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d. À leur âge, elles se cachent pour fumer

Partie II Cartographies

Chapitre 7 Ancrages et déplacements

7. d. À leur âge, elles se cachent pour fumer

Uma das formas de associar o órgão a um espírito de maior sacralidade, surgiu com a iconografia de Santa Cecília. Esta santa da Igreja, não consta ter sido organista, contudo é, muitas vezes, representada tocando um pequeno portativo, especialmente na pintura barroca, a partir do século XVI, mas que comummente se considera fruto de uma tradução menos correta da antífona latina do introito da festa de Santa Cecília: “cantantibus organis, Cecilia virgo in core suo soli Domino decantabat” (enquanto tocavam os instrumentos musicais, a virgem Cecília cantava no seu coração somente a Deus), mas que foi interpretado como se Santa Cecília cantasse acompanhada pelo tocar de um órgão.

Pertencente a uma ilustre família romana do século III, Cecília era mesmo filha de um dos senadores romanos e uma professa cristã desde a infância42.

Na Idade Média, foi uma das santas mártires mais veneradas, com inúmeras referências na arte, na música e menção na liturgia cristã (Zwilling, 2015: 148-149).

As referências que chegaram aos nossos dias dão conta de duas personalidades: a Santa Cecília histórica e a Santa Cecília da lenda (vide Anexo 1). A primeira foi uma jovem e nobre romana que terá doado a sua casa e um terreno aos cristãos dos primeiros séculos. Mais tarde, no local da casa, terá sido edificada uma igreja e, posteriormente, uma basílica a que se dá o nome de Santa Cecília, no bairro de Trastevere, em Roma. No caso do terreno,

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foi utilizado como caemiterium, conhecido por cemitério de São Calisto, com as suas catacumbas onde a própria Cecília terá sido sepultada (Zwilling, 2015: 148-149). A continuidade da história desdobra-se em lenda, por volta do século V – VI, a propósito do túmulo de Cecília e da peregrinação em muitos cristãos junto do mesmo. Essa lenda conta a entrega de Cecília a Deus, a conversão do seu esposo, Valeriano, e do irmão deste (vide anexo 1). Num tempo de perseguição aos cristãos, não tardou que Valeriano e o irmão fossem presos e, recusando-se adorar Júpiter, condenados à morte. Quando recolhia os corpos para sepulta-los, Cecília foi presa e levada perante o representante do imperador Túrcio Almáquio. Este condenou-a a morte no caldarium43, mas Cecília, mesmo agonizando,

não pára de cantar. Não resultando essa forma de martírio, foi dada ordem para que lhe cortassem a cabeça o que também não resultou em morte imediata, tendo permanecido em agonia durante três dias, período no qual se deram mais conversões. O corpo será depois depositado no cemitério de São Calisto por ordem do Papa Urbano I e a sua casa transformada em Basílica (Ibidem, 152-153).

Alguns anos mais tarde, o Papa Pascoal I (817-824) renova a Basílica de Santa Cecília e, tendo um sonho em que a santa lhe indicara o local da sepultura, transfere o corpo incorrupto para a Basílica, em Trastevere, onde permaneceu ao culto até ao século XVI.

Em 1600, foi realizada a conhecida escultura em mármore da mártir deitada, por Stefano Maderno, que retrata a exata posição em que se encontrava o corpo sepultado. Nela sobressai a posição dos três dedos destacados da mão direita, que simbolizariam a crença na Santíssima Trindade.

Santa Cecília torna-se padroeira da música e dos músicos não por estar demonstrado que executasse algum género de instrumento, mas mais pela sensibilidade e apreço face à música. Nas “Atas de Santa Cecília”, refere Zwilling (2015), surge a frase “acompanhando a melodia dos instrumentos que tocavam nas suas bodas, Cecília cantava no seu coração um hino de amor a Jesus, seu verdadeiro Esposo”. Nas mesmas “Atas” foi a antífona “Cantantibus organis Caecilia decantabat”, a que já se fez referência atrás, que levou à atribuição do título de padroeira dos músicos em 1594, pelo Papa Gregório XIII.

Nas representações iconográficas e nas alegorias, surge associada a instrumentos musicais, principalmente ao órgão. Não será de estranhar que a maioria dessas representações surjam a partir dos finais do século XVI, altura em que lhe é atribuído a

43 Forma de execução da pena de morte no Império Romano, em que o condenado era mergulhado em água a ferver. O

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padroado musical e que coincide com o Concílio de Trento, em que se afirma o órgão como o instrumento musical da Igreja. Em representações anteriores é destacada a palma, símbolo do martírio (Zwilling, 2015: 156).

Deste modo, associar a santidade da mártir e a sua fidelidade e virtude perante Deus ao órgão, como instrumento musical, foi um argumento poderoso para definir a importância que a Igreja depositava na sacralidade deste instrumento.

Santa Cecília, pintura de Justus Sustermans, inícios do séc. XVII.

Santa Cecília, Simon Vouet, c. 1626.

Sta. Cecília ao órgão, escultura de Roque López, 1783.

In: www.bbc.co.uk (em 20/8/2017). In:https://www.flickr.com/photos/

euthman/2388999371 (em 20/8/2017).

In: www.regmurcia.com (em 20/8/2017).

Imagem 8 – Várias representações de Santa Cecília ao órgão.

Em várias igrejas vão surgir representações da Santa Cecília, quer em pintura, quer em escultura e vitral, na grande maioria tocando ou junto a um órgão portativo de tubos. Raramente, tocando alaúde, harpa, cravo ou outro instrumento (Ibidem, 175-182).

No período Barroco ficaram conhecidos, por toda a Europa, grandes festivais de música a que se deu o nome “Festivais Cecilianos”.

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II PARTE – O órgão como instrumento musical

1. Diferentes tipologias de órgão