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La restructuration financière

STRATEGIES D’INDUSTRIALISATION EN ALGÉRIE DE 1967 À1990

2.3. Application de la restructuration des EPE

2.3.2. La restructuration financière

Uma vez que a teoria do desenvolvimento sustentável tem focado a ideia de que se deve usufruir do espaço em que se vive de forma que sejam garantidas condições mínimas e adequadas para as futuras gerações, a preocupação em lidar com técnicas alternativas para cuidar do meio ambiente tem sido uma prática corriqueira nos estudos realizados por parte de alguns pesquisadores, para que o meio ambiente seja preservado de maneira mais eficaz. No caso específico do potencial de utilização dos RCDs, têm-se evidenciado a capacidade e a viabilidade com que diversos tipos de resíduos gerados pela área de construção civil têm sido aproveitados em países como Austrália, Brasil, China, Estados Unidos, França, Holanda, Noruega, Reino Unido e Suécia, nos mais variados serviços da engenharia como: fabricação de blocos de concreto sem fins estruturais, blocos intertravados para calçadas, materiais constituintes de camadas de base, sub-base e reforço de subleito em pavimentos submetidos a um baixo volume de tráfego, agregados reciclados para uso em obras de drenagem, dentre outras soluções. Conforme será apresentado a seguir, HENDRISK & JANSSEN (2001), PETKOVIC et al. (2004) e HENDRIKS et al. (2007) mencionaram que em épocas passadas, já haviam sido realizados usos de agregados reciclados

De acordo com HENDRISK & JANSSEN (2001), o uso de materiais reciclados provenientes da construção civil tem sido empregado a cerca de alguns anos, porém, sem nenhum embasamento científico catalogado. Segundo esses autores, antigas estruturas de concreto executadas nos tempos romanos, possuíam, na sua composição, uma mistura de cal, resíduos de tijolos quebrados e outras substâncias com um elevado teor pozolânico, capaz de produzir um material resistente para a solução empregada na época.

PETKOVIC et al. (2004) afirmaram que na Europa a reciclagem de materiais oriundos da construção civil teve o seu desenvolvimento acelerado a partir de 1980, destacando que a Noruega e a Holanda detiveram um grande interesse por esses materiais alternativos, haja vista que esses países apresentavam dificuldades espaciais para a estocagem de resíduos em aterros sanitários, além de estarem com parte de seus recursos naturais escassos.

HENDRIKS et al. (2007) reportam que escombros de construção foram empregados na Holanda em 1874 para recuperação de pavimentos, e, em 1920 esse país utilizou agregados reciclados como materiais básicos para a execução de aterros e como agregados na fabricação de concretos e asfaltos. Ainda de acordo com HENDRIKS et al. (2007), em 1970, motivados pela crise de petróleo, a Holanda utilizou asfaltos triturados para a recuperação de pavimentos pré-existentes. Atualmente, devido ao aumento da conscientização com as questões ambientais, a prática da reciclagem dos RCDs tem sido cada vez mais empregada no Brasil e no mundo. BODI et al. (1995) mencionam que em 1989 a Superintendência das Usinas de Asfalto da Prefeitura Municipal de São Paulo deu início aos estudos voltados para as diferentes formas de aproveitamento dos resíduos de construção e demolição gerado pela cidade de São Paulo - SP. Inicialmente, a preocupação dos estudos era gerar uma alternativa de aproveitamento dos RCDs, de modo a possibilitar um incremento de vida útil para os aterros sanitários da cidade de São Paulo, uma vez que se encontravam com uma baixa capacidade de armazenamento.

TRICHÊS & KRYCKYJ (1999) relatam que os RCD após passarem por uma etapa de beneficiamento podem ser empregados nas mais diferentes aplicações como, por exemplo, na confecção de elementos pré-moldados e na execução de camadas em estruturas de pavimentos.

Segundo HENDRISK & JANSSEN (2001), na Holanda, 85% dos RCD são utilizados para essas duas finalidades. TRICHÊS & KRYCKYJ (1999) destacam ainda, que além dessa medida reduzir gastos públicos com aterros e com novos materiais para construções de pavimentos, essa política propicia um aumento da vida útil dos aterros destinados ao armazenamento de resíduos sólidos urbanos em funcionamento, visto que os atuais aterros teriam aumentados a sua capacidade pela inibição das descargas clandestinas ao longo das vias públicas.

BRITO FILHO (1999) menciona a utilização de agregados reciclados como camadas drenantes, lastro para assentamento de tubos e guias, além do seu emprego no envelopamento de galerias de estabilização de solos expansíveis ou com baixa capacidade de suporte. Ainda de acordo com BRITO FILHO (1999), os agregados reciclados também podem ser empregados em regularização e cascalhamento de ruas de terra, sendo vantajosos neste tipo de situação em relação às britas corridas comuns, em virtude da coesão provenientes de reações pozolânicas que o tornam um material menos erodível.

LIMA (1999) aponta que os agregados reciclados oriundos da geração de RCD podem ser empregados na produção de concreto e argamassa para diferentes fins estruturais como contra pisos e componentes de alvenaria. Nessa mesma linha de pesquisa, COSTA (2006) destaca que desde 1980 o Brasil começou a estudar o aproveitamento de resíduos da construção, na forma de agregados, para a fabricação de argamassas e concretos sem fins estruturais, como uma fonte alternativa em alguns serviços de engenharia. Essa autora descreve também que a Bélgica, em 1986, realizou algumas pesquisas com RCD com o objetivo de desenvolver normativas para uso de agregados reciclados no país. Por último, COSTA (2006) menciona que em 1989 a Dinamarca realizou algumas experiências com RCD de modo a produzir agregados reciclados voltados para a fabricação de blocos de concretos.

BAKOSS & RAVINDRARAJAH (1999) destacaram que em países como a Austrália tem sido comum a mistura de agregados reciclados de concreto com quantidades limitadas de tijolos britados e solo, para a obtenção de um produto reciclado considerado adequado para uso em pavimentação. Neste contexto, ARM (2001) mencionam que na Suécia o emprego de agregados reciclados de concreto tem sido usado para as diferentes camadas da estrutura de pavimentos, de

modo que esses materiais alternativos têm produzido um incremento no módulo de resiliência para diferentes tempos de cura, desenvolvendo um aumento da resistência ao longo do tempo. TRICHÊS & KRYCKYJ (2000) apontam que agregados reciclados tendem a apresentar propriedades geotécnicas compatíveis para utilização na construção de obras viárias. Segundo esses autores, do ponto de vista geotécnico, os agregados reciclados são considerados materiais não plásticos, o que permitem a sua utilização em locais com a presença de água, por gerar pouca ou nenhuma lama. Além disso, esses materiais podem ser empregados como redutores de plasticidade na estabilização de alguns solos e tendem a produzir expansibilidades baixas ou nulas, mesmo na condição saturada, quando aplicados em camadas compactadas de pavimentos. CARNEIRO et al (2001) mencionam que o uso do RCD em camadas de pavimentos urbanos tem sido uma das soluções mais difundidas nos últimos tempos. Segundo esses autores, o aproveitamento destes materiais em pavimentação apresenta muitas vantagens, como: a utilização de uma quantidade significativa de material reciclado, tanto na fração miúda quanto na graúda; simplicidade dos processos de execução do pavimento e de produção do agregado reciclado (separação e britagem primária). Desse modo, todos esses aspectos contribuem para a redução dos custos, difusão dessa forma de reciclagem e a possibilidade de uso dos diversos materiais componentes desses resíduos (concretos, argamassas, materiais cerâmicos, areia, pedras, etc.). BALZAN et al. (2003) mencionam que logo após a publicação da Resolução n.º 307 do CONAMA várias pesquisas têm se desenvolvido no Brasil na área de pavimentação, de modo a caracterizar os RCD na forma física, química e mecânica. Esses autores destacam que as cidades brasileiras como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiânia, Uberlândia, Salvador e Brasília já tiveram experiências em obras de pavimentação com o uso de RCD, chegando-se a conclusão de que esses materiais alternativos apresentam boas condições de utilização, desde que sejam convenientemente reciclados e avaliados previamente.

BERNUCCI et al (2005) reforçam a idéia que, desde a década de 80, o Brasil vem realizando experiências de aplicação do resíduo sólido de construção civil como material de pavimentação, porém, sem estudos sistemáticos e monitoramentos periódicos. No entanto, esta autora revela que

no início da década de 90, foi instalada pela Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP) a primeira recicladora de RCD do Brasil e que no final de 2004, iniciou-se uma pavimentação do sistema viário do novo Campus da Universidade de São Paulo (USP) na zona Leste (USP-Leste), seguindo um projeto inovador de pavimento ecológico, com o emprego de materiais reciclados em toda sua estrutura. A Figura 2.4 mostra uma vista geral da recicladora instalada pela Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP).

Figura 2.4 - Recicladora instalada pela PMSP. FONTE: BERNUCCI et al. (2005).

É importante destacar que um aspecto que pode dificultar a utilização de agregados reciclados está diretamente relacionado à grande heterogeneidade dos RCD. Dessa forma, a realização de um controle tecnológico rigoroso para esse tipo de material alternativo, no âmbito da engenharia rodoviária, se faz necessário, no sentido de determinar parâmetros físicos, químicos e mecânicos, visando aferir a qualidade dos RCD, de modo a atender as soluções de engenharia propostas para área de pavimentação. Segundo FRANÇOIS & JULLIEN (2009), o uso de RCD em obras de pavimentação dependerá das características da sua composição e das condições locais que incluem: intensidade das cargas mecânicas induzidas pelo tráfego rodoviário; temperatura ambiente; umidade; e, reações a vários produtos que podem ser derramados sobre a superfície do revestimento e venham a penetrar na estrutura do pavimento como um todo. Além disso, esses autores destacam que a localização do material alternativo e o custo de transporte constituem os elementos essenciais para a viabilização do seu emprego em obras de pavimentação.