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Le patrimoine culturel dans une perspective historique

A. Genèse de la protection du patrimoine culturel

2. Dans le cadre de l ’ islam

3.4. Saint Thomas d ’ Aquin

A crítica musical, especificamente aquela encontrada no jornalismo diário e nas revistas, não foge ao clima apocalíptico apontado no começo deste capítulo. Existe um discurso sobre a crise dessa prática, tão forte quanto existe uma ansiedade pela que a mesma simplesmente exista. O argumento da crise não é homogêneo, mas encontra pontos similares entre os diversos autores que os defendem. O resultado, entretanto, é um só: de que se esta já não for uma atividade falida, que está vivendo seus últimos momentos e, categoricamente, perto de encerrar. O jornalista e historiador Geraldo Couto, em palestra, defende sua perspectiva de crise:

O da capitulação dos segundos cadernos aos aspectos mais superficiais, frívolos e emburrecedores da indústria cultural, sobretudo da televisão. Não estou censurando o fato de os jornais falarem dos produtos da indústria cultura, sejam eles filmes de Woody Allen ou telenovelas mexicanas, vídeos de ópera ou discos de Chitãozinho e Xororó. O problema é a adesão acrítica à mais rasteira mistificação, é a facilidade com que o jornal compra e revende gato por lebre, fazendo com que a promoção de uma telenovela se disfarce em ‘perfil’ do ator tal ou discussão da ‘temática do momento’ (COUTO, 1995)17.

17Disponível

em<http://www.bb.com.br/portalbb/page251,138,2514,0,0,1,6.bb?codigoMenu=5253&codigoNoticia=6704&codigoRet=5 255&bread=1> - Acessado em 10.09.2011

Este um argumento que é similar à visão que é apresentada por Daniel Piza que, ao postular sobre uma “crise de identidade” no jornalismo cultural, falar da complexa relação de dicotomias entre erudito e popular, nacional e internacional, como “falsos dilemas” que precisam ser enfrentados cotidianamente (2003). Isso levaria um favorecimento da crítica superficial a produtos destinados puramente ao entretenimento, inclusive na abertura da pauta da crítica para assuntos menos pontuais, como a gastronomia, que enfraquece a relação entre a instituição jornalística e o mercado. A crítica perderia sua própria noção de formadora de opinião.

Esse é um ponto em comum entre os diversos pensadores sobre a crítica cultural em geral:a partir do momento que a crítica consolida seu discurso em torno de produtos de entretenimento de consumo rápido - como, por exemplo, filmes que ficarão poucos dias em cartaz, shows que acontecem com uma frequência constante em uma cidade, discos de coletâneas em torno de um assunto específico como “canções de amor” ou “o melhor do [gênero]” - se aproxima em um grau que é considerado perigoso dos departamentos de divulgação e marketing das empresas por trás desse produto. Geraldo Couto também discorre sobre o assunto:

Outro calcanhar de Aquiles - se é que se pode ter mais de um - do jornalismo cultural é sua relação um tanto promíscua com os departamentos de marketing das empresas de cultura e/ou promotoras de eventos. Muitas vezes, pessoas de fora do meio jornalístico perguntam se determinada matérias são compradas. A verdade é que a corrupção ocorre de modo muito mais sutil, às vezes quase imperceptível. Gravadoras de discos ou empresas promotoras de eventos compram de fato espaço na mídia quando oferecem, por exemplo, passagem para um jornalista ir a Nova Iorque entrevistar determinado popstar. O jornal, que nunca desembolsaria um tostão para conseguir tal entrevista, sente-se na obrigação de abrir-lhe um espaço de destaque em suas páginas (COUTO, 1995)

Esse argumento tem uma aproximação que faz parte da atual condição capitalista da produção simbólica como aponta Jean-Pierre Warnier:

A atividade das indústrias culturais e mediáticas somente continuará a existir a longo prazo se respeitar as lógicas econômicas. As empresas devem estocar

receitas, vendendo espaços ou tempo de programação a anunciantes publicitários, ou vendendo produtos culturais. A publicidade oferece a dupla vantagem de fornecer ao mesmo tempo financiamentos e conteúdos (WARNIER, 2000, p. 84).

Em relação a este ponto, Gadini conecta a crise da crítica cultural ao potencial agendador das publicações onde estão inseridos.

A mesma lógica da economia de mercado também deixa os próprios editores numa espécie de ‘necessidade’ de tentar seguir o ritmo dos lançamentos, os de produção em escala industrial ou localizada, que determina boa parte dos temas e das principais matérias publicadas pelos cadernos. Diante dessa ‘pressão’, direta ou indireta e nem sempre tão explícita, o temar de levar um furo (informação) faz que alguns editores acabem por noticiar quase simultaneamente aos demais diários, mesmo que sem maiores preparações, ‘aproveitando’ material de agência - como ocorre com a maioria dos diários estaduais -, buscando conciliar uma suposta necessidade de ‘não ficar atrás’ com a pouca estrutura de produção jornalística própria, como é comum em boa parte dos jornais do país (GADINI, 2009, p. 282).

A afirmação evidencia diversos pontos que podem ser associados diretamente a essa crise da crítica, principalmente quando associada às pressões editoriais nas quais estão inseridas:carência de equipe especializada, prazos curtos para reflexão e produção, a relação com a concorrência, além da já reforçada relação com os departamentos de marketing, noção que já aparece na crítica de forma mais branda, mas que ganha mais ênfase na relação da mídia com a sociedade como um todo. Essa característica se assemelha ao conceito que McCombs apresenta de agendamento18 (2009) e explica como um resultado da

necessidade de orientação das pessoas na sociedade pode ser definida a partir das variáveis entre relevância e incerteza.

Essa necessidade de orientação está ligada à formação e bagagem cultural do público a que se destina. Uma perspectiva que corrobora as noções de contrato de leitura de Verón e da relação da crítica com um público ideal proposta por Frith. O que McCombs tensiona é justamente referente à “necessidade de orientação”, que será baixa quando tanto a relevância quanto o nível de incerteza forem baixos. Algo que se conecta ao argumento da crise, se considerarmos que o fim abrupto de publicações culturais esteja relacionado a uma suposta baixa de

relevância. Algo que não cabe, nesse contexto, de ser investigado. Mas que aponta a uma conexão entre ideias em torno da crise da crítica caso venha ser feito esse esforço em uma outra pesquisa.

É interessante, principalmente a conclusão que busca essa tese, um outro argumento da crítica que corre paralelamente aos apresentados aqui, mas que não vai destacar as questões enfraquecidas pelo atrelamento ao mercado,mas justamente as consequências de não estar atento ao que acontece em um circuito consolidado através de departamentos de marketing e estratégias de divulgação massiva de produtos culturais a partir de grandes corporações. Um argumento que vai enfatizar uma crise a partir da falta de percepção que a crítica tem hoje de uma produção cultural que corre por fora dos circuitos tradicionais de produção, circulação e consumo.

No ápice de um debate proposto na Folha de S. Paulo, a partir do jornalista e crítico de música Álvaro Pereira Jr., sobre a atual cena de música independente do país, a pesquisadora Ivana Bentes publicou, em resposta, o texto “Adeus aos críticos? Jornalismo cultural e a crise dos mediadores”19 onde apresenta outra

perspectiva. Segundo Ivana:

Hoje é ‘o crítico’ de jornal que tem que responder e seguir o twitter (e outros dispositivos das redes) para não ficar fora do circuito e fora dos debates, e não o contrário, no momento em que os jornais impressos e a mídia de massa perdem autoridade e protagonismo para as redes e precisam delas para ter uma ‘sobrevida’ e feedeback (BENTES, 2010)

Nas palavras de Ivana a crise se evidência pela falta de um olhar mais cuidadoso da crítica parao que se produz fora da indústria cultural consolidada. Ivana fala de um crítico que descobre “perplexo” que existem novas lógicas de consumo em mercados de nicho e ações legitimadoras a partir da participação do público (ANDERSON, 2006). Em essência, sua fala pode ser interpretada como a provocação de que a voz do público tem uma diferença no atual contexto que a internet aparece como suporte mediador da comunicação. Uma diferença que desafia, inclusive, o potencial agendador da crítica e como ela vai se situar no papel de revelador ou legitimador de certas movimentações culturais. A autora

acentua sua defesa em favor de uma nova cena musical falando do fim da onipotência da mídia tradicional em favor das articulações de quem, antes, era apenas um leitor passivo.