• Aucun résultat trouvé

Les recommandations du Rapport mondial sur le handicap relatives aux services

A primeira de todas as organizações, a AMTR foi criada em 03 de maio de 1989, no processo de luta e de organização dos trabalhadores. Essa associação surgiu dos Clubes de Mães que existiam em cada povoado e tinham o objetivo de tentar encontrar alternativas econômicas que melhorassem as condições de vida das famílias. De fato, poucos anos após o surgimento do Povoado Ludovico, fundado em 10 de setembro de 1983, as mulheres dessa região se juntaram para constituir uma só associação que representasse os interesses de todas as comunidades envolvidas nos conflitos mencionados anteriormente.

Suas primeiras ações foram no sentido de obter melhorias no acesso a educação e a saúde para as crianças dos povoados. Depois, incorporaram questões como a conscientização política e o treinamento para a produção com babaçu. Assim, da fabricação de roupas e da lavoura se consolidaram na fabricação de sabão de coco babaçu (SOUZA, 1998: 172), que era comercializado no próprio povoado, mas que acabou ganhando mercado também na zona urbana do município de Lago do Junco, sob o rótulo “sabão mulher”.

92 Essa luta é travada no âmbito das administrações municipais e do Governo Federal, no tocante a aprovação de uma lei com abrangência nacional que desvincule a propriedade da terra à propriedade do babaçu nela encontrado, cedendo livre acesso para os que dele dependam como alternativa direta de sobrevivência. Essa Lei do Babaçu Livre já se encontra aprovada nos municípios de Lago do Junco, Lago dos Rodrigues, São Luís Gonzaga do Maranhão, Esperantinópolis e Capinzal do Norte, todas no Médio Mearim Maranhense.

Essa experiência serviu de base para a idealização da atual fábrica de sabonetes de óleo de coco babaçu, instalada no povoado Ludovico, município de Lago do Junco. Essa iniciativa, apoiada por uma organização estrangeira (1993), a Misereor (Alemanha), forneceu os recursos necessários para o começo da fabricação de sabonetes. No início, era feita de maneira artesanal e executada em cinco núcleos no município de Lago do Junco (Ludovico, Centrinho, São Manoel, Três Poços e São João da Mata). O UNICEF também aportou recursos, e em 1997 aconteceu a primeira exportação93 (SOUZA, 1998: 173)94.

Dessas duas primeiras iniciativas, agregaram-se outras com o amadurecer dos trabalhos e o desejo de incorporação de outras mulheres em alternativas produtivas para a geração de renda. Como fruto desse desejo, efetuou-se uma prospecção nos povoados da área de atuação da AMTR para conhecer as demandas de projetos produtivos e verificar quais teriam maior viabilidade de implantação e de sobrevivência no mercado.

93 1.000 unidades de sabonetes para uma empresa norte-americana, a Pacifc Sensuals.

94 “[...] os contatos ampliaram-se e as quebradeiras receberam seu primeiro apoio financeiro, de R$ 80 mil, do Fundo das Nações Unidas para a Infância e Adolescência (UNICEF), para montar a fábrica de sabonetes no povoado de Ludovico, município de Lago do Junco” (ASSEMA, 2004: 31).

FIGURA 10: Plantação de Ervas aromáticas para extração de essências para o sabonete Babaçu Livre da AMTR, Povoado São Manoel, Lago dos Rodrigues/MA

Então, foi dado início à implantação planejada de projetos de fabricação de papel reciclado artesanal com fibras da casca do coco babaçu (Lago dos Rodrigues), da unidade de fabricação de mesocarpo de babaçu (Esperantinópolis), de frutas desidratadas (Povoado São José dos Mouras, município de Lima Campos) e, mais recentemente, de extração de essências para o sabonete Babaçu Livre (Povoado São Manoel e Centrinho, município de Lago do Junco, ver ilustração na Figura 9).

O movimento das quebradeiras de coco babaçu e o dos trabalhadores agroextrativistas só conseguiu alcançar o grau de avanço econômico95 por conta de um bem sustentado nível de organização política e de coesão em sua base, além de suas lideranças, que exprimia as vontades e os interesses dessa mesma base. Por sua vez, a elevação ao grau atual de conscientização política das lideranças e de boa parte dos integrantes só foi possibilitada pelos resultados materiais que o movimento das quebradeiras de coco conseguiu. Isso é a síntese histórica do que está expresso pela ASSEMA quando se diz que "as quebradeiras de coco babaçu são portadoras de uma identidade coletiva que as diferencia dos demais indivíduos e dos grupos sociais no interior do Estado brasileiro" (ASSEMA, 2004: 27).

Em outros termos, o patamar de conscientização política dos integrantes do movimento só aconteceu por que um aporte econômico, fruto da organização anterior, permitiu conciliar o trabalho de subsistência e de produção para o mercado com os momentos de organização e formação política.

Por isso, não se pode descartar que as organizações estrangeiras “publicitavam” ideais de auxílio a grupos sociais organizados, de diminuição da pobreza rural, etc., assim como concederam a chance de materializar esse esforço político na forma mais direta de percepção de resultados, a renda monetária.

Essas organizações disponibilizaram recursos a fundo perdido que permitiram criar uma estrutura mínima de trabalho que pôde sustentar uma massa pensante de técnicos e voluntários que produziram a maior parte da informação e do

95 Por exemplo, materializado em uma cooperativa que exporta e que oferece melhores preços do que os atravessadores pelas amêndoas de babaçu, pelos gêneros alimentícios secos e molhados. São associações que atuam na introdução de novas formas de produção e acesso a crédito, trazendo melhoria nas lavouras e beneficiamento de parte da produção local, etc.

conhecimento sobre os grupos sociais em questão, além de produzirem melhorias na produção agrícola, nas moradias e na infra-estrutura dos povoados.

3.3 A ASSOCIAÇÃO EM ÁREAS DE ASSENTAMENTO DO ESTADO DO