Partie II Cartographies
Chapitre 7 Ancrages et déplacements
7. b. Ruses d'une femme divorcée
No que respeita ao terceiro ponto “Envolvimento dos pais/ encarregados de educação dos alunos de origem estrangeira com a comunidade escolar” o objectivo salientado é o seguinte:
• Caracterizar e identificar as expectativas e opiniões dos pais relativamente à instituição escolar e à sua integração na sociedade.
Concluimos que a relação entre os educadores e os pais/encarregados de educação é, de uma forma geral, positiva. No entanto, cada educador tem uma relação muito específica com os pais das crianças. Mais uma vez, e neste ponto muito concretamente, se sentem os preconceitos dos educadores, os pais brasileiros são “de tal forma”, os pais “de leste” comportam-se de outra maneira, e assim sucessivamente, e os educadores, com esta
atitude, também condicionam a relação com os pais e o seu envolvimento na sala de aula bem como na própria dinâmica da instituição escolar.
Neste sentido, Leite (1996) afirma que se desejamos uma escola para todos, temos de aceitar o desafio de prever e conceber diferentes processos e meios de ensinar, para que se criem condições onde todos se sintam reconhecidos e valorizados.
Os pais, de uma forma geral consideram que há um certo intercâmbio de culturas mas nem sempre sentem a sua cultura valorizada. De uma forma muito unânime, consideram que os seus filhos estão perfeitamente integrados na escola, o que consideramos ser muito positivo.
Os educadores referiram realizar actividades com os pais, que são convidados a ir à escola partilhar determinados aspectos culturais, e são actividades que os educadores e os pais consideram muito gratificantes para todos os intervenientes no processo educativo, nomeadamente para as crianças.
Nos projectos educativos e curriculares estão previstas actividades com os pais e apela-se à sua participação.
Concluiu-se que embora os pais se interessem pela educação e pela integração dos seus filhos na sociedade que os acolhe, o seu principal objectivo é voltar ao seu país de origem, o que poderá comprometer a sua integração e aumentar a clivagem entre as duas culturas.
Os pais desejam que os seus filhos se adaptem à nova realidade mas querem criar laços com um passado que, muitas vezes, não pertence à criança. A migração implica uma série de descontinuidades e uma reorganização para a qual estas famílias têm que estar preparadas.
3.1.4. Necessidades Educativas Especiais e Alunos de Origem Estrangeira
Quanto à temática “Necessidades Educativas Especiais e alunos de origem estrangeira”, salientámos o seguinte objectivo:
• Diferenciar as opiniões dos docentes acerca das reais necessidades educativas especiais dos alunos de origem estrangeira.
Podemos concluir que, à excepção de um educador, todos os outros sentem que as crianças de origem estrangeira que não dominam o idioma português sentem dificuldades muito específicas na sua integração e os educadores sentem que necessitariam de algum apoio adicional.
A questão do idioma é salientado por pais e por docentes e está, muitas vezes, na base das dificuldades sentidas. Segundo a European Agency for the Development of Special Needs (2009) não existe concenso sobre o uso da língua materna dos alunos sendo que alguns investigadores são a favor da educação bilingue, outros argumentam que os alunos, na escola (e mesmo na família), devem usar apenas a língua do país de acolhimento.
Os educadores mostraram estar informados quanto aos apoios educativos, uma vez que referiram saber que estas crianças não poderiam ter apoio por não ter necessidades educativas especiais de carácter permanente nem comprovadas, o que não os impede de afirmar que estas crianças, em determinado período do seu percurso escola, possuem necessidades educativas especiais.
Em conversas informais em contexto de trabalho com a docente que apoia crianças com NEE na instituição escolar onde se realizou este estudo, referiu que os educadores normalmente a confrontam com problemas destas crianças e normalmente muito válidos. No entanto, por as necessidades educativas não serem nem comprovadas e por não terem carácter permanente, estas crianças não beneficiam de qualquer tipo de apoio complementar.
Os pais consideram que as crianças com outra cultura e por dominarem outro idioma, este facto constitui uma mais valia para a criança e vai desencadear sucesso no percurso escolar destas crianças.
Os educadores reconhecem que as crianças se integram com relativa facilidade e que ultrapassam as dificuldades, mas continuam a sentir que um apoio adicional seria uma mais valia para estas crianças.
Numa tentativa de responder à questão de partida: “ As crianças de origem emigrante
são percepcionadas como alunos com necessidades educativas especiais?” arriscamos a
responder que não, no sentido restrito que se atribui à denominação de NEE, mas se analisarmos a denominação, concluimos que estas, como muitas outras crianças, têm em determinadas fases do seu percurso necessidades educativas especiais e se beneficiassem de um apoio adicional, estariam mais despertos para as aprendizagens formais.
É de realçar que estas dificuldades referidas pelos educadores, estão de uma forma sistemática relacionadas com a questão do idioma. Podemos inferir que as dificuldades destas crianças estão sempre associadas a questões de idioma.
Arriscamos inferir que a escola está preparada para receber estas crianças, uma vez que os educadores, com ou sem apoio adicional, conseguem que estas crianças sejam bem sucedidas no processo educativo. No entanto, são tantos os preconceitos que estes educadores possuem que dificilmente os ultrapassarão sem se recorrer a meios externos, nomeadamente formação de docentes e sensibilizações nesta área.
As reais dificuldades dos alunos prendem-se com o desconhecimento do idioma. Os docentes partilham das mesmas dificuldades, no entanto na incapacidade de comunicarem com as crianças.
Podemos concluir que as dificuldades dos pais se prendem com a questão cultural, ou seja, os pais querem que a cultura dominante da criança continue a ser a de origem e não a do
país acolhedor não querendo perder as origens uma vez que o projecto de vida da maioria dos pais participantes no estudo se prendem com o regresso ao país de origem.
Embora consideremos que as crianças estão bem adaptadas, poderia recorrer-se a formações para pais e docentes que esclarecessem algumas temáticas relacionadas com a multiculturalidade/ interculturalidade e que derrubassem barreiras.
Todos teriam a ganhar…