrão de tendências. Por um lado, nas análises globais, a valorização simultânea do IS e do IP pareceu incrementar, quer a Rejeição Própria à Proximidade com Pessoas Homossexuais, quer a Rejeição à Proximidade Atribuída aos Outros. Também pareceu existir um efeito isolado da valorização do IS na Rejeição à Proximidade com Pessoas Homossexuais Atribuída aos Outros. Nas análises parciais, a
49 Retomamos estes resultados no capítulo da Conclusão, onde procuraremos interpretar, à luz do quadro teórico
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valorização acima do valor da mediana do IS conduziu as mulheres a fazerem atribuições de atitudes mais desfavoráveis aos outros, do que quando essa valorização se situou abaixo do valor da mediana. Foi nas análises com grupo etário que se verificaram mais efeitos significativos. Os adultos que valorizaram o IS acima do valor da mediana, ou que valorizaram fortemente ambos os níveis de autodefinição da identidade, reportaram maior Rejeição Própria à Proximidade com Pessoas Homossexuais e atribuíram aos outros atitudes mais desfavoráveis, do que os que valorizaram o IS abaixo do valor da mediana. Por outro lado, os jovens que valorizaram fortemente o IP atribuíram atitudes mais desfavoráveis aos outros, do que adultos nas mesmas condições. Concomitantemente, verificou-se que adultos que valorizaram fortemente o IP reportaram maior Rejeição Própria à Proximidade com Pessoas Homossexuais, do que jovens nas mesmas condições.
Finalmente, os jovens que não valorizaram nenhum nível de autodefinição atribuíram aos outros atitudes mais favoráveis, do que os adultos nas mesmas condições, enquanto adultos que valorizaram ambos os níveis de autodefinição reportaram maior Rejeição Própria à Proximidade com Pessoas Homossexuais, do que os jovens nas mesmas condições.
Parece que a valorização do nível social de autodefinição da identidade teve impacto nas atitudes manifestadas pelos adultos, tornando-as menos favoráveis. O impacto da valorização do nível pessoal da identidade não foi consistente, parecendo influenciar jovens e adultos de formas opostas. Se nos primeiros, os conduziu a atribuições atitudinais mais desfavoráveis e menor grau de rejeição própria à proximidade, nos segundos conduziu à manifestação de maiores níveis de rejeição própria à proximidade e à atribuição aos outros de atitudes menos desfavoráveis.
A fraca valorização dos níveis de autodefinição da identidade inverteu por completo o padrão anterior, com os jovens a fazerem atribuições atitudinais mais favoráveis do que os adultos.50
Os resultados encontrados, apesar de apontarem para um relativo impacto do nível social de autodefinição da identidade, não consubstanciam, em nosso entender, evidências suficientes para confirmar a última hipótese do Estudo 1, em que prevíamos que seria entre
50 Estes resultados, juntamente com as diferenças encontradas, tanto na Atitude Própria e Atitude Atribuída aos Outros,
quanto na Rejeição Própria à Proximidade e Atribuída aos Outros (anteriormente descritos) serão de novo abordados no capítulo da Conclusão (cf. secções “O impacto do nível pessoal de autodefinição da identidade nos outputs das dinâmicas de grupo”, p. 253, “Impacto diferenciado dos níveis de autodefinição da identidade nas manifestações atitudinais”, p. 255 e “O papel primordial do contexto na emissão de julgamentos”, p. 257). Parece-nos que fornecem indicadores acerca da importância de contextos de comparação salientes e de questões ligadas ao impacto diferenciado do IP e do IS e das normas sociais, na manifestação atitudinal geracional.
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os participantes que valorizassem mais o nível social de autodefinição, que se verificariam as atitudes menos favoráveis em relação às pessoas homossexuais. A hipótese 7 do Estudo 2 adicionou um novo nível à hipótese 7 do Estudo 1, na medida em que, por um lado, e à semelhança desta última, testou o possível efeito que uma valorização diferenciada dos níveis de autodefinição poderia ter nas medidas de preconceito, e, por outro lado, através da manipulação experimental da focalização, testou também a possível influência da saliência do contexto.
Foi nesta última hipótese que se articularam efetivamente, os pressupostos, quer da teoria da identidade social (que propõe que a necessidade de garantir uma identidade social positiva, através da maximização da distintividade intergrupal favorável ao endogrupo, pode levar à emergência de comportamentos discriminatórios, nomeadamente a manifestação de atitudes desfavoráveis relativamente a exogrupos relevantes), quer da teoria da autocategorização, que defende que o comportamento dos indivíduos é contextualmente dependente, ou seja, apenas um contexto que torne saliente uma definição em termos de identidade social do indivíduo o levará a adotar comportamentos baseados nas suas pertenças grupais, e, consequentemente, a discriminar.
No entanto, o conjunto dos resultados que testaram esta última hipótese, não forneceu evidências claras e inequívocas que a possam sustentar. De facto, encontrámos um padrão de resultados diferente daquele que esperávamos. Nem a valorização do nível social de autodefinição da identidade, nem a focalização neste nível de autodefinição da identidade contribuiu, por si só, para a manifestação de posicionamentos mais desfavoráveis em relação a pessoas homossexuais.
Quando os participantes foram focalizados em IS, reportaram atitudes mais desfavoráveis, mas apenas quando valorizavam pouco IP, parecendo que foi mais a fraca valorização da identidade pessoal e não a forte valorização da identidade social, que produziu atitudes decorrentes das pertenças grupais, elicitadas pela focalização em IS. E a valorização forte do IS, conduziu a julgamentos mais desfavoráveis, mesmo quando o contexto focalizava os participantes em IP, mas apenas quando estes simultaneamente valorizavam pouco a sua identidade pessoal. Ou seja, pareceu particularmente relevante a baixa valorização da identidade pessoal na manifestação de atitudes discriminatórias.
Pelo contrário, entre os participantes que valorizaram mais fortemente a identidade pessoal e que foram focalizados neste nível de autodefinição, a valorização simultânea do
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nível social de autodefinição conduziu à manifestação, quer de uma atitude menos desfavorável, quer de menor rejeição à proximidade distante. Isto é, a valorização das pertenças grupais, contribuiu para um posicionamento mais favorável em relação a pessoas homossexuais, o que não seria de esperar, no quadro conceptual que enunciámos. De facto, o que verificámos foi que a valorização mais forte do nível pessoal da identidade, em conjunção com a focalização contextual neste mesmo nível de autodefinição (e baixa valorização do nível social de autodefinição da identidade), conduziu à manifestação de atitudes mais desfavoráveis e de maior rejeição à proximidade distante.
Nas análises parciais, encontrámos, à semelhança do Estudo 1, um padrão de resultados inconsistente em relação ao impacto dos níveis de autodefinição nas atitudes. Por um lado, entre os jovens, tanto a valorização do nível social de autodefinição, como a focalização neste nível de autodefinição, conduziu à manifestação de atitudes mais favoráveis e menor rejeição à proximidade, do que a valorização do nível pessoal de autodefinição ou a focalização neste nível de autodefinição. Os jovens focados no nível social de autodefinição também reportaram atitudes mais favoráveis, do que os adultos focados nesse nível de autodefinição. Por seu turno, os participantes adultos focalizados na dimensão social da sua identidade manifestaram maior rejeição à proximidade, do que os participantes jovens nas mesmas condições e também do que os adultos focalizados na dimensão pessoal da sua identidade. Isto é, enquanto os jovens focalizados na dimensão social da sua identidade reportaram atitudes mais favoráveis, do que os jovens focalizados na dimensão pessoal da sua identidade, com os adultos verificou-se o padrão oposto.
Este último resultado, juntamente com o resultado encontrado nas análises globais com a valorização forte do IS, fornecem um suporte parcial à hipótese 7, na medida em que evidenciam o impacto do nível social de autodefinição nas atitudes manifestadas. No entanto, e à semelhança do Estudo 1, a hipótese 7 não recebeu suporte suficiente que a confirmasse, uma vez que prevíamos que seria entre os participantes que valorizassem mais o nível social de autodefinição e simultaneamente estivessem focalizados neste mesmo nível de autodefinição, que se verificariam as atitudes menos favoráveis em relação às pessoas homossexuais e maior rejeição à proximidade com pessoas homossexuais.51
51 Cf. secções “O impacto do nível pessoal de autodefinição da identidade nos outputs das dinâmicas de grupo” (p. 253),
“Impacto diferenciado dos níveis de autodefinição da identidade nas manifestações atitudinais” (p. 255) e “O papel primordial do contexto na emissão de julgamentos” (p. 257), do capítulo da Conclusão, onde se apresenta e discute uma tentativa de interpretação destes resultados.
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