L’intégration, les structurations
1.4. Savoirs et relations dans la structuration Agence d’objectifs
O estilo arquitetônico segue os padrões da época do povoamento do município, ou seja, século XIX, principalmente o existente no Vale do Paraíba, visto que os desbravadores eram originários de Taubaté e Pindamonhangaba. Predominando o pau-a-pique, com telhados de quatro ou duas águas, telha de canal e simetria na distribuição das portas e janelas da residência. O uso freqüente do pau-a-pique se deve a facilidade na obtenção de madeiras próprias para esse tipo de construção, como a sapucaia, sucupira, canela- preta. Também eram utilizadas pedras nos alicerces de algumas construções, principalmente nas casa de fazendas.
Nesse tipo de construção, as paredes mediam de dezoito a vinte e cinco centímetros de espessura, com madeiramento do telhado feito em madeira roliça, raramente trabalhada em ângulos retos. As ripas eram amarradas com correias de couro, cipó ou pregadas. O assoalho era o tipo de piso mais utilizado, bem como o forro de madeira e posteriormente, o estuque, uma técnica de pintura resultante originalmente, da mistura de cal e água, aos quais era adicionado pigmento, conferindo a parede uma cobertura texturizada e rústica. Nas residências mais abastadas eram utilizados papéis de parede. A taipa de pilão foi muito utilizada para a construção de muros, não se encontrando referências sobre casas de taipa de pilão, salvo é claro, a Igreja Matriz.
O acabamento consistia em cal na pintura de paredes, predominando a cor branca. As portas, janelas e partes de madeira eram pintadas de azul, raramente utilizava-se o laranja, o verde e o azul claro. Barras coloridas no interior também eram comuns nessa época. Vidraças significavam luxo e abastança, surgindo no final do século XIX. As casas do século XX se assemelham as antigas, porém, eram feitas com tijolos e recebiam uma pavimentação com ladrilhos hidráulicos na cozinha.
A zona urbana se desenvolveu ao redor da Igreja Matriz primitiva, construída a partir de 1828, porém, de forma desordenada. Data de 17 de abril de 1895 o Código de Posturas Municipais, que regulamentava a construção e abertura de ruas. No ano de 1929 surgem novas leis que regulamentam a construção de casas, dispondo a localização de cada cômodo e seu tamanho,
disposição de portas e janelas, a largura das paredes, entre outras normas, citadas por Silva (s/d:44):
As paredes, por exemplo, deveriam ser construídas com materiais que oferecessem segurança e condições de higiene, isoladas do alicerce por placas de asfalto, ou duas fiadas de tijolos, assentados com argamassa forte de cimento, com largura mínima de trinta centímetros. Os dormitórios, salas de visita ou de refeições e escritório, teriam uma área mínima de dez metros quadrados. A cozinha não se comunicaria diretamente com os dormitórios ou latrinas e seriam bem iluminadas.
A altura das paredes seguia metragem antiga, havendo casos em que se cumpria a lei apenas nas paredes do lado externo da residência, sendo as internas construídas de pau-a-pique.
O modelo rígido de ordenamento territorial visto na área urbana, não é observado nas áreas rurais, onde tudo acontecia em função das necessidades e condições de cada família. As casas não obedeciam padrões, normas de altura das paredes, tamanhos dos cômodos ou mesmo tipo de cobertura. Predominantemente era utilizado o pau-a-pique, variando apenas o tipo de cobertura - sapé para os menos favorecidos, e telha canal para os de maior poder aquisitivo. Havia porém, uma preocupação com a distribuição, ou ordenamento dos cômodos na residência, como apresentado por Silva (s/d, p.46):
Pequenos ou grandes, os cômodos eram dispostos de forma a servir aos membros da família. Quartos com portas comunicando-se com a sala, destinavam-se aos filhos homens e as visitas. O quarto do casal dava para algum corredor ou cozinha, o mesmo acontecendo com os destinados às filhas moças, contíguos ao do casal, às vezes sem janelas e comunicação direta com o dos pais.
Nas paredes eram utilizadas uma mistura de terra e estrume de vaca para o reboco e tabatinga, obtida com areias claras colorida com cal para a pintura. O piso era batido, nem sempre plano, com buracos e declives. Os telhados ficavam a uma pequena distância das cabeças dos moradores em função da pequena altura das paredes. Os quartos eram pequenos, onde o morador apenas passava a noite, quase que exclusivamente para dormir, visto
que até mesmo as janelas eram minúsculas. Salas e cozinhas eram um pouco maiores, já que seus moradores passavam a maior parte do tempo nesses cômodos. Caso a família crescesse, fazia-se um “puxado”, um outro cômodo agregado a construção original, geralmente com altura inferior, para remediar a situação.
Aos poucos o sapé foi substituído pela telha de canal e o pau-a-pique pelo tijolo. As paredes ganharam mais altura e as casas ganharam varandas e dispensas. O chão, entretanto, continuou de terra batida, principalmente nas cozinhas. A cozinha por sua vez funcionava como um reduto feminino, mantendo fora dos olhares indiscretos das visitas masculinas as mulheres da casa. (SILVA, s/d, p.46)
Entretanto, o fator que mais pesava na escolha de um local para a construção de moradia era a existência de água, que depois era levada para um lugar conveniente por meio de valetas, ou regos d’água, ou era represada.
Atualmente o estilo das construções não segue padrões arquitetônicos, sendo determinado pelas condições econômicas e gostos de seus moradores.
Figura 13 - Construção histórica na área urbana de São Bento do Sapucaí
Figura 14 e 15 - Construção histórica na área urbana de São Bento do Sapucaí / Casarão na área urbana de São Bento do Sapucaí, hoje transformado em pousada.
Autor: André Pavani Grecco (1999)
Figura 16 – Igreja do Bairro do Quilombo - São Bento do Sapucaí. Data do final do século XIX.