A caracterização da prática pedagógica da EMEF Mariana Nóbrega de Sousa no município de São José de Espinharas-PB teve como ponto de partida, a aplicação de questionários com a diretora e 16 professores que atuam na referida escola. As questões feitas versaram sobre o planejamento de ensino, orientações educacionais, seleção de conteúdos, metodologia, projetos escolares, participação da comunidade escolar, relação família-escola, etc. Destacam-se, a seguir, alguns resultados.
Gráfico 01 - Nível de escolaridade dos professores
Fonte: A autora.
A partir das informações prestadas pelos respondentes verificou-se que 56% dos professores possuem nível superior, deste total 89% trabalham com os anos finais do ensino fundamental. Sendo que os 44% restantes que não possuem ensino superior ministram nos anos iniciais do ensino fundamental. Quanto à diretora escolar, ela afirmou ter curso superior em Licenciatura Plena em Pedagogia.
Para Bof et al (2006), o nível de escolaridade dos professores demonstra a condição de carência da zona rural. No ensino fundamental I, apenas 9% apresentam formação superior. O total de docentes com formação inferior ao ensino médio corresponde a 8,3% na zona rural.
6%
19%
19% 56%
Menos que o Ensino Médio
Ensino Médio Regular completo
Curso Normal Nível Médio
Logos Nível Médio Ensino Superior
Gráfico 02 - Curso Superior dos Professores
Fonte: A autora.
O quadro acima mostra os cursos de licenciaturas dos professores da EMEF Mariana Nóbrega de Sousa: Geografia, Pedagogia, História, Letras, Biologia, Educação Artística, e Educação Física. Percebe-se que os professores que atuam nas séries finais do ensino fundamental são mais preparados. Pires (2012) ressalta a importância de articular a formação e a preparação dos professores do campo para a gestão de processos educativos escolares e também para a gestão de processos educativos comunitários, ou seja, habilitar os docentes para promover profunda articulação entre escola e comunidade.
Gráfico 03 - Professores com Pós-Graduação
Fonte: A autora.
A Gráfico acima demonstra que 31% dos professores possuem uma especialização, enquanto que 13% ainda não concluíram o curso e outros 56% não cursaram. A diretora afirmou que ainda não fez curso de pós-graduação. Antunes-Rocha e Martins (2011) destacam que as necessidades existentes na escola do campo exigem um profissional com uma formação mais ampla, mais totalizante, porque ele lida com várias dimensões educativas
56% 13%
31%
Não fiz curso de pós – graduação
Ainda não conclui curso de pós – graduação Especialização Mestrado Doutorado 13% 6% 13% 6% 13% 6% 6% GEOGRAFIA PEDAGOGIA HISTÓRIA LETRAS BIOLOGIA EDUCAÇÃO ARTÍSTICA EDUCAÇÃO FÍSICA
presentes nessa realidade. A demanda de uma formação docente multidisciplinar vem se constituindo em um novo desafio para a educação do campo.
Gráfico 04 - Área da Pós-Graduação
Fonte: A autora.
Os cursos de especialização realizados pelos professores contemplam as áreas de Educação Ambiental, Educação Infantil, Fundamentos da Educação: Práticas Pedagógicas Interdisciplinares, Língua, Linguística e Literatura e Gestão Ambiental e Geopolítica. A Resolução CNE/CEB n.2/2008 (Brasil/MEC/CNE, 2008), que estabelece diretrizes complementares, normas e princípios para o desenvolvimento de políticas públicas de atendimento da Educação Básica orienta em seu art. 7º, parágrafo segundo, sobre a formação docente e pessoal de apoio:
§ 2º A admissão e a formação inicial e continuada dos professores e do pessoal de magistério de apoio ao trabalho docente deverão considerar sempre a formação pedagógica apropriada à Educação do Campo e às oportunidades de atualização e aperfeiçoamento com os profissionais comprometidos com suas especificidades. Gráfico 05 - Participação em formação continuada
Fonte: A autora
A Gráfico acima demonstra que 69% dos professores afirmaram que participaram de curso de formação continuada nos últimos dois anos, principalmente com relação ao PENAIC
33% 17% 17% 17% 17% Educação Ambiental Educação Infantil Fundamentos da Educação: Práticas Pedagógicas Interdisciplinares Língua, Linguística e Literatura Gestão Ambiental e Geopolítica 31% 69% SIM NÃO
(Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa) e 31% não participaram. A diretora não participou de nenhuma atividade de formação continuada (atualização, treinamento, capacitação) nos últimos dois anos. Quanto à capacitação em gestão escolar, ela afirmou que se capacitou durante o curso de Licenciatura em Pedagogia. Neste sentido, Fernandes, Cerioli e Caldart (2011), afirmam que na zona rural se encontra o maior número de professores leigos e geralmente os programas de formação de professores, incluindo os cursos do magistério e os cursos superiores, não tratam das questões do campo.
Para Souza et al (2008) é um desafio não haver formação continuada e específica para os profissionais da Educação do Campo, ou qualificação vinculada às necessidades e especificidades dessa área. Apenas recentemente encontramos escolas que se comprometem com essa formação e com as especificidades no e do campo.
Gráfico 06 - Tempo de magistério na escola
Fonte: A autora
Quanto ao tempo de magistério na EMEIF Mariana Nóbrega de Sousa, 75% dos professores responderam que trabalham entre 11 a 20 anos na escola. Chama a atenção que 01 professora (6%) leciona nesta escola há mais de trinta anos. A diretora escolar declarou que trabalha nesta escola há 12 anos, sendo que durante 10 anos atuou como professora das séries iniciais do ensino fundamental e há 02 anos assumiu a direção da escola.
13% 6% 75% 6% Menos de 5 anos 5 a 10 anos 11 a 20 anos 21 a 30 anos Mais de 30 anos
Gráfico 07 - Tempo de magistério em escolas do campo
Fonte: A autora.
Quanto ao tempo de magistério em escolas do campo, 50% dos professores responderam que também trabalham entre 11 a 20 anos na zona rural. Também chama a atenção que 03 professoras (19%) trabalham há mais de trinta anos com escolas do campo. A diretora escolar afirmou que sua experiência com escola do campo diz respeito ao tempo de serviço na EMEIF Mariana Nóbrega de Sousa, ou seja, 12 anos atuando nesta escola.
Gráfico 08 - Programas federais existentes na escola
Fonte: A autora.
Quanto aos programas federais existentes na escola de incentivo a educação do campo, 94% responderam que têm conhecimento da existência do programa Mais Educação Campo e 88% responderam que a escola tem o PDDE Campo. No entanto apenas 01 professora (6%) lembrou que a escola tem o PNLD Campo e 01 destacou a existência do CEJA (Centro de Educação de Jovens e Adultos). A diretora escolar afirmou que a escola é atendida pelos programas PDDE-Campo, Mais Educação Campo, PNLD Campo, Projovem-Campo e PDDE Água e Esgoto Sanitário.
6% 50% 25% 19% Menos de 5 anos 5 a 10 anos 11 a 20 anos 21 a 30 anos Mais de 30 anos 88% 94% 6% 6% 6% Não Sabe PDDE – Campo Mais Educação Campo PNLD Campo EJA Saberes da Terra
PROJOVEM – Campo PDDE Água e Esgoto Sanitário Outros:CEJA
A Portaria nº 86, de 1º de fevereiro de 2013 institui o Programa Nacional de Educação do Campo – PRONACAMPO, e define suas diretrizes gerais, sendo estruturado em quatro eixos: Gestão e práticas pedagógicas; Formação inicial e continuada de professores; Educação de jovens e adultos e educação profissional; e infraestrutura física e tecnológica. As diversas ações e programas de incentivo a educação do campo são baseadas nesses quatro eixos do PRONACAMPO.
Gráfico 09 - Principais características dos programas e projetos da escola
Fonte: A autora.
Quanto as principais características dos programas e projetos existentes na escola, os professores (69%) responderam que não são devidamente realizados em conformidade com a proposta de educação do campo. Enquanto que 19% afirmaram que os mesmos contribuem para a melhoria da aprendizagem dos alunos e outros 13% acreditam que são desenvolvidos de forma articulada com o PPP da escola. A gestora indicou como principal característica dos projetos e programas desenvolvidos o fato de contribuírem para a melhoria da aprendizagem dos alunos.
A Resolução CNE/CEB nº 1, de 03 de abril de 2002, institui as Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas escolas do campo a serem observadas nos projetos das instituições que integram os diversos sistemas de ensino. No parágrafo único do art. 2º está escrito:
Parágrafo único. A identidade da escola do campo é definida pela sua vinculação às questões inerentes a sua realidade, ancorando-se na temporalidade e saberes próprios dos estudantes, na memória coletiva que sinaliza futuros, na rede de ciência e tecnologia disponível na sociedade e nos movimentos sociais em defesa de projetos que associem as soluções exigidas por essas questões à qualidade social da vida coletiva no país.
19%
69% 13%
São desenvolvidos de forma articulada com o PPP
Valorizam a identidade do aluno do campo
Contribuem para a melhoria da aprendizagem dos alunos Não são devidamente realizados em conformidade com a proposta de educação do campo
Gráfico 10 - Características do calendário escolar
Fonte: A autora.
A principal característica do calendário escolar apontada por 69% dos professores revela que quando necessário, o calendário escolar é modificado para atender as necessidades dos alunos, por exemplo, problemas com transporte durante o período chuvoso. No entanto, 31% dos professores e a diretora afirmaram que o calendário escolar segue o mesmo calendário da escola urbana do município. No artigo 28 da LDB 9.394/1996, está previsto as adaptações necessárias às peculiaridades da vida rural e de cada região:
Art. 28. Na oferta de educação básica para a população rural, os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região, especialmente:
I - conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural;
II - organização escolar própria, incluindo adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas;
III - adequação à natureza do trabalho na zona rural.
Para Bof et al (2006) a nucleação geralmente não apresenta uma proposta pedagógica exclusiva, seguindo as mesmas diretrizes curriculares do sistema educacional as quais as escolas estão vinculadas.
69% 31%
Quando necessário, o calendário escolar é modificado para atender as necessidades dos alunos, por exemplo, problemas com transporte durante o período chuvoso
Nosso calendário escolar segue o mesmo calendário da escola urbana
Gráfico 11 - As principais práticas pedagógicas dos professores
Fonte: A autora.
As principais práticas pedagógicas utilizadas pelos professores são:Discutir um texto, explorando as diferenças entre fatos e opiniões (100%); Fazer exercícios para fixar procedimentos e regras (88%); Lidar com situações que lhes sejam familiares e que apresentem temas de interesse dos alunos (69%); Promover discussões a partir de textos de jornais e revistas (56%); Copiar textos do livro didático ou do quadro negro ou lousa (38%).
Gráfico 12 - Instrumentos metodológicos e avaliativos utilizados
Fonte: A autora.
Os principais instrumentos metodológicos e avaliativos utilizados pelos professores são: Aulas expositivas (94%), provas (94%), trabalhos em grupos (88%), debates (81%), aulas de campo (63%) e outros (44%). 38% 56% 100% 88% 69%
6% Copiar textos do livro didático ou do quadro negro ou lousa. Promover discussões a partir de textos de jornais e revistas Discutir um texto, explorando as diferenças entre fatos e opiniões Fazer exercícios para fixar procedimentos e regras Lidar com situações que lhes sejam familiares e que apresentem temas de interesse dos alunos Outras 94% 81% 88% 81% 94% 63% 44% Aulas expositivas Debates Trabalhos em grupos Pesquisas Provas
4.2 PRÁTICAS PEDAGÓGICAS x PROPOSTAS POLÍTICO-PEDAGÓGICAS DA